Toda a programação do 35º Festival de Almada.
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quarta-feira, 4 de julho de 2018
sábado, 31 de outubro de 2015
OS IDOS DE OUTUBRO DE 1975
31 de Outubro de
1975
VOLTOU A NÃO
SAIR O SÉCULO. Ontem aconteceu o mesmo. Trabalhadores apoiantes do PS
juntaram-se a trabalhadores do MRPP e, em referendo , aprovaram a demissão do
director Adelino Tavares da Silva e do chefe de redacção Joaquim Benite.
De um comunicado
do Partido Socialista:
Um plenário,
terminado já de madrugada, aprovou que o director do jornal seria. o tipógrafo
Francisco Lopes Cardoso que remete para um caso semelhante em que o tipógrafo
Alexandre Vieira, durante a primeira República, dirigiu o jornal A Batalha.
Os trabalhadores
e jornalistas afectos ao PS e MRPP consideraram a eleição como uma manobra
vil de um minoritário grupo partidário «social-fascista». Os restantes trabalhadores
chamaram-lhe uma grandiosa vitória da classe operária.
Até ao 25 de
Novembro o jornal no cabeçalho o nome do novo director.
CARLOS
ALTAMIRANO, secretário-geral do Partido Socialista chileno, que se encontra em
Lisboa fazendo parte de uma delegação do Conselho Mundial para a Paz, disse,
ontem, num comício em Sacavém:
As massas exploradoras de todo o Mundo têm, agora, a
sua atenção concentrada
No que se passa em Portugal. O vosso processo
revolucionário tem numerosas singularidades. Desejamos que Portugal não seja um
novo Chile e sim um Vietname vitorioso.
O República
pega em outras palavras de Altamirano e publica um «Ponto Assente»:
FALTAM 25 Dias
para que se dê o golpe do 25 de Novembro de 1975, o «DIA NÃO», tal como
escreveu Maria Velho da Costa.
Fontes:
- Acervo pessoal;
- Os Dias
Loucos do PREC de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira.
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Joaquim Benite,
Jornais,
Maria Velho da Costa,
Verão Quente 1975
quarta-feira, 1 de julho de 2015
32º FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA
Começa no sábado, o 32º Festival de Teatro de Almada, um dos mais reputados acontecimentos da cultura europeia.
A edição deste
ano do festival decorrerá em 14 espaços de Almada e Lisboa, entre os quais
Centro Cultural de Belém (CCB) e o Teatro Nacional D. Maria II.
O sentido dos mestres, iniciada no ano passado, estará este ano a cargo do encenador Peter
Stein, a quem caberá ministrar três dias de oficinas sobre o métier do
teatro.
O encenador
alemão, de 77 anos, regressa a Portugal depois de, em 1999, ter estado no
Teatro Nacional São João, no Porto, com a peça Schoenberg Kabarett, de
ter interpretado cenas de Fausto, em 2012, no âmbito do Festival de Almada, que
o homenageou no ano seguinte.
Além de dirigir O
sentido dos mestres, Peter Stein trará ainda a Lisboa, ao palco do D. Maria
II, nos dias 11 e 12 de julho, a peça O regresso a casa, de Harold
Pinter - que esteve em cena exatamente no Nacional de Lisboa, em 2014, numa
encenação de Jorge Silva Melo -, numa produção do Teatro Metastasio Stabile
Della Toscana.
Destaque também
para Hamlet, de Shakespeare, por Luís Miguel Cintra, coprodução inédita
entre o Teatro da Cornucópia e a Companhia de Teatro de Almada.
quinta-feira, 3 de julho de 2014
É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS
Começa amanhã a 31ª edição do prestigiado Festival de Teatro de Almada.
Este ano, a personalidade homenageada é o actor Luís Miguel Cintra.
Todos os pormenores da programação em www.ctalmada.pt.
