Mostrar mensagens com a etiqueta Ginjinha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ginjinha. Mostrar todas as mensagens
sábado, 2 de novembro de 2013
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
GINJINHA DA MOURARIA
Os dedos de uma mão chegam para contar as vezes que entrei
na Ginjinha da Mouraria.
Está de portas fechadas e não consegui apurar o desde
quando.
Fronteira da Mouraria, mesmo por detrás daquele monstro que
o Krus Abecasis permitiu que se construísse no Martim Moniz e que dá pelo nome de
Centro Comercial da Mouraria, quase a chegar à Rua Capelão, juncada
de rosmaninho, se o meu amor vier cedinho, eu beijo as pedras do chão, que
ele pisar no caminho.
Etiquetas:
Comércio tradicional,
Ginjinha,
Memórias
domingo, 2 de junho de 2013
DOMINGO NO PARQUE
Sempre entendi a Feira do Livro como uma festa.
Também oportunidade para encontrar, a bons preços,
livros que já temos dificuldade em encontrar nas livrarias, por motivos que só
estão ao alcance do oportunismo de editores e livreiros.
Chamam-lhes fundos de catálogo, ou lá o que é.
Neste aspecto a Relógio d’Agua, mais uma vez, dá uma
banhada à concorrência.
Facilmente manuseados em caixas que mostram os
respectivos preços, estão ali grandes livros, grandes autores, por preços que
vão dos 3 aos 10 euros.
Sou rapaz de livros e petiscos
.
Este ano a mistura é abrangente e espalhada ao longo de todo o recinto: farturas, churros, bifanas, cachorros, caracóis, gelados, cafés, ginjinha.
Espanto-me como ainda não chegaram as roulottes de
sandes de coiratos.
Dêem-lhes tempo…
Como dizia: o poeta: primeiro estranha-se, depois
entranha-se.
Feira do Livro.
Um encontro de cheiros, sejam eles dos petiscos, dos
próprios livros – sempre gostei de cheirar os livros – das flores e árvores do
parque, a despedida, por este ano, dos jacarandás, um deles apanhado em pleno
gozo de sol e que encima o texto.
Neste ano, a Feira regista a presença de 480
editores espalhados por 240 pavilhões. Milhares e milhares de livros que, em
grande parte, não sei a que públicos se destinam, mas editam-se.
Nada melhor para encerrar o dia, que reler um velho
texto que, suponho seja do Fernando Assis Pacheco:
Feira
do Livro.
Pratique
então você, sozinho e em segredo, a sua subversão. Faça uso do seu tempo,
respire fundo, atenda aos seus sentidos, deixe-se apaixonar, ao toque, ao
cheiro, por algum livro antigo, manchado por bolores de anónimos invernos.
Oculto, disfarçado como um tesouro celta, enigmático e no entanto familiar,
está aquele livro que você sempre quis ler ou perdeu em criança e vai encontrar
por escolha sua.
Vá-o
abrindo devagar, desfrute-o como um ser único que lentamente se desvenda e
oferece sucessivas camadas de beleza. Confunda-se com ele, risque, comente,
assinale-lhe no corpo o seu percurso. Use-o, gaste-o, comece-o outra vez. Será
este um prazer de nossos avoengos a quem a vista de um tornozelo de mulher
proporcionava excitações inconcebíveis e a posse de um livro, só por si,
legitimava orgulhos genealógicos.
Boa
Feira e bons encontros.
Etiquetas:
Feira do Livro,
Ginjinha,
Jacarandás
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
RUBI
A venda de ginjinha ocorria também nos muitos quiosques espalhados pela cidade.
Principalmente aqueles que se encontravam junto a entrepostos alfandegários e terminais de navios de carga convencional, quando ainda faltava algum tempo para os portas-contentores começarem a sulcar os mares.
Desde Santos até ao Poço do Bispo e de Santos esses quiosques, para além de ginjinha, vendiam outras bebidas licorosas, como o Eduardinho, o vinho abafado e esse clássico branco-velho, também conhecido por mata-bicho, uma mistura feita em copo, parte de vinho branco, outra parte de vinho abafado.
Esta é a Ginjinha Rubi, na Avenida da Liberdade, situada mesmo ao lado do histórico Café Palladium, um dos muitos cafés da cidade que se transformaram em dependências bancárias e lojas de trapos.
O Palladaiun, hoje, alberga um manhoso Shopping-Center.
Voltaremos a outras ginjinhas.
Para finalizar esta primeira etapa, fiquem-se com uma história, Mustafá Com Elas!, da autoria de Luís Graça, não sei se fará parte de algum livro, mas que há alguns anos encontrei num blogue que, lamentavelmente, não consigo encontrar o nome.
