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domingo, 18 de agosto de 2019

QUOTIDIANOS


O governo vai decretar que os dias da crise energética chegaram ao fim.

O Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas, após uma semana de luta, anunciou o final da greve.

Quanto, ganharam, ainda mais, as empresas petrolíferas?

Trabalhadores por um lado, patrões por outro, o governo a servir de árbitro entre as partes, uma arbitragem que tendeu mais para o lado do patronato e, face a esses sinais, a ministragem arbitral foi murmurando que era importante que o país não parasse que os portugueses tivessem umas férias sem sobressaltos.

O estranho desta greve é que os responsáveis das petrolíferas não foram chamados pelo governo e mantiveram um silêncio ensurdecedor.

Importante é que os trabalhadores, de uma vez por todas, exijam melhores salários, melhores condições de trabalho e que os diversos subsídios, que as empresas pagam por debaixo da mesa, sejam declarados.

Os dinheiros não declarados, que agora recebem, sabem bem mas em caso de baixa médica, subsídio de desemprego ou reforma futura, não servem para nada!

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

NOTÍCIAS DO CIRCO


Decididamente não aprendemos nada.

Famílias mais endividadas: os bancos, desde o início do ano estão a emprestar 47 milhões por dia.

Os créditos concedidos para compra de casa e bens de consumo continua a subir e em Junho registou-se o nível mais alto desde 2010.

Será que assim o Estado encontrou um outro modo de ajudar os bancos?

Ao povo ninguém concede ajudas.

Nem o próprio povo, que, amiúde, esquece sempre qua as trancas têm que ser postas nas portas antes da casa ser roubada.

terça-feira, 8 de maio de 2018

ETECETERA


Para evitar qualquer situação de mal-entendido, digo que sou completamente contra qualquer tipo/género  de assédio sexual.

Mas, percebendo a problemática, gostaria de deixar dito que toda esta gente levou bastante tempo a fazer as denúncias e as revelações que, agora, saltam em cada dia abrangendo as mais variadas gentes. 

Sim, a vida é difícil…

O velho recorte que antecipa este apontamento é de autoria da jornalista Antónia de Sousa e foi publicado no Diário de Notícias há uns bons 30 anos.

Está lá tudo!

Os salários em atraso, os contratos a prazo, a precaridade do emprego tornaram as mulheres mais vulneráveis à chantagem sexual nos locais de trabalho.

Lembram-se da grande crise nas empresas têxteis do Vale do Ave?

E a chantagem, não é muitas vezes exercida pelos patrões, mas por chefes e chefinhos, encarregados e encarregadinhos, que se aproveitam das fragilidades das trabalhadoras para as seduzir.

Há quem resista mas a esmagadora maioria são mulheres que não aparecem em público a denunciar as chantagens.

Por vergonha, por medo.


Voltando ao escândalo que envolve a atribuição do Prémio Nobel da Literatura, referido no último Etecetera, é muito importante ler o artigo de  Ana Sousa Dias, no Diário de Notícias. de sábado.

Começa assim:


Mais uma citação:

E tudo por causa de um rastilho acendido em outubro do ano passado por múltiplas denúncias de que um certo Harvey Weinstein usava e abusava do seu poder de produtor de cinema para conseguir sexo. É uma história do género O Rei Vai Nu. Aquela coisa de"toda a gente sabe mas ninguém fala nisso", como aconteceu com a pedofilia na Igreja Católica ou, por cá, com as histórias escabrosas da Casa Pia, sobre as quais já se percebeu que nunca saberemos nada que se aproxime de verdade.

TEMPOS SOCRÁTICOS

O ganda noia Marques Mendes, na sua prática dominical na SIC, largou, ontem, a ideia de que José Sócrates vai fazer tudo para perturbar a vida ao Partido socialista e embaraçar António Costa. 

«José Sócrates é vingativo» afirmou.

A jornalista Fernanda Câncio, que manteve relação próxima com José Sócrates, em artigo no Diário de Notícias afirma que o ex-primeiro-ministro enganou toda a gente.

E por onde anda Manuel Pinho?

