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segunda-feira, 8 de junho de 2020

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Este livro de José Pacheco Pereira, perto de 600 páginas, que divulga e historia uma parte importante da luta do povo português contra a ditadura de Salazar, é largamente ilustrado com as respectivas capas dos jornais clandestinos.
A mero título de exemplo publicam-se as capas de três exemplares dessas publicações periódicas.


Guerra à Guerra, impresso em Lund, Suécia, desde Maio de 1972 a Março de 1974, nº 1, Maio de 1972, responsabilidade dos Desertores Portugueses na Suécia.


Internationale Solidariteit, publicação em holandês do boletim do Socorro Vermelho Português, nº de Dezembro de 1972.


A Voz do Povo, editado na Suiça, depois em Paris, da responsabilidade dos Grupos de Estudo «Che» Guevara e o Povo Vencerá, nº 1, Ano I, Fevereiro de 1968.

OLHAR AS CAPAS


As Armas de Papel
Publicações periódicas clandestinas e do exílio ligadas a
Movimentos radicais de esquerda cultural e política
                                 (1963-1974)

José Pacheco Pereira
Temas e Debates, Lisboa, Março de 2013

A matéria que aqui é estudada, mergulhando nos anos sessenta e setenta do século passado, é também autobiográfica. Conheci de experiência direta – de a escrever, de a fazer, de a imprimir, de a distribuir – a imprensa clandestina radical. O impulso da revolta, os riscos da ilegalidade, a vida escondida, as tensões subjetivas, morais e éticas desses anos, a política no sentido mais lato de ação cívica pelo bem comum têm a ver com dilemas que sempre estiveram associados à ação cívica pelo bem comum têm a ver com dilemas que sempre estiveram associados à ação e ao pensamento. Isso fica sempre. Porém, a linguagem, o estilo, a narrativa, a «política» no sentido restrito desses anos está morta e bem morta. É um mundo póstumo, a que nos aproximamos como das ruínas, com saberes de arqueólogo. As duas coisas, as «boas» e as «más» ajudaram-me a escrever este livro, e fazem parte da «empatia» weberiana sem a qual ninguém perde milhares de horas da sua vida a fazer uma coisa destas.

sábado, 28 de março de 2020

DIÁRIO DOS DIAS DIFÍCEIS


Quantos dias de reclusão caseira já carregamos nos ombros?

Estou perdido nestas contas e já me estão a dizer que esta madrugada muda a hora.

É impossível voltarmos a ser os mesmos!

Deixei de colocar aqui canções.

Um certo receio de que, dado os dias que estamos a viver, algumas escolhas não fossem entendidas.

Vou-me ficar por trechos de música clássica.

Começo pelo 2º andamento do Concerto nº 2 de Rachmaninoff.

Descobri Rachmaninoff já tarde.  

Muito tempo fiquei agarrado aos clássicos do meu pai e o Rachmaninoff não estava por lá, e se o meu pai gostava de concertos de piano e orquestra.

Já não estou em grandes condições de afirmar algumas coisas, mas penso ter lido num dos livros do Jorge Silva Melo que é um dos mais extraordinários concertos da música clássica.

A fotografia  que encima o texto, é do Luís Calisto.


1.

A Ordem dos Médicos está a preparar um parecer sobre a tomada de decisões clínicas num cenário em que a epidemia nacional de Covid-19 chegue a um ponto de limite de rutura dos meios disponíveis, nomeadamente no suporte em cuidados intensivos.

2.

Semana a semana o negócio do alojamento local afunda-se, lê-se no Público.

3.

«Estimamos que 2,5 milhões de plantas e flores estão a ir para o lixo porque a vendas estão estagnadas. Há mais de 15 dias que as encomendas foram quase todas canceladas, e as toneladas que tínhamos produzido são para deitar fora»,  Victor Araújo, presidente da Associação Portuguesa de Produtores de Plantas e Flores Naturais.


4.

José Pacheco Pereira no Público de hoje:

«Como é que uma pandemia, com um vírus de uma família conhecida, altamente contagioso mas relativamente moderado nos seus efeitos, e com uma taxa de mortalidade baixa em geral, provoca este verdadeiro cataclismo social e económico, com o encerramento de quase todas as actividades produtivas, as cidades vazias, os transportes parados, milhões de pessoas confinadas em casa?»
5.

