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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

POSTAIS SEM SELO


Se a literatura salva? Não, não salva. Mas se ela se extinguir, extingue-se tudo.

Albert Camus, em Os Justos

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

AS FÉRIAS E OS LIVROS


Na peugada do não ter tempo para ler, vêm sempre os livros para férias.

As pessoas passam os dias do ano com a desculpa que não têm tempo para ler, mas arranjam sempre tempo para se atascarem de lixo televisivo.

Há tempo para ler, basta o gosto de… a vontade.

Não há livros para férias, há livros para todo um ano.

Ler dá trabalho, é certo.

O destino dos livros para férias é regressarem a casa cheios de areia e não lidos.

Muita gente que não tem hábitos de leitura alega falta de tempo para não ler.

Pois bem: há muitas desculpas mais válidas, entre elas ser preguiçoso ou simplesmente não querer dar-se ao trabalho de exercitar o cérebro.

Não é, porém, por falta de tempo que não se lê.

Agustina Bessa Luís, no seu Caderno de Significados, diz o que fazer com os livros para férias, ela, que a páginas 49, declarou que não gosta de férias:

Um livro para férias não deve ser escolhido. O que se escolhe serve à personalidade, e as férias são o pretexto para sermos impessoais, fazer o que muitos fazem, ir para onde muitos vão. Pegue num livro que não pese mais de 200 gramas e leve-o consigo. Leia três páginas, esqueça-o na gare ou no banco das termas, na praia ou no restaurante, e aí, sobretudo, aí tenha a certeza que é o bom livro para férias; se você não tiver pena de o ter perdido.

Legenda: foto Loveless

terça-feira, 23 de junho de 2015

OLHAR AS CAPAS


Um Eremita em Paris

Italo Calvino
Tradução: José Colaço Barreiros
Capa: Fernando Mateus
Editorial Teorema, Lisboa, s/d

Agora devo ter mudado qualquer coisa, só escrevo bem num local que seja meu, com livros ao meu alcance, como se tivesse sempre necessi9dade de consultar não se sabe bem o quê. Talvez não seja pelos livros em si, mas por uma espécie de espaço interior que eles formam, quase como se me identificasse a mim próprio como uma minha biblioteca ideal.
No entanto, uma biblioteca minha nunca consigo tê-la junta: os livros tenho-os sempre uns para cada lado; quando preciso de consultar um livro em Paris é sempre um livro que eu tenho em Itália, quando em Itália tenho de consultar um livro é sempre um livro que tenho em Paris. Esta necessidade de consultar livros ao escrever é um hábito que ganhei digamos há uma dezena de anos; dantes não era bem assim: no que eu escrevia, tudo tinha de vir da memória, tudo fazia parte do vivido. Até qualquer referência cultural tinha de ser algo que eu trazia cá dentro, que fazia parte de mim mesmo, senão não entrava nas regras do jogo, não era material que eu pudesse pôr na folha. Em contrapartida agora é exactamente o contrário: até o mundo se tornou uma coisa que eu consulto de quando em quando, e entre esta estante e o mundo lá fora já não há aquele salto que parece existir.

domingo, 3 de maio de 2015

POSTAIS SEM SELO


Escrever, ler ou adquirir um livro é sempre um acto de inteligência. Deve ser por isso que se vendem tão poucos livros.

William Saroyan

quarta-feira, 1 de abril de 2015

POSTAIS SEM SELO


Há aqueles que não podem imaginar um mundo sem pássaros; há aqueles que não podem imaginar um mundo sem água; ao que me refere, sou incapaz de imaginar um mundo sem livros.

Jorge Luís Borges

quinta-feira, 26 de março de 2015

NAS BELAS LIVRARIAS DE BARCELONA


Nas belas livrarias de Barcelona
serpenteando, taciturno, pelo labirinto de estantes
dei-me conta que morreras.

Não mais te levarei livros, pai,
nem caminharás, fumando, pelas ramblas.
Não te perderás nos odores da cidade velha,
nem beberás cerveja pelas esplanadas.
não te indignarás pela infantil monarquia
e seu infantes e infantas de opereta.
Não levantarás escárnio sobre a soberba imobiliária
da burguesia catalã
nem clamarás contra Franco e a aviação ítalo-alemã
e seus mortos dilacerados, pessoas e cavalos, aqui,
na Praça da Catalunha.