Mustafá Al-Ginjal gostava de ginjas com elas!
Por isso mesmo, ginja era a bebida oficial do seu harém. «Os lábios das mulheres, depois de beberem ginja, tornam-se doces e aveludados, próprios aos deleites do amor», escreveu o todo-poderoso no edital 33-B da Junta de freguesia de Ginjalabad, concelho de Ginger City, Emirados Bárbaros Bem Bebidos.
Depois dos prazeres da carne, Mustafá Al-Ginjal adorava assistir, em grupo no seu “home-cinema”, a filmes com Ginja Roxa e Fred Histérico. Por vezes o frenético ritmo dos passos de dança erotizava Mustafá Al-Ginjal de tal maneira que o grande líder espiritual se auto-motivava para mais uma sessão de convívio íntimo com a sua guarda pretoriana da sensualidade.
Pretexto para as bardaliscas (odaliscas de serviço ao bar) servirem voluptuosas doses de Al-Ginjah 1755”, um Reserva de contornos sísmicos, capaz de ressuscitar zombies.
Todos os meses o monarca convidava para o seu palácio o maior consumidor de ginja do Rossio, que geralmente não estava em condições de desfrutar do harém do seu anfitrião. “É do jet-lag”, desculpava-se, enquanto tomava mais um cálice do precioso néctar. E depois voltava para o Rossio com histórias das 1001 noites em que nenhum engraxador acreditava.
Etiquetas:
Comércio tradicional,
Ginjinha
SEM RIVAL
Esta é a Ginjinha Sem Rival de J. Manuel L. Lima, situada na rua das Portas de Santo Antão, que ainda conheci como Rua Eugénio dos Santos.
O número de porta é o 7 e está quase ao lado desse must da cidade que dá pelo nome de Gambrinus.
Noutros tempos, a malta da rua descia à baixa, e paragem obrigatória era na Sem Rival.
Num acto de perfeita javardice, bebíamos o liquido à entrada da porta o copo e iniciava-se o campeonato para ver quem mandava o caroço da ginja mais longe.
Quem perdia pagava a rodada.
A fotografia é recente e, como podem ver, no lado esquerdo, está um caixote para que aí sejam colocados os horrorosos copinhos de plástico em que a mixórdia, nos dias de hoje, é vendida.
Já que estamos em maré de ginjas, e como isto anda tudo desligado, cabe referir que no seu excelente livro À Mesa com a História, Manuel Guimarães, conta que a D. Maria, a célebre governanta do ditador de Santa Coma, fazia uma saborosíssima ginja caseira. Os frutos eram comprados no auge da sua gostosura e as garrafas pousavam obrigatoriamente dois anos.
Manuel Guimarães conta que Salazar, embora não apreciasse a bebida por aí além, provava-a em homenagem à sua excelsa governanta.
Conta ainda Manuel Guimarães que, embora não gostasse de ginja, Salazar tirava o chapéu ao Vinho do Porto. Assim se pode ler:
O padre Carneiro Mesquita era proprietário na zona do Douro e produtor de Vinho do Porto de muito boa qualidade. Foi ele quem iniciou Salazar nas subtilezas do preciosos néctar que se gabava, muito justamente, aliás, de dominar na perfeição.
Salazar mantinha uma curiosa relação com o Vinho do Porto que muito apreciava. Usava-o em lugar de água, durante os discursos, para molhar a palavra. A garrafa do preciosos líquido era confiada ao Chauffeur do presidente, que a fazia chegar à mesa da conferência, recolhendo-a no final, a rogo de D. Maria, que no regresso a S. Bento a reclamava de imediato, sem nada querer saber dos sucessos da palavra do amo e senhor que gostosa e fielmente serviu, durante toda a sua vida.
Etiquetas:
Comércio tradicional,
Dicionário de Morais,
Ginjinha,
Salazar
COM ELAS OU SEM ELAS?
No nº 8 do Largo de São Domingos, fica A Ginjinha.
Como, por outros motivos dizia o Vasco Santana, ginjas há muitas, seu palerma, razão que leva que nos posts seguintes irão aparecer mais duas casa que, em Lisboa, se dedicam à venda da popular bebida.
Esta é a mais conhecida ginjinha de Lisboa.
Durante todo o ano é um corrupio de gente, mas nos meses de Verão, magotes de turistas invadem o estabelecimento para provar essa coisa a que se chama ginja, de que ouviram falar, em certos países chamam-lhe sherry, mas não é bem a mesma coisa.
Mas toda esta gente já chegou tarde.
O que agora se vende não chega aos calcanhares da ginja que há muitos anos por ali se bebia, ainda mal tínhamos chegado balcão já o tasqueiro de garrafa na mão, perguntava com elas ou sem.
