Mostrar mensagens com a etiqueta Jacques Brel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jacques Brel. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, 10 de abril de 2019
POSTAIS SEM SELO
Um tipo que fala das mulheres com tanta cólera é porque lhes pertence inteiramente.
Georges Brassens
Etiquetas:
Jacques Brel,
Postais Sem Selo
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
OLHAR AS CAPAS
Antologia Poética
Jacque Brel
Textos sobre
Jacques Brel, entrevistas com Jacques Brel e Poemas
Tradução e
Introdução de Eduardo Maia
Colecção Lagarto
nº 11
Assírio &
Alvim, Lisboa, Setembro de 1985
J C - Parece-me
que não gosta muito daquela sua canção intitulada «Quand maman reviendra»,
visto que nunca a canta em público. Porquê?
JB - É
verdade qie não gosto muito dessa canção. Aliás, ela já passou por diversas vicissitudes.
Comecei por escrevê-la com uma música diferente de que você conhece, mas tive
de fazer outra. Mas, sobretudo, aconteceu que não consegui fazer o que queria
realizar inicialmente. A história devia desenrolar-se na periferia de uma
grande cidade dos Estados Unidos. E eu quis armar em proletário, que o não sou.
Quis-me pôr na pele de um tipo de vinte anos, e já os não tenho. Cada vez que
faço batota comigo mesmo sai asneira, o que é bem feito. Na altura penso que
estou a ser sincero, estou convencido que tenho mesmo vinte anos, etc. Vejo-me
sentado no passeio numa zona operária, e fico todo convencido, todo babado. E
juro que tenho realmente a sensação de estar a ser honesto. No entanto, quando
acabo o trabalho, dou conta, quando já é tarde, que o não estava a ser. É assim
que se estraga uma canção.
(Da entrevista deJean Clouzet)
terça-feira, 18 de agosto de 2015
POSTAIS SEM SELO
- Quanto mais baixo se cai, mas as coisas se tornam
claras. Chega-se ao fundo. Quando se perde, encontramo-nos a nós próprios.
Cesare Pavese em
O Diabo Sobre as Colinas
Etiquetas:
Jacques Brel,
Postais Sem Selo
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
POSTAIS SEM SELO
Adeus mulher sempre te
quis bem
Adeus mulher sempre te
quis bem sabes
Vou tomar o comboio de
ver a Deus
Vou tomar o comboio que
sai antes do teu
Mas cada um toma o
comboio que pode.
Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.
Etiquetas:
Comboios,
Jacques Brel,
Postais Sem Selo
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
UMA MENTIRA COMO OUTRA QUALQUER
Brel morreu, e dorme agora na terra rude das ilhas Marquesas. Mas eu
sei muito bem que Brel não está morto, como dizem. As suas canções continuarão
vivas para além da morte, mas isso nem é o mais importante. O que o mantém vivo
é outra coisa. É o facto de ser ad aeternum, a música e as palavras dos nossos amores, é o ter cantado os nossos
primeiros beijos, as nossas primeiras carícias. E o ter deitado cá para fora,
com a sua voz velada, os nossos primeiros gritos de desespero.
domingo, 19 de janeiro de 2014
BREL EM VEZ DE CARTAS
Basta dizer que, quando apareceram no mercado os primeiros gravadores a
preço acessível, deixámos de escrever cartas às nossas namoradas. Comprávamos
os discos de Brel, gravávamos esta ou aquela passagem, fazíamos uma espécie de
montagem sonora e enviávamos a fita à sereiazinha cruel. E nesta bolsa de
prendas amorosas, a cotação de uma canção de Brel valia bem duas dúzias de
rosas.
Didier Decoin em Jacques Brel, Antologia Breve, Assírio
& Alvim, Lisboa Setembro de 1985
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
... A PENAR POR TODOS NÓS
Miguel Torga, no seu Diário, registando a morte de
Jacques Brel, ocorrida neste dia do ano de 1978:
Etiquetas:
Efemérides,
Jacques Brel,
Miguel Torga
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
CRÓNICA 20 ANOS DEPOIS
O que foi feito dos meus amigos e das coisas belas e desmesuradas por que todos nós perdemos e ganhámos a juventude? Olho em volta e resigno-me: os meus amigos cansaram-se e jazem agora em empregos rotineiros à espera da trombose ou do enfarte. Alguns passaram-se com armas e bagagens (e, naturalmente, proveito) para o lado do inimigo. Os melhores (mas que sei eu?) engordaram – para dizer a verdade, todos engordámos... – e tornaram-se cépticos e amargos carregando a nossa memória comum como um pecado envergonhado. Muitos morreram em guerras sem sentido, ou tão só de tédio, de longo e insuportável tédio. Outros partiram para improváveis distantes lugares; um enlouqueceu (e esse foi, se calhar, o que, imóvel e cegamente, partiu para mais longe).
