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sexta-feira, 9 de agosto de 2019

O VELHO TOM


Tom Jones é um rapaz nascido no País de Gales, filho de mineiro que fez um pouco de tudo na vida até se tornar milionário. Segundo João Gobern  privou, em longas noites de conversa e de improvisos musicais, com Elvis Presley; ficou amigo de John Lennon depois de, num primeiro encontro, ter querido aplicar-lhe uns murros; fez duetos com Aretha Franklin e com Janis Joplin; viu um Michael Jackson ainda menino brincar no quintal da sua casa; manteve Elton John como integrante de um dos coros que o acompanhou em gravações, deteve, durante muito tempo, o recorde da assiduidade às temporadas de concertos nos casinos de Las Vegas, que lhe valiam uns infalíveis três a quatro meses por ano de rendimento invejável; chegou a Cavaleiro do Império Britânico; participou em programas de TV como o Ed Sullivan Show.

Alegrou os bailaricos caseiros dos domingos dos nossos anos 60, estão pela casa os diversos Eps, que marcam esses dias que metiam sandes de pão de forma com queijo e fiambre, bolos secos e uma zurrapa que dava pelo nome de «cup», vinho branco, água castelo, açúcar amarelo, gelo.

No dia 25 de Julho, Tom Jones esteve a actur, em Cascais  no EDP Cool Jazz.

Só uma grande dose de boa vontade pode enfiar Tom Jones no capítulo jazz. Mas dêem-se os descontos ao rapaz, que tem 79 anos, e ao espírito comercialão  da empresa que diariamente nos lixa a vida com contas astronómicas de eletricidade.

Numa entrevista ligeira ao Expresso contou que, nos seus primeiros tempos actuava em clubes nocturnos e lembrou que cantava «I Believe», uma canção do Frankie Laine.

À nomeação de Frankie Laine sorri porque, se bem se lembram, ainda há dias aqui recordei Frankie Laine como um dos clássicos do meu pai e a que também aderi.



quinta-feira, 16 de agosto de 2018

ARETHA FRANKLIN (1942-2018)


A todo o momento esperávamos a notícia.
Morreu Aretha Franklin.
João Gobern, num brilhante texto no Diário de Notícias on-line, faz o perfil de uma voz fantástica, de uma vida terrivelmente vivida.



quinta-feira, 3 de maio de 2018

ETECETERA


Há muito que os políticos estão descredibilizados.

Hélas!

Uma série desses ditos, tem feito tudo para que os cidadãos não lhes tenham respeito, neles terem deixado de acreditar.

Por uns – e eles são tantos! – pagam outros.

Sempre assim foi e não há volta a dar.

O último triste exemplo dá pelo nome de Manuel Pinho ex-ministro da economia de um governo de José Sócrates.

Entre outras variantes, Manuel Pinho é suspeito de ter recebido 15 mil euros mensais dessa coisa tenebrosa que dava pelo nome de Grupo Espírito Santo, ao mesmo tempo que recebia o respectivo vencimento ministerial.

A comunicação social estranha que Manuel Pinho ainda não tenha dito nada sobre tão escabroso caso.

Mas dizer o quê?

Que é tudo mentira?

Que não passa de mais uma cabala jornalística?

Manuel Pinho iniciou funções de ministro da Economia em Março de 2005 e, a partir de Outubro do ano seguinte, passou a acumular com as retribuições deste cargo público uma quantia mensal de 14 963,94 euros paga pelo Grupo Espírito Santo. A informação de tais transferências, de um saco azul do GES para uma sociedade offshore de Manuel Pinho no Panamá, acaba de ser incorporada no inquérito-crime onde são investigadas decisões do ex-ministro que custaram ao Estado e valeram à EDP 1,2 mil milhões de euros.

Manuel Pinho acabou por pedir a demissão de ministro quando, na Assembleia da República, num episódio lamentável, desenhou com as mãos, um par de cornos ao deputado comunista Bernardino Soares.

Uma atitude miserável, desprezível que agora talvez se perceba melhor: o homem queria sair da governação, não sabia bem como e resolveu-se pela ordinarice.
Recorde-se que Manuel Pinho foi administrador executivo do Banco Espírito Santo  de 1994 a 2005. Próximo de Ricardo Salgado e membro da Comissão Executiva do BES, era igualmente administrador de outras sociedades do GES até tomar posse como ministro.

