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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

POSTAIS SEM SELO


Lembro-me de ter lido um texto do Turner, o teórico, em que ele diz que é extraordinário que sendo as nuvens uma coisa tão fascinante as pessoas reparam muito pouco nelas.

Mário Cláudio

sexta-feira, 17 de março de 2017

FOI HÁ 50 ANOS




Já está à venda uma nova edição de O Canto e as Armas de Manuel Alegre, comemorativa dos 50 anos da 1ª edição.

No meu exemplar pode ler-se:

Este livro edição do autor foi composto e impresso em Novembro de 1967 na Tipografia do Carvalhido no Porto.

A capa, composta a partir de uma fotografia de Eduardo Gageiro, não tem indicação de autor.

Deste livro, Adriano Correia de Oliveira, retirou poemas, musicou-os, e ao álbum não teve qualquer dúvida em dar-lhe o mesmo nome do livro.

A primeira faixa do álbum, E de Súbito um Sino, é também o primeiro poema do livro, cujos primeiros versos são ditos pelo actor Ruy Mendes:

Eis como tudo
entra de súbito
pelas palavras:
a terra e o mar
as mãos e as vozes.
Tua guitarra
 povo. Teu génio.

E o teu silêncio
É de súbito um sino
Tocado pelo vento

Em todas as aldeias do meu sangue.


Poemas e canto que marcam toda uma geração, e não só uma geração, diga-se.

Esta nova edição de O Canto e as Armas tem prefácio de Mário Cláudio.

Que começa assim:

O convívio com um texto no espaço que o justifica, quando não resulta de um privilégio da nossa escolha, poderá corresponder a uma consequência da força das circunstâncias. Calhou-me dialogar com O Canto e as Armas nas bolanhas da Guiné onde cumpria a minha comissão de serviço militar obrigatório, e no verbo «cumprir», e no adjectivo «obrigatório », não pouco se insinuará do animus que terá comparecido à leitura. Não se tratando de uma proposta «neonefelibata», igual às que aliás informavam boa parte da poesia que nesse tempo se ia escrevendo na chamada «Metrópole», o texto de Manuel Alegre engastava o «espírito» no exacto lugar que o segregara, e onde o subscritor destas linhas se encontrava. Eu estava numa guerra, e numa guerra injusta, na qual muitos se envolviam desmotivadamente, como estaria qualquer leitor de Moby Dick a bordo de um baleeiro de Nantucket, e em busca do Leviatã branquíssimo, ou de Guerra e Paz na estepe gelada da Campanha da Rússia, e sob o comando de Napoleão. E quanto ao vocabulário estruturante de toda a obra literária, eis que coincidia ele com o que por então povoava a nossa fala quotidiana, percorrida por «bazucas e morteiros e estilhaços», por «granadas», e por «metralhadoras». Não me recordo de outro livro, a não ser talvez o de Job, eleito em momentos de infortúnio, que se me tenha amassado tão imediatamente no sangue.
Mas O Canto e as Armas assegurar-nos-ia ainda, a muitos, e a mim também, a permanência de um horizonte longínquo, o da terra europeia que nos fora berço, evocando o regaço da Mãe superlativa, por quem clama ao que se diz cada soldado antes de ascender a herói ou, o que valerá o mesmo, ao plano de quem «jaz morto e arrefece». Era a absoluta ruralidade que investia por aquelas páginas, conforme à grande paisagem, natural e humana, que a desertificação não avassalara ainda, e que haveria de enquadrar os anos seguintes. Despertavam de facto por ali criptomnésias de um pequeno paraíso agro-pastoril, «arados» e uma «espiga», ou «uma flor de verde pinho», a pontuar «oitenta e nove mil quilómetros quadrados».

Alguns dos poemas de Praça da Canção, como os deste livro, registam o aparecimento de um tal País de Abril, adivinhações, sonhos de Manuel Alegre.

É em O Canto e as Armas que está Poemarma, onde a dado ponto se pode ler:

Que o poema seja microfone e fale
uma noite destas de repente às três e tal
para que a lua estoire e o sono estale
e a gente acorde finalmente em Portugal.

Assim foi, como alguns, cada vez menos, se lembram.

sábado, 17 de outubro de 2015

sexta-feira, 18 de julho de 2014

OLHAR AS CAPAS


O Último Faroleiro de Muckle Flugga

Mário Cláudio
Capa: Luís Filipe Cunha
Expo 98, Lisboa, Janeiro de 1998

Com os cotovelos da camisola gastos por se apoiar no balcão de linóleo, levantando a caneca de lager, e os fundilhos dos jeans puídos por se suster no banco do costume, à espera da tarde ou da noite de inopinada maravilha, decidiu que se impunha, que diabo, radicalizar a mudança de vida. Persistia a chuva de Aberdeen que molha profundamente, ainda quando não parece cair, e tardava a Primavera mais do que seria admissível, pondo a doer, de tão imobilizadas, as ubíquas lâmpadas de vapor de mercúrio.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

E TUDO SERÁ LUZ


Há uma semana, Urbano Tavares Rodrigues deixou-nos.

