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sábado, 3 de junho de 2017

O DEL MONTE EXPRESS


Na Palace Drug Company enrolaram-se os toldos. Um pequeno grupo de homens que tinha passado a tarde em frente aos Correios saudando os amigos pôs-se a caminho para ver chegar o Del Monte Express, vindo de São Francisco.

John Steinbeck em O Milagre de SãoFrancisco

domingo, 2 de outubro de 2016

POSTAIS SEM SELO


Diz-se que o homem nunca está satisfeito, que mal lhe é dado ter uma coisa, logo deseja outra melhor. Mas isto, que dizem para o diminuir, é uma das maiores qualidades do homem e o que o torna superior aos animais, que se dão felizes com o que têm.

John Steinbeck em A Pérola

Legenda: fotografia de Edouard Boubat

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

POSTAIS SEM SELO


A tarde desceu tão imperceptivelmente como a idade atinge o homem feliz. Ouro penetrou na luz do Sol. As águas da baía ficaram mais azuis e pregueadas pelo vento que soprava da praia. Os pescadores solitários que acreditam que o peixe morde durante a maré alta deixaram as suas rochas, e os seus lugares foram ocupados por aqueles que estavam convencidos ser na maré baixa que o peixe pega no isco.

John Steinbeck em O Milagre de São Francisco

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

QUOTIDIANOS


Fui, com o desejo de aprender como é a América. E não estava certo de estar aprendendo fosse o que fosse. Descobri que estava a falar em voz alta para o Charley. Ele gosta da ideia, mas o processo faz-lhe sono.
- Aqui só para nós, vamos tentar o que os meus rapazes chamariam fazer as generalidades dançar o jazz. Vamos pôr-lhe títulos e subtítulos. Consideremos a comida, tal como a encontrámos. É mais que possível que nas cidades que atravessámos acossados pelo tráfego haja bons e famosos restaurantes com ementas deliciosas. Mas nos sítios onde se come ao longo das estradas a comida foi asseada, sem sabor, sem cor e de uma completa uniformidade. É quase como se os fregueses não tivessem interesse no que comem, conquanto que não tenha características  que os atrapalhem. Isso é verdade quanto a tudo excepto quanto aos pequenos almoços, que são uniformemente maravilhosos se comermos só bacon com ovos e batatas fritas. À beira das estradas nunca tive um jantar realmente bom nem um pequeno almoço realmente mau. O bacon ou as salsichas eram bons e acondicionados na fábrica, os ovos frescos ou conservados frescos pela refrigeração, e a refrigeração era universal.

John Steineck em Viagens com o Charley

Legenda: pintura de Edward Hopper

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

POSTAIS SEM SELO


Pergunto a mim mesmo porque o progresso se parece tanto com a destruição.

John Steineck em Viagens com o Charley

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

LIMITEI-ME A LÊ-LO!


- Já estive em Duluth – disse a criada – e no Natal vou a Sioux Falls. Tenho uma tia lá.
- Não tem parentes em Sauk Centre? – perguntou-lhe o cozinheiro.
- Claro que tenho, mas isso não é tão longe como quem diz São Francisco. O meu irmão está na Marinha. Está em San Diego. Tem conhecidos em Sauk Centre?
- Não, quero só ver. Sinclair Lewis veio de lá.
- Ah, pois! Têm lá uma tabuleta. Creio que vão lá umas quantas pessoas para a ver. Tem uma certa utilidade para a cidade.
 - Foi o primeiro homem que me falou desta parte do país.
- Quem?
- Sinclair Lewis.
- Ah, sim! Conhece-o?
- Não limitei-me a lê-lo.
Tenho a certeza de que ela ia dizer «Quem?», mas interrompi-a. – Diz que atravesso em Saint Cloud e continuo na cinquenta e dois?
O cozinheiro disse: - Creio que esse fulano já lá não está.
- Bem sei, já morreu.
- Não me diga!...

John Steineck em Viagens com o Charley

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

POSTAIS SEM SELO


Quando esse período acabou e foram feitas as despedidas, tive de voltar a passar pela mesma solidão perdida, e não foi menos penoso do que no princípio. Parecia não haver cura para a solidão, a não ser a de estar só.

John Steineck em Viagens com o Charley

Legenda: pintura de Paul Signac

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

POSTAIS SEM SELO



As linhas de mudança estão traçadas. Nós, ou pelo menos eu, não podemos ter uma concepção da vida humana e do pensamento humano em cem anos ou em cinquenta anos. Talvez a minha maior sabedoria seja o conhecimento de que não sei. Tristes são os que gastam a sua energia a tentar fazer voltar as coisas atrás, pois só podem sentir amargura com a perda e nenhuma alegria com o ganho.

