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segunda-feira, 23 de abril de 2018

GIRASSÓIS


Adormecer sobre a profusão dos girassóis, pensando nos flancos menos expostos de outro corpo. Várias foram as negligências do olhar, bem pouco curioso para outra coisa que não fosse a nudez da terra, às vezes muito jovem, outras, fatigada. O desejo, só o desejo impede a perversão da alegria. E destas sílabas.

Eugénio de Andrade em Memória Doutro Rio

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

OLHAR AS CAPAS


A Religião do Girassol

Antologia organizada por Jorge Sousa Braga
Ilustrações: Albuquerque Mendes, Pedro Tudela, Ângelo de Sousa
                     Luísa Gonçalves, Júlio Resende, Fernando Pinto Coelho, 
                      Cristina Valadas
Capa: Girassol Peruano de Giovani Neri
Colecção Documenta Poética nº 54
Assírio & Alvim, Lisboa, Outubro 2000

Apesar de o tempo o ter desgastado
continua contando os passos do sol,
perseguindo um doce país doirado,
o girassol.

O mesmo aonde erguendo-se do túmulo
uma virgem branca como a neve
e um jovem consumido pelo desejo
aspiram que os leve.

William Blake

sábado, 16 de maio de 2015

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

POSTAIS SEM SELO


A coisa mais bonita que vi até hoje não foi um quadro, nem um monumento,
nem uma cidade, nem uma mulher, nem a pastorinha de biscuit da minha avó Eva quando era pequeno, nem o mar, nem o terceiro minuto da aurora de que os poetas falam: a coisa mais bonita que vi até hoje eram vinte mil hectares de
girassol na Baixa do Cassanje, em Angola. A gente saía antes da manhã e nisto, com a chegada da luz, os girassóis erguiam a cabeça, à uma, na direcção do nascente, a terra inteira cheia de grandes pestanas amarelas dos dois lados da picada.

António Lobo Antunes em Segundo Livro de Crónicas

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

QUOTIDIANOS


Consternadores os resultados do vento.
Quem envolveu o girassol que havia encostado ao muro e ao soprara sem descanso, derrubou o tutor a que ele se arrimava, e o quebrou na queda?
Ao dar das cinco horas, Alice chega; desta vez, mais do que em mim repara na grande flor por terra, e sofremos a morte de um se humano.
Segredo-lhe inundada num sol imaginário:
- Dá-te aquele que já tem o teu nome.

Maria Gabriela Llansol em Na Casa de Julho e Agosto.

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

A CIÊNCIA DAS GRANDES MIGRAÇÕES


Havia girassóis à volta da casa
e as palavras imortais dos espantalhos, uma forma
de evitar que endoidecêssemos. E havia um muro
que era preciso saltar, a manhã gloriosa
da escalada, a ciência das grandes migrações.


Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

sábado, 30 de novembro de 2013

POSTAIS SEM SELO


Passa uma nuvem pelo sol, passa uma pena por quem vê. A alma é como um girassol:
Vira-se ao que não está ao pé. Passou a nuvem; o sol volta. A alegria girassolou.

Fernando Pessoa

terça-feira, 12 de março de 2013

POSTAIS SEM SELO


Lembrei-me de ouvir o silêncio do Alentejo, tão profundo e ancestral como o cante dos homens nos jordões ou nas tabernas. Reflecti sobre a sabedoria posta em cada refeição - quase como um acto sagrado - que requer o tempo necessário, a calma que permite distinguir cada sabor, cada textura, cada aparência (o paio a deitar pingo, o queijo com olhinhos de azeite, o aveludado do vinho, a “coida” do pão).
Todas as coisas ficam sem pressa, quase paradas, entre a cultura e a alma, entre o choro e a ironia. Qualquer acto se reveste de um enorme significado.
Ser alentejano é uma Arte e uma Crença: crença no pouco que se tem e na alquimia da transformação do nada em quase tudo:
- faltam monumentos, mas há pão;
- faltam fontes, mas há vinho;
- falta o verde, mas há ouro.
Alentejo: o Património de todos os sentidos.

Maria José Bravo Balancho

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

terça-feira, 3 de julho de 2012

POSTAIS SEM SELO


Um girassol não é uma flor, são milhares de flores: aquela comunidade de flores tornou-se uma flor grande para atrair os insectos. É uma metáfora também daquilo que somos: milhares de cabeças.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

POR JUNHO




Na quintarola do Magoito saltaram os primeiros girassóis.
Vieram por Junho, deveriam ter aparecido antes, mas o tempo anda todo desencontrado..
E já se nota que os pássaros, principalmente os melros, já começaram a bicar nas sementes.

terça-feira, 31 de maio de 2011

POSTAIS SEM SELO


Adormecer sobre a profusão dos girassóis, pensando nos flancos menos expostos de outro corpo. Várias foram as negligências do olhar, bem pouco curioso para outra coisa que não fosse a nudez da terra, às vezes muito jovem, outras, fatigada. O desejo, só o desejo impede a perversão da alegria. E destas sílabas.

Eugénio de Andrade em “A Memória Doutro Rio”, Limiar Editora, Abril 1978

sexta-feira, 25 de março de 2011

POSTAIS SEM SELO


“O Sol parece a canção do memino que saboreou aroma de baunilha pela primeira vez numa manhã de Priamavera.”

Mário Castrim