É norma dizer-se que parte o homem mas fica a obra.

Sim, a variada obra de Urbano está aí, uma obra que nos anos 50/60, no dizer de Mário Cláudio, foi uma lufada de ar fresco na literatura portuguesa, mas fica a faltar-nos o homem. Esse homem afável e tolerante, a sua delicadeza, a sua integridade, aquela voz pausada, um homem que viu a ditadura de Salazar/Caetano privá-lo do que mais gostava de fazer na vida: ser professor.

Ainda Mário Cláudio: alguém de quem se dizia bem em vida – o que não é habitual entre nós –, não só como escritor mas também no plano cívico. Nunca usou o seu posicionamento político, que era bem conhecido, para fazer qualquer espécie de segregacionismo. Há melhor? Não há. Parecido? Também não. Quase não se acredita que fosse português. Mas era. Por isso, nem toda a esperança está perdida.

É isto que nos fica a faltar, algo mais.

Em Outubro do ano passado, numa entrevista ao Ipsilon, suplemento do Públio, dizia que o sentido da sua vida era um misto de tolerância, de compreensão e respeito pelos outros. Um homem sem ódios mas, com algumas excepções.

Posso sentir ódio contra aqueles que vivem de explorar os outros... mas eu tenho sido mais vítima de ódio. Ainda não tive o prémio Camões porque soube recentemente que há membros do júri que dizem: "esse comunista não terá o Prémio Camões.

A jornalista pergunta-lhe se sente mágoa por não ter ganho o Prémio Camões.

Tenho revolta. Mereço amplamente o Prémio Camões. Não é pelas honrarias, que já tive muitas. Até em França já me deram a Legião de Honra, mas isto é asqueroso.

Já deixara o mesmo desabafo numa  entrevista ao Manuel Rodrigues da Silva.

José Saramago, em Fevereiro de 2003, escrevia-lhe dizendo que com atraso também te há-de ser entregue o “Camões”.

Não aconteceu.

O editor Manuel Alberto Valente foi claro:

 Julgo que Portugal não lhe prestou a merecida homenagem em vida e espero que agora se lembre de lha prestar. Enquanto isso, espero que as pessoas o possam homenagear lendo os seus livros.

Até ao final do ano, a Dom Quixote que, desde 2007 tem vindo a publicar toda a obra de Urbano Tavares Rodrigues, colocará nos escaparates o seu último livro: Nenhuma Vida, um curto romance com um prefácio, escrito pelo próprio Urbano, em que se sente já a sua despedida do mundo, de todos nós.

Daqui me vou despedindo, pouco a pouco, lutando com a minha angústia e vencendo-a, dizendo um maravilhado adeus à água fresca do mar e dos rios onde nadei, ao perfume das flores e das crianças, e à beleza das mulheres. Um cravo vermelho e a bandeira do meu Partido hão-de acompanhar-me e tudo será luz.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

OLHAR AS CAPAS



Urbano Tavares Rodrigues: 50 Anos de Vida Literária

Coordenação de José da Cruz Santos

Recolha de textos e imagens de Laura Castro
Direcção gráfica de Armando Alves, Edições Asa, Porto Junho de 2003.

Queria muito recordar, agora, esse Alentejo imenso, ceifado pelo amor e pela morte, que me entregam violento e puríssimo, como nenhuns, o olhar e a palavra de Urbano Tavares Rodrigues.
Está ele, com a terra e com os homens, na condição torturada de quem passou e sentiu, por entre flores bravias e ervas afáveis, oferecendo uma Ítaca possível e tutelar, ao inquieto Ulisses, de nação difícil, o que é de todos nós, os de cá, aproximadamente vimos sendo.
E, para que não morra em discurso esta seara, peço licença, enfim, às serpentinas personagens da literatura pátria, a essas que se desgastam ao microfone dos areópagos, ou erguem a fronte num busto de papelão, para abraçar este camarada, como poucos, que fez do calor convivente, da honestidade e da transparência, ao serviço do talento e do trabalho dele, dominante bandeira do que se chama “grandeza”.
Eu creio que tanto basta, ou deveria bastar.