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É Permitido Afixar Anúncios,
Joaquim Benite
domingo, 9 de fevereiro de 2014
PRIMEIRO POEMA PARA A MANHÃ
Agora sou a criatura que prepara as asas para o
voo
sou o chefe da estação que se
esqueceu de apitar
sou a beata que falhou
na missa
aparentemente o barro solto
num jardim
perdido perdido
na imensidade das mãos
das curvas e
dos sons das névoas que elas traçam
Sim hoje amor a tarde ou a manhã de nunca
hoje as balas o sangue a confusão
decisivas horas que se
arrastam sem cor
e cerram janelas pombas
de luto vermelho
Agora a partida com aviões silenciosos
aéreos e possíveis os desejos
a dança a enxada
o campo juncado
de berros oceânicos
as trevas a noite grandes infindáveis
e na sombra das casas
a luz brilha
e a esperança nasce
no grito do miúdo da quinta geração de estátuas
nas asas do primeiro anti-porteiro
Agora hoje choro sinto
o canto sobe
e há arestas quebradas
montras sem vidros
e bolos agora há bolos pão
e fome saciada
sou como um café
de muitos agrupados muitos de comboio e sempre direitos
Na metamorfose fatal o grito assoma
a criança rompe
a dieta o leito
e pela primeira vez
é um chefe de estação esquecido
uma beata revoltada
Joaquim Benite
Nota do Editor: este poema de Joaquim Benite, logo após a sua morte, foi publicado por
Nicolau Santos no Expresso.
Sobre o poema ver o blogue As Palavras são Armas.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO
Chega amanhã ao fim a 30ª edição do Festival de Teatro de Almada.
Pelas 22,00 horas, acontecerá na Escola D. António
da Costa a audição/representação de Sonho de Uma Noite de Verão de FelixMendelssohn-Bartholdy.
Soprano: Ana Maria Pinto
Contralto: Carolina Figueiredo.
Recitante: Teresa Gafeira
.
Orquestra Gulbenkian
Direcção Musical de Pedro Neves
terça-feira, 2 de julho de 2013
30º FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA
JOAQUIM BENITE: ENCENADOR, PEDAGOGO, COMBATENTE
Conheci o Joaquim quando ainda trabalhava com PeterBrook. No Verão de 1998 estávamos com o Je suis un phénomène no Teatro da Trindade e um dia, por curiosidade, resolvi apanhar o barco para vir conhecer o director do Festival de Almada. Nascemos no mesmo ano, com alguns dias de intervalo. Autodidactas, considerávamo-nos estudantes a longo prazo. Mas, tal como ele se divertia a lembrar, eu era originário de uma família burguesa, e ele só tinha recebido o seu primeiro par de sapatos aos dez anos de idade!
Conheci o Joaquim quando ainda trabalhava com PeterBrook. No Verão de 1998 estávamos com o Je suis un phénomène no Teatro da Trindade e um dia, por curiosidade, resolvi apanhar o barco para vir conhecer o director do Festival de Almada. Nascemos no mesmo ano, com alguns dias de intervalo. Autodidactas, considerávamo-nos estudantes a longo prazo. Mas, tal como ele se divertia a lembrar, eu era originário de uma família burguesa, e ele só tinha recebido o seu primeiro par de sapatos aos dez anos de idade!
Nesse Verão de 1998 deparei-me com um homem alegre, sensível,
entusiasta, generoso, humilde, habitado pela poesia, pela literatura, e pelo
teatro eivado de ideologia. Imediatamente me propôs trabalhar consigo: “Abramos
uma escola para técnicos e cenógrafos aqui em Almada!”. Mas, num país no qual
os ministros da Cultura se sucediam mais velozmente do que as estações do ano, tivemos
de desistir desse projecto.No entanto, empreendedor como ele era, depressa me
seduziu para outra aventura.Queria um novo abrigo para a sua Companhia. E então
construímos um teatro à sua imagem, um teatro universal: com uma pequena equipa
técnica e administrativa (não acreditava na eficácia de um grande número de
pessoas em seu redor), criámos uma sala que pudesse receber qualquer tipo de
espectáculo, quer durante o ano, quer em
Julho, durante o Festival.
Combatente, como também foi, conseguiu dobrar
aqueles que ousaram atacar as suas Fracas subvenções. O seu público — aquele que passou
a encher a sua nova sala, cinco vezes maior do que a anterior — saiu em defesa do
seu teatro, no célebre Abraço ao Teatro Azul, em Dezembro de 2010.
Pedagogo, podia falar durante horas aos seus actores
do texto que trabalhavam, do seu significado político, do Autor — mas quando se
tratava de discutir um novo espectáculo comigo, combinávamos tudo em meia dúzia de
palavras. E as suas ideias eram tão claras que muitas vezes, logo de seguida, fazia-lhe
uma primeira maqueta do cenário.