«Em 10 de Março de 2005, cessei a minha relação profissional com o BES/GES, uma vez que aceitei o convite para integrar o XVII Governo.»

Terá , agora, que prestar contas.

Mais um processo que terá eventual resolução lá para as calendas gregas.

UMA RAPARIGA DO MEU TEMPO

Françoise Hardy, aos 74 anos, lançou o seu 2º disco, Personne d’Autre
«com a elegância e melancolia habituais», escreveu João Gobern no Diário de Noticias:

Disse em tempos:

«Creio ter chegado ao ponto em que a inspiração não me visita com a frequência indispensável. Teria de acontecer algo de verdadeiramente inesperado, quase insólito, que me levasse a regressar aos estúdios. E também que houvesse um forte sopro de energia, que me permitisse ultrapassar os problemas de saúde que me afligem nestes tempos mais chegados.»

Mas são águas passadas.

Regressa como nunca.

O que levou João Gobern  a desabafar:

«Não há ninguém como Françoise.»

Assino por baixo.


Legenda: o artigo de Pedro Adão e Silva foi publicado no Expresso de 28 de Abril de 2018.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

OLHARES


Conheço quem rume ao Gambrinus só para comer os croquetes com a mostarda da casa. Parece simples, mas talvez não haja outros salgadinhos da especialidade com tantos argumentos desequilibradores a favor.

João Gobern em Boca Doce

sábado, 25 de novembro de 2017

PEDRO ROLO DUARTE (1964-2017)


Tinha 53 anos.
Mais nada apetece escrever.
Não o conheci pessoalmente mas gostava do que fazia, fosse na escrita, fosse na rádio.
Mantinha com João Gobern um divertido e excelente programa na Antena 1, ao sábado, duas horas, à moda antiga: Hotel Babilónia.
Já, praticamente, ninguém ouve rádio. Vou sentir a falta. Felizmente pode-se recorrer aos registos que a estação disponibiliza.
Com uma pequeníssima, mas competente, equipa fez um trabalho notável com o suplemento DNA no Diário de Notícias.
O Postal Sem Selo de ontem, coloquei-o a pensar na luta que manteve contra o tabaco:
«A vida insiste em excesso para que sobrevivamos».
Deixou escrito:
«Hoje, o meu maior problema é sonhar todas as noites com cigarros, recaídas e desculpas para voltar a fumar. Mas não voltei. Nem admito voltar. Sou mais teimoso do que o estupor do vício.»

domingo, 29 de outubro de 2017

IRISH HEARTBEAT



Van Morrison está a festejar 50 anos de carreira a solo e publicou o seu 37º álbum de estúdio – Roll with the Punches.

Claro que Van Morrison não anda pelas listas dos discos mais vendidos, o próprio gosta muito pouco dos discos que faz, mas tem lugar de referência maior na música.

João Gobern, no Diário de Notícias, lembra a efeméride e acrescenta:

«Quando, há cinco anos, a insuspeita Rolling Stone procedeu a (mais) uma escolha dos 500 melhores álbuns de sempre, lá estavam, indiferentes às modas e à volatilidade destas eleições, dois discos do Big Van: Moondance(de 1970) em 66.º e Astral Weeks (de 1968, tão perto já do meio século) em 19.º. Nada mau, para um registo que, comercialmente, nunca foi além do 55.º lugar do top britânico...
Em boa verdade, qualquer destes álbuns e da esmagadora maioria dos outros, que perfazem o património de Van Morrison, pode continuar a ser ouvido hoje, com o mesmo prazer e sem enfrentar os riscos do final do prazo de validade. Por uma razão elementar: a escolha das canções, bem acompanhada pela escrita do próprio intérprete, continua a ser inspirada, apoiando-se na consistência do saber do protagonista, que conhece todos os standards, todos os nomes suscetíveis de poderem interessar-lhe. Depois, é aquele "pequeno passo" de génio, que se traduz em moldar cada momento a um fraseado próprio, a uma rítmica que transcende lógicas, a um tom de voz que se reconhece à segunda ou à terceira nota. Nestes particulares, faz lembrar Frank Sinatra, nada menos.

