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sábado, 25 de abril de 2020

DIÁRIO DOS DIAS DIFÍCEIS


No dia 24 já havia muito Abril, muita esperança no amanhã... e também muita poesia...

Em 2014 apeteceu-me fazer uma exposição com fotografias, cravos e poemas. Chamei-lhe, "Cravos da Liberdade - Fotografias com Palavras" e viveu no "Espaço Doces da Mimi", em Almada, no mês de Abril.

Este foi um dos poemas, e esta, uma das fotografias...


RECEBESTE CRAVOS
na quase caixa do correio
do teu portão azul que dança
de braço dado com a amargura e o vento
que só muito raramente te oferece
uma nesga de esperança...


Ele sabia que hoje chegaria aqui e tropeçava.

Ontem ainda deu para disfarçar, mas agora sabia que lhe iam faltar ideias, palavras, vontades, sabe-se lá mais o quê.

Claro que recusa o apagamento da memória, mas o estupor do Corvid-19 dá-lhe cabo dos dias.

Acontece, porém, que ele é visita diária do Largo da Memória.

E esse largo, essa memória, tiraram-no do limbo de fantasmas em que se sentia enredado, um passo, outro, passo, quantos mais passos…

Não lhe apetecia lembrar as palavras do costume que dizem que, depois de momentos de exaltação e esperanças, arrastou-se por momentos de angústias e desesperanças.

Não.

A fotografia, o texto, o poema são do Luís Eme, e foi esse o passe de mágica que arranjou para não aparecer embrulhado em alegrias, próprias e datadas, daquela nave de sonhos e loucuras em que andou mergulhado e que ninguém lhe tira.

 E, à fotografia e ao poema, que bem lhes fica o Abril.

Em tempo de escolher a música, ainda andou às voltas, seleccionou algumas, mas em cada esquina acabou sempre por encontrar a mesma canção: Utopia do José Afonso.

Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria
Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu desafio

Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?

quarta-feira, 22 de abril de 2020

DIÁRIO DOS DIAS DIFÍCEIS


Lembro-me do José Afonso dizer que não há só gaivotas em terra quando um homem se põe a pensar, pelo que mantenho não ser importante a sessão solene comemorativa do 25 de Abril na Assembleia da República.

Se fizerem o favor de não dizerem que sou contra o 25 de Abril, agradeço.

Obviamente reconheço que qualquer pretexto é bom para certa gente se manifestar contra a data dos cravos vermelhos.

Na parte que me toca, terão que fazer o favor de não me incluírem nesse pano de fundo.
Agora leio que a CGTP não realiza o habitual desfile/manifestação do 1º de Maio, apenas a concentração, em algumas cidades, de pessoas, distanciadas entre si 4/5 metros e sem a participação de velhos e crianças.

Pode ser que a clausura me esteja a retirar capacidades de análise e raciocínio e chegado aqui não sei que diga.

Há silêncios que doem.

A disposição não é muita para hoje vos escolher a música.

Mas como há dias tropecei no José Gomes Ferreira, tem-me feito uma agradabilíssima companhia, lembrei-me do que ele escreveu a 16 de Dezembro de 1970:

«Fiz hoje mais um esforço para gostar de O Cavaleiro da Rosa.
Impossível.
Ainda não encontrei o segredo.
Continua a parecer-me uma longa estopada para embalar os saudosos do Strauss das cervejarias de Viena.
É uma valsa sem epiderme… Mas por baixo não existe a carne viva com nervos sangrentos… Apenas o cadáver de um boneco monótono, com corda de dançar.»

Num Natal, o meu amigo Hans-Martin mandou-me, desde Reinbek, O Cavaleiro da Rosa.

Honestamente terei que vos dizer que o José Gomes Ferreira influencia-me barbaramente…


1.

A Tele-Escola, na RTP Memória, bateu todos os recordes de audiência e destronou a CMTV.

2.

Juntamente com os lares, os hostels são uma preocupação dado o elevado perigo de contágio que representam. Calcula-se que cerca de 800 migrantes vivem, em Lisboa, amontoados nesses alojamentos, constituindo uma perigosa fonte de propagação do vírus.
De como foram passadas as licenças para estas casas/hostels funcionarem, é algo que deveria ter sido rigorosamente vigiado. 
Agora, em plena pandemia, não se vê solução para o problema.

2.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil afirmou que o novo coronavírus tem sido usado para implantar o comunismo no mundo.
O ministro brasileiro usou o termo comunavírus para nomear o surgimento de um alegado vírus ideológico que se sobrepõe ao coronavírus e que teria como objetivo despertar para o pesadelo comunista.


3.

A Organização Mundial de Saúde avisa o mundo de que o vírus estará entre nós durante muito tempo.


4.

O governo anunciou a descida do IVA, de 23% para 6%, para máscaras e gel desinfectante.

5.

Os negros números:

Portugal regista 785 óbitos.