John Steineck em Viagens com o Charley

Legenda: pintura Izvor Pende

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

POSTAIS SEM SELO


Verifico pela minha longa experiência que admiro todas as nações e odeio todos os governos, e que o meu anarquismo natural não há parte nenhuma onde se revolte mais do que nas fronteiras nacionais, onde pacientes e eficientes funcionários públicos desempenham os seus deveres em matéria de imigração e alfândega. Nunca passei nada de contrabando na minha vida. Porque será, então, que tenho uma sensação embaraçosa de culpa ao aproximar-me de uma barreira alfandegária?

John Steineck em Viagens com o Charley

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

POSTAIS SEM SELO


Comecei a formular uma nova lei descrevendo a relação entre a protecção e o desânimo. Uma alma triste pode matar-nos mais depressa do que um micróbio.

John Steineck em Viagens com o Charley

Legenda: pintura de Rob Hefferan

quarta-feira, 23 de julho de 2014

POSTAIS SEM SELO


E, no perpétuo Verão húmido, desafio o seu espírito de imaginação, a não regressar ao grito da cor, ao arrepio límpido do ar gelado, ao cheiro da lenha de pinho a arder e ao calor acariciante das cozinhas. Pois como pode alguém conhecer a cor no meio do verde perpétuo, e para que serve o calor sem o frio para lhe dar doçura?

John Steineck em Viagens com o Charley

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

POSTAIS SEM SELO


O tempo é ainda mais complexo junto ao mar do que em qualquer outro sítio, pois, além do girar do Sol e do volver das estações, há o bater das ondas contra os rochedos, marcando o fluir das horas, e o subir e descer da maré como os de uma grande clepsidra.

John Steinbeck em O Milagre de São Francisco.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

POSTAIS SEM SELO


Monterey possui uma qualidade imutável. Quase todos os dias, de manhã, o Sol brilha nas janelas do lado ocidental das rua; e, de tarde, brilha no lado oposto. Diariamente, o autocarro vermelho passa, retinindo, no seu vaivém entre Monterey e Pacific Groive. Todos os dias as fábricas de conservas expelem para o ar o desagradável cheiro do peixe a que reduzem o tamanho. Todas as tardes, o vento sopra da baía a agita ois pinheiros nas colinas. Os pescadores à linha sentam-se nas rochas de cana na mão e no rosto vinca-se-lhes a paciência e o cinismo.

John Steinbeck em O Milagre de São Francisco.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?


Gosto dos filmes que começam com uma voz off.
A Fundação Calouste Gulbenkian, para comemorar o seu cinquentenário, nomeou João Bénard da Costa, como responsável pela selecção dos filmes para o ciclo Como Era Belo o Cinema.
O ciclo abriu, a 4 de Novembro de 2006, com O Vale Era Verde de John Ford, baseado no romance de Richard Llewellyn.
Escreveu João Bénard da Costa em Os Filmes da Minha Vida : não há filme que me faça mais saudades.
Para além de um filme de doces nostalgias, Bénard da Costa não deixa de salientar o cunho político-laboral que o filme encerra, quando o pai, à greve dos mineiros, em que os filhos estão envolvidos, chama socialist nonsense, recusando-se a aderir e tentando proibir os filhos de o fazer.
A discussão azeda em torno da velha mesa patriarcal. E o pai proíbe que continue. Quem quiser coisas  dessas não tem lugar naquela casa. E é então que, um a um, os cinco filhos mais velhos se levantam e saem. Fica só o mais novo, criança ainda e fica um enorme silêncio perante aquele primeiro “assassinato do pai”. De pois, o miúdo tosse e, sem o olhar, o pai diz muito devagar: “Yes, my son, I know you are there.
Cena deliciosa esta, uma das muitas que marcam indelevelmente o filme.



 Jorge Silva Melo no seu Século Passado:


Mas vê-se sempre O Vale era Verde, de maneira diferente porque de todas as vezes se chora de maneira diferente. Já ao ver este filme, chorei infâncias perdidas, quando mais para aí me dá o sentimento; ou a morte dos pais; ou a miséria da mina, ventre infernal do capitalismo; ou a honra dos trabalhadores; ou a coragem das mães; ou as refeições em silêncio; ou o casamento da irmã; ou as longas doenças da infância com os primeiros romances lidos na cama; ou  a chegada da Primavera, ou o cheiro a sabão azul e branco, o acreditar que “um homem não chora”, o acreditar no silêncio dos homens e na determinação das mulheres, na honra, no valor do trabalho, no fluir inexorável da vida, na impossibilidade do regresso, na consciência da luta. E também nos aventais brancos, nas grandes almofadas, no banho na celha, na água a ferver...
Digo eu, agora: também a lindíssima Maureen O’Hara, nos seus 21 anos de cabelos ruivos, no preto e branco do filme, a atingirem um brilho esplendoroso.
Um filme em que não há nada, mas mesmo nada, que não esteja no lugar certo.
A perfeição é possível?



