Escolhi a interpretação de Joan Sutherland.
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terça-feira, 29 de dezembro de 2015
sexta-feira, 24 de abril de 2015
CRAVOS E VERDI
Nos últimos anos
da ditadura, o Teatro São Carlos estabeleceu uma parceria com o Coliseu
dos Recreios de modo a que as óperas que Eram representadas no São Carlos também
pudessem ser vistas na velha sala das Portas de Santo Antão.
Era a possibilidade
de um vasto leque da população, sem dinheiro, nem fraque, nem jóias para
frequentar São Carlos, pudessem usufruir desses espectáculos, como
que dando seguimento à célebre frase de António Silva de que a ópera é
música para operários.
Quando, nessa
noite, 24 de Abril de 1974, perto de cinco mil pessoas aplaudiram
freneticamente os artistas, com Alfredo Kraus e Joan Sutherland à frente do
elenco, que representaram La Traviatta de Verdi, já as senhas do Movimento
das Forças Armadas tinham sido transmitidas pela rádio.
A reportagem do Diário
de Notícias dava conta que, no meio das ovações intermináveis, cravos foram
lançados das frisas.
Regressando a
suas casas, desconheciam que esse começo de 25 de Abril não era mais um
dia do calendário, um dia como outro qualquer.
Um regime
decrépito, que nos massacrava os ouvidos com afirmações de coragem e
heroicidade, que se as forças do mal atentassem contra a ordem
estabelecida, vinham para as ruas dar o peito às balas.
Em escassas horas, o senil regime esfrangalhou-se.
Não soltaram um pio.
Como disse o Hélder: foi um ar que lhes deu.
Em escassas horas, o senil regime esfrangalhou-se.
Não soltaram um pio.
Como disse o Hélder: foi um ar que lhes deu.
A partir desse
dia, protagonistas de uma grande esperança, nem nos pesadelos mais negros,
admitimos que viríamos a ser invadidos por um desencanto sem nome.
Aconteceu!
Encharca-nos os dias.
Encharca-nos os dias.
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terça-feira, 12 de outubro de 2010
ÓPERA NO COLISEU
Em Lisboa a ópera representava-se em São Carlos, mas depois descia até ao Coliseu, sempre com lotações esgotadas, o que, claramente, desmentia o alegado desinteresse da populaça pela arte, pela cultura, para grande desgosto dos politiqueiros daquele tempo, dos parvos e dos ricaços.
Do ambiente bafiento de peles, smokings, jóias e perfumes ,dos espectáculos de ópera em São Carlos, não reza a história, mas não é difícil imaginar que a esmagadora maioria se borrifavam para o espectáculo e apenas queriam pavonear-se pelos corredores, num triste e desesperante circo de vaidades.
A 24 de Abril de 1974 Joan Sutherland, interpretou “La Traviata” no Coliseu dos Recreios. Com ela actuaram o tenor Alfredo Kraus, o barítono Giorgio Zancanaro, acompanhados pela Orquetsra Filarmónica de Lisboa dirigida pelo maestro Richard Bonynge.
Depois de uma enorme e prolongada ovação, quando os espectadores começaram a sair, do Coliseu, já João Paulo Dinis, aos microfones da Rádio Peninsular dos Emissores Associados de Lisboa”, pusera a rodar “E Depois do Adeus” de Paulo de Carvalho, já José Afonso, na Rádio Renascença entoara “Grândola Vila Morena", já era 25 de Abril de 1974.
Numa crítica, não assinada, o “Diário de Notícias” de 26 de Abril de 1974, destacava:
“A memorável récita de ontem à noite no Coliseu dos Recreios com “La Traviata” de Verdi, vai, certamente ficar no historial do palco do Coliseu, onde a tradição operática não é um mito, e no das temporadas populares de ópera que o Teatro Nacional de São Carlos, de há muito ali vem realizando, e nos quais se contam autênticos êxitos, como um dos momentos de maior expressividade e relevo que neles se tem verificado e registado.
A grande artista Joan Sutherland – um nome agora revelado ao nosso público – voltou a ser, como em São Carlos, uma “Violeta” extraordinária em voz, em nusicalidade, em estilo e sentido dramático; uma “Violeta” excepcional, a que o tenor Alfredo Kraus – outra grande figura do canto eda cena lírica, sublinhou a sua já conhecida interpretação do “Alfredo Germont.”
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segunda-feira, 11 de outubro de 2010
JOAN SUTHERLAND
Neste domingo, aos 83 anos, morreu a soprano Joan Sutherland.
“Joy To The World”, é um disco Natal de Joan Sutherlamd, um disco muito estimado cá na casa.
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