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sábado, 27 de julho de 2019

ETECETERA


Havia histórias de encantar, histórias de deixar os olhos muito abertos, histórias de impossibilidades mas em que a gente catraia acreditava.
Fez agora 50 anos que o Homem pisou a lua.
Mas muito antes, TinTim já lá estivera.
A catraiada leu e viu.

1.

O meu avô dizia que a profissão de advogado é pau para toda a obra.
O advogado Pedro Pardal Henriques, condutor de carros de luxo, assentou praça como  vice-presidente de um recente sindicato de motoristas de camiões de matérias perigosas, algo incomum no movimento sindical.
Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP-IN, disse: «Criar sindicatos está a ser uma área de negócio.»
Vieira da Silva, Ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, disse que estes novos sindicatos «são um factor de perturbação.»
O advogado Pardal foi a cara que apareceu frente às televisões naqueles dias em que os camionistas em greve paralisaram o país por aumentos salariais e melhores condições de trabalho,
Em recente congresso, o advogado Pardal disse que era preciso aproveitar as eleições, que estão à porta, para reivindicar mais aumentos.
Em Agosto vão fazer nova greve.
O governo entrou em ziguezague.
O que vai acontecer ainda não está muito claro.
A greve é um direito dos trabalhadores mas todos temos que estar atentos ao oportunismo dos advogados pardal.

2.

O centro do país volta a ficar em chamas… apesar de tudo.
Dramático!

3.

Numa maratona parlamentar, a Assembleia da República, aprovou um projecto de resolução do Partido Comunista que recomenda a classificação da obra de José Afonso como de interesse nacional.
A proposta reuniu o apoio de todos os partidos com excepção  do Partido Socialista que se absteve,
Do porquê das razões da abstenção o PS remeteu-nos para uma declaração de voto.
Não li.
Mas também não vou querer ler.

sábado, 11 de agosto de 2018

ETECETERA


Este é um pormenor da 10ª página do Público de 2 de Agosto onde se podia ler que se previam riscos extremos de incêndio no Algarve para os próximos dias.

No dia seguinte começou a lavrar o incêndio da Serra Monchique.

Durante uma semana viveram-se horas de pânico.

As entidades municipais estimam que arderam 27 mil hectares hectares, centenas de habitações e outras estruturas ficaram  destruídas e houve a necessidade de evacuar diversos centros populacionais.

Também o palavreado de governantes diversos.

Promessas e mais promessas.

Agora é que vai ser.

Interessante deixar o registo de duas crónicas publicadas no Diário de Notícias on-line:

Uma de Ferreira Fernandes:


Outra de Pedro Tadeu:


Há semanas os jornais deram conta de que meia dúzia de energúmenos se aproveitaram dos dinheiros dados pelos portugueses para a reconstrução de casas em Pedrógão, para, à boleia, reconstruírem barracões e casas secundárias em que ninguém vivia há dezenas de anos.

Feios, porcos e maus.

Gente que não merece o ar que respira.

Mas somos assim.

Sempre assim fomos, pois então.

Recortes do Expresso:


terça-feira, 7 de agosto de 2018

MONCHIQUE EM CHAMAS


De 500 incêndios que deflagraram desde sexta-feira só resta o de Monchique que continua incontrolável e está a ser combatido por 1150 operacionais, apoiados por 342 meios terrestres e 15 aéreos.

Em algumas localidades da zona de Monchique, as populações continuam a abandonar as suas casas.

Da reportagem do Diário de Notícias on-line:

«Fizemos tudo, tudo, tudo o que devíamos fazer.diz Hélio Guerreiro, que na noite de ontem viu as chamas engolirem uma parte da sua casa e todos os sobreiros e medronheiros que garantiam o sustento da família. «Limpámos os terrenos todos em maio e gastámos uns bons milhares de euros com a brincadeira. As estradas aqui tinham sido limpas, água não nos falta, fizemos sempre o que nos disseram. E perdemos tudo à mesma».

O ministro da Administração Interna anunciou, a passagem do comando do dispositivo de combate ao fogo de Monchique do comandante distrital para as mãos do comandante nacional. Uma decisão que acontece quando a estratégia do comandante distrital de Faro está a ser criticada.

sábado, 4 de agosto de 2018

ETECETERA


A passagem de Pedro Santana Lopes sempre deu origem a episódios circenses.