E retomávamos as nossas intermináveis discussões sobre
o estado do Mundo.
(Detalhes e programação em 30º Festivalde Almada).
segunda-feira, 1 de julho de 2013
30º FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA
ESCOLHER CERTO
Em 1978 Joaquim Benite, com o seu Grupo de
Campolide, sai do Teatro da Trindade e instala-se numa colectividade almadense. Abandona uma das mais belas salas
do País e vem para o meio dos operários. Estreia um autor comunista desconhecido,
José Saramago. Cria uma mostra de teatro amador, que se transforma num dos mais importantes festivais
da Europa—trinta edições depois, verificamos que escolheu certo.
Apostando na diversidade estética, pautada pela
excelência artística, o Festival de Almada tem sido um local de encontro – de encontro
entre artistas, mas sobretudo de encontro entre artistas e o público. Como tal,
numa recente época de relativa abundância, durante a qual pulularam luminárias fátuas
e vazias de sentido, nessa época em que a Cultura foi também um negócio, o Festival
apostou no fortalecimento de laços
com os teatros seus parceiros(aqueles geridos por
artistas) — e com a sua Cidade.
Nesta 30.ª edição apresentamos de novo os grandes
criadores e intérpretes do teatro europeu; regressa a mais importante Companhia
portuguesa independente, a Cornucópia; há duas óperas, um concerto sinfónico,
seis estreias e um ciclo de teatro nórdico — e, não por acaso, há também espectáculos
de cada um dos PIIGS. Sabíamos o que aí vinha: o desinvestimento na Cultura não
começou com este Governo, não
se trata desta ou daquela cor política, deste ou
daquele governante – é outra coisa. Sabíamos que a ideologia liberal não encara o livre
acesso dos cidadãos à Cultura como um direito, embora ele esteja consagrado na
Constituição. Sabemos que a uma classe dirigente inculta e mal preparada não lhe convém uma
população bem formada e com poder reivindicativo. Aos jovens formados pelo
Estado, em cuja educação o mesmo Estado tanto investiu numpassado recente, é-lhes
agora sugerido que emigrem. E, como
Prevíamos o que aí vinha, reunimo-nos àqueles que pensam
como nós e preparámo-nos para resistir, apresentando uma das melhores
programações dos últimos anos.
Em 2013 a subvenção estatal diminuiu ainda mais –
mas apresentamos mais dez espectáculos do que no ano passado, com a garantia
de qualidade, por exemplo, do Odeón – Théâtre de l’Europe, ou do Théâtre de la
Ville. Acreditamos, porque no-lo ensinaram, que um público mais informado e mais
exigente reivindicará num futuro próximo aquilo que lhe é devido.
Podíamos ter ficado a chorar sobre o leite
derramado—mas a gente não escolhe assim
.
Rodrigo Francisco
Director
Artístico
(Detalhes e programação em 30ªFestival de Almada).
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Joaquim Benite,
José Saramago,
Pancadas de Moliére
domingo, 30 de junho de 2013
30º FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA
Foi há trinta anos que a Companhia de Teatro de
Almada (CTA) e Joaquim Benite, seu primeiro Director, de mãos dadas com a Câmara Municipal
de Almada, fundaram o Festival Internacional de Teatro de Almada. Em condições materiais
muitíssimo modestas, mas com uma ambição cultural do tamanho do mundo,
começava, no Pátio Prior do Crato, em Almada Velha, aquele que
viria a ser, e é até aos nossos dias, um dos mais prestigiados Festivais Internacionais de
Teatro, pela sua qualidade, quantidade de espectáculos, companhias nacionais e
estrangeiras, e pelo seu extraordinário público. Começou no Pátio Prior do
Crato, quando a liberdade conquistada era uma criança e a cultura era ainda um
alimento muito escasso nas classes trabalhadoras.
O Teatro e o Festival rapidamente passaram a
constituir projectos estratégicos para o
desenvolvimento cultural da cidade e do concelho de
Almada. O Festival ocupa a cidade, praças, escolas, salas de espectáculo,
atravessa o rio e está presente no Teatro D. Maria II, Centro Cultural de Belém, no S. Luiz
Teatro Municipal, Culturgest, entre outros. Almada, com o seu Festival,
apresentando espectáculos de todo o mundo, reforça a ideia da cidade de duas
margens, afirma-se no panorama nacional e internacional de cidades de cultura,
chega a ser considerada “o Coração do Mundo”.
