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sábado, 8 de dezembro de 2018

OLHAR AS CAPAS


A Linguagem dos Pássaros

Ana Teresa Pereira
Capa: Fernando Mateus sobre quadro de Mark Rothko
Colecção Crime Perfeito nº 14
Relógio D’Água, Lisboa, Novembro de 2001

Foi num mês de Abril, há muitos anos, éramos ainda crianças. Estamos de novo em Abril, o mês mais doce, aquele de que Miguel mais gosta, o mês azul, a nossa casa fica mergulhada em lilases, que escorrem pelo jardim, sobem as árvores, por vezes chegam ao muro que dá para as rochas. É também o mês dos jacarandás, os jacarandás ao longo da rua estão cobertos de flores violetas, que vemos da janela do nosso quarto, da varanda da torre, de um lado do mar até ao infinito, do outro o mar de flores. E o sim dos pássaros, desde Fevereiro que acordo a meio da noite com os pássaros, e deixo-me ficar imóvel, ouvindo-os até adormecer de novo e despertar de manhã, para mais pássaros, e para ele,

quinta-feira, 22 de junho de 2017

OLHARES




Ainda a Feira do Livro.
Um jacarandá ainda em flor, o Tejo lá ao fundo e, para que nada falte. um fraldário.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

AINDA A FEIRA DO LIVRO


Chega-se a esta minha idade e existem na biblioteca livros comprados e ainda não lidos.

E há sempre o suave ímpeto de comprar mais livros.

A Feira do Livro é, acima de tudo, a lembrança daquela noite, em redor das taças de água do Rossio, em que o meu avô me comprar o primeiro livro de Emílio salgari. Curiosamente não me inclinei para qualquer Sandokan, ou o Pirata Vermelho, antes Os Pescadores de Pérolas, sei lá bem porquê.

Depois, a pouco e pouco é que vieram os restantes salgaris que, continuo a considerar, na devida idade, um dos melhores estímulos para hábitos de leitura.

Penso que já disse, mas um dia emprestei a um primo meu – santa ingenuidade!... - - toda a minha Colecção Salgari.

Passados uns tempos, quando os quis de volta, fiquei a saber que tinham sido vendidos para angariar tostões para rebuçados da bola e idas às matinés do Cine-Oriente.

Tenho por aí dois ou três exemplares adquiridos em alfarrabistas a preço baixo.

Um dia, num daqueles alfarrabistas que estacionam, nas tardes de sábado, na Rua Anchieta, ao Chiado, pediram-me uma exorbitância por Os Pescadores de Pérolas.

Fiquei a olhar assim um tanto para o surpreendido, mas o livreiro logo atalhou: «É pegar ou largar!».

Não gostei do preço e da fanfarronice e… «larguei.»

A Feira é um gosto muito meu.

Os jacarandás, o Tejo muito lá ao fundo.

Este ano, nos dezoito dias de Feira, venderam-se 400 mil livros e concluíram que quatro em cada cinco visitantes compraram um.

Olhei o que quis olhar, mas o que me ocupa mais tempo são os stands da Relógio d’Água com os seus caixotes com livros dos fundos do catálogo, a bom preço.

Depois o tirar a fotografia ao stand da & etc. onde sei que nunca mais encontrarei o Vitor Silva Tavares.

E as saudades que me saltam aos molhos enquanto caminho para casa.

terça-feira, 23 de maio de 2017

OLHARES




Rotunda das Olaias.
Todos os anos, por Maio, o espectáculo dos jacarandás floridos na cidade.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

OLHARES


Começam as despedidas dos jacarandás.

domingo, 15 de junho de 2014

segunda-feira, 8 de julho de 2013

OLHARES


Lisboa, Parque Eduardo VII.

terça-feira, 4 de junho de 2013

OLHARES


Jacarandá na Rua Pinheiro Chagas em Lisboa.

domingo, 2 de junho de 2013

DOMINGO NO PARQUE


Sempre entendi a Feira do Livro como uma festa.