Os Estados Unidos continuam a ser o país do mundo a registar o mais elevado número de mortos: 44.845. Só em Nova Iorque registam-se 15.302 óbitos.

Itália: 25.085 mortos
Espanha: 21.717 mortos
França: 21.340 mortos
Grã-Bretanha: 18.100 mortos

Em todo o mundo já morreram 182.740 pessoas.

6.

Passagem pelo dia 22 de Abril de 1974:

O jornal situacionista Época dava grande destaque ao almoço íntimo que o Chefe de Estado Américo Thomaz ofereceu, em Belém, ao Chefe do Governo Marcelo Caetano, ministros e outras figuras do regime.

Sem protocolo, sorridentes, desconheciam que esta seria a última refeição que, juntos, iriam ter.

Nenhum jornal informa os seus leitores das iguarias que suas excelências manducaram mas sempre adiantaram que tudo decorreu num grande ambiente de grande cordialidade, alguns odiavam-se mesmo.

No jornal República, o jornalista e escritor Álvaro Guerra, que era um elo de ligação entre os militares e a imprensa, sabendo do que daí a dias iria acontecer, escreve o habitual Ponto Crítico:

«A Primavera continua chuvosa, um resto de invernia que se arrasta, retardando o sol aquém, de tantos sóis adiados, se vai fartando e chegando ao Inverno da vida com um levíssimo e já frio raio de luz teimando penetrar na floresta desencantada da memória.
Naturalistas, alegóricos, nostálgicos, vamos seguindo os caprichos do clima, mitigando a ausência das palavras primaveris com a decifração de eternos boletins meteorológicos.»

Legenda: pintura de Vanessa Ball 

terça-feira, 21 de abril de 2020

ALGUÉM LHES DIRÁ O QUE SOFREMOS...


Continuo com os murais que, após o 25 de Abril, foram aparecendo nas ruas de Lisboa.

Sacuntala de Miranda, militante anti-salazarista, exilada política em Londres, no seu livro «Memórias de um Peão nos Combates da Liberdade», lembra, o como era possível que tanta gente viesse para a rua, naquele 1º de Maio, vitoriar o fim da ditadura, quando éramos tão poucos os que tínhamos lutado para que o 25 de Abril viesse a acontecer.

Foi possível mesmo.

Passados os primeiros dias – não importa quantos… - muita dessa gente, que calcorreou ruas, regressou à sombra dos dias, marcando o aparecimento do camaleonismo.

Sim, porque, dizem os livros, o camaleão, está na sua própria natureza, não muda de cor uma só vez.

Que é feito do sol que aquela madrugada anunciava?

Como canção que então ouvíamos, escolhi «Canto Moço» de José Afonso, faixa 3 do lado A de «Traz Outro Amigo Também», editado em 1970, terceiro álbum de José Afonso.

 Filhos da madrugada, navegando de vaga em vaga, sem saber de dor nem mágoa, pelas praias do mar nos vamos, à procura da manhã clara.



Legenda: o título é tirado de um poema de Egito Gonçalves.

quinta-feira, 19 de março de 2020

DIÁRIO DOS DIAS DIFÍCEIS


O tempo de excepção que nos impuseram obriga-nos a ficar em casa.

Apesar de tudo, alguns velhos ainda apareceram na Alameda para as suas jogatanas de sueca.

Amanhã, o olho vivo das autoridades, já não lhes permitirão esse gozo de tempo livre.

Ficarão em casa a ver televisão, provavelmente a implicar com quem lhes está próximo.

Continuo como ontem: a apanhar papéis, pedaços de livros, músicas…

Nesta clausura, lembrei-me de uns versos que Ruy Belo colocou no seu poema Ácidos e Óxidos:

«Não achas que a esplanada é uma pequena pátria
a que somos fieis? Sentamo-nos aqui como quem nasce.»

O resto é uma lindíssima canção do José Afonso para um poema do José Carlos Ary dos Santos.

Uma cidade de outros tempos negros que vivemos e a que conseguimos dar a volta.

Demorou tempo... mas conseguimos!


1.

A fábrica da Mitsubishi Fuso Truck Europe vai suspender a partir de segunda-feira, a produção automóvel no Tramagal, em Abrantes, para prevenir a expansão do Covid-19.

Esta paragem tem a duração de duas semanas e manter-se-á até dia 5 de Abril, disseram aos trabalhadores.

2.

A TAP vai reduzir temporariamente a sua operação, «uma decisão que é tomada após os sucessivos anúncios de restrições, como principal medida de contenção da Covid-19, por parte de vários estados das geografias em que a companhia portuguesa opera», explicou a transportadora, através de comunicado.

3.

Com a grande maioria dos campeonatos europeus em suspenso devido à pandemia de Covid-19, a Bielorrússia apresenta-se como uma excepção.

