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quinta-feira, 7 de março de 2019

OLHAR AS CAPAS


Folhas Soltas da Seara Nova
(1929-1955

Irene Lisboa
Antologia, prefácio e notas: Paula Morão
Capa: reprodução de uma aguarela de Lisboa de Carlos Botelho
Biblioteca de Autores Portugueses
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Lisboa, Abril de 1986

Um dos meus defeitos, das minhas virtudes, das minhas disposições, enfim, é este de olhar, de me demorara sobretudo a olhar, e até mesmo a ouvir, e depois ter uma ideia… uma ideia sem base nenhuma, uma fantasia, um disparate de ideia. Por exemplo: olho por aí fora… distraída não estou, mas olho; lanço a vista por cima dos telhados inchados das boas casas da minha vizinhança. Está um dia nevoento. Pouca coisa vejo. Mas uma palmeira que se baloiça e se despeja para além deste meu mais próximo telhado, toda em fios soltos e esbranquiçados, movediços, dá voltas comigo; instalo-me nela. E à sua custa quero-me tornar lembrada de velhos gostos, de passadas idades. E tanto quero como deixo de querer.
Quero, e talvez não possa…

domingo, 28 de fevereiro de 2016

OLHAR AS CAPAS


Voltar Atrás Para Quê?

Irene Lisboa
Capa: Luiz Duran
Livros Unibolso nº 37
Editores Associados, Lisboa s/d

Ai, mas a vida fugia-lhe. Com que dor, sim, com que dor a via fugir-lhe.
A vida não é nada. É uma coisa que passa, apenas. Uma pescadinha de rabo na boca… o seu princípio e o seu fim juntam-se, procuram-se. O rabo está ou volta aos dentes da cabeça, mete-se na boca da infância.
Inocentes, afinal, o princípio e o fim da vida. Sem poderes. Mas tão ligados… Até parece que o fim se alimenta do princípio, que a infância se lhe sobrepõe, o ilumina, o traz sujeito. O resto da vida, oh! o resto da vida some-se, sumiu-se.

sábado, 22 de junho de 2013

OLHAR AS CAPAS


Solidão II

Irene Lisboa
Capa: João da Câmara Leme
Portugália Editora, Lisboa s/d

Tive meia dúzia de leitores, simpáticos, graciosos. (letrados, já se sabe.) E continuei esquecida e solitária. A mascar o pó da impotência. O pó de uma vida indirigida, desfinalizada. Naturalmente aquela que me foi dada em sina. E que só grande arte e ciência alterariam, poriam briosamente de pé, lhe dariam esteio. Como o fazem as boas famílias, os golpes políticos, um videirismo agencioso, o comércio da guerra, a sorte grande, um homem rico ou bem colocado, etc., etc..