Não, tu já não habitas os cafés do Porto,
fechado na lenta música do teu silêncio.
Já não abres, ardendo, os livros
página a página(tua fronte
sustentada em frágeis mãos, magros dedos;
teu barro trabalhado nos sulcos da face;
tua inquietação muda, resignada;
- teu olhar de ternura pelo mundo).

Que alucinação, imagina, sofri
ao passar noutro dia nesses cafés,
de saber-re ausente e ainda assim ver-te,
qual anjo adormecido no côncavo das palavras.

Morreste, pois deixaste de ser visto.
Mas jamais me reconciliarei com a tua morte
e esquecer não é o meu ofício.


João Teixeira Lopes

Barcelona, 5 de maio de 2011

Colocado por Nicolau Santos na sua coluna de Economia no Expresso s/d

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

ANOS DE OBSCURANTISMO, LEMBRAM-SE?


Eram duras e variadas as dificuldades com que as revistas de cultura, como a Seara Nova, a Vértice, O Tempo e o Modo, viviam em tempos da ditadura.

A maior parte dos livros editados por essas revistas não chegavam às livrarias.

Com medo da actuação da PIDE, muitas recusavam-se a recebê-los.

Era através dos seus assinantes que os livros eram divulgados e vendidos.

Assim aconteceu, por exemplo, com A Praça da Canção, editada pela Vértice.

Posteriormente, a Ulisseia fez uma 2ª edição que, de imediato, na sua quase totalidade, foi apreendida pela PIDE.

Mas havia livreiros que tinham o cuidado de esconder livros que, de antemão, sabiam que seriam alvo da actuação da sinistra polícia.

Em Lisboa, A Barata foi um bastião dessa luta.

Em Braga, a Livraria Victor, propriedade do escritor Victor de Sá.


Há outros exemplos em cidades como Coimbra, Porto, Setúbal, Faro.



 Este é um dos exemplos das dificuldades que a Seara Nova – e não só! – enfrentava: a regularização do pagamento das assinaturas.

À data deste aviso, publicado na Seara Nova n º 1465 de Novembro de 1967, seis escudos era o preço de cada número da revista.

 O que se segue, é um outro tipo de dificuldades vividos naquele tempos.

Veio publicado na Seara Nova nº 1480 de Fevereiro de 1969.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

POSTAIS SEM SELO


Chega-se a ser grande por aquilo que se lê e não por aquilo que se escreve.

Jorge LuísBorges

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

POSTAIS SEM SELO


Li mais livros do que bebi canecas de cerveja, embora tivesse nascido num país dessa ambrósia de primeira qualidade.

Jorge Listopad

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

OPUS NIGHT


Opus Dei?
Antes Opus Night que, por sinal, é um personagem dos contos de A Cavalo no Diabo do José Cardoso Pires
Gente que, eternamente, não se enxerga.
Esta gente vive nas trevas seculares.
Nem o reino dos céus os aguarda!
O texto encontrei-o no Horas Extraordinárias de Maria Rosário Pedreira:

A Idade Média já foi, mas parece que deixou rasto até hoje. Leio num jornal que existe um novo Index, uma lista negra de livros e autores banidos pela Opus Dei, que proíbe terminantemente os seus membros de os ler. Entre eles, está, evidentemente, Saramago e os seus Evangelho Segundo Jesus Cristo e Caim; mas, se pensava que eram só os livros que de algum modo provocam a Igreja católica a estar no rol, desengane-se, porque são mais de 30 000 os títulos dele constantes – e alguns são de pasmar, como O Primo Basílio, de Eça de Queirós, ou O Dia dos Prodígios, de Lídia Jorge. A Sociedade Portuguesa de Autores já repudiou a lista, no que ela tem de atentado à liberdade de expressão, e o mesmo fizeram os autores visados que acharam que a Opus Dei devia ter vergonha de nomear livros para a fogueira no século XXI. Porém, os especialistas em Direito defendem que, do ponto de vista legal, a lista é inatacável e que, por isso, o Estado não pode aplicar sanções. Mas imagine-se que a organização proibia os seus membros de ler Os Maias, que faz parte das metas curriculares e é de leitura obrigatória pelos alunos. Os jovens filhos de membros da Opus Dei prefeririam chumbar a desobedecer aos pais? Está tudo louco, digo eu.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

POSTAIS SEM SELO


A vida em sociedade torna-se estranha quando nos aproximamos dos 60 anos; eu falo de livros que os outros não leram e os outros falam de livros que eu não tenho nenhuma vontade de ler.