Saio. Não saio.

Mas, preto no branco, já disse que agora é de vez.

Amanhã, em carta, dirá das razões.

A caminho, está a firme intenção de formar um novo partido político.

Marcelo Rebelo de Sousa, de férias nas zonas atingidas pelos incêndios no passado ano, disse às televisões que não se quer imiscuir na vida dos partidos, mas deixa recado de que a oposição não se deve fragmentar.

Entretanto a oposição interna a Rui Rio conhece outros contornos.

Para além do sempre eterno Luís Montenegro, perfila-se agora Pedro Duarte , já foi líder da Juventude Democrata, também director da campanha presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa.

Diz que O PSD tem de mudar de líder e estratégia «tão cedo quanto possível», e declara-se preparado para assumir a liderança partidária.




O país, nestes primeiros dias de Agosto está sob uma vaga de calor infernal.

Lisboa registou hoje temperaturas de 40 e 42 graus A temperatura mais alta este sábado em Portugal registou-se em Alvega, no distrito de Santarém, que chegou aos 46,8 graus.

Entretanto, ao findar da tarde, a Protecção Civil deu conta de três fogos no distrito de Santarém e no local estão 172 homens, 45 viaturas e três aviões.

Pior é a situação do incêndio que, desde sextra-feira, lavra na Serra de Monchique.

Por precaução continua a ser feita a retirada de alguma população para locais mais seguros.

O vento forte e as constantes mudanças de direcção dificultam imenso o trabalho dos 719 operacionais, apoiados por 139 viaturas e sete meios aéreos que estão no terreno.

O DELFIM PINHO

Manuel Pinho, o ex-ministro de José Sócrates foi há dias à Comissão de Economia e. para além de alarvidades e piadas de mau gosto, recusou-se a falar da sua relação com o Grupo Espírito Santo ou de como recebia, em simultâneo, dinheiro de Ricardo de Salgado e do estado.
Luís Marques, no Expresso de 21 de Julho, escreve sobre os «Delfins de Ricardo Salgado»:

A FECHAR

Num curto espaço de tempo, perdemos duas das mais importantes personalidades da nossa intelectualidade: António Arnaut (21 de Maio) e João Semedo (17 de Julho).

Dois políticos como já não vamos tendo, dois defensores do Serviço Nacional de Saúde que tantos querem ver despedaçado.

Dois homens de excepção, dois homens que, nos tristes tempos que vão correndo, nos fazem muita falta. Muita mesmo.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

A TRAGÉDIA DO FOGO


Olhamos as imagens que as televisões, a cada instante, nos mostram.
Números provisórios da tragédia: 80 mortos, mais de 200 feridos, ainda centenas de pessoas sem se saber onde estão, que lhe aconteceu, ais de 1.500 residências destruídas, a área florestal ardida é superior a dois mil hectares.
 Há um ano, em Pedrógão, sentimos tragédia semelhante.
Apenas o registo.
Outras palavras não servem para nada.

domingo, 29 de outubro de 2017

ETECETERA


Preocupante a situação na Catalunha.

Em Barcelona, este domingo, realizaram-se manifestações pela unidade de Espanha marcadas por símbolos fascistas e por actos violentos.

O parlamento regional da Catalunha aprovou na sexta-feira a independência da região, numa votação sem a presença da oposição, que abandonou a assembleia regional e deixou bandeiras espanholas nos lugares que ocupavam.

Ao mesmo tempo, em Madrid, o Senado deu autorização ao Governo para aplicar o artigo 155º. da Constituição para restituir a legalidade na região autónoma.

O executivo de Mariano Rajoy, apoiado pelo maior partido da oposição, os socialistas do PSOE, anunciou a dissolução do parlamento regional, a realização de eleições em 21 de dezembro próximo e a destituição de todo o Governo catalão, entre outras medidas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, Alfonso Dastis, afirmou hoje que o líder catalão Carles Puidgemont, demitido por Madrid, poderá ser preso por ter participado no movimento independentista.

O chefe da diplomacia do Estado espanhol indicou que Puidgemont pode «em teoria» ser candidato nas eleições regionais marcadas para 21 de Dezembro por Mariano Rajoy, «se nessa altura não tiver sido posto na prisão».

