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quinta-feira, 17 de maio de 2018

OLHAR AS CAPAS


Lisboa e Outros Sapatos

José Carlos González
Prefácio: Urbano Tavares Rodrigues
Capa: José Araújo com base em desenho de Bernardo Marques
Colecção: O Campo da Palavra nº 10
Editorial Caminho, Lisboa Abril de 1980

Dístico

O poeta
é um homem que bebe imenso
o ar da vida.
Que entra tarde
e que sai cedo.
Que tem e que não tem medo
w só ser livre o ensina.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

ESCADINHAS DO DUQUE


Quando chove em Lisboa
uma náutica gaivota
à toa
fixa o oriente.

Na barra alerta do Tejo

bombardeia o brejo
uma estrela candente.

Nos seios da empregadinha

uma luz que se adivinha
na noite pobre de sempre.

Escadinhas do Grão-Duque

batidas pelo levante
lavadas pelo poente.

E a noite amiga, madrinha.


José Carlos González em Lisboa e Outros Sapatos, Editorial caminho, Lisboa Abril 1980.

terça-feira, 26 de março de 2013

ELEVADOR DE SANTA JUSTA


A justíssima ascensão
tem arcadas de zarção

Na noite de São João
relva queimada no chão

Luminárias de São Pedro:
madrugada, vinho azedo.

Pão a sair, aço novo
pintado da cor do povo.

Um castelo que alumia
os minaretes do dia.

E a graça que se vislumbra
do calcário da Rotunda.

As árvores da Avenida
lá em baixo, combalida
.
E o Eiffel que desde França
veio num rio de esperança

de maravilhar as agentes
cheias de Tejo e doentes

e ficou na corda estreita
de Santa Justa desfeita

por terramotos cansados
e horizontes espantados.

Sombra que se alonga este rio
nas pombas do meu Rossio.

José Carlos González em Lisboa e Outros Sapatos, Editorial Caminho, Lisboa Abril 1980.