Também oportunidade para encontrar, a bons preços, livros que já temos dificuldade em encontrar nas livrarias, por motivos que só estão ao alcance do oportunismo de editores e livreiros.

Chamam-lhes fundos de catálogo, ou lá o que é.

Neste aspecto a Relógio d’Agua, mais uma vez, dá uma banhada à concorrência.

Facilmente manuseados em caixas que mostram os respectivos preços, estão ali grandes livros, grandes autores, por preços que vão dos 3 aos 10 euros.

Sou rapaz de livros e petiscos
.

Este ano a mistura é abrangente e espalhada ao longo de todo o recinto: farturas, churros, bifanas, cachorros, caracóis, gelados, cafés, ginjinha.



Espanto-me como ainda não chegaram as roulottes de sandes de coiratos.

Dêem-lhes tempo…

Como dizia: o poeta: primeiro estranha-se, depois entranha-se.

Feira do Livro.

Um encontro de cheiros, sejam eles dos petiscos, dos próprios livros – sempre gostei de cheirar os livros – das flores e árvores do parque, a despedida, por este ano, dos jacarandás, um deles apanhado em pleno gozo de sol e que encima o texto.


Experimente comprar um livro e vá folheá-lo para uma das esplanadas que a feira oferece e que, resumidamente, se espraiam por aqui.


Neste ano, a Feira regista a presença de 480 editores espalhados por 240 pavilhões. Milhares e milhares de livros que, em grande parte, não sei a que públicos se destinam, mas editam-se.

Nada melhor para encerrar o dia, que reler um velho texto que, suponho seja do Fernando Assis Pacheco:


Feira do Livro.

Pratique então você, sozinho e em segredo, a sua subversão. Faça uso do seu tempo, respire fundo, atenda aos seus sentidos, deixe-se apaixonar, ao toque, ao cheiro, por algum livro antigo, manchado por bolores de anónimos invernos. Oculto, disfarçado como um tesouro celta, enigmático e no entanto familiar, está aquele livro que você sempre quis ler ou perdeu em criança e vai encontrar por escolha sua.

Vá-o abrindo devagar, desfrute-o como um ser único que lentamente se desvenda e oferece sucessivas camadas de beleza. Confunda-se com ele, risque, comente, assinale-lhe no corpo o seu percurso. Use-o, gaste-o, comece-o outra vez. Será este um prazer de nossos avoengos a quem a vista de um tornozelo de mulher proporcionava excitações inconcebíveis e a posse de um livro, só por si, legitimava orgulhos genealógicos.

Boa Feira e bons encontros.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

POSTAIS SEM SELO


Abril é o mês mais doce, pensou. Tinha a impressão de que escrevera a frase numa das suas novelas, Abril é um mês azul, os lilases, os jacarandás, os lírios. E o mar, que se estendia à sua frente, o mar no qual podiam surgir monstros de olhos verdes. Fechou o livro e pousou-o no muro, estendeu as pernas para o lado das rochas.

Ana Teresa Pereira, de uma crónica no Público s/d

sexta-feira, 20 de maio de 2011

OLHARES







Jacarandás, hoje, no Jardim Constantino.

terça-feira, 17 de maio de 2011

OLHARES










Jacarandás, hoje, na Praça de Londres.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O PARQUE DE TODOS OS JACARANDÁS


