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sábado, 16 de maio de 2020

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Quando o meu pai não quis ir ver o Cinema Paraíso, o filme de Giuseppe Tornatore, andou para ali às voltas e fiquei com a vaga ideia de me ter falado numa crónica do Carlos Pinhão que eu não tinha lido, pelo que não lhe pude adiantar qualquer comentário e nasceu por ali um qualquer silêncio.

Acabei por recuperar essa crónica do Carlos Pinhão.

Lia-a mais que uma vez, ainda hoje voltei a relê-la, e não encontro qualquer motivo de, por ela, o meu pai não querer ir ver o filme.

Passado todo este tempo, os motivos eram outros. Bem fortes e sem qualquer porta de saída, a não ser aquela que veio a acontecer.

Mas fica a crónica do Carlos Pinhão:


Como complemento fica também uma crónica do Jorge Listopad, sobre Cinema Paraíso:

ANTOLOGIA DO CAIS

 
Para assinalar os 10 anos do CAIS DO OLHAR, os fins-de-semana estão guardados para lembrar alguns textos que por aqui foram sendo publicados.

O QU’É QUE VAI NO PIOLHO?

De poucos filmes sei, que recriem a magia das matinés da infância e da adolescência, como Cinema Paraíso do italiano Giuseppe Tornatore.

Aquele tempo único em que a plateia do Cine-Oriente fazia uma imensa chinfrineira face às imagens que corriam na tela, uma inocente euforia que não mais encontrei, um público que mal sabia ler e uma boa parte nem isso. Fui um dos muitos miúdos desse cinema barato, onde tantos descobriram a magia do cinema, o seu mundo de fantasia.

São esses espectadores, outros que foram surgindo por todos os tempos, que têm por Cinema Paraíso um sentimento de puro afecto.

No filme está lá tudo: a magia do cinema, o amor ao cinema, a nostalgia.

Aquando da sua estreia, um pouco por cada canto do mundo, os críticos torceram o nariz e foram os espectadores que lhe deram a alma, ao ponto de ser distinguido com o Grande Prémio do Júri, no Festival de Cannes de 1989, e o Óscar de melhor filme estrangeiro.

A sequência dos beijos cortados pelo padre-censor, é antológica.

Há quem considere Cinema Paraíso um filme sentimentalista, pretendendo esquecer que, acima de tudo, se trata de uma homenagem ao cinema, seja lá o que isso for.

O meu pai morreu em Junho de 1990.

O filme, em Portugal, estreou nos primeiros meses desse ano.

Por Abril, desafiei o meu pai para irmos ver o filme e, como era tradição, depois de cada sessão, beber uma garrafinha a acompanhar um qualquer petisco.

Ainda disse que à garrafinha talvez, mas ao filme não iria.

No adiantou razões, falou-me vagamente numa crónica do Carlos Pinhão sobre o filme, mas não consegui juntar as pontas desse novelo.

Só ele o saberia como fazer.

Claro que sinais da doença já os sentia e a sua inteligência levou-o a não ser companheiro desse passo.

Nem filme, nem garrafinha.

A 17 de Maio entrou no Hospital e cedo ficámos a saber que, mais dia menos dia, chegaria o fim.


 Por mim e por ele, quase um Imenso Adeus do Chandler, fui ver o filme, sessão das 16,30 horas, do dia 6 de Junho, no Plaza, uma sala que existia no Centro Comercial Alvalade.

Chorei infâncias perdidas, como escreveu Jorge Silva Melo em relação a O Vale Era Verde do John Ford.

Chorei essencialmente a morte do meu pai que pressentia próxima.

Ocorreria dezasseis dias depois dessa sessão do dia 6.

Se a catalogação existe, Cinema Paraíso é um dos filmes da minha vida.

Texto publicado no dia 17 de Abril de 2018

terça-feira, 17 de abril de 2018

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?


De poucos filmes sei, que recriem a magia das matinés da infância e da adolescência como Cinema Paraíso do italiano Giuseppe Tornatre.

Aquele tempo único em que a plateia do Cine-Oriente fazia uma imensa chinfrineira face às imagens que corriam na tela, uma inocente euforia que não mais encontrei, um público que mal sabia ler e uma boa parte nem isso. Fui um dos muitos miúdos desse cinema barato, onde tantos descobriram a magia do cinema, o seu mundo de fantasia.

São esses espectadores, outros que se foram surgindo por todos os tempos, que têm por Cinema Paraíso um sentimento de puro afecto.

No filme está lá tudo: a magia do cinema, o amor ao cinema, a nostalgia.

Aquando da sua estreia, um pouco por cada canto do mundo, os críticos torceram o nariz e foram os espectadores que lhe deram a alma, ao ponto de ser distinguido com o Grande Prémio do Júri, no Festival de Cannes de 1989, e o Óscar de melhor filme estrangeiro.

A sequência dos beijos cortados pelo padre-censor, é antológica.

Há quem considere Cinema Paraíso um filme sentimentalista, pretendendo esquecer que, acima de tudo, se trata de uma homenagem ao cinema, seja lá o que isso for.

O meu pai morreu em Junho de 1990.

O filme, em Portugal, estreou nos primeiros meses desse ano.

Por Abril, desafiei o meu pai para irmos ver o filme e, como era tradição, depois de cada sessão, beber uma garrafinha a acompanhar um qualquer petisco.

Ainda disse que à garrafinha talvez, mas ao filme não iria.

No adiantou razões, falou-me vagamente numa crónica do Carlos Pinhão sobre o filme, mas não consegui juntar as pontas desse novelo.

Claro que sinais da doença já os sentia e a sua inteligência levou-o a não ser companheiro.

Nem filme, nem garrafinha.

A 17 de Maio entrara no Hospital e cedo ficámos a saber que, mais dia menos dia, chegaria o fim.



Por mim e por ele, quase um Imenso Adues do Chandler, fui ver o filme, sessão das 16,30 horas, do dia 6 de Junho, no Plaza, uma sala que existia no Centro Comercial Alvalade.

Chorei infâncias perdidas, como escreveu Jorge Silva Melo em relação a O Vale Era Verde do John Ford.

Chorei essencialmente a morte do meu pai que pressentia próxima.

Ocorreria dezasseis dias depois dessa sessão do dia 6.

Se a catalogação existe, Cinema Paraíso é um dos filmes da minha vida.