Nesta trigésima edição consecutiva, com Joaquim
Benite presente no nosso coração,
com a competência do novo Director, Rodrigo Francisco,
com a capacidade empreendedora e de concretização da CTA, sem Ministério da
Cultura mas de novo e sempre com o Município de Almada enquanto pilar
institucional determinante desde a primeira edição, teremos uma programação de
excelência, pese embora os profundos e injustos cortes financeiros ao Festival e à Companhia
decididos pelo Governo.
Neste Festival homenagearemos o seu fundador, o
Joaquim Benite, continuando a obra e o feito. Àqueles que conheci há mais de 30 anos,
quando comecei na vida autárquica, àqueles que entretanto partiram da nossa companhia –
ao Joaquim Benite, ao Virgílio Martinho, ao António Assunção, ao Canto e Castro,
entre outros – e a quantos até hoje foram chegando à CTA, prestigiando como seu trabalho
e a sua arte o nome de Almada e as suas gentes, quero agradecer reconhecidamente a
amizade, a comunhão de sonhos
e ideais realizados, a aventura partilhada com todas
as raivas e alegrias que temos vivido, sempre e sempre em busca da Felicidade
inatingível.
Ao público do Festival, a todas as companhias e
actores, a todos os parceiros desta trigésima edição, à CTA e ao seu Director Rodrigo
Francisco, um forte e caloroso aplauso e um grande e muito sincero bem-haja, a
todos e cada um de vós.
Viva o Teatro! Viva o 30º Festival Internacional de Teatro
de Almada!
Maria Emília Neto de Sousa
(Detalhes e programação em 30ª Festival de Almada).
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
DEIXAR O EGO NO BENGALEIRO...
Penso que aprendi, desde muito pequeno e muito pobre, a refrear o orgulho e a dominá-lo, como um luxo a que só se podem dar os bem-nascidos, ou os protegidos posteriores da roda da fortuna. O ego inflamado não é sinal de inteligência. E é, de resto, uma das dificuldades com que nos defrontamos no teatro. Brecht dizia aos actores que, ao entrarem na sala de ensaios, deviam deixar os egos pendurados, com os chapéus e os abafos, no bengaleiro.
Joaquim Benite
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Joaquim Benite
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
TEATRO MUNICIPAL JOAQUIM BENITE
Capa do jornal do Teatro Municipal Joaquim Benite que contém a programação até Junho e a que chamaram Um Percurso de Afectos, desenvolvida pelo jornalista Rui Lagartinho.
Catarina Neves aborda Timão de Atenas de Shakespeare, a última encenção de Joaquim Benite, em cena até ao dia 3 de Fevereiro.
Depoimentos Augusto M. Seabra, Filomena Oliveira, Miguel Real, José Mário Silva, Jorge Silva Melo e Manuel Gusmão evocando o jornalista e homem de teatro que Joaquim Benite foi
Rodrigo Francisco, novo director do Teatro, escreve o editorial: Substituir o insubstituível:
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
O ÚLTIMO ACTO
Capa do JL 1101 de 12 a 25 de Dezembro em que Joaquim Benite, um dos nomes mais destacados do teatro português do século XX, recentemente falecido, é evocado.
As últimas notas que escreveu, os que com ele trabalharam e deixaram textos evocativos. Yvette Centeno, um poema:
A Joaquim Benite no seu Olimpo
(In Memoriam)
Chora o Olimpo
o valoroso herói,
caiu junto aos portões
da cidade de Atenas
caiu junto aos portões
da cidade de Atenas
Caronte não o deseja:
não aceita as moedas,
a sua luz mais forte
ofuscaria a treva
da memória…
não aceita as moedas,
a sua luz mais forte
ofuscaria a treva
da memória…
Dionísios vem busca-lo
com as suas bacantes:
ele sobe triunfante
com o Rei do cortejo…
com as suas bacantes:
ele sobe triunfante
com o Rei do cortejo…
Vénus abre-lhe o colo
de abraços generosos
e Hermes cede-lhe as asas
para poder voar…
de abraços generosos
e Hermes cede-lhe as asas
para poder voar…
Zeus entrega a coroa de fogo
reservada aos heróis:
o Olimpo é o Reino
de memória perpétua
onde não há Carontes
receosos…
reservada aos heróis:
o Olimpo é o Reino
de memória perpétua
onde não há Carontes
receosos…
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
POSTAIS SEM SELO
O meu tio Aleixo era cego e pedia-me que lesse para ele. No princípio aborrecia-me, mas pouco a pouco fui percebendo que era ele que me fazia um favor e não o contrário.