AVISO

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, avisou, em entrevista à Rádio Renascença que pode antecipar as eleições legislativas se o Orçamento:

«É tão fundamental para mim, que uma não aprovação do Orçamento me levaria a pensar duas vezes relativamente àquilo que considero essencial para o país, que é que a legislatura seja cumprida até ao fim».

NÚMEROS DA POBREZA

Dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que, em 2017, dois milhões e 399 mil portugueses estavam em risco de pobreza ou exclusão social, ou seja, menos 196 mil pessoas do que no ano anterior.

Do total de pessoas em pobreza ou exclusão social, 18% (431 mil) eram menores de 18 anos, enquanto 18,8% (451 mil) eram pessoas com 65 ou mais anos.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

NOTÍCIAS DO CIRCO


Volta a falar-se do Bloco central.
O primeiro-ministro diz que não.
A ver vamos, como diz o cego do costume.
Mas Mário Centeno tem andado a preparar o país para tempos agrestes.
Em Março falava de um quadro económico menos favorável.
No dia 13 de Abril voltou ao tema e na véspera do 25 de Abril repetiu a dose.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

NOTÍCIAS DO CIRCO


Da mesma forma que o Bloco de Esquerda e o PCP têm vendido a alma ao diabo, exclusivamente com o objetivo de pôr a direita na rua, acho que ao PSD lhe fica muito bem se vender a alma ao diabo para pôr a esquerda na rua.

Manuela Ferreira Leite, hoje, em entrevista à TSF

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO


Prontos.
Não descansaram enquanto não nos levaram o Ronaldo do Eurogrupo.
Não havia necessidade!...
O que vai ser da geringonça?... O que vai ser de nós?...

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

ETECETERA



Estas são as primeiras páginas, de hoje, do Diário de Notícias e do Público.

O Presidente Marcelo abraçado a um velhinho. Os dois choram.

Mera coincidência, mas o sentido de ir ao encontro do que o público gosta de ver, lagrimazinha ao canto do olho, está patente.

Marcelo, como dizia Léo Ferre de si próprio, é um artista de variedades.

Sabe-a toda: anos e anos de exposição mediática dando catequese como comentador político.

Os jornais, as televisões, as rádios, fazem o resto.

O dia trouxe ainda a demissão, a seu pedido, da Ministra da Administração Interna.
António Costa não tinha outro remédio senão aceitar. O Conselho de Ministros do próximo sábado não poderia contar com uma ministra debilitada.

Dado o curto espaço de tempo, o Primeiro-Ministro recorreu ao seu núcleo duro para arranjar um substituto: Eduardo Cabrita, actual ministro adjunto, substituirá Constança Urbano de Sousa.

Uma escolha que aos olhos de muita gente se mostra pouco entusiasmante.

Mas o tempo urge e, por agora, não há espaço para percorrer outros caminhos.

Os partidos que apoiam o Governo são unânimes em afirmar que a mudança de rosto na pasta da Administração Interna, não resolve os problemas de fundo  que há muito existem na prevenção e ataque aos incêndios florestais.

O CDS apresentou uma moção de censura ao governo que será discutida na próxima terça-feira. Moção de censura que será apresentada pelo CDS na quinta-feira visa «António Costa não está à altura para o exercício das funções que desempenha», afirmou Assunção Cristas, a raínha do eucalipto.

Paulo Portas, em Agosto de 2010, disse que « fazer politiquice com os incêndios é imoral e isto é tão verdade para a oposição, mas também para o governo.»

Ao PSD, não lhe restou outra saída, senão declarar que votará favoravelmente a moção do CDS.

Pedro Passos Coelho, nos corredores da Assembleia,c disse aos jornalistas que António Costa deveria pedir a demissão de primeiro-ministro e que o governo não merece uma segunda oportunidade.

Vão ser muito duros os próximos tempos do Governo do Partido Socialista.

O Presidente da República, uma comunicação social hostil, uma oposição a sonhar com eleições antecipadas, não lhe vai dar um minuto de descanso.

Chegou o tempo do grande exame.