O Partido Comunista Português, em comunicado, já criticou o Governo espanhol, acusando-o de «intolerância, autoritarismo, coação e repressão», e considerou que a solução para a Catalunha passa pela vontade do povo catalão.

«A questão nacional em Espanha tem de ser considerada com a complexidade que a história e a atual realidade daquele país encerram. A resposta a esta questão, designadamente na Catalunha, deve ser encontrada no quadro do respeito pela vontade dos povos de Espanha e, consequentemente, do povo catalão. São profundamente criticáveis as atitudes do Governo espanhol, na base da intolerância, do autoritarismo, da coação e da repressão.»

Lê-se, ainda, no comunicado:

«É evidente que, a coberto da actual situação, se promovem valores nacionalistas reacionários e tomam alento sectores fascistas franquistas, que durante dezenas de anos oprimiram os povos de Espanha.»

BELÉM & SÃO BENTO

É estranho que um político experiente, e hábil, como António Costa não se tenha apercebido que os incêndios que destruíram vidas e bens, necessitava de um outro discurso, que se não é por se mudar de ministro que as coisas também não se resolvem em manter uma ministra que já demonstrara não ter pulso para aguentar a embarcação.

A comunicação social está apostar numa eventual guerra entre o presidente da república e o primeiro-ministro.

A situação entrou nnaquele campo das conferências de imprensa futebolísticas: um jornalista disse ao presidente que o governo ficara em estado de choque com o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa em Oliveira do Hospital e este respondeu de imediato que quem ficara chocado tinha sido o país.

É importante que impere o bom senso, que se coloquem de lado guerrinhas que nada trazem de positivo.

OUTRAS PREOCUPAÇÕES

O primeiro ministro da Hungria, Viktor Orban, disse no início desta semana, que a Europa Central é a última «zona livre de migrantes» e que a união entre países como a Hungria, Polónia e República Checa permite travar a globalização e as migrações em massa.

Ensurdecedor o silêncio da União Europeia face a estas declarações.

Entretanto na Áustria,  a extrema-direita está perto de voltar a integrar um governo. O partido de extrema-direita aceitou negociar com Sebastian Kurz e exigiu à cabeça a pasta de ministro do Interior.

CR7

O português mais conhecido em todo um mundo é um futebolista.

José Pacheco Pereira dixit.

E JÁ IAM NO QUARTO DRY-MARTINI...

Uma deliciosa história contada por Manuel S. Fonseca:

Garson Kanin, um belíssimo argumentista e um  bom realizador menor (era assim que eu falava quanto tinha carta de condução de intelectual), convidou Barrymore para ser o protagonista de The Great Man Votes, filme sobre um professor alcoólico em risco de perder a custódia dos seus dois filhos, depois da morte da mulher, que o lança em funda depressão.
Foram, Garson e John, jantar. Tinham avisado Kanin de que Barrymore, com a idade e o peso da realeza, era um tipo difícil. Mas John pareceu-lhe feliz e beberam antes, como aperitivo, um dry-martini. Trouxeram o menu, Barrymore nem o abriu, mas pediu um segundo cocktail. Conversa animadíssima e vibrante e já iam no quarto dry-martini, sem que Barrymore olhasse sequer para o menu.
Kanin sentiu que tinha obrigação de o pressionar e evitar que o grau de alcoolémia chegasse ao céu. “Mr. Barrymore, talvez seja altura de escolhermos o que vamos comer…” Barrymore, susceptível embora, respondeu-lhe com elegância: “Meu rapaz, quando chegares à minha idade vais descobrir que uma das piores coisas que podes fazer é começar a comer com o estômago vazio!”

domingo, 22 de outubro de 2017

POSTAIS SEM SELO


E, embora alinhavando isto na tranquilidade de uma ilha muda sob um céu aceso, o barulho do mar manso como a brisa de um búzio, por todos os lados o humanismo sai de rastos.

Ana Leonardo Coimbra

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

ETECETERA



Estas são as primeiras páginas, de hoje, do Diário de Notícias e do Público.

O Presidente Marcelo abraçado a um velhinho. Os dois choram.

Mera coincidência, mas o sentido de ir ao encontro do que o público gosta de ver, lagrimazinha ao canto do olho, está patente.