Uma Província, Um Autor, depoimento de Mário Cláudio em 50 Anos de Vida Literária.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

SARAMAGUEANDO


Não faltaram a José Saramago os burocratas pátrios, e se não bufos de novas polícias secretas, agentes fidelíssimos da estupidez. E valerá a pena assinalar aqui que não se eximiria o ensino oficial a emprestar a sua mãozinha à boçalidade campeante, obrigando legiões e legiões de adolescentes a desbravar aquilo que a ampla maioria dos professores dificilmente entendia. Penalizados por um contexto assim, e na mobilidade das filas de volumes que ocupam as prateleiras das bibliotecas privadas, a obra brilhantíssima de Saramago aguardará por certo uma terceira, ou uma quarta, geração de bisnetos e trinetos portugueses capazes de o homenagear com a inteligência normal que um artista a sério sem dúvida merece.
Legenda Soua Lara, agente fidelíssimo da estupidez.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

SUD-EXPRESS


Quem quer que tenha depositado nas viagens do Sud Expresso, ou naquilo que delas resta, a auspiciosa alternativa ao turismo de massas, capaz de proporcionar o kitsch da contemplação do passado, só poderá acolher as recentes notícias com muita consternação. Acusando prejuízos incomportáveis, a mítica linha parece condenada à morte sem recurso, e doa o que doer, a quem privilegiar ainda o remanso dos extensos percursos ferroviários. Não valerá sequer a pena verter sobre tal sentença a agridoce lágrima romântica, desacreditados como se acham gestos e sentimentos assim pelo pragmatismo do empacotamento global.
Somos da época em que a vetusta composição, circulando entre Lisboa e Hendaye, retinha um luxo verdadeiramente viscontiano. Os painéis de mogno da carruagem-restaurante, e as poltronas de veludo do wagon-lit, caturravam a uma luz de apliques que teria feito também as alegrias de Gabriele d'Annunzio. E mesmo nos anos imediatamente posteriores à Revolução dos Cravos, mediante a módica gorjeta, não se tornava impossível fruir do pequeno-almoço em tabuleiro, trazido à nossa cama para que o saboreássemos diante da paisagem das penhas bascas que precedem a chegada a Vitoria. O café com leite preparava-se com ingredientes autênticos, servidos em legítima porcelana, e a manteiga fresca convivia com compotas mais ou menos artesanais.
Ao longo das décadas, e em contínuas jornadas, fomos assistindo à degradação deste quadro, e à alteração da qualidade da existência que decorria sobre carris, emparceirando com o genérico abastardamento de um mundo sem particularismos. Sobrava porém um ramalhete dessa humanidade que tende à extinção, inquinada pelo igualitarismo dos comportamentos, e pela desalma dos objetivos. Mantinha-se a solteirona britânica, persistindo na leitura do seu romance de Stanley Weyman, o trabalhador sazonal que regressava à sua terra beirã, e que se enfrascava no bar com a festiva alegria dos copinhos de Macieira, e o aerofóbico que connosco partilhava o horror às máquinas voadoras.
O Sud Expresso desaparecerá sem rasto, não se duvide, deixando os curiosos da verificação dos cenários literários de mãos tristemente vazias. Dele apenas irão falar por algum tempo as páginas de Eça de Queirós, atestando toda uma história dos costumes, e toda uma atmosfera dos caracteres.
E oferecer-se-á às gerações vindouras este ensejo do desabafo com que se brinda hoje a ausência da água canalizada, ou do aquecimento central, "Que seca, Deus do Céu!, e que atraso de vida!"

Mário Cláudio,  Expresso, 24 de Setembro de 2010.

Leganda: não foi possível identificar origem do cartaz do Sud-Express

quinta-feira, 10 de maio de 2012

SARAMAGUEANDO


No ano de 1992, José Saramago, surgia como o preterido histórico do Grande Prémio de Romance e Novela, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores.

Na sua primeira edição, em 1982, Memorial do Covnento perdia para Balada da Praia dos Cães de José Cardoso Pires. Em 1984 Amadeo de Mário Cláudio foi escolhido em vez de O Ano da Morte de Ricardo Reis.Dois anos depois, Jangada de Pedra perdeu para Um Amor Feliz de David Mourão Ferreira e em 1989 era a vez de História do Cerco de Lisboa perder para Fora de Horas de Paulo Castilho.

De modo algum estão em causa as obras que foram escolhidas, simplesmente o entusiasmo que os leitores tinham para com as obras de José Saramago, não era acompanhado por grande parte dos seus pares.

O facto de Saramago ser um comunista assumido, dificultava – e de que maneira! – a possibilidade de lhe ser atribuído o prémio.

Só assim se pode compreender que O Ano da Morte de Ricardo Reis tenha sido preterido. Não vale a pena contar histórias para embalar meninos.

Na entrada a uma entrevista a José Saramago, publicada no JL de 5 de Novembro de 1991, José Carlos de Vasconcelos escrevia:

Vem aí “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” que vai dar muito que falar.

O tema era mais que polémico e ia provocando debates apaixonados.