PSD

Afastado do partido desde 2014, ano em que foi expulso, António Capucho considera que se o PSD regressar «à sua matriz social-democrata» está pronto voltar a ser militante.

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, será o presidente da Comissão de Honra de Santana Lopes, cuja candidatura à liderança do PSD será oficialmente apresentada no próximo domingo.

Rui Rio, um homem que quando houve falar em cultura fica à beira de um ataque de nervos, em entrevista à TVI, acusou Santana Lopes de abandonar cargos a meio («Não foi candidato em Lisboa porque dizia estar apaixonado pelo trabalho na Santa Casa, criando até um problema ao partido, afinal quatro meses depois vai deixar a Santa casa porque diz estar apaixonado pela liderança do PSD. Eu fico sempre até ao fim») adiantando ainda que Santana está manifestamente à sua direita.

David Justino, presidente do Conselho Nacional de Educação, que foi ministro da educação de Durão Barroso vai coordenar o documento estratégico com que o Rui Rio se apresentará às eleições directas para a presidência do PSD.

A função promete.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO


Logo após uns dias de se tornar conhecido o assalto aos paióis de Tancos, Vasco Lourenço declarou aos jornalistas que se tratava de uma história muito mal contada, indo ao ponto de dizer tratar-se uma encenação feita para derrubar o governo.

Quem andou pela tropa sabe que em instrução nas carreiras de tiros, aqui e ali se gasta material e munições que, se atempadamente não se fizer o controlo e respectivas descargas, a coisa descamba.

Provavelmente, não terá existido roubo algum ou apenas um subterfugio para esconder leviandades.

O que realmente se passou, só a investigação policial e militar em curso, poderá esclarecer.

Porém, aconteceu no sábado passado que o Expresso entendeu mandar para a praça pública a existência de um documento cozinhado não se sabe onde. Os motivos de tal notícia giram à volta de um qualquer pedido expresso da direita que nunca mais consegue digerir que as últimas eleições não lhe permitiram formar o governo que consideravam garantido, ou de alguns militares-topo-de-carreira descontentes com o facto de se sentirem marginalizados pelo governo e chefias militares.

O director do semanário declarou à SIC que na próxima sexta-feira, dia de saída do jornal por causa dessa coisa fabulosa que dá pelo nome de «tempo de reflexão eleitoral», surgirão mais, e outros, pormenores.

Antevê-se maior venda de papel para contrabalançar a descida nas tiragens.

Ferreira Fernandes diz hoje na sua crónica no Diário de Notícias que Pedro Passos Coelho interrogou-se:

Temos de comprar o Expresso para saber o que se passa no país?

Mas quem é que hoje lê o Expresso, ou liga ao que o Expresso escreve?

Diga-se em abono de algum rigor, que o ministro não se mostrou, politicamente, o homem certo no lugar certo para conduzir o processo. As chefias militares também não ajudaram e já seria mais que tempo de o governo ter encontrado uma saída para este tancoso disparate.

Torna-se óbvio que há responsabilidade militar, mas daí à exigência da demissão do ministro ou à queda do governo, são, como se diz na bola,  outros quinhentos.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO


Logo a seguir ao 25 de Abril apareceu a um filme marado que dava pelo nome: «Você interessa-se pela coisa.»
O interessar-se pelo que quer que seja, é o busílis dos quotidianos do homem.
Se a cada um interessar o futuro do país, da sua cidade, da sua aldeia, não será um qualquer jogo de futebol que impedirá que exerça o seu direito de voto.
Umas cabecinhas pensadoras do governo do Partido Socialista, volta e meia, põem cá fora umas ideias que não lembram, para citar Marcelo, ao careca.
Chatearam-se que a liga de futebol programe jogos para o dia de eleições e, para o futuro, irão legislar de acordo.
Vão também impedir que o cidadão, em dia de eleições, vá à praia, ao cinema, ao teatro, ao jardim, ao centro comercial, ao café?
Portem-se bem e esqueçam o disparate.
Porque, quando nos interessamos pela coisa, não há nada que faça impedir esse interesse.

terça-feira, 6 de junho de 2017

EU NÃO QUERIA!...


