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sexta-feira, 8 de maio de 2020

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?


Passado o tempo que passou, sabemos, por que Primavera, homens como Craveirinha, esperavam.

Isso não os impedia de, sentados num parque da cidade moçambicana, discutissem história, filosofia e também Brigitte Bardot.

Como actriz não vale a pena gastar muitas palavras, quanto ao resto, lembre-se o que Roger Vadim disse:

«Se D. Juan fosse uma mulher ele seria sem dúvida Brigitte Bardot».

Em 1956, durante o Festival de Cinema de Cannes, Brigitte Bardot visitou o estúdio de Pablo Picasso em Vallauris.

Pablo tinha 75 anos, Brigitte estava na plenitude dos seus 22 aninhos.

Diz quem sabe, que ambos, trouxe-mouxe, se divertiram até mais não.

Há uma canção do Bob Dylan, I Shall Be Free, em que ele diz que o telefone não parava de tocar.

Era o Presidente Kennedy a perguntar por mim.
Ele disse: «Amigo Bob, do que precisamos para fazer o país crescer?»
Eu disse: «Amigo John, Brigitte Bardot, Anita Ekberg, Sophia Loren»

Brigitte Bardot tem hoje 86 anos.

É defensora dos animais, os humanos passam-lhe longe, muito longe mesmo, vive rodeada de polémicas, algumas bem escabrosas, desde 1992 que está casada com um conselheiro do fascista Jean-Marie Le Pen e em 2018, chamou às pequenas do Movimento Me Too hipócritas e ridículas.

Aqui tiro-lheo  meu chapéu de coco, porque se haverá pessoa que, no mundo, mais saiba de assédios e situações similares, é Brigitte Bardot.

As pequenas do Me Too que se cuidem!


Saudade.

Mas saudade, como diz o brasileiro cantor, Zeca Baleiro, é «brigitte bardot acenando com a mão, num filme muito antigo.


PRIMAVERA


Estamos sentados.
E nefelibatas bebemos coca-cola
nas públicas cadeiras da praça.

Sobre as envenenadas acácias
andorinhas geometrizam o azul do céu
e despercebidos passarinhos africanos
cantam nos verdes braços vegetais.

Num parque de cidade moçambicana
jovens discutem Brigitte Bardot
e abúlicas mãos tamborilam
no tampo da mesa fúteis dedos.

Um grupo de estivadores
vem do cais vestindo
serapilheiras
e passam a três metros e meio
das cómodas cadeiras da praça

Odes cantam nos ramos os bilo-bilana
e na surdina das tímidas meias palavras
e subentendidos silêncios
ansiosos todos esperamos
indolentes as flores
da nossa comum Primavera.

José Craveirinha

Legenda: desenho de Malagantana

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

PRIMAVERA


Estamos sentados.
E nefelibatas bebemos coca-cola
nas públicas cadeiras da praça.

Sobre as envenenadas acácias
andorinhas geometrizam o azul do céu
e despercebidos passarinhos africanos
cantam nos verdes braços vegetais

Num parque de cidade moçambicana
 jovens discutem Brigitte Bardot
e abúlicas mãos tamborilam
no tampo da mesa fúteis dedos.

Um grupo de estivadores
vem do cais vestindo
sarapilheiras longe da Primavera
e passam a três metros e meio
das cómodas cadeiras da praça

Odes cantam nos ramos os bilo-bilana
e na surdina das tímidas meias-palavras
e subentendidos silêncios
ansiosos todos esperamos
indolentes as flores
da nossa comum Primavera.


Legenda: desenho de Rui Knopfli em Notícias do Bloqueio, Agosto de 1959