Os números negros:

Itália

10.023 mortos

Espanha

5.826 mortos

China

3.177 mortes

Irão

2.517 mortes

França

1.019 mortes.

Portugal

100 mortes

No mundo

30.420 mortes


6.


Esta é a capa da revista The Economist da semana passada.

O mundo fechou.

Não se sabe se para balanço, se para fecho da actvidade.

Não temos no mundo políticos que nos possam ajudar.

Temos tecnologias adiantadíssimas, mas não temos gente que nos ensine, nos conduza, nos diga o trivial.

Deixámos que se perdessem valores, que se perdessem afectos, deixámo-nos espartilhar, dobrar, enterrar no lodo.

Em cada segundo, corremos o risco de deixar a vida.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

AGREDIDOS PELO ACORDO


A regra é que os mais velhos traíram a memória da língua, e os mais novos vivem bem no mundo do Big Brother. O tecido cultural do país, agredido pelo acordo, não é feito de excepções mas sim da regra, e a contínua enunciação das excepções só serve para esconder a rera. Pode-se ser culto sem saber quem era Ulisses, ou Electra, ou Lear, ou Otelo, ou Bloom? Não, não pode. Como não se pode ser culto sem perceber a inércia, ou o princípio de Arquimedes. E, no caso português, sem ter lido umas frases de Vieira, ou saber quem era Simão Botelho, Acácio, o sr. Joãozinho das Perdizes, ou Ricardo reis, ele mesmo. E não me venham dizer que sabem outras coisas. Sabem, mas não chega, são menos, são diferentes, e não tem o mesmo papel de nos fazer melhores, mais donos de nós próprios e mais livres. Sim, livres, porque é de liberdade que se está a falar.

José Pacheco Pereira no Público

domingo, 9 de setembro de 2018

ETECETERA


Na passada sexta-feira abriu, nos jardins do Palácio de Cristal, a Feira do Livro de Porto que fechará stands no dia 23 de Setembro.

Nas muitas iniciativas dos organizadores da feira, consta a atribuição da Tília  que este ano homenageia José Mário Branco, um dos maiores nomes da Música Portuguesa.

José Mário Branco junta-se, como recebedor da tília, a Mário Cláudio, Vasco Graça-Moura, Agustina Bessa-Luís, Sophia de Mello Breyner Andresen.

José Mário Branco editou recentemente um duplo álbum de inéditos, datados de 1967 a 1999, quebrando um silêncio de vários anos.


ZECA

À boleia de José Mário Branco cabe trazer o registo de um triste episódio em que se viu envolvido o nome de José Afonso.

A incontrolável vaidade pessoal de José Jorge Letria, músico e cantor menor e hoje presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores, levou-o a declarar o compromisso de que os restos mortais de José Afonso deveriam ser transladados para o Panteão Nacional :

«É este o tributo e é esta homenagem que Portugal deve a quem como mais ninguém o soube cantar em nome dos valores da liberdade, da democracia, da cultura e da cidadania», lê-se no comunicado. Assumimdo a Sociedade Portuuesa de Autores assume publicamente o compromisso de lutar por este legítimo e inadiável ato de consagração que deverá coincidir com os 90 anos do nascimento [de José Afonso] e com os 45 anos do 25 de Abril.»

José Jorge Letra gosta de dizer que andou de braço dado com o Zeca mas, se verdade isso é, podemos dizer que não aprendeu NADA!

De imediato, os herdeiros de José Afonso, que ficaram surpreendidos com a proposta, rejeitaram a transladação dos restos mortais de José Afonso para o Panteão Nacional:

«José Afonso rejeitou em vida as condecorações oficiais que lhe haviam sido propostas. Foi, a seu pedido, enterrado em campa rasa e sem cerimónias oficiais, em total coerência com a sua vida e pensamento. Por isso, apesar da meritória intenção que inspira a proposta, é a sua vontade que deve ser respeitada.»

SLB


Sabe-se que o mundo do futebol é uma podridão generalizada.

Razão tinha o escritor Mário de Carvalho quando, há longo tempo, disse numa entrevista que «a maior alegria que me podiam dar era proibir a porcaria do joga da bola e meter na cadeia essa pardalada.»