De uma entrevista de António Barreto publicada na revista do Expresso 27 de Maio de 2017.
António Barreto, um anti-comunista primário, foi o personagem escolhido por Mário Soares, I Governo Constitucional Julho 1976, para proceder à destruição da Reforma Agrária.
Como diria o Mário Castrim:

Alguns cadáveres ainda aprendem a habilidade de usar muletas. Este, nem isso.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

TRUMPALHADAS


Mais notícias do pesadelo Trump:

1.

Portugal reagiu, hoje, às medidas impostas pela administração norte-americana.

«É inconcebível que se negue o direito de entrada a pessoas que têm autorização de residência no país, em termos europeus, absolutamente ilegal», disse Augusto Santos Silva.

Durante o fim de semana, houve caos nos aeroportos, 109 pessoas foram detidas nas fronteiras e cerca de 200 foram impedidas de voarem para os Estados Unidos.

Mas Trump já twitou  declarando que a culpa a culpa é dos outros: dos sistemas informáticos da companhia aérea norte-americana Delta, dos manifestantes que andam a protestar contra a sua decisão.

2.

A Apple é uma das empresas que não existiriam hoje se Donald Trump tivesse sido o presidente norte-americano durante a primeira década do século passado. O gigante tecnológico foi fundado por Steve Jobs, filho biológico de um sírio, que emigrou para os Estados Unidos. Se fosse hoje teria sido retido na fronteira.

Mas há mais empresas de sucesso que nasceram graças aos imigrantes que entraram nos Estados Unidos, como recorda a CNN. O fundador do Yahoo, por exemplo, é oriundo de Taiwan. O inventor do telefone, Alexander Graham Bell, era escocês. O homem que transformou a Intel numa multinacional, Andrew Grove, fugiu da Hungria comunista. Cofundador da Google e agora presidente da Alphabet Inc. (a holding a que pertence a Google), Sergey Brin era filho de judeus e emigrou com a família para os EUA para fugir do antisemitismo da União Soviética. Jeff Bezoz, fundador e presidente da Amazon, é filho adotivo de um cubano que se casou com a mãe quando este tinha quatro anos. Walt e Roy Disney eram filhos de pai canadiano e, finalmente, lembra a CNN, pai e mãe dos irmão que criaram o McDonald's eram imigrantes irlandeses.

3.

Um milhão de pessoas já assinaram uma petição que pede para o Reino Unido retirar o convite ao presidente norte-americano, Donald Trump, para visitar Londres e jantar com a rainha Isabel II.

«Donald Trump deve poder entrar no Reino Unido na sua capacidade de chefe do governo norte-americano, mas não deve ser convidado para uma visita de Estado porque isso iria causar embaraço para a rainha, a bem documentada misoginia e vulgaridade de Donald Trump inabilitam-no para ser recebido pela rainha e pelo príncipe de Gales», lê-se na petição.


Todas as petições que passem as cem mil assinaturas têm que ser debatidas no parlamento, mas o governo britânico apressou-se a dizer  que a visita é para manter.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO


A Palavra do Ano é «GERINGONÇA.»

Arrecadou 35% dos cerca de 28.000 votos expressos, anunciou  a Porto Editora, promotora do evento.

No segundo lugar, com 29%, ficou o vocábulo "campeão" e, em terceiro, com 08%, «Brexit.»

Segundo o Morais, Dicionário cá da casa, «Geringonça» é coisa mal engendrada e que ameaça ruína.

Chamar «geringonça» foi uma diatribe de Paulo Portas para designar a maioria parlamentar que sustém o governo do Partido Socialista.