Ainda João Bénard da Costa: Há quem diga que tudo o que vive é sagrado, Ford, que o não disse filmou-o.


A tal voz off, que eu tanto gosto nos filmes, inicia-nos os passos para o desenrolar do filme:
Estou a embalar os meus pertences no xaile que a minha mãe levava ao mercado, e vou-me embora do meu vale. Desta vez jamais voltarei. Deixo para trás as minhas memórias de 50 anos. A memória. Que estranho que a mente esqueça tanto do que só agora acabou de passar, ainda que mantenha viva a memória do que aconteceu há anos atrás, dos homens e mulheres há tanto tempo falecidos. Mas quem dirá o que é ou não real? Como posso crer que todos se foram, quando as suas vozes permanecem gloriosas nos meus ouvidos? Não. E levantar-me-ei sempre para voltar a dizer não, porque eles continuam a ser uma verdade viva na minha mente. Não há nem cerca nem sebe, em torno do tempo que passou. É possível ter de volta o que se gostou, se o recordarmos. Por isso posso fechar os olhos ao que o meu vale é agora e que já se foi, e vê-lo tal qual como ele era quando eu era miúdo. Verde como era e possuído pela abundância da terra. Em todo o País de Gales não havia outro tão bonito.Tudo o que alguma vez aprendi enquanto criança, aprendi-o com o meu pai, e nunca achei que nada do que ele me disse estivesse errado ou fosse inútil. As lições que me ensinou permanecem tão intensas e claras na minha mente como se as tivesse ouvido apenas ontem. Nesses dias, a escória negra, os resíduos dos poços de carvão, só então tinham começado a cobrir a encosta da nossa colina, mas ainda não tinham desfigurado o campo ou escurecido a beleza da nossa aldeia. A mina de carvão só então começara a enfiar os magros dedos negros por entre o verde. Ainda consigo ouvir a minha irmã Angharad a chamar-me. Mineiros eram o meu pai e os meus irmãos e orgulhosos do seu oficio. Alguém começava a cantar, e o vale repicava ao som de tantas vozes. Porque o cantar está para o meu povo como ver está nos olhos.



Como isto não é um exercício de crítica ao filme, antes uma relembrança do quanto é belo o cinema, deixo o discurso de Mr. Gruffydd, o padre que vai ser julgado pelo conselho dos diáconos, gente que, ao longo dos tempos, a Igreja sempre guardou em si, como defensores de uma moral obsoleta, hipócrita, tão característica dos beatos e beatas de sacristia.


O meu avô paterno, anticlerical militante, adorava este discurso, o discurso de Mr. Gruffydd, interpretado por Walter Pidgeon:
Esta é a última vez que tomo a palavra nesta capela. Vou deixar o vale com mágoa, por aqueles que me ajudaram aqui, e que deixaram que eu os ajudasse. Mas... para os restantes, aqueles que provaram que desperdicei o meu tempo entre vós, só tenho uma coisa a dizer. Não houve um único entre vós que tenha tido a coragem de vir ter comigo e me acusar de alguma má acção. Mesmo assim, seja como fôr, se houve algum pecado, sou eu quem deve ser considerado pecador. Há alguém que queira erguer a voz, aqui e agora, para me acusar? Não. Também são cobardes para além de hipócritas. Mas eu não vos culpo. A culpa é tanto minha como vossa. As línguas ociosas e a pobreza de espirito que têm demonstrado, significam que não consegui transmitir à maioria a lição que me foi dada para ensinar. Quando era jovem pensava que  podia conquistar o mundo com a  verdade. Pensava vir a dirigir um exército maior do que Alexandre alguma vez sonhou. Não para conquistar nações mas para libertar a espécie humana.




Com a verdade. Com o som dourado da palavra. Mas só uns quantos escutaram. Só uns poucos de vocês compreenderam. Os restantes vestiram-se de preto e sentaram-se na capela. Porque é que cá vêm? Porque vestem de preto a vossa hipocrisia e a exibem perante Deus aos domingos? Por amor? Não. Já demonstraram que têm o coração demasiado definhado para receberem o amor do Vosso Pai Divino. Eu sei porque vieram. Vi-o nas vossas caras todos os domingos enquanto estavam aqui de pé perante mim. Foi o medo que vos trouxe cá. Um medo horrível e supersticioso. Medo da retribuição divina. Um relâmpago e o fogo dos céus, a vingança do Senhor e a justiça de Deus. Mas esqueceram-se do amor de Jesus. Ignoraram o seu sacrifício. A morte. O medo. As chamas, o horror e as roupas negras. Reúnam então o vosso conselho. Mas saibam que se estão a fazer isto em nome de Deus e na casa de Deus, estão a cometer uma blasfémia contra Ele e a sua palavra.
A mesma voz off que nos introduz o filme, encerra-o:
Homens como o meu pai não podem morrer. Permanecem ainda hoje, comigo, tão reais na memória com o eram na carne, amando e amados. Como era verde o meu vale.
Estive a rever o filme.
Quando chegou o The End, se vos disser que os meus olhos estavam secos, não acreditem.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

FRAGMENTOS


Possivelmente, Marilyn Monroe fez mais esforços para ler o Ulisses de James Joyce do que muita gente que diz que o leu e nunca acabou, ou sequer começou.