Roll with the Punches, para chegarmos ao que aqui nos traz, nada tem de novo - de resto, as últimas vezes que Van Morrison correu atrás da surpresa aconteceram em Irish Heartbeat, disco de 1988 gravado com os seus compatriotas (do lado sul da ilha verde) Chieftains, em que fez emergir despudoradamente as suas raízes celtas, e quando integrou o elenco especial da apresentação de The Wall (Pink Floyd) junto ao que restava do Muro de Berlim, redefinindo à força de voz uma canção tão contundente como Comfortaby Numb.

Aliás, é melhor que não haja sobressaltos - com Van Morrison, cada "prova cega" torna-se uma festa. E, neste disco, há, além dos temas próprios, canções de Bo Diddley, Doc Pomus, T-Bone Walker, Mose Allison, Sister Rosetta Sharpe e - bênção suprema - até de Sam Cooke e Count Basie. Além disso, por aqui se descobrem a guitarra de Jeff Beck, o Hammond de Georgie Fame, a harmónica de Paul Jones e o piano de Jason Rebello. O que significa que, estejam em causa Mean Old World ou How Far from God, Transformation ou Ordinary People (duas das três novas), e, sobretudo, Goin' To Chicago ou Bring It On Home To Me, a melhor solução passará sempre por deixar a música fazer o seu caminho, ligando-a ao passado ilustre de Van Morrison ou descobrindo um dos valores mais insistentes e coerentes da história do rock. Sem pressa - o feitiço vai obrigar a voltar aqui, uma e outra vez.


segunda-feira, 25 de setembro de 2017

POSTAIS SEM SELO


Um solitário que não se revela um grande apreciador da solidão.

Patti Smith no prefácio a The One Inside, último livro de Sam Shepard, citado por João Gobern em Diário de Notícias, 19 de Setembro de 2017.

Legenda: capa de The One Inside de Sam Shepard editado por Alfred A. Knopf.

terça-feira, 18 de julho de 2017

A CULPA FOI DA YOKO


Nunca gostei da pequena e sempre tive a impressão que terá sido Ioko Ono quem profundamente ajudou ao fim dos rapazes de Liverpool.

É certo que eles estavam ricos, cansados, enjoados de tanta gritaria, mas ela deu uma grande ajuda.

No dia 18 de Junho Paul McCartney fez 75 anos.

Sobre a efeméride, João Gobern escreveu um artigo no Diário de Notícias e finaliza-o lembrando um episódio que ele diz ser «pouco conhecido»: quando os Beatles se separaram, Paul proferiu a frase: « a culpa foi da Yoko».

Contudo, João Gobern lembrava ter sido Paul McCartney quem apresentou a japonesa a John Lennon.

Donde, mesmo que de forma involuntária, o verdadeiro «culpado»… terá sido  James Paul McCartney.

Recentemente, após uma reunião da National Music Publishers Association, organização que representa as editoras musicais, o seu diretor executivo, David Israelite, exibiu um vídeo de 1980 em que, Lennon argumenta que Yoko deveria ser considerada coautora de Imagine.

«A canção deveria ser reconhecida como uma faixa Lennon-Ono porque muito dela, a letra e o conceito, vieram da Yoko. Mas, naquela época, eu era egoísta, muito «macho», e daí ter omitido a sua contribuição para a canção.»

A «brincadeira» permite que a pequena, com esta decisão, consiga que só 70 anos após a sua morte, Imagine caia no domínio público.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

DA MINHA GALERIA


O velho Dino faria hoje 100 anos.
O homem que gostava de ser parceiro, tal como escreve  João Gobern na evocação publicada no Diário de Notícias.

Legenda: fotograma de Rio Bravo, uma das boas passagens de Dean Martin pelo cinema.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

OS 50 ANOS DO SARGENTO PIMENTA


Passa hoje meio século sobre a edição de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, oitavo álbum de estúdio dos Beatles.
João Gobern diz que é o melhor disco da idade do rock, mas melhor seria dizer que está no largo lote dos melhores discos da idade do rock.
Por motivos que não vêm ao caso, só em Dezembro de 1967, já tinha andado quase meio ano, deparei com Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e não mais o larguei.
Quando chegar Dezembro contarei toda a história.

Hoje, é só para fazer o registo da data que vai ser largamente comemorada um pouco por todo o mundo, mas muito especialmente na atormentada Grã Bretanha dos dias que correm.

sábado, 27 de maio de 2017

QUOTIDIANOS


E onde é que nós íamos mesmo na conversa? Ah, é verdade! No mudar de vida, na prevenção de que, agora, como na canção que já soube de cor. «há sempre qualquer coisa que está para acontecer, qualquer coisa que eu devia perceber…»

João Gobern em Boca Doce

sábado, 25 de março de 2017

DA MINHA GALERIA


Aretha Franklin, a fantástica Aretha Franklin, faz hoje 75 anos, número redondo.

