Mostrar mensagens com a etiqueta James Joyce. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta James Joyce. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 15 de novembro de 2016

LENDO JAMES JOYCE


Uma das muitas fotografias em que Marilyn Monroe aparece a ler livros.
Nesta lè o Ulisses de James Joyce.
- Teve uma morte repentina, pobre sujeito - disse ele.
- A melhor morte disse o senhor Bloom.
Grandes olhos abertos fixaram-se nele.
- Sem sofrimento - disse ele - Um instante e tudo acabou. Como morrer dormindo.

sábado, 13 de setembro de 2014

OLHAR AS CAPAS


Caderno de Significados

Agustina Bessa-Luís
Selecção, organização e fixação de texto: Alberto Luís e Lourença Baldaque
Edição Babel, Lisboa, Outubro de 2013

Tempos áureos em que ler um livro era uma descoberta ao mesmo tempo simples e maravilhosa. Creio que James Joyce fala da deliciosa emoção de temas como A Filha do Capitão, de Pouchkine. A banalidade era de uma indescritível sedução, com tantos bandidos, mulheres indefesas, duma juventude eterna e cabelos que não embranqueciam. Agora, esse prazer acabou; não leio mais com nervosismo as peripécias dos grandes folhetinistas, nem os piratas de Mindanau me fazem impressão. Salgari, os contistas russos, a melancolia da história sem objectivo, tudo isso não tem mais lugar na minha vida. Agora inclino-me para livros sábios e astuciosos; mas não gosto deles. O prazer tem que nos intimidar, para ser sincero. Os livros já não me intimidam; quer dizer que não me alegram nem fazem chorar. São panfletos ou são tratados, mas já não são aquele livro que se lia depressa, comendo maçãs, e deixando ao acaso a alma em que o segredo suspira

quarta-feira, 22 de maio de 2013

SARAMAGUEANDO


A Imprensa Nacional - Casa da Moeda apresenta hoje, pelas 18,00 horas, na Casa dos Bicos, em Lisboa, a emissão especial de moedas em ouro e prata, dedicada ao escritor José Saramago.

A emissão especial da INCM é uma moeda no valor de 2,5 euros, em ouro e prata, que se integra na colecção Escritores Europeus, da série Europa, na qual participam dez países convidados, que evocam os seus escritores, entre os quais o espanhol Miguel de Cervantes

As moedas da série Europa são emissões oficiais em euros que, embora com uma temática anual comum, cada uma delas é específica do Estado que a emite, e apenas aí tem curso legal.

Nesta série estão também representados o austríaco Stefan Zweig, o irlandês James Joyce, o francês Gustave Flaubert e o belga Hugo Claus.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

FRAGMENTOS


Possivelmente, Marilyn Monroe fez mais esforços para ler o Ulisses de James Joyce do que muita gente que diz que o leu e nunca acabou, ou sequer começou.

Por mim falo e digo que nunca o acabei e poucos esforços tenho feito para que lhe conheça o meio quanto mais o fim.

Em 1999, o exemplar de Ulisses que pertenceu a Marilyn Monroe, foi vendido por 7100 euros num leilão da Christie's.

A sua biblioteca era constituída por perto de quinhentos livros.

O já citado Ulisses estava por lá, e tinha por companhia obras de Dostoievesky, Jack Kerouac, Yeats, Samuel Beckett, Tolstoi, Walt Whitman, Rainer Maria Rilke, Bernard Shaw, Ernest Hemingway, Tennessee Williams, D.H. Lawrence, F. Scott Fitzgerald, John Steinbeck.

Marilyn Monroe deixou um inventário que inclui fotografias, recortes de jornais, poemas, frases, cartas, notas várias.

Os papeis e fotografias datam de 1943, e vão até aos dias que antecederam a sua morte.

Parte de todo este material foi publicado em livro, no final do ano passado, nos Estados Unidos. Os editores chamaram-lhe Fragments: Poems, Intimate Notes, Letters.

Do mundo de lendas que sempre envolveram, e envolvem, Marilyn, conta-se que um dia, em conversa com um amigo, terá tirado do bolso, um pequeno diário de capa vermelha a que chamava o seu livro de segredos.

Nesse livrinho, entre muitas outras coisas, falava dos planos de Kennedy para matar Fidel de Castro, de testes atómicos, das relações de Frank Sinatra com a Máfia, do movimento dos negros pelos direitos de igualdade, conversas que Marilyn ouviu enquanto conviveu com os Kennedys.

Naturalmente este livro de segredos não consta de Fragments: Poems, Intimate Notes Letters.

Diz, quem já o leu, que Fragments, não é a essência da literatura,  mas permite concluir que Marilyn não foi, exclusivamente, a loura burra que que a indústria de Hollywood construiu e impingiu à opinião pública de todo o mundo.

Um símbolo sexual torna-se um objecto. Eu detesto ser um objecto disse a actriz.
O escritor António Tabucchi  (1943-2012), escreveu o prefácio para a edição francesa do livro,  e observa:

No interior deste corpo vivia a alma de uma intelectual e poeta de que ninguém tinha um pingo de suspeita.