Meses antes da Feira do Livro de 2004, os mentores, para justificarem ordenado ou subsídio, começaram a estudar a mudança da Feira do Parque Eduardo VII. Não sabiam bem para onde, mas isso para eles nunca é importante. Pensam em mudar e mudarm depois logo se verá. Por norma sai sempre disparate.
Um coro de protestos levantou-se.
Na feira desse ano um grupo de editoras, editoras que gostam mesmo de livros (Afrontamento, Antígona, Assírio & Alvim, Climepsi, Cotovia, Gótica, Meribérica-Liber, Relógio d’Água, Teorema) fizeram um livrinho que reunia textos de autores diversos , “Os Livros no Parque”, em defesa da localização da Feira do Livro de Lisboa no parque Eduardo VII.
“É para nós evidente que a feira neste local pode e deve ser melhorada; mas só parque Eduardo VII ela mantém as características de festa cultural da ciddae de Lisboa, num local central e aprazível, ao ar livre.”
Este é o texto que o Jorge Silva Melo escreveu para este livrinho:
"Eu só gosto do Parque Eduardo VII em Maio, nunca lá vou noutra altura. Mas gosto de subir e de descer, sobretudo ao sábado e ao domingo, com gente que nunca vi nas livrarias, gente que mexe em livros, dicionários tantas vezes, livros do dia, livros mais baratos, gente, tanta gente, fico sempre com a sensação que há pessoas, que os livros servem as pessoas, que os editores são gente honesta que quer um mundo melhor, gosto de coleccionar os catálogos, de marcar com cruzinha os livros a comprar, de nem sequer comprar esses mas outros que me aparecem, esquecidos, de encontrar livros insuspeitos que nem sabia estarem editados, gosto de pedir autógrafos, há muitos anos foi lá que falei com a Maria Judite de Carvalho e lhe disse quanto a admirava, gosto de ver escritores sentados, gosto dos altifalantes a anunciarem escritores e descontos, gosto das farturas que ainda o ano passado engorduraram um livro de poesia acabadinho de comprar e até carote, não me tirem a rua


dos livros ao sol, não me fechem a Feira do Livro, deixem-me, uma vez por ano, passear pelo Parque Eduardo VII de todos os jacarandás, ao cair da noite, pela fresca, deixem-me encontrar os amigos, são cada vez menos!, deixem-me queixar-me de já não ter dinheiro, nem espaço em casa para mais papelada, deixem-me voltar a casa com quilos de sacos, deixem-me a minha Feira do Livro onde ela é, é onde todos os anos eu respiro um mundo que talvez fosse maior, com mais gente, mais livros, histórias, poesias, gente a subir e a descer aos sábados à tarde, com tanto calor. E um dia gostava de filmar, porque não filmar a descoberta do amor entre um rapaz de uma barraquinha de livros em segunda mão e uma jovem escritora neurasténica, rapariga loira com as suas singularidades. Ou vice-versa, em Maio, no Parque Eduardo VII."

quinta-feira, 29 de julho de 2010

AINDA OS JACARANDÁS



Quando fiz a pequena viagem pelos jacarandás de Lisboa, andei à procura de um poema que um dia encontrara num blogue.
Com bastante pena minha não encontrei o apontamento onde escrevi o nome do blogue.
Hoje, como muitas vezes acontece, à procura de uma outra coisa, fui encontrar o tal apontamento.
O poema tinha-o lido no blogue “Sorumbático” de Carlos Medina Carreira.
É um poema inédito, oferecido por Manuel Magro, a Carlos Medina Carreira.
Como entendo que todo o tempo é tempo de jacarandás, aqui vai o poema:

"Na cidade de Lisboa
plantei mil jacarandás,
de azul floriram em Junho
e em Outubro de lilás.

Disto dei nova a el-rei,
quando ainda era rapaz,
o rei me mandou de volta
quatro mil jacarandás.

Por toda a parte os plantei:
em beco, rua, avenida,
Lisboa toda se ufana
de se ver assim florida.

Garrida de azul-lilás
já passada a primavera,
ai, só eu era capaz
de fazer o que fizera.

Quando me for deste mundo,
em descanso e boa-paz,
plantem sobre a minha campa
quatro mil jacarandás,
aqueles que o rei me deu
quando ainda era rapaz,
e mandem forrar Lisboa
toda de azul e lilás. "

terça-feira, 8 de junho de 2010

O OUTRO LADO DOS JACARANDÁS

Chove na cidade e amaldiçoamos o transtorno que a chuva nos acarreta. Nunca nos ocorre o quanto ela é bem-vinda nos campos.