Por mim falo e digo que nunca o acabei e poucos esforços tenho feito para que lhe conheça o meio quanto mais o fim.

Em 1999, o exemplar de Ulisses que pertenceu a Marilyn Monroe, foi vendido por 7100 euros num leilão da Christie's.

A sua biblioteca era constituída por perto de quinhentos livros.

O já citado Ulisses estava por lá, e tinha por companhia obras de Dostoievesky, Jack Kerouac, Yeats, Samuel Beckett, Tolstoi, Walt Whitman, Rainer Maria Rilke, Bernard Shaw, Ernest Hemingway, Tennessee Williams, D.H. Lawrence, F. Scott Fitzgerald, John Steinbeck.

Marilyn Monroe deixou um inventário que inclui fotografias, recortes de jornais, poemas, frases, cartas, notas várias.

Os papeis e fotografias datam de 1943, e vão até aos dias que antecederam a sua morte.

Parte de todo este material foi publicado em livro, no final do ano passado, nos Estados Unidos. Os editores chamaram-lhe Fragments: Poems, Intimate Notes, Letters.

Do mundo de lendas que sempre envolveram, e envolvem, Marilyn, conta-se que um dia, em conversa com um amigo, terá tirado do bolso, um pequeno diário de capa vermelha a que chamava o seu livro de segredos.

Nesse livrinho, entre muitas outras coisas, falava dos planos de Kennedy para matar Fidel de Castro, de testes atómicos, das relações de Frank Sinatra com a Máfia, do movimento dos negros pelos direitos de igualdade, conversas que Marilyn ouviu enquanto conviveu com os Kennedys.

Naturalmente este livro de segredos não consta de Fragments: Poems, Intimate Notes Letters.

Diz, quem já o leu, que Fragments, não é a essência da literatura,  mas permite concluir que Marilyn não foi, exclusivamente, a loura burra que que a indústria de Hollywood construiu e impingiu à opinião pública de todo o mundo.

Um símbolo sexual torna-se um objecto. Eu detesto ser um objecto disse a actriz.
O escritor António Tabucchi  (1943-2012), escreveu o prefácio para a edição francesa do livro,  e observa:

No interior deste corpo vivia a alma de uma intelectual e poeta de que ninguém tinha um pingo de suspeita.

Nos filmes que Billy Wilder realizou com Marilyn, opinião minha, os melhores dos seus filmes, a actriz fez a cabeça em água a Wilder, mas este sabia o diamante que tinha entre mãos:

Penso que ela é a melhor actriz cómica ligeira que temos no cinema hoje em dia, e qualquer pessoa sabe que a comédia ligeira é o mais difícil dos estilos de representação.

Deus deu-lhe tudo.

Obviamente que Billy Wilder, sabia do que falava.

No diário das filmagens do Let’s Make Love , Marilyn confessava:

De que é que eu tenho medo? Porque é que tenho tanto medo? Porque penso que não sei representar? Sei que sei representar, mas tenho medo. Tenho medo e sei que não devo ter, e não quero ter. Mas tenho.

Em 1948, Tom Kelley fotografou-a nua sobre veludo vermelho, que daria lugar ao celebérrimo calendário das paredes de todas as garagens do mundo.

Quando muitos anos mais tarde, um jornalista perguntou-lhe se ela não se envergonhara da ousadia de ter posado para Tom Kelley, Marilyn respondeu:

Tinha fome!

E, sarcasticamente, não deixou de acrescentar:

Porquê? Não gosta do vermelho?

Sabe-se, ou pensa-se que se sabe, que todos morremos a cada dia que passa.

Mas os dias de Marilyn foram tecendo o suicídio organizado em que a sua morte se transformou.

O tal seu livro dos segredos, o livro de capa vermelha, constituía material demasiado perigoso para que, impavidamente, o clã kennedyano assistisse à possibilidade de se tornar público.

Tenho a certeza de que acabarei louca se continuar a viver neste pesadelo, terá dito a actriz naqueles seus tempos de depressão, que irão culminar na noite em que tomou todos os tubos de comprimidos que tinha e não tinha, tal como sugere Ruy Belo no poema que dedicou à sua morte.

Poderá perguntar-se:

Tomou?