Legenda: Jean Seberg em À Bout de Souffle

domingo, 28 de dezembro de 2014

POSTAIS SEM SELO


Portugal vive empenhado em pagar direitos de autor a cavalheiros que escrevem uns livros vagamente parecidos com romances, e as senhoras que – se vivessem noutra época – resolveriam o problema com uma ida mais frequente ao confessionário. Diante do vastíssimo número de escritores de hoje em dia, o velho doutor Homem, meu pai, colocaria a hipótese de chamar pela polícia de costumes, uma velharia já no seu tempo. Mas a intenção fica. A vida não acaba, como filosoficamente considerava o tio Alberto, mas os escritores multiplicam-se bravamente. Por mim, leio cada vez mais devagar e tenho de escolher os livros da mesa-de-cabeceira.


Legenda: fotografia de Noé Sendas

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

OS EFEITOS DA LITERATURA


Interessei-me por este tema por causa do homem que assassinou JohnLennon. Ele dizia que fez o que fez por causa do romance À Espera do Centeio, de J.D. Salinger. Li o livro que é fabuloso, e não encontrei motivos para se matar uma pessoa.

Tiago Patrício

domingo, 7 de dezembro de 2014

POSTAIS SEM SELO


Ler exige saber ler.

Frei Bento Domingues

Legenda: pintura Vieira da Silva

terça-feira, 18 de novembro de 2014

OLHAR AS CAPAS


Como Um Romance

Daniel Pennac
Tradução: Francisco Paiva Boléo
Capa: João Machado
Edições Asa, Porto, Maio de 1993

E se não é a televisão ou o consumismo universal, é a invasão electrónica; e se a culpa não é dos joguinhos electrónicos, é da escola: a aprendizagem aberrante da leitura, o anacronismo dos programas, a incompetência dos professores, a decrepitude das instalações escolares, a falta de bibliotecas.
E que mais?
Ah, é verdade, o orçamento do Ministério da Cultura,,, uma miséria. E ainda por cima, nesta bolsa microscópica, a parte infinitesimal que é atribuída ao «Livro».
Nestas condições, como quer você que o meu filho, a minha filha, os nossos filhos, a juventude, leiam?
- Aliás, os franceses lêem cada vez menos…
-É verdade.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

POSTAIS SEM SELO


Não há livro de instruções para salvar a vida: só a literatura se aproxima desse imenso livro.
Lídia Jorge
Legenda: pintura de Van Gogh.

domingo, 12 de outubro de 2014

ONDE MAIS SE TRABALHA E ONDE MENOS SE LÊ


Não há dinheiro para a educação, para a saúde, para tanta coisa mais
.
Como poderia haver dinheiro para a cultura?

Quando ouço falar de cultura puxo logo da pistola, convém não esquecer
.
João César Monteiro dizia que a primeira condição para, em Portugal, se ser secretário de Estado da Cultura, é distinguir uma vaca de um boi.

Afonso Cruz deixou esta história no JL:

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

UTILIDADES


Um achado de pin que o Miguel nos trouxe do Canadá.

sábado, 13 de setembro de 2014

OLHAR AS CAPAS


Caderno de Significados

Agustina Bessa-Luís
Selecção, organização e fixação de texto: Alberto Luís e Lourença Baldaque
Edição Babel, Lisboa, Outubro de 2013

Tempos áureos em que ler um livro era uma descoberta ao mesmo tempo simples e maravilhosa. Creio que James Joyce fala da deliciosa emoção de temas como A Filha do Capitão, de Pouchkine. A banalidade era de uma indescritível sedução, com tantos bandidos, mulheres indefesas, duma juventude eterna e cabelos que não embranqueciam. Agora, esse prazer acabou; não leio mais com nervosismo as peripécias dos grandes folhetinistas, nem os piratas de Mindanau me fazem impressão. Salgari, os contistas russos, a melancolia da história sem objectivo, tudo isso não tem mais lugar na minha vida. Agora inclino-me para livros sábios e astuciosos; mas não gosto deles. O prazer tem que nos intimidar, para ser sincero. Os livros já não me intimidam; quer dizer que não me alegram nem fazem chorar. São panfletos ou são tratados, mas já não são aquele livro que se lia depressa, comendo maçãs, e deixando ao acaso a alma em que o segredo suspira

sábado, 6 de setembro de 2014

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


Rua do Carmo, em Lisboa, anúncio à Livraria Assírio & Alvim.