As folhas azul-lilás dos jacarandás caem e ficamos maravilhados com o tapete em que transformam as ruas e os passeios, esquecendo os que, tendo carros estacionados os vêem repletos de folhas secas.

Numa reportagem de Katia Catulo, publicada no “Diário de Notícias” (25.05.2007) D. Marta Maldonando, moradora no nº 99 da Avenida D., Carlos I, chamava “praga” às folhas caídas no seu automóvel. Sai sempre de casa munida de esponja ensopada em detergente: “Para tirar isto é preciso uma boa esfregadela”.


Também António Fortes, empregado da “Cafetaria El Rey D. Carlos”, queixava-se do mesmo e evitava estacionar na Avenida D. Carlos I, mas nem sempre era bem sucedido e lá tinha que deixar as folhas dos jacarandás caírem no carro. “Reconheço que a cidade fica deslumbrante com as copas floridas, mas é muito irritante encontrar quase todos os dias manchas de flores ressequidas no meu automóvel."

Há os que defendem que os jacarandás apenas deveriam estar confinados aos parques e jardins. Mas Graça Valente, que vive no Bairro da Madragoa há mais de 47 anos, entende que terá que haver esse sacrifício com os automóveis sujos:


“Não sei o que pareceria o largo sem o jacarandá.”

Uma frase bonita de reter.


Ou o prazer, o gosto de olhar as flores dos jacarandás.

Legenda: Fotografias tiradas no dia 30 de Maio na Avenida D. Carlos I.

AOS JACARANDÁS DE LISBOA




São eles que anunciam o verão.
Não sei doutra glória, doutro
paraíso: à sua entrada os jacarandás
estão em flor, um de cada lado.
E um sorriso, tranquila morada,
à minha espera.
O espaço a toda a roda
multiplica os seus espelhos, abre
varandas para o mar.
É como nos sonhos mais pueris:
posso voar quase rente
às nuvens altas – irmão dos pássaros –,
perder-me no ar.


Eugénio de Andrade


Fotografias tiradas, no dia 30 de Maio, no Largo do Rato e Rua D. João V.

O TEMPO DOS JACARANDÁS



Por Maio, algumas zonas da cidade, ficam mergulhadas no azul-lilás das flores dos jacarandás.
No meio do desespero dos dias que, governantes e banqueiros de pacotilha, nos impuseram, é confortante olhar os jacarandás de Lisboa e de imediato sabemos que não tarda o Verão.

Percorrer ruas, largos de Lisboa, escrever a crónica de um gosto, mais por imagens do que por palavras.

A enciclopédia da casa define jacarandá como uma árvore de folhas compostas, pertencente à família das Bignociáceas, que se desenvolve na América do Sul, principalmente no Brasil e Argentina. Fornece preciosa madeira escura a que se chama pau-santo.

O tempo errático, por vezes, altera o ciclo mas, normalmente, por meio de Maio já os jacarandás estão floridos. Assim duram quase um mês.



Há muitos anos que António Barreto, no seu “Retrato da Semana”, no “Público,” aponta, minuciosamente, a chegada das flores lilases do jacarandás.

De acordo com os seus registos já uma vez os jacarandás floriram em finais de Abril.

Este é o registo que fez no dia 5 de Maio de 2002:

“A vida tem sido difícil para os jacarandás. Depois de um ano frio e molhado, veio um seco e quente. Ambos em excesso. O ano passado, tiveram vida excepcionalmente curta. Este ano estão aí de novo. Vamos Ver. Mostraram-se esta semana. É um dos melhores momentos da vida de Lisboa.”




Possivelmente, a Avenida D. Carlos I, será a rua, em Lisboa, com maior densidade de jacarandás. 

Também os podemos ver nas Trinas, na Rua do Salitre, na Rua Rodrigo da Fonseca, no Parque Eduardo ViII, na Avenida 5 de Outubro, no Largo do Rato, Santos, Belém.

Para o ano volto ao roteiro dos jacarandás de Lisboa.

Legenda: Fotografias tiradas, no dia 30 de Maio, na Avenida D. Carlos I