O presidente Aleksandr Lukashenko deixou as seguintes recomendações:

«É importante lavar as mãos, comer a horas certas. Eu não tenho por hábito beber álcool, mas o vodka não serve só para lavar as mãos. Bebam vodka, uns 100 mililitros por dia deve ser o suficiente para matar o vírus!», começou por explicar.
Façam uma sauna, seca. Os chineses dizem que o vírus morre a 60 graus».

4.

Soube-se hoje que a especulação com produtos necessários à protecção das pessoas: luvas, máscaras, luvas, gel desinfectante e álcool puro, atingiu já a barbárie.

Estabelecimentos venderam um simples frasco de álcool de 250 ml por cinco euros.

Antes do surto custavam perto de um euro

5.

As autoridades italianas actualizaram, hoje, os números relativos ao novo Coronavírus.

Com 3405 vítimas mortais a Itália é, agora, o país com mais mortes registadas.

Antes do balanço desta quinta-feira, a China era o país com mais mortes confirmadas.

A Espanha regista 767 mortes e 17.147 infectados

Portugal regista 4 mortes e 785 infectados.

No Mundo já morreram 9.970 pessoas e 241.021 infectados.

6.

Tragicamente ficámos a saber que o mundo não estava preparado para uma pandemia como esta.

7.

Ler é uma tarefa diária. Podem estar certos que não dói.


Se é uma tarefa quotidiana, não há necessidade de existirem livros para férias,
para fins-de-semana, para dias difíceis.

Não há mesmo.

Mas fiquem-se com esta frase, de um certo optimismo, deixada por  Montesquieu: «Não há desgosto que uma boa hora de leitura não me tenha consulado», enquanto vou à estante buscar a minha velhinha edição de Robinson Crusoé , de Daniel Defoe, da velha Biblioteca dos Rapazes publicada pela Portugália Editora com a narração das estranhas e surpreendentes aventuras de Robinson Crusoé e onde podemos encontrar a provação extrema da solidão.


«Robinson salva a vida a um índio; dá-lhe o nome de sexta-feira.»

8.

Os comentadores e jornalistas de direita realçaram a postura de estado e grandiloquência do discurso de Marcelo Rebelo de Sousa. 

O melhor de todo o seu tempo de presidência.

Mesmo que lá esteja, bem escarrapachada, esta pérola de nacionalismo salazarento:

«Nascemos antes de muitos outros. Existiremos ainda, quando eles já tiverem deixado de ser o que eram e como eram».

Certa gente pode deixar a aldeia, vir estudar para a grande cidade, dar doutor ou engenheiro, mas a aldeia nunca lhes sai da mente.

9.

Vamos continuar a viver o estado de emergência ontem decretado pelo Presidente da República.

Subsistem as dúvidas se uma situação destas era mesmo necessária.

Amanhã o conselho de ministros vai debruçar-se sobre as medidas, para estes tempos perigosos, de apoio às empresas e aos trabalhadores.

domingo, 13 de outubro de 2019

ETECETERA


Domingo de eleições.

Conclui, mais uma vez, passados que são 45 anos de democracia, que não elevámos o nível de cultura dos portugueses.

Entristeceu-se com o cair do dia, a chegada da noite.

Sabe o porquê da tristeza e não pode dizer que é só por os pássaros terem partido para o sul.

1.

Francisco Mendes da Silva, membro da comissão política do CDS, numa entrevista ao Público, disse que «o aparecimento do Chega põe em causa todo o regime.»

Diz também que a direita terá de se entender para poder ir a eleições e governar, mas exclui o Chega porque não basta dizer que os políticos são todos uma cambada de ladrões, ou dizer mal dos ciganos.

2.

Rui Montenegro perfila-se para discutir a presidência do PSD a Rui Rio.

O partido necessita de uma lufada de ar fresco, disse, ou alguém por ele.

Nada tenho nada, mesmo nada a ver com o PSD, mas garanto que prefiro que a conduzir os destinos do partido esteja Rui Rio, do que o antigo parlamentar,  um sorriso cínico, um encadeador de palavras que nada dizem, que lembra as políticas pedropassoscoelhos, mais o Relvas, a Maria Albuquerque .

O rapaz diz, agora, que o Partido Socialista era batível se tivesse existido uma oposição firme.


Pois… ou os prognósticos só no fim do jogo, como diria o outro…

3.



Recortes do Público.

4.

Não digo que não existam razões, mas tudo o resto é uma mentira e uma imbecilidade.

Ninguém deixa de ser culpado neste circo de vaidades, desprezos e vinganças.

Um dos últimos nomes que entrou na roda é o de Plácido Domingo.

Jorge Calado, numa crónica publicada no Expresso, deixa  a ideia que Domingo se terá portado um tanto ou quanto mal.


Este é o final da crónica:


5.

No dia 8 morreu o jornalista Rogério Rodrigues.