Marcelo, como dizia Léo Ferre de si próprio, é um artista de variedades.

Sabe-a toda: anos e anos de exposição mediática dando catequese como comentador político.

Os jornais, as televisões, as rádios, fazem o resto.

O dia trouxe ainda a demissão, a seu pedido, da Ministra da Administração Interna.
António Costa não tinha outro remédio senão aceitar. O Conselho de Ministros do próximo sábado não poderia contar com uma ministra debilitada.

Dado o curto espaço de tempo, o Primeiro-Ministro recorreu ao seu núcleo duro para arranjar um substituto: Eduardo Cabrita, actual ministro adjunto, substituirá Constança Urbano de Sousa.

Uma escolha que aos olhos de muita gente se mostra pouco entusiasmante.

Mas o tempo urge e, por agora, não há espaço para percorrer outros caminhos.

Os partidos que apoiam o Governo são unânimes em afirmar que a mudança de rosto na pasta da Administração Interna, não resolve os problemas de fundo  que há muito existem na prevenção e ataque aos incêndios florestais.

O CDS apresentou uma moção de censura ao governo que será discutida na próxima terça-feira. Moção de censura que será apresentada pelo CDS na quinta-feira visa «António Costa não está à altura para o exercício das funções que desempenha», afirmou Assunção Cristas, a raínha do eucalipto.

Paulo Portas, em Agosto de 2010, disse que « fazer politiquice com os incêndios é imoral e isto é tão verdade para a oposição, mas também para o governo.»

Ao PSD, não lhe restou outra saída, senão declarar que votará favoravelmente a moção do CDS.

Pedro Passos Coelho, nos corredores da Assembleia,c disse aos jornalistas que António Costa deveria pedir a demissão de primeiro-ministro e que o governo não merece uma segunda oportunidade.

Vão ser muito duros os próximos tempos do Governo do Partido Socialista.

O Presidente da República, uma comunicação social hostil, uma oposição a sonhar com eleições antecipadas, não lhe vai dar um minuto de descanso.

Chegou o tempo do grande exame.

PSD

Afastado do partido desde 2014, ano em que foi expulso, António Capucho considera que se o PSD regressar «à sua matriz social-democrata» está pronto voltar a ser militante.

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, será o presidente da Comissão de Honra de Santana Lopes, cuja candidatura à liderança do PSD será oficialmente apresentada no próximo domingo.

Rui Rio, um homem que quando houve falar em cultura fica à beira de um ataque de nervos, em entrevista à TVI, acusou Santana Lopes de abandonar cargos a meio («Não foi candidato em Lisboa porque dizia estar apaixonado pelo trabalho na Santa Casa, criando até um problema ao partido, afinal quatro meses depois vai deixar a Santa casa porque diz estar apaixonado pela liderança do PSD. Eu fico sempre até ao fim») adiantando ainda que Santana está manifestamente à sua direita.

David Justino, presidente do Conselho Nacional de Educação, que foi ministro da educação de Durão Barroso vai coordenar o documento estratégico com que o Rui Rio se apresentará às eleições directas para a presidência do PSD.

A função promete.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

ETECETERA


Domingo trágico.

A catástrofe de um País em chamas, para cima de 500 fogos num só dia, alguns deles com mão criminosa.

Até este momento contam-se 36 mortos, 7 desaparecidos, 63 feridos.

Casas e fábricas destruídas, desemprego, desalojados, mortes, desaparecidos, feridos, bombeiros e populações impotentes para combaterem a fúria das chamas.

Vontade de ficar em silêncio.

Não é possível.

Na hora dos telejornais, António Costa falou ao País.

Nitidamente desgastado, não conseguiu transmitir um sinal de confiança.

Mas será o tempo de agir e não de palavrear.

ONE FICA MOGADÍSCIO?

