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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

OLHAR AS CAPAS


Derrota Pairante
9º Volume de Dias Comuns

José Gomes Ferreira
Capa: Rui Garrido
Publicações Dom Quixote, Lisboa, Março de 2018

4 de Maio de 1970

O Zé Fafe (José Fernandes Fafe):
Não vejo qualquer saída para o socialismo no mundo ocidental onde o capitalismo já ganhou a partida… quanto aos partidos comunistas é visível que não querem fazer a revolução… Pretendem apenas durar.
O capitalismo ganhou a partida, provisoriamente – claro.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

POSTAIS SEM SELO


O que me resta é regressar à vida, amá-la delicadamente, como os mortos – se os mortos pudessem reviver.

José Fernandes Fafe

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

POSTAIS SEM SELO


Quando se é escravo até as flores pesam.

José Fernandes Fafe, de um poema dedicado a Diego Rivera em Poesia Amável.

Legenda: Diego Rivera

JOSÉ FERNANDES FAFE (1927-2017)


Morreu JoséFernandes Fafe, escritor e diplomata.

Sofreu um AVC no dia 1 de Fevereiro, depois de, na véspera, celebrar 91 anos.

Foi o primeiro embaixador português em Cuba nomeado por Mário Soares, então ministro dos Negócios Estrangeiros.

A propósito, ler o texto que o embaixador Francisco Seixas da Costa escreveu no seu blogue Duas ou Três Coisas.

A produção literária de José Fernandes Fafe inclui mais de duas dezenas de obras, de poesia, teatro, romance e ensaio. Uma das suas obras mais conhecidas - Annie: uma portuguesa na revolução cubana - centra-se na biografia de Ana ("Annie") Silva Pais, a filha do último diretor da PIDE, Fernando Silva Pais, que foi para Cuba em 1963 acompanhando o marido e se apaixonou pela revolução cubana.

Um poema de José Fernandes Fafe tirado de Poesia Amável:

Poente

Compreende-se tudo,
de repente:

São oito séculos a ver o Sol morrer
afogado no mar,

diàriamente.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

À VOLTA DO DISCO DO ZÉ GOMES


Cuidava que nos meus dossiers de papelada, tinha uma qualquer crítica ao disco do José GomesFerreira.

Não a encontrei.

Porventura nunca existiu.

No catálogo da Exposição, Novembro de 2000, o disco é apenas referido, não existindo reprodução da capa.

O mesmo na Fotobiografia

Para a história ficam apenas as fugazes referências que José Gomes Ferreira coloca nos Dias Comuns.

Quando por qualquer motivo tenho que consultar dossiers, amiúde me perco.

O que seriam breves minutos de procura, transformam-se em horas.

Assim, acabei por entrar nos recortes que referem a morte do José Gomes Ferreira.

Um dia virás
Tu-que.não-sei-quem-és,
Com leveza de gás
No silêncio dos pés

O Herberto Helder tem uma frase em Os Passos em Volta:

E é na morte de um poeta que se principia a ver que o mundo é eterno.

O José Gomes Ferreira costumava dizer:

Quando eu morrer isto vai ser uma desgraça: nunca mais ninguém me lê!

No fundo, sabia que seria assim.

E, no entanto:

Senhor Deus que não tenho! O trabalho que me deu a tornar poeta!

Nos dias que correm, poucos lêem José Gomes Ferreira.

Muitos, mesmo muitos, nem sequer, de nome, o conhecem.

Aquando da sua morte, escreveu Mário Dionísio:

Leiam-no, releiam-no e se, depois disso, não se sentirem outros, mais ricos, mais indignados e mais generosos, mais felizes por serem homens, mesmo num mundo de larvas e de monstros, suicidem-se são extremistas, ou, pelos menos, vão consultar o médico porque qualquer coisa está gravemente doente.

É comovente a notícia que Fernando Assis Pacheco escreveu par o JL:

Tenho saudades de José Gomes Ferreira porque era bom e alegre e tratava os mais novos com delicadeza. Das duas vezes que o entrevistei por coisas literárias, ficou-me a mesma imagem: de um senhor fluente, despedindo palavras à velocidade da memória ágil, perguntando sempre se me estaria a maçar com essa tralha toda, histórias, perfis de amigos desaparecidos, breves anedotas, e dizendo de si próprio, velho “leitmotiv”, tenho a idade do século, sou do tamanho do século.

Na sua evocação José Fernandes Fafe, lembra:


 Houve um tempo em que ele foi o meu amigo mais próximo.
Até que saí de Portugal. Nas férias não deixava de o procurar , mas, naturalmente, os contactos espaçados deslaçaram um pouco a nossa intimidade.
Um dia, numa dessas visitas, chamou-me à parte para me dizer:
- Muito obrigado.
- Obrigado porquê?
- Eu sei que o Fafe pensa de maneira diferente da minha. E quero agradecer-lhe a delicadeza de fazer como se o ignorasse…
- Ó Zé Gomes!... Ó Zé Gomes! Não nos temos nós por pessoas civilizadas?

Legenda: fotografia de Nuno Calvet publicada no disco de José Gomes Ferreira.

sábado, 19 de dezembro de 2015

POSTAIS SEM SELO


O que me resta é regressar à vida, amá-la delicadamente como os mortos.
Se os mortos pudessem falar.