A ganância negocial levou a que a receita tradicional algures se perdesse e hoje aquilo é uma mixórdia sem nome.
Os grossos copos nem sequer eram lavados, passados ligeiramente por água o que, nos primeiros meses de fogo da ASAE, levou ao encerramento do estabelecimento.
Hoje para evitar confusões, as ginjinhas são servidas em horrorosos copos de plástico.
Admite-se que terá sido Francisco Espinheira, por alturas de 1840, quem iniciou o negócio, que ainda hoje é marca registada, mas pouco tem a ver com a primitiva Espinheira.
Diga-se, por uma questão de justiça, que as únicas ginjas decentes que hoje se bebem são a de Óbidos e a de Alcobaça, mas que são mais licores de ginga do que aguardente de ginja propriamente dita.
O Grande Dicionário Dicionário da Língua Portuguesa de António de Morais Silva define ginja como: fruto da ginjeira, de cor verde e de sabor agridoce, lembra que saber que nem ginjas é como saber bem, ser agradável, que a um velho magro e encolhido se pode chamar ginja, que ginjal é o lugar onde crescem ginjeiras e que ginjinha é uma bebida que se faz de aguardente, açúcar e ginja de infusão.
Também regista que, a um velhote magro e encolhido, se pode chamar ginja, que ginjal é o lugar onde crescem ginjeiras e ginginha é bebida que se faz de aguardente, acúcar e ginja de infusão.
A ginja que se fazia em cada do meu pai, seguia a velha receita, conhecida de toda a gente, de uma simplicidade cativante:
Por fins de Maio, princípios de Junho, compravam-se as ginjas, de preferência garrafal dado que a ginja de mesa não é apropriada. Lavavam-se, tiravam-se os pés e metiam-se numa grande garrafa de vidro branco, gargalo largo, juntava-se acúcar amarelo, pau de canela e aguardente, que, digam o que disserem, terá de ser de qualidade.
Em Outubro, com alguma solenidade, provava-se e rectificava-se o álcool e a doçura.
A garrafa só voltava a ser aberta na noite de consoada, levava logo um tremendo golpe, e havia tentativas desesperadas para que para que qualquer coisinha pudesse chegar ao jantar de Ano Novo.
Ao longo dos anos segui a tradição, mas as ginjas foram perdendo aquele agridoce, começaram a escassear, e as que são postas à venda, apesar do preço exagerado, desaparecem num ápice.
A melhor ginja que fiz terá sido a do ano de 1972.
D. Aida engravidara.
Tive o cuidado de guardar uma garrafa para ser aberta, com a respectiva pompa e circunstância quando o catraio, ou a catraia, naqueles tempos não se sabiam essas coisas com antecipação, fizesse 18 anos
Num jantar a dita, levianamente, foi trazida para a mesa como se fosse vinho tinto,
ninguém (?) reparou nas ginjas que, dentro, dançavam e aberta que foi, em reles segundos, vazia ficou.
Como se diz na gíria: fiquei para morrer!...
Etiquetas:
Comércio tradicional,
Ginjinha,
Memórias
OLHAR AS CAPAS
Receitas da Mãe
Marília Pimentel Teixeira
Capa: João Frade
Escher, Publicações, Lisboa Outubro 1991
Há duas coisas no Mundo que me dá gosto fazer com a minha filha: fumar um cigarro e beber café. Mas ela adora uma bebidinha a acompanhar. “Amarguinha” ou “Ginjinha”.
A MINHA GINJINHA
- Ginjas, gordas de sumo e bêbedas de sol, muitas (cerca de 1kg)
- lavar
- Arrancar o pé a algumas, outras deixam-se com um bocadinho de pé para agarrar o
prazer de chupar…
- tirar com a pinça o caroço a algumas, outras ficam com o caroço (cerca de metade)
para gozarmos o prazer de rilhar doce.
Deitar as ginjas num grande frasco de boca larga, e
- 2 paus de canela, um número de cravos-cabecinha e um molhinho de pés que arran-
cámos às ginjas, atados com linha branca
- cobrir com acúcar branco (cerca de 1 kg)
- aguardente boa (quase 2 litros)
e será nosso encanto levar durante 40 dias o frasco, todas as manhãs, para o Sol
(quer ele brilhe ou não) e guardá-lo ao escurecer.
Virar diariamente as ginjas up side down.
Deixar depois envelhecer, demorando o prazer.
Depois, servimo-nos sempre das ginjas com um espeto de madeira.
De preferência beber por um copo de vinho do Porto.
sábado, 29 de outubro de 2011
terça-feira, 23 de março de 2010
Subscrever:
Mensagens (Atom)