Joaquim Benite,
À CONVERSA
Perguntaram-lhe:
Sempre foi homem de esquerda. Como define a sua proximidade ao Partido Comunista?
Nunca quis pertencer ao aparelho. A única experiência que tive foi como “político instalado”– fui deputado da Assembleia Municipal de Sintra – durou dois meses.
A política de aparelho exige disciplina. Nos jornais, eu estava habituado a escrever oito páginas sobre um congresso político e ver a censura reduzi-las a duas. Mas na assembleia não estava disposto a pedir autorização ao partido para falar.
A política que me interessa está perto das pessoas e ligada à vivência da cidade, no sentido grego do termo. É uma política que exige liberdade e responsabilidade individuais. Sempre tive uma costela anarquista e, por isso, nunca pude criar raízes no aparelho de um partido.
Outra pergunta:
O que é preciso para se ter “habilidade política”?
Respondeu:
Estar disposto a prescindir de uma certa liberdade e ser capaz de dizer o que é necessário em vez do que é verdadeiro.
Legenda: José Saramago com o colectivo do Grupo de Campolide que, com encenação de Joaquim Benite, representaram em Maio de 1979, A Noite.
JOAQUIM BENITE (1943-2012)
Aos 69 anos morreu Joaquim Benite.
Poucos sabiam que o Joaquim Benite, já há algum tempo, estava gravemente doente. Os jornais são mais ligeiros em darem-nos notícias da tristeza que invade o Cristiano Ronaldo quando não lhe colocam mais uns milhares de euros no ordenado.
Não necessitou nunca de se colocar em bicos de pés para um dos mais importantes agentes culturais que este país conheceu, desculpem o lugar-comum.
- És um autêntico caixeiro-viajante do teatro.
- Sabes lá o que é o teatro, sabes lá o que é um caixeiro-viajante.
Conheci o Benite por meados dos anos 60.
Trabalhava o Benite n'O Século, boemava eu, pelos cafés de Lisboa, com o José Ferraz e o Armindo, e amiúde encontrávamo-nos no último eléctrico, que do Martim Moniz subia até à Graça.
Morava num quarto alugado na Rua Cesário Verde, uma vida muito difícil.
Eu morava em casa dos meus pais, na Mestre António Martins.
Descíamos na paragem do Forno do Tijolo, subíamos a Heliodoro Salgado, madrugada dentro a falar, por exemplo, de algumas das maneiras de deitar um ditador de botas, do trono abaixo. Nenhuma era do modo como veio a acontecer.
Detestava o teatro que se fazia na altura, entre os pastelões do Nacional, os pastelões comerciais, o teatro de revista.
Tinha um sonho. Melhor: tinha muitos sonhos.
Acompanhei os seus primeiros tempos no Campolide. Uma dedicação, um entusiasmo que não cabem em palavras.
Já a trabalhar em Almada, chegava altas horas da noite à casa onde vivia na Rua da Paz, fazia esparguete à bolonhesa, falava, falava, fumava um milhão de cigarros.
Disse agora o Jorge Silva Melo:
Foi um vencedor. Em Campolide, no Trindade, depois em Almada (velha e agora nova), conseguiu falar ininterruptamente com uma comunidade que o ouvia, seguia, ripostava, admirava, temia, resmungava e voltava a amar. Rezingão, intempestivo, rabugento, teimoso como todos os directores de teatro. Rápido e terno, ferozmente terno, claro. Por muito amargurado, ofendido, preocupado com a mísera sorte de todos nós, conseguiu. O Teatro Municipal de Almada, a sua excelente equipa (são meus amigos, vi-os crescer, cortar cabelo, engordar, encarecar), os seus maravilhosos espectadores, esse milagre de trabalho, ninguém os vencerá.Eu acho que a obra-prima do Joaquim Benite são os seus espectadores, gente calorosa e atenciosa, que se percebe que vai aos espectáculos porque gosta. É a grande herança dele, um teatro que chegou a todos. O trabalho de Joaquim Benite reflecte-se também na cidade onde escolheu trabalhar: A quantidade de grupos amadores que há em Almada deve-se ao trabalho permanente dele. E graças à maravilhosa presidente da câmara.