José Pacheco Pereira no Público:

«O interessante e pouco surpreendente exercício de contenção de danos que sucessões de adeptos do Benfica, célebres, consagrados, eminentes juristas, e homens que só eles sabem quem são, fazem, com a cumplicidade activa da comunicação social reduzida a esta miséria, tem como objectivo dizer que, se houve ilegalidades, elas foram de um homem ou dois e não atingem o clube, nem essa coisa contraditória nos seus termos, chamada a “verdade desportiva”. Isto porque uma das sanções previstas, em absoluta teoria e em absoluta impossibilidade prática, inclui a proibição do clube jogar por uns meses e anos, ou ser despromovido para uma divisão inferior. A tese é que nenhum jogo foi ganho ou perdido, a célebre “verdade desportiva”, por causa de uma malfeitoria de espionagem ilegal ao sistema judicial e a várias bases de dados públicas, para obter informações sobre processos judiciais e dados sobre árbitros.
A questão é muito simples: na história da corrupção em Portugal há quatro componentes, três de cima, e uma de baixo. Completam-se como peças de um jogo, neste caso o jogo do nosso atávico atraso nacional. Nacional, português, nosso, que todos nós pagamos para alguns receberem. As três de cima são as dos grandes: a corrupção na política, nos negócios e no futebol, profundamente interligadas. A de baixo, é a pequena corrupção do dia a dia, que os portugueses praticam como quem respira e que, entre outras coisas, gera o pano de fundo para toda a corrupção, nem que seja pela fragilíssima condenação de ilegalidades quando são parecidas com as que os de baixo praticam. São tudo valentões contra a corrupção, no café e nas caixas de comentários e Facebooks, mas depois, como se vê no futebol, fecham os olhos tão forte que até dói.»

A FECHAR

«Lembrei-me de pedir a João Semedo que me contasse como tinha ido viver para o porto. Ele sorriu com a pergunta, deve ter coçado a cabeça no seu gesto típico e a resposta foi algo como: “o Partido precisava de gente no Porto” –m o Partido era então, o PCP – “e eu fui para o Porto”. Não havia na sua voz qualquer laivo de distanciamento em relação às razões dessa decisão, pelo contrário. João Semedo tornou-se profundamente um portuense e um homem que vivia a cidade do porto. Ter ido para o porto por militância partidária e cívica – uma coisa que hoje não se faz e quase ninguém imaginaria fazer – era provavelmente para ele a melhor razão para se ter tornado portuense».

Rui Tavares, artigo na morte de João Semedo, publicado no Público.

terça-feira, 26 de junho de 2018

POSTAIS SEM SELO



As claques de futebol dos grandes clubes são as únicas associações de criminosas que funcionam à luz do dia.


José Pacheco Pereira

domingo, 29 de outubro de 2017

ETECETERA


Preocupante a situação na Catalunha.

Em Barcelona, este domingo, realizaram-se manifestações pela unidade de Espanha marcadas por símbolos fascistas e por actos violentos.

O parlamento regional da Catalunha aprovou na sexta-feira a independência da região, numa votação sem a presença da oposição, que abandonou a assembleia regional e deixou bandeiras espanholas nos lugares que ocupavam.

Ao mesmo tempo, em Madrid, o Senado deu autorização ao Governo para aplicar o artigo 155º. da Constituição para restituir a legalidade na região autónoma.

O executivo de Mariano Rajoy, apoiado pelo maior partido da oposição, os socialistas do PSOE, anunciou a dissolução do parlamento regional, a realização de eleições em 21 de dezembro próximo e a destituição de todo o Governo catalão, entre outras medidas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, Alfonso Dastis, afirmou hoje que o líder catalão Carles Puidgemont, demitido por Madrid, poderá ser preso por ter participado no movimento independentista.

O chefe da diplomacia do Estado espanhol indicou que Puidgemont pode «em teoria» ser candidato nas eleições regionais marcadas para 21 de Dezembro por Mariano Rajoy, «se nessa altura não tiver sido posto na prisão».

O Partido Comunista Português, em comunicado, já criticou o Governo espanhol, acusando-o de «intolerância, autoritarismo, coação e repressão», e considerou que a solução para a Catalunha passa pela vontade do povo catalão.