José Fernandes Fafe

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

OLHAR AS CAPAS


Poesia Amável

José Fernandes Fafe
Prefácio: José Gomes Ferreira
Colecção Poetas de Hoje nº 11
Portugália Editora, Lisboa, Outubro de 1963

Se não tivesse sido a esquadra americana, que fez esgotar a cerveja na cidade, eu não teria ido à outra banda beber um fino… Não nos teríamos encontrado, por conseguinte.
Mas, também, se o teu isqueiro não se tem avariado e a tua voz não fosse - até na adversidade! - manselinha (« - Por favor…» Nas comissuras dos lábios, tanto destino cruzado! - «Muito obrigado, Senhor…») sequer teria reparado em ti…
Qual é a explicação da tua voz? Herdaste-a de teus pais? De teus avós? De que Senhora Aónia és descendente?
«Poeta desempregado…» espalham para aí os teus. Mas se não fosse um poeta… quem te houvera de amar, ó minha feia? E empregado… como é que eu poderia, às quatro horas da tarde - numa quinta-feira - estar, digam-me lá, na outra banda?
Os marujos… e se eles eram cupidos… (crescidos, americanos, vestidos à marinheira…) que nos feriram com uma seta, teleguiada, certeira…

……………………………………………………………………………………

Foram as manobras da NATO…
Foi um isqueiro empanado…
Foram as voltas do Mundo…
Foi uma loucura (dizem os amigos)
… que engendrou - cegamente - o nosso encontro em Cacilhas.
Coisa tão bela e absurda como o aparecimento do Homem!

terça-feira, 28 de abril de 2015

NOTÍCIAS DO BLOQUEIO


Série de nove "fascículos de poesia" publicados no Porto, entre 1957 e 1961, sob a direção de Egito Gonçalves, Daniel Filipe, Papiniano Carlos, Luís Veiga Leitão, Ernâni Melo Viana e António Rebordão Navarro. Incluíam poesia empenhada, que se insurgia contra o mundo circundante (a violência, a injustiça, a falta de liberdade) e afirmava o valor da solidariedade com o próximo.
A designação da revista, retirada do título de um poema de Egito Gonçalves, publicado no 4.° fascículo de Árvore, remete para um programa de poesia de resistência, aludindo metaforicamente ao cerco a que estavam submetidos os intelectuais portugueses.
Sem apresentar texto programático, nem textos de crítica ou teoria poética, a publicação reúne criação poética de autores com opções estéticas diversas (além da direção, Jorge de Sena, Casais Monteiro, Miguel Torga, Afonso Duarte, António José Fernandes, Vasco Costa Marques, Mário Henrique Leiria, Maria Almira Medina, João Ribeiro Melo, Orlando da Costa, José Fernandes Fafe, António Reis, Daniel Filipe, Joaquim Namorado, João Rui de Sousa, Alexandre O'Neill, Mário Dionísio, Armindo Rodrigues, José Augusto Seabra, Pedro Alvim, Maria Teresa Rita, Gastão Cruz), mas que colaboram sistematicamente com composições subordinadas a um intuito de denúncia e combate. Cada fascículo incluía, ainda, nas últimas páginas, tradução de poetas estrangeiros (Brecht, Guillevic, Stephan Hermlin, Jorge Carreara Andrade, Jean Todrani, Nicolau Vaptzarov). Os fascículos 6 e 8 são dedicados a poetas moçambicanos e angolanos.

Da Infopédia, Porto Editora

Este é o poema Notícias do Bloqueio de Egito Gonçalves, do livro A Viagem com o Teu Rosto (1958) e reunido em Os Arquivos do Silêncio:

NOTÍCIAS DO BLOQUEIO

Notícias do Bloqueio

Aproveito a tua neutralidade,
o teu rosto oval, a tua beleza clara,
para enviar notícias do bloqueio
aos que no continente esperam ansiosos.

Tu lhes dirás do coração o que sofremos
nos dias que embranquecem os cabelos...
tu lhes dirás a comoção e as palavras
que prendemos - contrabando - aos teus cabelos.

Tu lhes dirás o nosso ódio construído,
sustentando a defesa à nossa volta
- único acolchoado para a noite
florescida de fome e de tristezas.

Tua neutralidade passará
por sobre a barreira alfandegária
e a tua mala levará fotografias,
um mapa, duas cartas, uma lágrima...

Dirás como trabalhamos em silêncio,
como comemos silêncio, bebemos
silêncio, nadamos e morremos
feridos de silêncio duro e violento.

Vai pois e noticia com um archote
aos que encontrares de fora das muralhas
o mundo em que nos vemos, poesia
massacrada e medos à ilharga.

Vai pois e conta nos jornais diários
ou escreve com ácido nas paredes
o que viste, o que sabes, o que eu disse
entre dois bombardeamentos já esperados.

Mas diz-lhes que se mantém indevassável
o segredo das torres que nos erguem,
e suspensa delas uma flor em lume
grita o seu nome incandescente e puro.

Diz-lhes que se resiste na cidade
desfigurada por feridas de granadas
e enquanto a água e os víveres escasseiam
aumenta a raiva
             e a esperança reproduz-se 


Esta é a canção Let My People Go cantada por Paul Robeson e referida no poema de Noémia de Sousa Deixa Passar o Meu povo