Um atentado teve, ontem, lugar em Mogadíscio, capital da Somália, provocando mais de 300 mortos e cerca de 500 feridos. O ataque reivindicado pelo grupo islamista al-Shabaab aconteceu através da detonação de um camião carregado com cem quilos de explosivos.
Fica longe a Somália… e tudo isto nos passa ao lado…

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

ETECETERA


Até 14 de Dezembro, estará patente na Biblioteca Nacional, uma Exposição comemorativa do Centenário do Nascimento de Óscar Lopes que nasceu a 2 de Outubro de 1917, o ano da Revolução Russa:

«O sentido desta mostra documental evocativa do centenário do nascimento do Professor Óscar Lopes é o de homenagear o homem que, pelo seu pensamento dialético e hermenêutico, buscou sempre o “sentido que a vida faz”. Essa procura leva-o na sua investigação e nas suas obras a entrecruzar saberes diversos – da física à filosofia, da biologia à antropologia, da astrofísica à história, à música ou à literatura e linguística, estas as áreas preferenciais do seu trabalho.
“Nem crítico, nem ensaísta, nem mesmo essencialmente professor, linguista ou político”, a dificuldade do próprio em auto definir-se. Era tudo isto.»


Depoimentos de Agustina Bessa-Luís, Álvaro Cunhal, Baptista-Bastos, Eduardo Lourenço, Egito Gonçalves, Eugénio de Andrade, Ilse Losa, José Cardoso Pires, Manuel António Pina, Manuel Alberto Valente, Marta Cristina Araújo, Urbano Tavares Rodrigues, Vasco Graça Moura, entre outros.

Reproduzimos o depoimento de Agustina Bessa Luís

Devo a Óscar Lopes os primeiros conhecimentos sobra a crítica. A companhia que o crítico pode significar para o fugitivo da área familiar, em geral a que nos ensina primeiro a duvidar de tudo, foi para mim Óscar Lopes. Antes de A Sibila tomar lugar nas letras portuguesas, já ele se interessava pelos Contos Impopulares, melancólico salto sobre um abismo de lirismo desempregado. O crítico, como intérprete duma linguagaem, é o médium que o espírito convoca. É compreensível que o jovem autor comece por não gostar dos críticos e acabe por vê-los como sendo os médiuns próprios para desvendar a ideia.
Não sou muito adepta das homenagens que se prestam ao tempo vivido por um homem de talento. Todos os seus dias são dignos de louvor e os seus sacríficios estão mais presentes na juventude do que na idade avançada. Esta é o tempo em que devemos deixar dormir, mais do que pensar, as pessoas inteligentes. Se dormir é o cúmulo do génio, como disse um filósofo que eu muito prezo, então não despertemos com palavras barulhentas os que deixam uma obra para a posteridade.
Eu penso que o Óscar Lopes não pertence ao número daqueles que é preciso elogiar, como se faz às crianças para que elas nos obedeçam. Obedecer não é próprio dos homens. Porque devemos elogiá-los?
Por mim, eu digo que me aborreço quando me parecem consolar de alguma coisa com as honras que me prestam. Prefiro um café quente a um bom elogio. Mas nem todos são assim.
Fomos amigos em campos diversos mas não extremados. Óscar Lopes e eu. Convivemos ma mesma admiração pelos livros e na paixão das ideias. Eu, que sou avara de palavras faladas, porque o ciúme das escritas me arrasta para longe delas, no entanto, fora da minha vocação, vejo o talento de alguém e digo-lhe que é preciso ter coragem para ter talento. Aqui e em qualquer lugar. O talento briga com tudo, arranja inimigos em toda a parte porque tem que expandir a sua diferença onde quer que esteja. É por isso que as homenagens lhe cheiram a esturro. O gozo estético do talento é uma luta de morte com a própria celebridade. Ela parece sempre uma forma de fechar as contas e de partir noutra direcção, que não é a do talento, bem entendido.
As nossas contas ficam em aberto. Mais erradas do que certas. A vida é assim. Nós somos assim. Óscar Lopes e eu e muitos que têm a vocação como virtude curativa.


PSD

Hoje, começamos assim:

Manuela Ferreira Leite apoia Rui Rio para a liderança do PSD: «tem mais credibilidade do que Santana Lopes.»

Miguel Relvas, em entrevista à SIC, declarou que vai votar em Pedro Santana Lopes porque o Partido necessita de «um líder que seja capaz de agregar.»

O miasma-ventura-de-Loures  quer impedir que Rui Rio ganhe e «prejudique a identidade do partido».

INCÊNDIOS

O relatório da Comissão Técnica Independente, que analisou os incêndios do passado mês de junho, foi entregue na Assembleia da República.

Constança Urbano de Sousa, ministra da Administração Interna disse, hoje, no Parlamento que não vai pedir a demissão.