«A questão nacional em Espanha tem de ser considerada com a complexidade que a história e a atual realidade daquele país encerram. A resposta a esta questão, designadamente na Catalunha, deve ser encontrada no quadro do respeito pela vontade dos povos de Espanha e, consequentemente, do povo catalão. São profundamente criticáveis as atitudes do Governo espanhol, na base da intolerância, do autoritarismo, da coação e da repressão.»

Lê-se, ainda, no comunicado:

«É evidente que, a coberto da actual situação, se promovem valores nacionalistas reacionários e tomam alento sectores fascistas franquistas, que durante dezenas de anos oprimiram os povos de Espanha.»

BELÉM & SÃO BENTO

É estranho que um político experiente, e hábil, como António Costa não se tenha apercebido que os incêndios que destruíram vidas e bens, necessitava de um outro discurso, que se não é por se mudar de ministro que as coisas também não se resolvem em manter uma ministra que já demonstrara não ter pulso para aguentar a embarcação.

A comunicação social está apostar numa eventual guerra entre o presidente da república e o primeiro-ministro.

A situação entrou nnaquele campo das conferências de imprensa futebolísticas: um jornalista disse ao presidente que o governo ficara em estado de choque com o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa em Oliveira do Hospital e este respondeu de imediato que quem ficara chocado tinha sido o país.

É importante que impere o bom senso, que se coloquem de lado guerrinhas que nada trazem de positivo.

OUTRAS PREOCUPAÇÕES

O primeiro ministro da Hungria, Viktor Orban, disse no início desta semana, que a Europa Central é a última «zona livre de migrantes» e que a união entre países como a Hungria, Polónia e República Checa permite travar a globalização e as migrações em massa.

Ensurdecedor o silêncio da União Europeia face a estas declarações.

Entretanto na Áustria,  a extrema-direita está perto de voltar a integrar um governo. O partido de extrema-direita aceitou negociar com Sebastian Kurz e exigiu à cabeça a pasta de ministro do Interior.

CR7

O português mais conhecido em todo um mundo é um futebolista.

José Pacheco Pereira dixit.

E JÁ IAM NO QUARTO DRY-MARTINI...

Uma deliciosa história contada por Manuel S. Fonseca:

Garson Kanin, um belíssimo argumentista e um  bom realizador menor (era assim que eu falava quanto tinha carta de condução de intelectual), convidou Barrymore para ser o protagonista de The Great Man Votes, filme sobre um professor alcoólico em risco de perder a custódia dos seus dois filhos, depois da morte da mulher, que o lança em funda depressão.
Foram, Garson e John, jantar. Tinham avisado Kanin de que Barrymore, com a idade e o peso da realeza, era um tipo difícil. Mas John pareceu-lhe feliz e beberam antes, como aperitivo, um dry-martini. Trouxeram o menu, Barrymore nem o abriu, mas pediu um segundo cocktail. Conversa animadíssima e vibrante e já iam no quarto dry-martini, sem que Barrymore olhasse sequer para o menu.
Kanin sentiu que tinha obrigação de o pressionar e evitar que o grau de alcoolémia chegasse ao céu. “Mr. Barrymore, talvez seja altura de escolhermos o que vamos comer…” Barrymore, susceptível embora, respondeu-lhe com elegância: “Meu rapaz, quando chegares à minha idade vais descobrir que uma das piores coisas que podes fazer é começar a comer com o estômago vazio!”

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

EPHEMERA


Em Outubro, começará a ser transmitido na TVI 24, com periodicidade semanal,  «Ephemera», um programa de José Pacheco Pereira, a partir da vastíssima colecção de objectos, documentos, jornais e livros que estão guardados no Arquivo-Biblioteca que o autor possui na Marmeleira.
A «Ephemera» recolhe, trata, inventaria, divulga materiais sobre a história cultural, social, económica e política de Portugal e internacional. Para além das instalações na Marmeleira tem pontos de recolha e de trabalho em Lisboa (Livraria Ler Devagar, na LX Factory), no Porto (numa sala cedida pelo Instituto de Investigação em Design, Media e Cultura da Universidade do Porto, e na galeria Mira Forum), em Torres Vedras e em Viana do Castelo (no Café Girassol e numa sala da Associação de Comerciantes).