Ainda sou do tempo em que havia jornais e jornalistas e, com a sua morte, já não resta quase ninguém como eçe.
.já poucos restam
Rogério Rodrigues foi fundador do semanário O Jornal, foi um dos últimos chefes de redação do jornal A Capital, foi jornalista no Público e Jornal de Notícias trabalhou na RTP e no Rádio Clube português.

Quando Fernando Assis Pacheco morreu, Rogério Rodrigues escreveu uma emocionada prosa:

«Morreu o Assis como é do conhecimento público, como já tinha morrido o Esteves da leitaria, o O’Neill da seda chinesa em feira de cigano. Morreu o Assis, o doido que me foi buscar a um modesto liceu de Trás-os-Montes, em má hora me trouxe para os jornais, durante meses me aklimentou, foi meu mestre, foi meu amigo e foi meu compadre. Aquele barbas, aquele doido. Porque o Assis era doido – de ternura, de generosidade, de talento.»

Rogério Rodrigues foi também jornalista do Diário de Lisboa, no qual, em Maio de 1975, publicou uma crónica sobre uma mulher, de seu nome Teresa Olga, que, num intervalo do tratamento psiquiátrico, dançava nua no cruzamento da Avenida Miguel Bombarda com a Avenida 5 de Outubro, acontecimento de que José Afonso faria poema e música e que faz parte do álbum Com as Minhas Tamanquinhas.

sábado, 27 de julho de 2019

ETECETERA


Havia histórias de encantar, histórias de deixar os olhos muito abertos, histórias de impossibilidades mas em que a gente catraia acreditava.
Fez agora 50 anos que o Homem pisou a lua.
Mas muito antes, TinTim já lá estivera.
A catraiada leu e viu.

1.

O meu avô dizia que a profissão de advogado é pau para toda a obra.
O advogado Pedro Pardal Henriques, condutor de carros de luxo, assentou praça como  vice-presidente de um recente sindicato de motoristas de camiões de matérias perigosas, algo incomum no movimento sindical.
Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP-IN, disse: «Criar sindicatos está a ser uma área de negócio.»
Vieira da Silva, Ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, disse que estes novos sindicatos «são um factor de perturbação.»
O advogado Pardal foi a cara que apareceu frente às televisões naqueles dias em que os camionistas em greve paralisaram o país por aumentos salariais e melhores condições de trabalho,
Em recente congresso, o advogado Pardal disse que era preciso aproveitar as eleições, que estão à porta, para reivindicar mais aumentos.
Em Agosto vão fazer nova greve.
O governo entrou em ziguezague.
O que vai acontecer ainda não está muito claro.
A greve é um direito dos trabalhadores mas todos temos que estar atentos ao oportunismo dos advogados pardal.

2.

O centro do país volta a ficar em chamas… apesar de tudo.
Dramático!

3.

Numa maratona parlamentar, a Assembleia da República, aprovou um projecto de resolução do Partido Comunista que recomenda a classificação da obra de José Afonso como de interesse nacional.
A proposta reuniu o apoio de todos os partidos com excepção  do Partido Socialista que se absteve,
Do porquê das razões da abstenção o PS remeteu-nos para uma declaração de voto.
Não li.
Mas também não vou querer ler.

domingo, 9 de setembro de 2018

ETECETERA


Na passada sexta-feira abriu, nos jardins do Palácio de Cristal, a Feira do Livro de Porto que fechará stands no dia 23 de Setembro.

Nas muitas iniciativas dos organizadores da feira, consta a atribuição da Tília  que este ano homenageia José Mário Branco, um dos maiores nomes da Música Portuguesa.

José Mário Branco junta-se, como recebedor da tília, a Mário Cláudio, Vasco Graça-Moura, Agustina Bessa-Luís, Sophia de Mello Breyner Andresen.

José Mário Branco editou recentemente um duplo álbum de inéditos, datados de 1967 a 1999, quebrando um silêncio de vários anos.


ZECA

À boleia de José Mário Branco cabe trazer o registo de um triste episódio em que se viu envolvido o nome de José Afonso.

A incontrolável vaidade pessoal de José Jorge Letria, músico e cantor menor e hoje presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores, levou-o a declarar o compromisso de que os restos mortais de José Afonso deveriam ser transladados para o Panteão Nacional :

«É este o tributo e é esta homenagem que Portugal deve a quem como mais ninguém o soube cantar em nome dos valores da liberdade, da democracia, da cultura e da cidadania», lê-se no comunicado. Assumimdo a Sociedade Portuuesa de Autores assume publicamente o compromisso de lutar por este legítimo e inadiável ato de consagração que deverá coincidir com os 90 anos do nascimento [de José Afonso] e com os 45 anos do 25 de Abril.»

José Jorge Letra gosta de dizer que andou de braço dado com o Zeca mas, se verdade isso é, podemos dizer que não aprendeu NADA!