Dia 21 haverá um Conselho de Ministros Extraordinário, mas António Costa já disse:

«Pela parte do Governo, por respeito pela Assembleia da República, por respeito pelos profissionais que elaboraram este relatório, mas, sobretudo, por respeito pelas vítimas e seus familiares, o que nos compete é fazer uma reflexão serena sobre a informação disponível e as recomendações apresentadas. As responsabilidades são aquelas que resultam do relatório e assumi-las-emos totalmente.»

Palavras finais do editorial, de hoje, do Diário de Notícias:

«O relatório o que diz é que falhou quase tudo, até a ajuda dos deuses que provocaram ali condições climáticas únicas. E diz que um senhor da Proteção Civil mandou suspender a fita do tempo. Esse terá os dias contados. E o relatório também diz que face às previsões meteorológicas não foram colocados no terreno os meios possíveis e necessários». 

domingo, 8 de outubro de 2017

ETECETERA


O Verão continua pelo Outono dentro e as altas temperaturas (variações entre os 28 e os 32 graus) manter-se-ão até 14 de Outubro.

Da chuva, nenhuma notícia.

No norte e centro do país, multiplicam-se os incêndios.

Porque se agravou, devido à mudança dos ventos, a situação do incêndio, que
desde sexta-feira que varre o concelho de Pampilhosa da Serra, às 17,oo horas, foi activado o plano municipal de emergência.

Entre Janeiro e Setembro deste ano, arderam 215.988 hectares de floresta em Portugal, mais 174 por cento do que a média dos últimos dez anos.

Face às condições meteorológicas adversas, com pouca precipitação e a consequente situação de seca, o Governo prolongou ate 15 de Outubro o período crítico dos incêndios florestais, que normalmente termina a 30 de Setembro.

PSD

Paulo Rangel e Luís Montenegro, invocando razões familiares, não se candidatam à presidência do PSD.

A fúria neo-liberal comandada por Pedro Passos Coelho secou o partido e ninguém quer assumir a herança.

Pedro Santana Lopes está a ponderar seriamente a candidatura à liderança do partido.

Rui Rio não tardará a chegar-se à frente.

Pedro Marques Lopes, hoje, no Diário de Notícias:

«A política e os políticos falam para cada vez menos gente. Já muito pouco do que dizem e das causas que defendem desperta interesse ou dinamiza participação. Daí a gravidade desta falta de comparência, sobretudo numa altura em que figuras como Luís Montenegro e Paulo Rangel deviam estar empenhados a fundo num debate ideológico e programático no PSD. É o que deve acontecer num partido em processo de sucessão depois de uma liderança muito marcada como foi a de Pedro Passos Coelho, e esse devia ser um trabalho com potencial para seduzir os melhores do PSD. O ponto é que, sejam quais forem as circunstâncias pessoais e políticas de Montenegro e Rangel, é de lamentar que não tenham encontrado um incentivo mínimo para enfrentar Rui Rio e disputar a liderança daquele que é atualmente o maior partido com representação parlamentar.
Descendo uns degraus, até ao nível da tática partidária, encontramos duas explicações possíveis. Entende-se, por um lado, que nenhum dos dois queira estar presente numas legislativas de 2019 com enorme potencial para desaire eleitoral - será relativamente fácil ao PS gerir o ciclo económico e de devolução de rendimentos até à campanha de 2019. A lógica do "que vá lá outro queimar-se enquanto eu fico aqui a preparar o próximo ciclo" é compreensível e legítima, mas a questão é que alguém teria de avançar, alguém que não seja visto como uma segunda linha. Por outro lado, podemos tentar encontrar uma leitura interna. Será que o legado de Passos Coelho é já um ativo tóxico dentro do PSD? Será que Luís Montenegro e Paulo Rangel passaram os primeiros dias desta semana a pesar e medir apoios nas estruturas locais e chegaram à conclusão de que não teriam hipóteses enquanto candidatos de continuidade? Não sabemos ao certo. O que sei é que o PSD merecia melhor sorte, neste momento, do que estas duas faltas de comparência.»

ISALTINO

El País destaca hoje Isaltino como «o alcaide corrupto que os portugueses adoram».