domingo, 18 de junho de 2017

POSTAIS SEM SELO


O que é mais grave nesta questão dos fogos é que há muito tempo que depois de cada fogo, em particular os que levam vidas humanas, há uma discussão recorrente, e um eflúvio legislativo, sobre o que é preciso fazer para alterar as características da floresta portuguesa, e as medidas de prevenção necessárias, o aumento de penas para os incendiários, com bastante unanimidade de técnicos e especialistas e autarcas e políticos nacionais e membros do governo. E, no entanto, fogo a fogo, muito pouco se faz, ou pelo menos o que se faz parece estar longe de resolver, quanto mais minimizar o problema.

José Pacheco Pereira no Público

sábado, 20 de maio de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO


Ninguém o disse melhor que o senhor Presidente da República, que afirmou que “a vitória na Eurovisão deu 'mais 20 centímetros' aos portugueses”. Sim, excelente, andamos todos com mais 20 centímetros, mas onde é que está o metro e meio que perdemos como nação há 20 anos para cá, com a perda de poderes do Parlamento português, com a assinatura de tratados como o Orçamental, com a subjugação a um modelo de crescimento medíocre em nome das “regras europeias”, com acordos como o Acordo Ortográfico, que fez proliferar as normas da ortografia do português, em vez de as unificar, ficando nós com a mais pobre, com os cortes no ensino da língua e da projecção da cultura, com a ênfase na diplomacia económica e o definhar das instituições como o Instituto Camões?
O mais grave de tudo é que os 20 centímetros que o Salvador Sobral trouxe são em grande parte mérito dele, e o metro e meio que perdemos é demérito nosso. Foi o resultado de uma política de dolo que a União Europeia usou, com destaque para ao Tratado de Lisboa, que tirou às escondidas e sem debate público poderes que ninguém conscientemente deu à União, em detrimento da soberania nacional, foi o resultado dos desastres de Sócrates que nos levaram ao resgate e da política para forçar eleições em 2011 do PSD, foi o resultado da nossa apatia cívica face ao que é verdadeiramente importante, em contraste com as excitações futebolísticas. Foi o resultado de um sistema político no qual a dimensão cultural, histórica e expressiva da língua e da sua ortografia foi deitada ao lixo, por uma espécie de engenharia diplomática que se revelou um desastre, ficando todos pior do que o que estavam.


José Pacheco Pereira no Público

sexta-feira, 3 de março de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO


Salazar quis que o destino dos portugueses teria de ser pobre, humilde e melancólico.

Entendia que o luxo da cultura era uma afronta à mediocridade e à claustrofobia.

Nada é mais perigoso que um país sem memória.

O enorme buracão que é o BES, toda a banca portuguesa, é algo que, com toda a certeza, não será desvendado nos próximos cem anos.

Verdade ou mentira, já nem quero saber: veio nos jornais que o Grupo Espírito Santo terá distribuído mais de 90 milhões de euros por políticos e gestores de empresas. Mais de metade desse dinheiro terá ido para Zeinal Bava e Henrique Granadeiro. O Ministério Público acredita que os antigos gestores da PT receberam, no total, 48 milhões de euros por alegado favorecimento do GES em vários negócios.

De Ricardo Salgado dizia-se que era o dono disto tudo, dos outros dois dizia-se que eram os maiores gestores do planeta e arredores.

Há ainda a novela Caixa Geral de Depósitos, há agora o caso dos Offshores.

Há um ex-presidente da República que, por mera vingança, desata a divulgar as conversas que um ex-primeiro teve com ele  nas quintas-feiras de Belém.

Há ainda tanta coisa de uma gravidade de que não se consegue apurar o mínimo sinal.

A nossa política é uma pegada aldrabice, um vómito.

Relembro o que José Pacheco Pereira escreveu há dias:

… é uma afronta para os portugueses tomá-los por parvos!

Ou José Rodrigues Miguéis em Outubro de 1979:

«Nações pobres» são em geral as que se deixam governar e explorar por quadrilhas minoritárias de tiranos supostamente escudados numa qualquer doutrina ou ideologia, cuja finalidade real é sobretudo o «venha-a-nós-o-vosso vintém».