De imediato, os herdeiros de José Afonso, que ficaram surpreendidos com a proposta, rejeitaram a transladação dos restos mortais de José Afonso para o Panteão Nacional:

«José Afonso rejeitou em vida as condecorações oficiais que lhe haviam sido propostas. Foi, a seu pedido, enterrado em campa rasa e sem cerimónias oficiais, em total coerência com a sua vida e pensamento. Por isso, apesar da meritória intenção que inspira a proposta, é a sua vontade que deve ser respeitada.»

SLB


Sabe-se que o mundo do futebol é uma podridão generalizada.

Razão tinha o escritor Mário de Carvalho quando, há longo tempo, disse numa entrevista que «a maior alegria que me podiam dar era proibir a porcaria do joga da bola e meter na cadeia essa pardalada.»

José Pacheco Pereira no Público:

«O interessante e pouco surpreendente exercício de contenção de danos que sucessões de adeptos do Benfica, célebres, consagrados, eminentes juristas, e homens que só eles sabem quem são, fazem, com a cumplicidade activa da comunicação social reduzida a esta miséria, tem como objectivo dizer que, se houve ilegalidades, elas foram de um homem ou dois e não atingem o clube, nem essa coisa contraditória nos seus termos, chamada a “verdade desportiva”. Isto porque uma das sanções previstas, em absoluta teoria e em absoluta impossibilidade prática, inclui a proibição do clube jogar por uns meses e anos, ou ser despromovido para uma divisão inferior. A tese é que nenhum jogo foi ganho ou perdido, a célebre “verdade desportiva”, por causa de uma malfeitoria de espionagem ilegal ao sistema judicial e a várias bases de dados públicas, para obter informações sobre processos judiciais e dados sobre árbitros.
A questão é muito simples: na história da corrupção em Portugal há quatro componentes, três de cima, e uma de baixo. Completam-se como peças de um jogo, neste caso o jogo do nosso atávico atraso nacional. Nacional, português, nosso, que todos nós pagamos para alguns receberem. As três de cima são as dos grandes: a corrupção na política, nos negócios e no futebol, profundamente interligadas. A de baixo, é a pequena corrupção do dia a dia, que os portugueses praticam como quem respira e que, entre outras coisas, gera o pano de fundo para toda a corrupção, nem que seja pela fragilíssima condenação de ilegalidades quando são parecidas com as que os de baixo praticam. São tudo valentões contra a corrupção, no café e nas caixas de comentários e Facebooks, mas depois, como se vê no futebol, fecham os olhos tão forte que até dói.»

A FECHAR

«Lembrei-me de pedir a João Semedo que me contasse como tinha ido viver para o porto. Ele sorriu com a pergunta, deve ter coçado a cabeça no seu gesto típico e a resposta foi algo como: “o Partido precisava de gente no Porto” –m o Partido era então, o PCP – “e eu fui para o Porto”. Não havia na sua voz qualquer laivo de distanciamento em relação às razões dessa decisão, pelo contrário. João Semedo tornou-se profundamente um portuense e um homem que vivia a cidade do porto. Ter ido para o porto por militância partidária e cívica – uma coisa que hoje não se faz e quase ninguém imaginaria fazer – era provavelmente para ele a melhor razão para se ter tornado portuense».

Rui Tavares, artigo na morte de João Semedo, publicado no Público.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

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Portugueses na Califórnia, a saudade, sentimento a remeter para uma balada do folclore açoriano, que José Afonso canta, no seu primeiro Lp «Cantares do Andarilho», com uma simplicidade simplesmente arrepiante.
Saudades.

Ó Tirana saudade
Ó Tirana saudade
Ó Tirana saudade
Saudade, ó minha saudadinha
Foste nada no Faial
Foste nada no Faial 
Foste nada no Faial
No Faial baptizada na Achadinha

Saudade onde tu fores
Saudade onde tu fores
Saudade onde tu fores
Saudade leva-me podendo ser
Que eu quero ir acabar
Que eu quero ir acabar
Que eu quero ir acabar
Saudade onde tu foras morrer

A saudade é um luto
A saudade é um luto
A saudade é um luto
Um amor, um amor, uma paixão
É um cortinado roxo
É um cortinado roxo
É um cortinado roxo
Que me morde, que me morde o coração



quinta-feira, 1 de março de 2018

TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM


É sempre bem-vindo quem vier por bem.


segunda-feira, 1 de maio de 2017

SÓ OUVE O BRADO DA TERRA


Só ouve o brado da terra
Quem dentro dela
Veio a nascer
Agora é que pinta o bago
Agora é qu'isto
vai aquecer

Cala-te ó clarim da morte
Que a tua sorte
Não hei-de eu querer
Mal haja a noite assassina
E quem domina
Sem nos vencer

Cobrem-se os campos de gelo
Já não se ouve
O galo cantor
Andam os lobos à solta
Pega no teu
Cajado, pastor

Homem de costas vergadas
De unhas cravadas
Na pele a arder
É minha a tua canseira
Mas há quem queira
Ver-te sofrer

Anda ver o Deus banqueiro
Que engana à hora e
que rouba ao mês
Há milhões no mundo inteiro
O galinheiro é de
dois ou três

José Afonso

Do álbum O Coro dos Tribunais, Dezembro de 1974

Legenda: grafite de Vhils

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

ZECA UM POUCO AO ACASO


Pertence a Sérgio Godinho a mais feliz definição de José Afonso:

Abriu janelas onde nem paredes havia.