Nos filmes que Billy Wilder realizou com Marilyn, opinião minha, os melhores dos seus filmes, a actriz fez a cabeça em água a Wilder, mas este sabia o diamante que tinha entre mãos:

Penso que ela é a melhor actriz cómica ligeira que temos no cinema hoje em dia, e qualquer pessoa sabe que a comédia ligeira é o mais difícil dos estilos de representação.

Deus deu-lhe tudo.

Obviamente que Billy Wilder, sabia do que falava.

No diário das filmagens do Let’s Make Love , Marilyn confessava:

De que é que eu tenho medo? Porque é que tenho tanto medo? Porque penso que não sei representar? Sei que sei representar, mas tenho medo. Tenho medo e sei que não devo ter, e não quero ter. Mas tenho.

Em 1948, Tom Kelley fotografou-a nua sobre veludo vermelho, que daria lugar ao celebérrimo calendário das paredes de todas as garagens do mundo.

Quando muitos anos mais tarde, um jornalista perguntou-lhe se ela não se envergonhara da ousadia de ter posado para Tom Kelley, Marilyn respondeu:

Tinha fome!

E, sarcasticamente, não deixou de acrescentar:

Porquê? Não gosta do vermelho?

Sabe-se, ou pensa-se que se sabe, que todos morremos a cada dia que passa.

Mas os dias de Marilyn foram tecendo o suicídio organizado em que a sua morte se transformou.

O tal seu livro dos segredos, o livro de capa vermelha, constituía material demasiado perigoso para que, impavidamente, o clã kennedyano assistisse à possibilidade de se tornar público.

Tenho a certeza de que acabarei louca se continuar a viver neste pesadelo, terá dito a actriz naqueles seus tempos de depressão, que irão culminar na noite em que tomou todos os tubos de comprimidos que tinha e não tinha, tal como sugere Ruy Belo no poema que dedicou à sua morte.

Poderá perguntar-se:

Tomou?

domingo, 12 de agosto de 2012

PERGUNTA QUASE INEVITÁVEL


A pergunta é quase inevitável: «Ela leu ou não leu?» Marilyn Monroe, a sex symbol loura do século XX leu o Ulisses, de James Joyce, um ícone novecentista da cultural intelectual e o livro que é para muitos o maior romance moderno, ou estava apenas a fingir? Porque, como atestam outras imagens da mesma sessão fotográfica, é o Ulisses que vemos Marilyn a ler aqui.

Richrard Brown, um professor de literatura, quis tirar o caso a limpo. Trinta anos depois da sessão fotográfica, escreveu à fotógrafa, que devia saber a resposta. Eve Arnold respondeu que Marilyn já estava a ler o Ulisses quando se encontraram. Marilyn tinha afirmado que lhe agradava o estilo do livro; que o leria em vos alta para o compreender melhor, mas que era difícil. Antes da sessão, Marilyn estava a ler o Ulisses enquanto Arnold preparava a película. E foi assim que la foi fotografada. Não precisamos de alimentar a fantasia do professor Arnold e imaginar que Marilyn continuou a ler o Ulisses, se matriculou numa faculdade e abandonou a sua vida de estrela de cinema para aprofundar os seus conhecimentos acerca de Joyce e que, já como professora reformada, recordou os dias fascinantes da sua juventude.

Mas podemos seguir os conselhos do professor Brown e ler o Ulisses como Marilyn fez: não de seguida, do princípio ao fim, mas episodicamente, abrindo o livro em páginas diferentes e lendo pequenos trechos. Talvez chamássemos e este modo desorganizado de ler o «método Marilyn». Seja como for, o professor Brown recomenda-o aos seus alunos,

Em Mulheres Que Lêem São Perigosas de Stefan Bollmann


Legenda: fotografia de Eve Arnold.

terça-feira, 31 de julho de 2012

POSTAIS SEM SELO


Ulisses atraiu-me e derrotou-me várias vezes ao longo dos anos, desde que comprei nos distantes anos 70 a edição de volumes brancos da Lumen traduzida por José María Valverde. Um leitor tem de ser sincero consigo próprio e tal como não deve envaidecer-se com os cumes que conquistou, também não deve envergonhar-se dos seus fracassos nem esconder a sua capitulação diante de uma obra-prima.

Antonio Muñoz Molina, em El País.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?


Todos os anos, na ressaca natalícia, recorro à melancolia, à poesia, à beleza do filme de John Huston “The Dead”. Não me perguntem porquê.


O enredo do filme salta de um conto de James Joyce, “The Dubliners”, adaptado por Tony Huston e que em Portugal se chamou “Gente de Dublin”.

Aquele jantar de Natal com que John Huston se despediu do número dos vivos.

Foi numa cadeira de rodas, com uma garrafa de oxigénio ao lado, que rodou o filme e, certamente, sabendo que não o iria concluir, teve a seu lado o filho Harry Huston que, após a sua morte, o concluiu.