Disse, um dia, o Benite:
Tive duas profissões na vida que agem sobre o efémero e implicam uma capacidade de dádiva e paixão: o jornalismo e o teatro.
Gostava de ir mais longe.
O que faço é mais um milagre. Não gosto muito de fazer balanços. Quero sempre pensar para a frente. O que me realiza é ter conseguido resistir apesar das grandes ofensivas. Isso sim! Agora, como artista, não me sinto realizado. E, sobretudo, não me levo a sério. Deus não me deu tendência para a inveja, o que me permite admirar os outros e o seu trabalho. Depois, tenho um olhar crítico sobre o que faço, o que me vem, aliás, de tantos anos como crítico de teatro.
Gostava de ir mais longe.
O que faço é mais um milagre. Não gosto muito de fazer balanços. Quero sempre pensar para a frente. O que me realiza é ter conseguido resistir apesar das grandes ofensivas. Isso sim! Agora, como artista, não me sinto realizado. E, sobretudo, não me levo a sério. Deus não me deu tendência para a inveja, o que me permite admirar os outros e o seu trabalho. Depois, tenho um olhar crítico sobre o que faço, o que me vem, aliás, de tantos anos como crítico de teatro.
Dos jornalísticos obituários
O seu desaparecimento deixa um lugar insubstituível na cena teatral do País e um lugar de honra na História do teatro português do pós-25 de Abril. Mas deixa também uma obra indelével em curso, de que fazem parte uma companhia de teatro (de artistas e técnicos formados por ele), um festival de teatro de dimensão internacional, e o vasto público que, como mais ninguém em Portugal, soube mobilizar para o teatro e demais artes do palco a que gostava de chamar «o fazer cultural».
Diz ainda o João Mota:
Espero que o Teatro de Almada sobreviva. Quando morre um mentor, um mestre, é difícil. Espero que os meus colegas de Almada e a Teresa Gafeira consigam, que não vão abaixo, pelo contrário.
Há imprescindíveis?
Somos tentados a dizer que não… mas isso não passa, como diria o velho Shakespeare, de meras words, words, words.
terça-feira, 3 de julho de 2012
quarta-feira, 25 de abril de 2012
VIAGEM EM REDOR DE UMA REVISTA
Esta foi a escolha, para o dia 25 de Abril de 1974, que Eduardo Guerra Carneiro fez para os leitores do Cinéfilo.
Apesar dos desejos do Eduardo, para que os leitores dessem um salto à Livraria Opinião, para ver as fotografias de teatro do Alfredo Cunha, temos que pensar que os leitores do Cinéfilo, como a enorme multidão que invadiu as ruas de Lisboa para, neste 25 de Abril de 1974, chegar ao Largo do Carmo, tinham outras intenções, a feliz possibilidade de participarem num acontecimento de que, quem por lá andou, jamais esquecerá, o ficar a saber, definitivamente,de como um dia foi tão importante para tanta gente
Sabe-se hoje que, muitos outros acontecimentos se registaram ao longo destes
38 anos, , mas todas aquelas longas-breves horas daquele dia, jamais serão esquecidas.
So quem viveu antes daquele dia de Abril, podem perceber que não há preço para a alegria vivida nas ruas.
Tão perto ficámos da felicidade. Faltou apenas um golpe de asa
Mas também sabemos agora, que muita daquela gente, em breves tempos, iria mudar de rumo.
So quem viveu antes daquele dia de Abril, podem perceber que não há preço para a alegria vivida nas ruas.
Tão perto ficámos da felicidade. Faltou apenas um golpe de asa
Mas também sabemos agora, que muita daquela gente, em breves tempos, iria mudar de rumo.
Nem sequer lembro se a Livraria Opinião abriu as portas, mas, em frente da livraria, ficava o República e, ainda tenho nos ouvidos, o som das rotativas imprimindo, pela primeira vez em 48 anos, um número do jornal, que não tinha sido visado pela Comissão de Censura.
Se até agora nos temos debruçado sobre as ofertas cinematográficas que o Cinéfilo propunha, olhamos hoje para as ofertas teatrais.