Que fazer?

Só me lembro do Manuel Bandeira:

Vou-me embora pra Pasárgada onde a existência e uma aventura.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

TUDO LANCHONETES


No Norte há cafés, no Sul há pastelarias, mas são tudo lanchonetes. Chegados à hora do almoço, expulsam toda a gente para pôr as toalhas de papel e servir coisas inenarráveis. Num café junto ao mar, onde estou agora, há muitos anos vi José Régio, encarquilhado, implodido na sua pequenez, a ler um jornal e a tomar um café. Tudo era hábito, tudo normal. Eu gostava pouco de José Régio. Tinha um grande título, Davam Grandes Passeios ao Domingo, e quase mais nada. Tinha lido alguma coisa dele e sempre com um enorme enfado, como a Benilde ou a Virgem Mãe. A presunção ataca muito a certas idades.

José Pacheco Pereira no Abrupto

Legenda: pintura de Joan French Sloan

sábado, 5 de outubro de 2013

NOTÍCIAS DO CIRCO


NOVO resgate.

Vem? Não vem?

Ao Pedro ter-lhe-á saltado a boca para a verdade quando durante a campanha eleitoral autárquica, chegou a dizer que, ou os eleitores se portavam bem ou um novo resgate viria a caminho.

O Paulo franziu o nariz, Durão Barroso disse não saber de nada, o ministro  Bernardo três vezes disse que não!, mas Bruxelas já vê segundo resgate como largamente inevitável

A capa do Público do passado sábado batia na tecla.

O PACHECO PEREIRA escreveu que, na segunda-feira a seguir às eleições, iríamos acordar mais perto do inferno:

Por que é que, dois anos depois de duros sacrifícios, estamos pior do que à data do memorando, por que é que nenhum objectivo do memorando foi atingido, por que é que o Governo falhou todos os valores do défice e da dívida, porque é que o desespero é hoje maior, a impotência mais raivosa, o espaço de manobra menor, isso ninguém nos explicará do lado do poder. Vai haver um enorme atirar de culpas, à troika, do PSD ao CDS ao PS, à ingovernabilidade atávica dos portugueses, aos sindicatos comunistas, aos juízes conservadores do Tribunal Constitucional, e o ar ficará denso de palavras de raiva e impotência. Mas "vamos no bom caminho", dirá o demónio de serviço à barca do Inferno. Depois de amanhã ouviremos essas palavras.

A SEMANA foi dominada pelas eleições autárquicas.

Já tudo foi dito.

Apenas umas notas avulsas:

A abstenção atingiu 47,4%.

Os brancos votos e nulos atingiram 6,82.

Os votos brancos atingiram 3,87% e os nulos 2,95%.

Os votos nulos são-no por motivos diversos. Mas os brancos dizem-nos que milhares de eleitores, num dia de chuva, deixaram o remanso dos lares para lavrarem o seu protesto.

Lembram-se do Ensaio Sobre a Lucidez de José Saramago?

O assombro do voto em branco.

Como foi possível levar a maioria da capital a votar em branco?

Se não leram, façam-no.

CENTENAS DE CARROS de apoiantes do Movimento Isaltino, Oeiras Mais à Frente foram festejar a vitória de Paulo Vistas para a Câmara de Oeiras junto ao Estabelecimento Prisional da Carregueira, onde Isaltino Morais se encontra preso por crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Lá dentro, Isaltino, fumava um charuto e bebia champanhe.

A TVI assinou o programa mais visto da noite: a gala de estreia da inenarrável  Casa dos Segredos, com 1,7 milhões de espectadores.

 A PRESIDENCIAL PESSOA, tristemente como é seu timbre, fez questão de afirmar, face aos resultados das autárquicas, que não se podem tirar conclusões sobre a governação do país, é claro que dizem respeito a cada junta de freguesia do nosso país, a cada concelho do nosso país.

Antes chamara masoquistas a certos políticos e comentadores quando dizem que a dívida do pais não é sustentável.

Ainda o inquilino de Belém, uma entrevista ao numa entrevista ao diário sueco Dagens Nyheter:

Portugal já saiu da recessão e apresenta o maior crescimento de toda a Europa.