Já fui andarilho e cantor, Bendito seja o pão, Bendita seja a dor, Bendita as portas do amor!

José Afonso

Quando há alguém maior do que o tempo, só podemos ficar gratos. Quando é português, só podemos ficar orgulhosos. As canções de José Afonso são tão bonitas e importantes que não se consegue imaginar a sua ausência. Vivem de um tempo para a eternidade, como tudo o que é genial e belo.
Toda a obra de José Afonso está agora reeditada em CD. Não deve ser preciso dizer mais nada.

Revista K, Agosto de 1992

Sem muros nem ameias, gente igual por dentro e por fora.

José Afonso

… talvez no fundo eu seja um homem mal resolvido.

Entrevista à José Amaro Dionísio, Expresso, 15 de Junho 1985

O medo foi sempre um sentimento que conviveu comigo. O medo a que se sobrepunha uma sensação de angústia, género «como é que me vou comportar em tal ou tal situação?

Entrevista à José Amaro Dionísio, Expresso, 15 de Junho 1985

Amigo maior que o pensamento.

José Afonso

Se os encartados arrumadores de música persistirem, mesmo assim, em recusar à obra de José Afonso um lugar na categoria da música «clássica» que se apressem a rever a sua definição desta, antes que, por completo, os deixemos de tomar a sério.

João de Freitas Branco

Sou fruto de muita gente, de muitos lugares e dissabores.

Entrevista O Diário 2 de Janeiro de 1983

Nunca tive prazer em fazer música.

Entrevista Alexandre Manuel ao Diário de Notícias de 28de Abril de 1984

Um dia hás-de aprender haja o que houver.

José Afonso

… e afinal, eu só queria dizer que fazes uma falta do caraças!

Manuel Freire, Fevereiro de 1992

… pois tu é que partiste cedo demais, meu sacana!

Samuel, Fevereiro 2012

Legenda: fotografia de Júlio Gomes tirada do Cinéfilo nº 8.

A MORTE SAIU À RUA NUM DIA ASSIM



O escultor José Dias Coelho foi assassinado pela PIDE no dia 19 de Dezembro de 1961, na Rua da Creche, rua que hoje tem o seu nome, junto ao Largo do Calvário.

O assassinato está assinalado na canção de José Afonso “A Morte Saiu à Rua”do álbum “Eu Vou Ser Como a Toupeira", gravado em 1972.

Antes de ser assassinado, José Dias Coelho estivera em casa de Mário Castrim que, na altura, morava na Rua Luís de Camões, perto da estação dos carros eléctricos de Santo Amaro. 

No livro “Viagens”,  o poema “Viagem Através de Uma Fatia de Bolo-Rei”, Mário Castrim assinala  esses últimos momentos de vida de José Dias Coelho:


Corria o ano de 1961.
Estávamos à porta do Natal.
Eram quase duas horas da manhã
e eu perguntei-lhe
se queria comer alguma coisa.
Disse que sim. Mas que
estava com muita pressa.

Enquanto vestia a gabardina, trouxe-lhe
uma sanduíche de fiambre
um copo de vinho
uma fatia de bolo-rei.
Estava de pé
comia como se fosse a primeira vez
desde a infância.

- Há quantos anos
deixa cá ver
há quantos anos é que eu não comia
bolo-rei?
Este é bom, sabe a erva-doce
e a ovos.
(Caíam-lhe migalhas
aparava-as com a outra mão
em concha)

- Comes outra fatia, camarada?

- Isso não.
Estou atrasado já.
Mas se ma embrulhasses...

Através da janela
do quarto às escuras
fico a vê-lo atravessar a Rua da Creche
seguir pela Rua dos Lusíadas.

Nenhum de nós sabia
que estava já erguida a pirâmide do silêncio
à espera dele
num breve prazo.

Quando talvez o gosto do bolo-rei
mais forte do que nunca
tivesse ainda na boca.

Funcionário clandestino do Partido Comunista, José Dias Coelho seguia pela Rua dos Lusíadas, quando cinco agentes da PIDE, saltaram de um automóvel e alvejaram-no, à queima-toupa, com um tiro no peito, e dispararam outro tiro quando já se encontrava por terra.