Há generalizações que ofendem e Oeiras não é Portugal, é apenas o concelho com maior percentagem de licenciados e doutorados em Portugal. 

MESSI

O risco de um Mundial sem Messi.

A uma jornada do fim do apuramento, seleção das pampas nem está em posição de ir ao playoff. Jogo decisivo é na terça-feira, no Equador.


Legenda: imagem de A Bola

domingo, 20 de agosto de 2017

TANTO QUE HÁ POR FAZER"


Até ao dia 18 de Agosto, a GNR já tinha levantado 782 processos de contraordenação por incumprimento da legislação que estabelece o Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios. São multas por comportamentos negligentes dos donos das terras, como a falta de gestão das faixas combustíveis, as fogueiras ou queimas, ou a falta de limpeza dos terrenos ou da limpeza junto às estradas.

 Mas até ao momento apenas foram pagos 74.040 euros em coimas (65.240,00 euros por singulares e 8.800,00 por empresas)."A maior parte dos proprietários prefere pagar a coima, no valor de 140 euros, do que mandar limpar o terreno, o que custa 500 a mil euros

Os 74 mil euros são uma gota no vasto oceano de danos causados pelos fogos.  

O incêndio de Pedrógão Grande causou 497 milhões de euros em prejuízos totais. O Estado só conseguiu arrecadar um milhão de euros em autos de contraordenação pagos por proprietários de terrenos florestais desde 2014 até agora.

Segundo descreve o Diário de Notícias de hoje, é à GNR que compete "carregar" a estatística das causas dos incêndios para o Sistema de Gestão Florestal.

Até ao dia 2 de agosto, a Guarda tinha investigado as causas de 8122 fogos, concluindo que 40% das ocorrências, ou seja, 3320 incêndios tiveram causas negligentes. Depois houve 1374 fogos que foram causados com dolo ou intenção, 17% do total. Registados ainda 699 fogos, 9% do total, que tiveram origem em reacendimentos e apenas 82, apenas 1%, que surgiram por causas naturais. A destacar, um conjunto apreciável de incêndios com causa desconhecida: 2647, ou seja, 33% do total. «Nestes, em que não foi possível apurar a causa dado o estado do terreno por causa da deflagração, ou por outros motivos, podem ter sido intencionais ou negligentes. A verdade é que em 85% dos casos os incêndios foram causados por intervenção humana. Quanto aos fogos causados por reacendimentos, mostram "que a vigilância pós incêndio não funcionou», segundo um responsável.
Este ano, a Guarda já identificou 700 indivíduos como potenciais incendiários, nas aldeias e zonas rurais do país.

No sábado, na zona de Sintra,um homem de 78 anos foi detido  depois de ter sido apanhado pela GNR em flagrante delito enquanto ateava fogo ao Parque Natural Sintra-Cascais.

Após a detenção, o indivíduo confirmou a autoria do crime, acrescentado que era a quinta vez que tentava atear fogo naquela zona do parque natural. As autoridades encontraram, inclusive, várias provas que o comprometiam, na viatura em que se fazia transportar.

Segundo a GNR, o arguido cometeu ainda um crime de corrupção activa na forma tentada, quando, já detido, tentou ofereceu 230 euros em dinheiro aos elementos da GNR para o libertarem.

Segunda-feira comparece perante um juiz.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

A TRAGÉDIA DOS INCÊNDIOS


Portugal é o país da União Europeia com mais área ardida neste ano: 139.586 hectares. Quase um terço do total da área ardida nos 28 países da União Europeia: mais de 380 mil hectares.

Um novo máximo de incêndios foi registado no sábado, com 268 ocorrências, que mobilizaram 6.553 operacionais, resultado, para além de outros problemas, de décadas e décadas de desordenamento das florestas. 

A Polícia Judiciária comunicou a detenção de 60 pessoas pelo crime de incêndio florestal até ao dia de ontem, o dobro dos detidos que havia no período homólogo de 2016

Loucos da aldeia a quem deram dinheiro para provocara incêndios,  vinganças, tarados que gostam de olhar o espectáculo das chamas, gente descuidada, de tudo podemos encontrar na génese dos incêndios que assolam o País.


A imagem mostra o incêndio que, na terça-feira, destruiu o antigo Reformatório de S. Fiel, em Louriçal do Campo, Serra da Gardunha.