Mostrar mensagens com a etiqueta Luís Veiga Leitão Poemas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Luís Veiga Leitão Poemas. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

OLHAR AS CAPAS



Longo Caminho Breve
Poesias Escolhidas 1943-1983

Luís Veiga Leitão
Prefácio: Fernando Guimarães
Imprensa Nacional/Casa da Moeda, Lisboa s/d

Quem Escolhe o Caminho das Pedras


Quem escolhe o caminho das pedras
foge à fascinação do fácil

Quem escolhe o caminho das pedras
sabe de cor a cor do sangue

Quem escolhe o caminho das pedras
nada quer para tudo ser

Quem escolhe o caminho das pedras
ama o amor na raiz do lume

Quem escolhe o caminho das pedras
equilibra-se nos fios da morte

quinta-feira, 10 de maio de 2018

OLHAR AS CAPAS



Poesia Completa

Luís Veiga Leitão
Organização: Luís Adriano Carlos e Paula Monteiro
Apresentação crítica: Luís Adriano Carlos
Capa: Armando Alves
Colecção Terra Imóvel nº 12
Edições ASA, Porto, Setembro de 2005

Testamento

Abre os olhos – o sol é teu.
Mergulha as mãos – a água é tua.
Deixo-te o sol, o mar, o céu
que pousa no beiral da nossa rua.
E os trigais do dia que desponta
e as flores da terra que me cobre.
Toda a riqueza milenar, sem conta,
de mais um poeta pobre.

Deixo-te as palavras que não gritaram
estranguladas pelo nó do medo;
e as outras, fuziladas, que tombaram
nos pátios do degredo.
E os sonhos por abrir; hoje, no sono
dos séculos que chamaram eterno.
Toda a Primavera, todo o Outono,
das minhas árvores de Inverno.
E a luta que fundiu meu coração
num canto que sangrou nesta certeza:
Depois de mim virás, ó meu irmão!,
mais claro e limpo de tristeza.

1955

domingo, 18 de fevereiro de 2018

OLHAR AS CAPAS


Sonhar a Terra Livre e Insubmissa

Egito Gonçalves/Luís Veiga Leitão/Papiniano Carlos
Desenho de Augusto Gomes, Vinheta de José Rodrigues
Capa: Armando Alves
Colecção Duas Horas de Leitura nº 16
Editorial Inova, Porto, Fevereiro de 1973

Carta


Lanço as palavras ao papel
como pescador calmo
lança os barcos ao rio.
Só no fundo, no fundo inviolado,
contraio e espalmo
as minhas mãos, mãos de afogado
morrendo à sede.

– Meu amor estou bem –

Quanto te escrevo,
ponho os olhos no teu retrato
pendurado nos ferros da minha cama
para que as palavras tenham o sabor exacto
de quem me ouve,
de quem me fala,
de quem me chama.

«Meu amor estou bem »

Ontem vi a Primavera
numa flor cortada dos jardins.
Hoje, tenho nos ombros uma pedra
e um punhal nos rins.

«Meu amor estou bem »

Se a morte vier, querida amiga,
à minha beira, sem ninguém,
hei-de pedir-lhe que te diga:

«Meu amor estou bem » 

sábado, 26 de agosto de 2017

OLHAR AS CAPAS


Ciclo de Pedras

Luís Veiga Leitão
Prefácio: Fernando Guimarães
Colecção Poetas de Hoje nº 16
Portugália Editora, Lisboa, Maio de 1964

Segredo

Lá, na última das celas
nódoa negra de açoites,
não há dias, não há noites
porque as as noites têm estrelas.

Lá, só na sombra que dói.
Sombra e brancura de um osso
que o preso remói, remói
no fundo do seu poço.

Lá, quando o vierem buscar
amanhã, depois ou logo,
terá na alma mais um fogo,
mais uma chama no olhar.

domingo, 18 de dezembro de 2011

NATAL È UMA VOZ CIRCULAR


Natal é uma voz circular
calor de um ovo na palha dos ninhos
e música de flautas habitando
a solidão dos caminhos.

Luís Veiga Leitão em Poesia Completa, Edições Asa, Porto, Setembro 2005

Legenda: pormenor do presépio da Igreja de São José, em Lisboa, atribuído à escola Machado de Castro. Fotografia de Massimo Listri.

sábado, 17 de dezembro de 2011

NATAL É RENASCER


Natal é renascer
Homem ou pedra que se esconde
Renascer e nascer mudando
O tempo e o lugar onde

Luís Veiga leitão em Poesia Completa, Edições Asa, Porto, Setembro 2005

Legenda: pormenor do presépio da Sé de Lisboa atribuído a J. Machado de Castro. Fotografia de Massimo Listri.