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domingo, 17 de dezembro de 2017

OLHAR AS CAPAS


O Enigma daVirgem de Ferro

John Dickson Carr
Tradução: Emílio Correia Ribeiro
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 79
Livros do Brasil, Lisboa s/d

O gabinete de trabalho do velho lexicógrafo corria a todo o comprimento da pequena vivenda. Era uma sala barrotada, a alguns metros abaixo do nível da porta, e as janelas da parte detrás, tinham gelosias e recebiam a sombra de um teixo, cujas ramadas brilhavam, agora, à luz do sol poente.
Existe algo de especial na beleza profunda e sonolenta do campo inglês; na relva verde-escura luxuriante, nas sempre-vivas, na torre pontiaguda e pardacenta da igreja, e na estrada branca e coleante. Para um americano que recorda as grandes rodovias alcatroadas do seu país, cheias de postos vermelhos de abastecimento e dos vapores do tráfego, o campo, na Inglaterra, tem sempre uma nota de encanto. Sugere um local onde toda a gente pode andar à vontade, até mesmo no meio da estrada. Tad Rampole olhava os raios do sol filtrados pelas ripas das gelosias, e as bagas vermelho-escuras brilhando no teixo, com um sentimento que só pode sentir, quem viaja nas Ilhas Britânicas. Uma sensação de que a terra é velha e enfeitiçada e uma impressão de realismo em todas as imagens fugidias e materializadas por uma ordem de magia. Mas esta velha terra britânica parece (incrìvelmente) mais velha ainda que as suas torres revestidas de trepadeiras. Os sinos, ao ocaso, parecem os sinos de todos os séculos. Há uma quietação profunda, por onde vagueiam os fantasmas e Robin Hood ainda não se afastou daquelas paragens.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

OLHAR AS CAPAS



O Sinal do Morto

John Dickson Carr
Tradução: lima da Costa
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 158

- Eu… eu nunca pensei que pudesse ser outra coisa. Além disso, ouvi… - ia para dizer alguma coisa, mas mudou de opinião: - Isto é, quando se lê uma notícia nos jornais ninguém pensa que a história acaba ali. Fica-nos sempre a ideia de que nos ocultam qualquer coisa. Não é verdade?

sexta-feira, 31 de março de 2017

OLHAR AS CAPAS


O Barbeiro Cego

John Dickson Carr
Tradução: Correia Ribeiro
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 67
Livros do Brasil, Lisboa, s/d

Quando o paquete «Queen Victoria» partiu de Nova Iorque, com destino a Southampton e Cherburgo dizia-se que estavam a bordo duas personalidades muito conhecidas e constava que uma terceira pessoa, altamente cotada, viajava no mesmo navio. Além destas, havia uma quarta personagem, aliás imperceptível, que irá ocupar papel bastante importante nesta turbulenta e complexa crónica.  Embora não o soubesse, este indivíduo tinha na sua bagagem algo de mais valiosos do que as marionetes de M. Fortinbras ou o elefante de esmeralda de Lord Sturton, o que explica parcialmente a razão por que havia no seráfico interior do «Queen Victoria» enigmas, distracções e negócios estranhos, totalmente em desacordo com o padrão habitual.
Não há na marinha mercante britânica navio que ostente maior dignidade do que o «Queen Victoria» a flâmula da sua companhia de navegação. É o que geralmente se chama um barco «familiar», o que quer dizer que não são permitidas manifestações de hilaridade nos seus salões, depois das onze horas da noite e todas as alterações de tempo motivadas pela travessia dos oceanos, são escrupolosamente observadas, de modo que o bar fecha sempre três quartos de hora antes dos nossos cálculos, o que normalmente nos obriga a praguejar. Passageiros melancólicos, sentados na sala de leitura, de luz semivelada, parecem redigir cartas para parentes já falecidos. No grande salão de ornamentação pesada, conversa-se em voz baixa a faz-se malha diante de luzes eléctricas arranjadas de modo a imitar uma lareira. Há certo arremedo de alegria quando uma orquestra, composta por músicos graves e taciturnos, toca na galeria da sala das refeições, à hora do almoço e do jantar.