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segunda-feira, 22 de julho de 2019

CANÇÃO AO MAR


Deixa escrever-te, verde mar antigo,
Largo Oceano, velho deus limoso,
Coração sempre lírico, choroso,
E terno visionário, meu amigo!

Das bandas do poente lamentoso
Quando o vermelho sol vai ter comtigo,
- Nada é mais grande, nobre e doloroso,
Do que tu, - vasto e húmido jazigo!

Nada é mais triste, trágico e profundo!
Ninguem te vence ou te venceu no mundo!...
Mas tambem, quem te pode consolar?!

Tu és Força, Arte, Amor, por excelência! -
E, com tudo, ouve-o aqui, em confidência;
- A Musica é mais triste inda que o Mar!

Gomes Leal

Legenda: monumento a Gomes Leal no Cemitério do Alto de São João

quinta-feira, 19 de abril de 2018

OLHAR AS CAPAS


Mefistófeles em Lisboa

Gomes Leal
Livraria Guimarães & Cª Editora, Lisboa, 1907

Aos Toiros Aos Toiros

Ródam trens com palreiras hespanholas
para a praça dos toiros, léstamente...
Um Bombita ou Guerrita certamente
terão moñas, charutos, gabarolas...

Ha vida, confusão, balburdia. – Lolas
o cavaleiro aplaudem rijamente,
emquanto o toiro diz pacientemente:
– Que mal fiz eu a estes patetólas?...

Teem elles brindes, premios, mil charutos!
Cá nós, porém, irracionaes e brutos,
sem fazer mal algum, farpa e garrócha...

Ora, qual d’estas cousas tem mais siso?
– O marrar, por ser toiro ou ser preciso,
– ou matar, sendo homem, por bambócha?...