Manuel Cintra Ferreira, numa das "Folhas da Cinemateca”, deixou escrito: “Se um filme pode conceber-se como um “testamento”, “The Dead” talvez seja o melhor exemplo disso. É um filme de despedida, contando também a história de uma despedida. Um adeus melancólico de alguém que apreciou bem a vida, e a refeição simboliza bem o prazer de viver que possuiu Huston. É também um adeus a tudo o que amou: a Irlanda, os amigos, o cinema. A este último dá uma das suas obras maiores e a mais perfeita. À sua amada Irlanda oferece o seu olhar sobre o maior escritor do país, James Joyce e para fazer o filme reuniu à sua volta a família (Angelica, Tony e Danny) e os amigos, actores de cinema e de teatro irlandeses (do Abbey e do Gate Theatre).”



José Saramago disse um dia que “o Natal é uma borbulha consumista que nos separa do Apocalipse”, mas se ainda não repararam, digo-vos agora que faltam 353 dias para que volte a ser Natal.

Tempo para, à maneira de Nick Hornby, valendo estas coisas o que valem, deixar-vos  a lista dos meus cinco filmes de Natal:

1)      “A Loja da Esquina”,“The Shop Around The Corner”, 1940, Ernest Lubitsch
2)      “Não Há Como a Nossa Casinha”, “Meet Me In St. Louis”, 1944,Vincente Minnelli
3)      “Gente de Dublin”, “The Dead”, 1987, John Huston
4)      “A Taberna do Irlandês”, “Donovan’s Reef”, 1963, John Ford
5)      “Do Céu Caiu Uma Estrela”, “It’s a Wonderful Life”, 1946, Frank Capra

terça-feira, 31 de agosto de 2010

LIVROS PARA FÉRIAS

Não há livros para férias. O que existe são pessoas que só lêem nas férias, mesmo assim, as que lêem.

O meu pai tinha a teoria que ler era uma tarefa de todo o ano e as férias deveriam ser aproveitadas para ler clássicos. Foi assim que leu “À Procura do Tempo Perdido” de Marcel Proust, o “Ulisses”de James Joyce, as “Confissões” de Rousseau, estes são os que me lembro.

As listas de livros para férias que os jornais e revistas publicam nos começos de cada verão são apenas um “fait-divers”.

È normal as gentes dizerem, como desculpa para mão lerem, que durante o ano não têm tempo. Apenas conseguem todo o tempo do mundo para se encharcarem, diariamente, com lixo televisivo.

Ler exige esforço, concentração, vontade, o sabermos que o gosto pela leitura necessita de trabalho, muito trabalho e não se apanha como uma gripe. O meu avô dizia, fia-te nos que gostam de ler e desconfia sempre dos que dizem que não têm tempo para ler, como também me dizia para desconfiar dos abstémios, porque eles escondem qualquer coisa de sinistro.

Sabedorias do meu avô…

Percorre-se o areal de uma praia, passamos pelas suas esplanadas e alguém a ler um livro é como encontrar agulha num palheiro. A lerem jornais ainda se encontram alguns a lerem revistas-cor-de-rosa são como enxames, mas livros…

Sabe-se que, em média, um português não lê um livro por ano.

A incultura permitiu uma ditadura de quase 50 anos, permite agora que qualquer um se arvore em político, em primeiro-ministro, em presidente da república, gente hábil que se formaram em contar histórias a camelos, gente que quando ouve falar de cultura não puxa logo da pistola, mas cospe para o lado…

O fracasso de não pensar é sempre uma consequência do não ler.

Uma professora de liceu desabafava: “intelectuais na escola são os que lêem “A Bola” porque os outros não lêem nada”

Isto foi há meia de dúzia e porventura já nem “A Bola”, hoje, lêem.


Num programa de televisão, de há muitos anos, o Raul Solnado perguntava a um miúdo se gostava de ler e o miúdo respondeu-lhe: 

"Evito"

Camilo Castelo Branco deixou escrito:

“A poderosa razão que o lavrador Roberto Rodrigues
opunha para não mandar ensinar a ler o filho, era -
que ele pai também não sabia ler, e mais arranjava
lindamente a sua vida. Esta vinha a ser a razão capi-
tal, reforçada por outras subalternas e praticamente
bastante persuasivas.
- Se o rapaz souber ler – argumentava triunfantemente
o idiota – assim que chegar a idade, às duas por três,
fazem-no jurado, regedor, camarista, juiz ordinário,
juiz de paz, juiz eleito. São favas contadas. Depois,
enquanto ele vai à audiência ou à Camara, a Cabeçais,
daqui uma légua, os criados e os jornaleiros ferram-se
a dormir a sesta de cangalhas à sombra dos carvalhos,
e o arado fica também a dormir no rego. E ademais,
isto de saber ler é meio caminho andado para asno e
vadio.
E citava exemplos, personalizando meia dúzia de bre-
jeiros que sabiam ler e eram mais asnos e vadios que
os analfabetos.”


Terão razão os que dizem que a leitura será sempre uma questão de minorias?

Terão razão os que dizem que não se vive para ler, lê-se somente para melhor viver?