No  nº 9, referente a Março de 1962, de “Notícias do Bloqueio”, Pedro Alvim, no poema intitulado “Lisboa”, refere o assassínio de Dias Coelho:

4 – Alcântara

Há quem tombe por um rio
Impetuoso e comum:
Alcântara dos tiros cegos
Alcântara sessenta e um.


No dia 24 de Novembro de 1976, começava, no 1º Tribunal Militar Territorial de Lisboa, o julgamento do ex-agente da PIDE António Domingues, acusado de ter assassinado José Dias Coelho, julgamento que só terminaria no ano seguinte:

Na 1ª página do “Diário de Notícias”, de 6 de Janeiro de 1977, lia-se:

“O antigo agente da PIDE/DGS António Domingues, responsável pela morte do escultor comunista José Dias Coelho, foi, ontem, condenado em três anos e nove meses de prisão maior. Perdoados 90 dias e tomado em conta o tempo de prisão preventiva que já sofreu, desde 1974, vai o réu cumprir apenas mais cerca de 10 meses de cadeia. O tribunal (3ºTMTL) considerou não ter havido homicídio voluntário, mas apenas “ofensa corporal voluntária, de que resultou a morte “praeter-intencional”. Dado como provado o disparo de dois tiros, o último dos quais com a arama “muito próxima da roupa da vítima, a sentença foi recebida pela assistência com uma manifestação de protesto.”


No editorial do “Diário de Lisboa," também de 6 de Janeiro, lia-se:

“Na verdade, reconhece-se a legitimidade da “profissão” de assassino de adversários políticos de um regime. É um insulto à memória de José Dias Coelho.
Um insulto aos mortos e aos vivos da resistência antifascista.
Um insulto ao 25 de Abril.”

Legenda:  A imagem de topo é uma gravura de José Dias Coelho, representando o operário Cândido Martins, assassinado na frente da manifestação do Barreiro contra a burla eleitoral e publicada no “Avante” nº 130 de Novembro de 1961. Para a que seria a sua última gravura, José Dias Coelho escreveu: “De todas as sementes deitadas à terra, é o sangue derramado pelos mártires que faz levantar as mais copiosas searas”


Ó RIBEIRAS CHORAI QUE EU NÃO VOLTO A CANTAR


Recorte do Diário de Notícias de 23 de Fevereiro de 1987.


ZECA AFONSO, UMA VOZ QUE JÁ NÃO CANTA


Chamada  da 1ª página do Diário de Lisboa de 31 de Dezembro de 1984 para uma entrevista de Ribeiro Cardoso.


PORTO DE LISBOA, 1967


Adelino Gomes, Público, 23 de Fevereiro de 1992

JOSÉ AFONSO VEIO PARA FICAR


O ano é o de 1967.

José Afonso, vindo de Moçambique, regressa a Lisboa.

Este recorte do Diário de Lisboa regista esse regresso-amargo-triste.

«Desembarquei sem um tostão no bolso, mas com seis meses de ordenado em atraso.»

A notícia refere também que José Afonso gravou no Estúdio do RCP quatro canções que seriam transmitidas à noite no P.B.X. e que levaram quatro horas a ser gravadas.

«Estive muito tempo sem cantar. Estou sem caixa nenhuma.»

No estúdio, estavam Carlos Paredes, o dr. Jorge Tuna, Durval Moreirinhas e outros amigos e ouviram o Zeca futurizar:

«O ensino dá-me para o tabaco e para pagar a renda. Por isso vou cantar.»

Final da reportagem:

«José Afonso veio para ficar. Agora, vai para o Algarve. Depois voltará em direcção ao Centro, mas não importa onde porque aqui vai ficar, cantando, ensinando, trabalhando em novas músicas, em novos poemas, porque agora terá mais diálogo do que em Moçambique, porque a velha realidade lhe dará novos pontos de partida, porque mais ele a sentirá. José Afonso veio para ficar.“Velas e remos a arder”, ele não é homem para deixar.» 

TRINTA ANOS SEM O JOSÉ AFONSO


Trinta anos.
Como é que já passou tanto tempo?
Ficou-nos o seu exemplo, o sorriso simples e franco, a música, as canções.
Inúteis as palavras que possa trazer para aqui.
Neste dia em que a tristeza nos invade, sempre nos envolverá essa tristeza, trago uma das canções do Zeca que só muito tarde descobri, uma canção que aprendi a gostar.

sábado, 7 de janeiro de 2017

LER PODE SER MELHOR QUE VIVER


Pode-se viver sem ler?

Pode, mas vive-se pior.

Há discursos sagrados em redor dos livros mas nada impede que Pepe Carvalho, o célebre detective de Manuel Vasquez Montalban, doente pelo Barcelona, bom garfo, amante de um bom cognac e um “puro” , também de boleros, admirador de mulheres nas “ramblas”, pusesse o detective de Manuel Vasquez Montalban, todas as noites acender a lareira com as páginas das suas leituras preferidas.