No Teatro Maria Matos, com encenação de Artur Ramos e interpretação de Rogério Paulo, Fernanda Borsatti, António Montez, podia ver-se: Morte de Um Caixeiro Viajante de Arthur Miller.
No Teatro Vasco Santana, com bilhetes de 20 a 80 escudos, representava-se O Mar de Edward Bond, com encenação de Luzia Maria Martins e interpretação de Rui Pedro, Mário Pereira, Helena Félix.
No Teatro Laura Alves, Zoo Story, peça de Edward Albee, encenação de Costa Ferreira e interpretações de José de Castro e Canto e Castro.
Em Torres Vedras o Grupo de Teatro de Campolide representava Filopópulus de Virgilio Martinho, encenação de Joaquim Benite.
Na Parede, na Sociedade União Paredense, A Comédia Mosqueta de Angelo Beolco pelos Bonecreiros e encenação de Mário Barradas.
Com a ante-estreia no Ginásio do Atlético Clube da Baixa da Banheira, a Veto-Teatro Oficina, depois de vencidas todas as dificuldades que se levantaram à realização do espectáculo, apresentava Olé! Olé, uma adaptação de textos de António José da Silva (O Judeu) e José Daniel Rodrigues da Costa.
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quinta-feira, 7 de julho de 2011
COMPANHIA DE TEATRO DE ALMADA
O sonho meu, como o de tanta gente, era que um teatro tivesse tanta gente como um Benfica-Sporting, e nem era preciso tanta. Mas estas coisas acontecem porque desde putos jogamos, à bola rua, - ainda se joga à bola nas ruas? – e criámos esse gosto.
Joaquim Benite é um homem de teatro.
Conheci-o ainda ele era um jovem repórter de “O Século”.
Como morava perto da casa dos meus pais, amiúde, acontecia apanharmos o último eléctrico para a Graça. Descíamos ao fundo da Heliodoro Salgado, subíamos a rua e entre tantas outras conversas, o teatro entrava sempre. Terá sido das primeiras pessoas a quem ouvi dizer que o teatro existia para ser representado e que entre ler uma peça e vê-la nas tábuas de um palco, há como aquela diferença entre beber um café e beber um nescafé porque o teatro tem que ter aquela vivacidade que só o actor e um palco emprestam ao texto.
Fiquei feliz lançou e alicerçou o “Grupo de Teatro de Campolide” ali, entre o Restaurante “Valenciana” e a “Pastelaria A Pastorinha” ícones do bairro de Campolide.
Mais velho que o mundo: quem gosta verdadeiramente do que faz , tarde ou cedo alcança o sonho.
O sonho hoje chama-se “Companhia do Teatro de Almada”.
De 4 a 18 de Julho realiza-se o 28º Festival de Almada, que se encontra entre os melhores festivais que se realizam pelo mundo.
“Não sei se Joaquim Benite foi um jornalista que se transformou em encenador, ou se foi um homem de teatro que andou escondido, demasiado tempo, no lado quase invisível das notícias que escreveu para os jornais e revistas onde trabalhou.
Mas isso não é o mais importante, pelo menos se pensarmos que Almada conhece muito melhor o homem do teatro - cujo contributo artístico, como encenador e director da Companhia de Teatro de Almada, tem sido fundamental para o desenvolvimento da Arte de Talma na nossa cidade -, que o homem dos jornais.”
Luís Eme em “O Casario do Ginjal”
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terça-feira, 29 de junho de 2010
GRUPO DE TEATRO DE CAMPOLIDE

Com periodicidade trimestral, "Programa" era a revista de Teatro do Grupo de Campolide, uma das mais importantes companhias portuguesas.
Este número 2, referente a Maio de 1979, traz a abordagem, com textos de apoio, da representação pela companhia, da peça “A Noite” de José Saramago.
Neste número fazia-se o balanço de actividade do Grupo de Campolide.
No seu primeiro ano de trabalho em Almada, o Grupo de Campolide apresentou, durante o ano de 1978, 5 produções, das quais três em estreia e duas reposições que resultaram em151 representações, das quais 141 no Teatro da Academia Almadense e 10 fora do teatro, tendo assistido 22.000 espectadores, o que deu uma média de 145, 8 espectadores por espectáculo.
Em Almada, organizado pela Companhia, realiza-se, todos os anos, um dos mais importantes Festivais Internacionais de Teatro – O Festival Internacional de Teatro de Almada.
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