Francisco Teixeira da Mota, cronista do Público, escreveu:

E 2017, cá pelo burgo, como vai ser? A “geringonça”, qual Passarola de Bartolomeu de Gusmão, irá continuar a voar, para gáudio de muitos e a incredulidade de outros.

sábado, 29 de outubro de 2016

NOTÍCIAS DO CIRCO


Querer saber onde está Mário Nogueira para o picar para sair para a rua com a Fenprof. Querer humilhar o PCP e o BE “por estarem tão mansinhos” e picá-los para quebrarem com fragor a “paz social”. Queixar-se de que não há manifestações e chorar de saudades pela desocupação do espaço em frente das escadarias da Assembleia. Apelar à CGTP para que faça greves e motins como fazia “antes”. Dizer com mágoa, como Marques Mendes, “quem os viu e quem os vê”, com saudades de “quem os viu”. A lista do ridículo seria interminável. Ó homens! Eles têm uma coisa muito mais importante do que a rua — ganharam poder político. Ó homens! E, muito mais do que isso, têm poder político para ajudar melhor a “rua” do que se viessem para a rua. Aliás, é isso mesmo que, dia sim, dia não, vocês dizem. Então, em que ficamos? “Quem governa é o BE”, ou o “PS meteu-os no bolso”? Não foram “eles” que perderam poder, foram vocês. E sempre podem ocupar o vazio da rua e das manifestações, está lá à disposição. E não há causas mobilizadoras? Ou não há gente?

José Pacheco Pereira no Público

Legenda: pintura de Nikias Skapinakis

domingo, 10 de abril de 2016

UM POETA NA CULTURA


Depois da inqualificável atitude de João Soares, prometendo umas bofetadas a dois comentadores do Público, outro caminho não lhe restava senão pedir a demissão, o governo tem novo Ministro da Cultura: Luís Filipe Castro Mendes.

João Soares foi um enorme erro de casting, qual elefante em loja de porcelanas.

Luís Filipe Castro Medes  é um homem culto, um homem de bom senso, alguém que, como disse João César Monteiro de um secretário de estado da cultura, sabe distinguir uma vaca de um boi.

O novo ministro tem etiqueta, aqui, no Cais.

João Soares não tem.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

SARAMAGUEANDO


Publicamos os últimos excertos das Folhas Políticas que, de um modo ou de outro, se entendeu terem a ver com a unidade que se formou à esquerda, para apoiar o Governo do Partido Socialista.

O texto foi publicado no semanário Extra no dia 12 de Janeiro de 1978:

Se ainda alguma coisa espero no meio deste descalabro, desta paródia dum CDS anti-socialista a participar (subtilmente, Soares dixit) num governo comprometido com uma Constituição como a nossa, se alguma coisa ainda espero é que os socialistas militantes se sintam ofendidos pelos factos e reajam como quem ofendido foi e está a ser. E não é, como se pensaria, na mira de uma legítima maioria de esquerda, que faço este voto: sabemos que a maioria de esquerda foi possível, não desde 25 de Abril de 1976, mas desde 25 de Abril de 1974, e contudo, não se fez: não é agora que lhe poderíamos dar a vida que nunca teve. Se peço aos militantes socialistas que reajam, é apenas, e tanto, para que não morram as esperanças de socialismo em Portugal. Não dou ordens em casa alheia, porque as não admito na minha. Limito-me a dizer ao meu vizinho: «Tens o telhado a acir. Olha que morremos todos.» Só isto e nada mais.
(…)
Dir-se-á que detesto o Partido Socialista. Puro engano. Detesto-o tão pouco, que se não fosse comunista seria socialista (E isto, que pode parecer uma simples frase, um mero efeito verbal, exprime rigorosamente, na alternativa lógica que comporta, o absurdo da divisão existente entre os dois partidos, como tal.) O que eu detesto é a política de nenhuma verdade que a direcção do PS tem vindo a praticar sistematicamente, é o descrédito que o PS está a fazer cair sobre a política e sobre a democracia: não dignifica a política quem a transformou no rapa, tira, põe e deixa de interesses que o país nada sabe, não serve a democracia quem utiliza a palavra para iludir a instituição que ela é e os trabalhadores a quem deveria servir.
O povo português está calado. Apagou-se o entusiasmo, o gosto de agir, a criatividade múltipla, que em 1974b e 1975 se manifestaram. Chegaram os portugueses a gostar de si próprios, e essa foi a maior conquista de Abril. E agora? Agora vivemos na Feira da Ladra, comprando e vendendo trapos em segunda mão, enquanto uma voz conhecida, toda voltada para a direita, faz negócios de ministérios: «E quem comprar dois, leva três!» Boa venda, Sr. Mário Soares.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

SARAMAGUEANDO


Mais palavraspolíticas de José Saramago.