Num país de iletrados não é difícil encontrar ignorantes.

Pena é que sejam burros ao ponto de, orgulhosamente, afirmarem que nunca leram um livro, como se isso fosse uma prova de entrada no reino dos céus.

Números velhos, talvez de 2004, mostravam que 1 em cada 10 portugueses não sabe ler ou escrever. São os analfabetos absolutos. Depois há os alfabetizados (teoricamente) que não lêem (90% dos portugueses) e os que lêem, mas não sabem interpretar, nem assimilar o que lêem.

Conheço criaturas que frequentaram, ou tiraram um curso superior, sem ter um único livro em casa, mesmo do que andaram a cursar.

Como tudo isto acontece?

Diz quem andou por lá, que há estupendas “sebentas” nas nossas faculdades.

Cabe aqui a história do petiz a quem o Raul Solnado perguntou se gostava de ler e que lhe respondeu: “Evito!”
       
          Os nossos livros estão empoeirados
           canecas de cerveja ensinam melhor,
           a cerveja dá-nos  prazer,
           os livros só aborrecimentos.

Fia-te nos que gostam de ler, desconfia quando alguém te diz que não tem tempo para ler, dizia o meu avô, um leitor compulsivo.

Os pobres não lêem porque não têm meios e os ricos porque não querem.

É mais fácil passar o tempo a olhar para a televisão. Outros há que desviam o dinheiro que têm para outras prioridades: comprar um carro topo-de-gama, comprar uma casa na praia, férias em Punta Cana ou qualquer outro lugar exótico.

Lê-se porque sim, porque não se pode deixar de ler. 

A leitura é um hábito que, no entanto, necessita de constante exercício porque quando se perde o hábito de ler, a necessidade de ler, o prazer de ler, corre-se o risco de não se recuperar.

Não é bem como andar de bicicleta...

François Truffautt adaptou ao cinema um livro de Ray Bradbury: Farenheit  451.

Filme e livro perturbantes.

Ler é pecado, quem pensa é um fora da lei.

 Não há só gaivotas em terra quando um homem se põe a pensar, cantava o José Afonso,  Mao Tsé Tung  dizia que ler demasiado é prejudicial, Júlio César, na peça de Shakespeare, desconfiava de Cássio porque era magro e porque lia muito.

Escreveu Paul Valery que os livros têm os mesmos inimigos que o homem: o fogo, a humidade, os animais, o tempo, e o seu próprio conteúdo.

William Wrigley, milionário da pastilha elástica, ao mobilar o seu sumptuoso apartamento, em Chicago, deu ordens à secretária: Meça-me aquelas prateleiras e compre-me os livros suficientes para mas encher. Arranje-me uma data de livros de um verde e um encarnado vivos e com uma batelada de letras douradas. Quero uma vista catita.

Livros para completar a mobília, dizia o Eça de Queiroz.

Jorge Luis Borges afirmou que o paraíso, se existe, tem a forma de uma biblioteca e o poeta francês Stéphane Mallarmé sabia que tudo no mundo existe para se transformar em livro.

Nota do Editor: o título é uma frase do Jorge Silva Melo


Legenda: pintura de Di Cavalcanti

terça-feira, 19 de abril de 2016

ABRIL



Abril.

Traz Outro Amigo Também

Lado 1
Traz Outro Amigo Também - Maria Faia -Canto Moço - Epígrafe Para a Arte de Furtar - Moda do Entrudo - Os Eunucos - José Afonso

Lado 2
Avenida de Angola - Canção do Desterro -Verdes São os Campos - Carta a Miguel Djeje - Cantiga do Norte 

Canto Moço

Música e Letra de José Afonso

Somos filhos da madrugada 
Pelas praias do mar nos vamos 
À procura de quem nos traga 
Verde oliva de flor no ramo 
Navegamos de vaga em vaga 
Não soubemos de dor nem mágoa 
Pelas praias do mar nos vamos 
À procura de manhã clara

Lá do cimo de uma montanha

Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Mensageira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo de uma montanha

Onde o vento cortou amarras

Largaremos p'la noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca, brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca.



quinta-feira, 14 de abril de 2016

ABRIL


Abril

José Afonso

Menina dos Olhos Tristes – Canta Camarada

Menina dos Olhos Tristes

Poema de Reinaldo Ferreira
Música de José Afonso

Menina dos olhos tristes 
o que tanto a faz chorar 
o soldadinho não volta 
do outro lado do mar

Vamos senhor pensativo

olhe o cachimbo a apagar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Senhora de olhos cansados

porque a fatiga o tear
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Anda bem triste um amigo

uma carta o fez chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar 

A lua que é viajante
é que nos pode informar
o soldadinho já volta
está mesmo quase a chegar

Vem numa caixa de pinho

do outro lado do mar
desta vez o soldadinho
nunca mais se faz ao mar