Aquilo por que, há 20 anos, estávamos dispostos a perder tudo o que tínhamos (que não era, aliás, grande coisa: tempo, paciência, a breve vida), desmoronou-se mesmo antes de termos levantado as primeiras inseguras paredes. Atrás de nós veio pesadamente, a perigosíssima estirpe da chamada gente prática (laboriosas formigas que, enquanto cantávamos na rua e fugíamos à frente de todas as policias, mastigavam metodicamente as sebentas em sombrios quartos onde não chegavam o fogo dos sonhos nem o clamor da vida), e reduziu a utopia a dimensões razoáveis e geriveis. (Façamos-lhe, no entanto, justiça: talvez, quem sabe?, sem eles cedo a despensa se tivesse esgotado e a festa tivesse acabado mal e numa tremenda ressaca...)
Hoje reunimo-nos lentamente nos cafés, aos fins de tarde, e recordamo-nos com complacência de nós próprios como de outras alheias coisas. Nessa complacência me parece, às vezes, entrever alguma secreta mágoa e algum ressentimento. Em quantas ocasiões não nos tenho surpreendido falando com azedume dos filhos, e dos seus desejos, e da sua vida (da sua única vida!), como se aquilo que a eles, um dia, será dado, por sua vez, perder fosse irrisório e mesquinho ao lado do que nós próprios perdemos?
Nessas alturas tento imaginar o que seríamos há 20 anos, pensado de gente como a que hoje somos. E o que imagino (mas a minha imaginação sempre foi pouco recomendável) embaraça-me e apavora-me. Ter-nos-emos tornado em pessoas tão feias e tão impertinentes como aquelas contra quem inventámos a vida e a liberdade? Tenho a inquieta sensação de que, sem o saber, repetimos, também nós, como os notários de Jacques Brel, um monótono papel num dramático e não menos monótono. E que os nossos sonhos passados (como agora os nossos sonhos presentes, tão óbvios, tão prováveis!), e nós, as nossas derrotas, a nossa melancolia, fazemos todos parte da mesma medíocre telenovela.
A verdade é que não me agrada absolutamente nada o argumentista destes últimos anos, muito particularmente o da versão portuguesa deles. O «happy-end» liberal que entusiasticamente por aí se anuncia mais se me afigura um terrível pesadelo de que, por muito que me esforce, não sou capaz de acordar. A diminuição da inflação e das taxas de juro, o equilíbrio da Balança de Pagamentos, a União Económica e Monetária, a televisão de alta definição, não me parecem, de todo em todo, coisas por que valha a pena alguém viver ou morrer, e não vejo nenhum épico na posse das faculdades mentais a dedicar uma epopeia à presidência portuguesa das Comunidades ou aos feitos financeiros do dr. Cavaco Silva. Foi este o temo e o lugar sem grandezas que legámos aos filhos? Valeu a pena tanta esperança para isto?
Olho os filhos e, pudessem eles compreender, dir-lhes-ia: “A culpa foi nossa”. Talvez tenhamos feito o que pudemos, só que não pudemos, como se vê pela figura junta, grande coisa. E agora não temos nada, ou quase nada, para mostrar aos filhos. Nem o tamanho da nossa vida, que mediríamos pelo tamanho dos nossos sonhos (e pelas nossas derrotas) não tivéssemos todos debandado e desertado para a nostalgia e para a ironia quando a vibrante bandeira da nossa juventude caiu nas mãos dos infiéis.
Manuel António Pina, Jornal de Notícias, 10 de Junho de 1992, retirada de O Anacronista, Edições Afrontamento, Porto 1994.
Etiquetas:
Cafés,
Jacques Brel,
Manuel António Pina
Subscrever:
Mensagens (Atom)