Publicadas no semanário Extra de 13 de Outubro de 1977, parecem escritas hoje:

Ora, por motivos que todos sabem, mas que muitos fingem esquecer, ocultando-os sob os outros que são ludíbrio e conto-do-vigário, a esquerda não se uniu: um esquerdismo de adolescência e um anticomunismo serôdio, ambos eficazes, somados aos manejos da conspiração contra-revolucionária internacional, impediram e impedem que a Constituição (socializante) seja cumprida: desgraçadamente, não vivemos com a Constituição que temos. Desunida, a esquerda política resiste graças ao prestígio histórico que lhe resta e. sobretudo, graças ao apoio de sectores vitais para a sua sobrevivência: a classe operária, o campesinato organizado, a pequena burguesia esclarecida, a intelectualidade progressista. Resiste a esquerda, mas a direita avança. Avança pelas brechas, pelas fendas, pelas debilidades, manipula e joga com as fomes de poder. E avança sob a protecção de liberdades que sempre detestou e que só a esquerda, enquanto e quando no poder lhe poderia dar tudo. Se amanhã a esquerda vier a pôr o pescoço no cepo, poderá dizer, consoladamente, para a História: «Em liberdade, aquele machado vai cortar-me a cabeça.»

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

SARAMAGUEANDO


Prosseguimos a leitura das Folhas a que José Saramago chamou Políticas e que admitimos serem leitura de apoio para os dias difíceis que o governo do Partido Socialista está a viver.

Nas margens daqueles textos, está a vontade que José Saramago sentia de quanto o Partido Socialista, do tempo soarista, deveria ser e que nunca foi.

Para desgosto de quem acreditava que os ideais de Abril eram para ser cumpridos.

Os muitos milhares que se enganaram, tal como cantava o Zé Mário Branco.

Sem dúvida que foi a vontade popular, tomada em termos aritméticos, voto por voto, que fez do Partido Socialista (continuemos, para sua vergonha, a escrever a palavra por extenso) partido de governo e governo: mas não é contra o povo e, portanto, contra a vontade dele (a não ser que os portugueses sejam irremediavelmente masoquistas) que o governo do Sr. Mário Soares tem vindo a governar, praticamente desde que este celebrado socialista se sentou na principal cadeira do conselho de ministros. Já foi mil vezes escrito, já foi mil vezes denunciado que o Partido Socialista está a governar contra especificações essenciais da Constituição, e portanto contra o povo que elegeu os que a redigiram: evitemos, portanto, as repetições. Quando na semana passada falei de oportunismo e traição, não estava com certeza a pensar no PPD e no CDS, coerentíssimos partidos que sabem tão bem o que querem, que até sabem levar o Partido Socialista a fazer o que a eles convém. Cada um na sua altura e segundo o seu interesse. Nisso, o Partido Socialista tem óptima boca.
Mas onde as coisas atingem o delírio, onde as palavras, coitadas delas, são magnificamente conspurcadas, é quando se fala de dignidade da pessoa humana e de soberania. As palavras, meu caríssimo e único leitor, são infelizes, não podem defender-se de quem lhes troca o sentido, de quem não se sente obrigado a respeitá-las, precisamente porque é mínimo ou nulo o seu respeito pela pessoa humana. Falar em dignidade em Portugal, quando todos os dias se aprovam leis contra o povo, quando a polícia espanca e vem depois esconder a mão, negar que tivesse espancado, quando a subserviência se instalou nos corredores do poder, começa por ser indignidade e acaba por ser perda de sentido moral. O nosso país atravessa uma crise económica gravíssima, toda a gente o sabe. E também vive uma profunda crise moral, mas essa crise, ao contrário do que se quer fazer acreditar, não tem os seus mais elevados expoentes nem na droga, nem na criminalidade, nem na prostituição: paira mais alto e tem piores consequências.

(De um artigo publicado no semanário Extra em 29 de Julho de 1977)