Claro que posso dizer: é uma rapariga do meu tempo.

Como nasci em 45, temos três anos de diferença.

João Gobern assina, hoje, no Diário de Notícias, um excelente texto sobre a Diva.

Se a tradição de muitos dos anos mais chegados se mantiver, Aretha Louise Franklin terá alugado para hoje umas quaisquer instalações luxuosas, num hotel ou num clube, na cidade de Detroit. Terá tratado de encomendar um "farnel" farto em gorduras e açúcares, para manter o hábito de se dedicar à soul food. Terá cantores e/ou músicos contratados para abrilhantar mais uma festa de aniversário, daquelas que costuma oferecer a si própria, sem se esquecer de as publicitar para manter aceso o lume de boas (e só boas) notícias a respeito da Rainha do soul. 

E ouçam a pequena, principalmente nas gravações que fez para a «Atlantic».

Tal como a recordo, na tomada de posse de Barak Obama em 2009.






segunda-feira, 20 de março de 2017

CHUCK BERRY (1926-2017)



Chuck Berry morreu aos 90 anos.
Não faz parte das minhas preferências musicais.
Sobre a morte do cantor, João Gobern assina hoje, no Diário de Notícias, um  interessante artigo:

Basta um quadrado de canções - "Maybellene", "Roll Over Beethoven", "Rock and Roll Music" e "Johnny B. Goode" - para se entender como ele faz parte história da idade Rock.

Para mim, o rock nasceu quando o meu pai levou para casa um 78 rotações por minuto do Rock Around the Clock tocado pelo Bill Halley e os seus Cometas.
Quando viu Sementes de Violência de Richard Brooks ficou encantado com o frenesim de Bill Halley – quem não ficava?! -, terá passado pela primeira discoteca que tinha à mão, ou ao pé, e não resistiu: levou o rock para casa.
Este é um pormenor de ordem pessoal mas, curiosamente, João Gobern também refere Bill Halley:

Berry "cresceu" musicalmente na melhor companhia: entre os seus parceiros de selo, contavam-se, além do próprio Waters, Howlin" Wolf, Willie Dixon, Buddy Guy, Bo Diddley (todos negros) e Carl Perkins, o criador de Blue Suede Shoes, branco, que se tornou grande amigo de Chuck.

De todos estes afro-americanos, foi Berry que conseguiu os maiores êxitos, capazes de ultrapassar as fronteiras raciais. E se a história do rock costuma consagrar Bill Haley (e Rock Around The Clock) como "primeira pedra" e Elvis Presley como a estrela que mudou o estilo para outra dimensão, não deixa de ser curioso que muitos dos futuros deuses deste Olimpo elétrico - os Beatles, os Rolling Stones, Eric Clapton e os Beach Boys, responsáveis por "descolorir" a canção Sweet Little Sixteen, de Berry, adocicando-a, escrevendo uma nova letra e rebatizando-a como Surfin" USA - escolham Chuck como o homem que efetivamente moldou e batizou o rock.



quinta-feira, 9 de março de 2017

OLHAR AS CAPAS


Boca Doce

João Gobern
Capa: Rosa Castelo
Colecção Marca Branca
Editora Palavra, Lisboa, 2016

Antes na mesa que no hospital – não sei quanto tempo pode durar a bravata, desdenhosa de dietas e outras modernices tão bem intencionadas quanto capazes de privar uma liberdade epicurista. Ouvi a frase e passei da teoria à prática, inspirado em desvelos gastronómicos que me acompanham desde a infância e que traduzem a fortuna de ter nascido em família que gosta de comer e que, tanto quanto possível, preza o convívio em torno de um bom prato, de um bom vinho. Ou, se preferirem a afectividade no uso da Língua, do petisco e da pinguinha. Cedo percebi que não havia de contrariar a tendência. Infelizmente, tardei a entender que podia dar-lhe uma maior amplitude, escrevendo a partir dos prazeres da mesa – mas jamais reduzindo um destes textos a algo técnico, impessoal, científico, exclusivista. Afinal, isto anda tudo ligado.