O que não se julgava possível era que um devoto salazarista, um saudoso da Inquisição, armado em Subsecretário de Estado da Cultura de um dos governos do auto-denominado social democrata Cavaco Silva (o professor Cavaco é, pura e simplesmente, na mais exacta e sombria acepção do termo – um reacionário, tal como, na altura, escreveu Ruben de Carvalho), cortasse o romance de Saramago da lista dos nomeados para o Prémio Literário Europeu.

Mas isso é uma outra história e agora o que nos importa é referir que, chegados a 1992, começava a ser impossível José Saramago não ser o escolhido para o prémio da Associação Portuguesa de Escritores.

O Público, de 23 de Junho de 1992, dava, nestes termos, a notícia.

José Saramago ganhou o Grande Prémio de Romance com “Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Já se sabia desde a semana passada, mas a liturgia existe para ser cumprida: a APE anunciou ontem o feito.

O JL titulava:

À quinta foi de vez. Vitória no público e 3-2 no Júri.

Não existiu unanimidade no júri, constituído por Fausto Lopo de Carvalho, Maria Lúcia Lepecki, Salvato Trigo, Fernando DaCosta e Vitor Viçoso.

Lepecki e Salvato Trigo votaram em Évora e os Dias da Guerra de Mário Ventura.

A resposta de José Saramago não se fez esperar:





Vistas as circunstâncias – as recentes e as antigas -, e para não juntar o choque de uma recusa ao escândalo de uma exclusão, aceito este prémio sob condição de o seu valor ser usado na compra de autores portugueses contemporâneos a enviar aos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) que estejam interessados em os receber.
Peço à APE, ao Pen Clube e à SPA o favor de se encarregarem da selecção das obras e do seu encaminhamento…

Nem mais!

Nesta altura, o livro já ia na sua 5ª edição, mais de cem mil exemplares vendidos, a tradução castelhana estava no top de vendas, e preparavam-se as traduções para italiano francês e inglês.

O jornalista Joaquim Vieira, comentando a atribuição do prémio:

Depois de tantas expectativas falhadas, o prémio APE para Saramago chega em total inversão de valores: já não é o escritor que se torna conhecido ao ser distinguido pela Associação; é esta que projecta o próprio nome à custa do escritor.

Mas era impossível não juntar, à satisfação da atribuição do prémio, a desilusão, a tristeza, a tremenda injustiça por  O Ano da Morte de Ricardo Reis, não ter sido, em devido tempo, o livro escolhido.


Legenda: capa da tradução grega de O Evangelho Segundo Jesus Cristo, retirada do site da Fundação José Saramago.

Título do JL de  23 de Junho de 1992

quarta-feira, 9 de maio de 2012

SARAMAGUEANDO


O ano de 1984 poderia ser sido o ano do prémio de José Saramago.

Publicara O Ano da Morte de Ricardo Reis.

Suspeito que sou, e colocados de lado: amizades, ódios, invejas, gostos, tendências, conciliábulos, boatos, especulações, política, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, só poderia ser atribuído a José Saramago.

Não Foi!

Parágrafo final da antevisão do prémio, escrita por António Mega Ferreira, e publicada no JL:

Estamos porém no campo das hipóteses; quase certo é que o Grande Prémio da APE 1985 se venha a decidir entre “Amadeo”  e “O Ano da Morte de Ricardo Reis”  – e para que não haja lugar a más interpretações, diga-se apenas que os títulos das obras e dos autores referidos aqui foram citados sempre por ordem alfabética.

A notícia da atribuição do prémio é retirada do Diário Popular de 13 de Abril de 1973 e está assinada por Orlando Raimundo:

O livro Amadeo, de Mário Cláudio, foi declarado vencedor, por maioria, do Grande Prémio de Romance e Novela de 1984 da Associação Portuguesa de Escritores. A notícia não traduz nenhuma surpresa: há mais de uma semana que era tida como certa a atribuição do galardão à referida obra.

A observação de António Mega Ferreira, para não dar lugar a más interpretações, não era de modo algum inocente e desaguava num mero gesto de esperteza saloia.


O júri era constituído por Maria Lúcia Lepecki, Maria Alzira Seixo, Carlos Reis, Eduardo Prado Coelho e Diogo Pires.

Voltamos ao citado Diário Popular:

“Sou contra o prémio,- assim falou Maria Alzira Seixo.
Eu votei no livro “O Ano da Morte de Ricardo Reis” do José Saramago. Mas se o meu voto é, nitidamente, a favor de Saramago não quero que ele seja entendido como sendo contra a obra de Mário Cláudio, que é uma obra belíssima.

À data do anúncio do prémio ainda não tinha lido Amadeo,

Não tenho qualquer dúvida em reconhecer a qualidade do livro de Mário Cláudio, inspirado na vida e obra do pintor Amadeo de Souza-Cardos, mas está muito longe de ser um romance e, de modo algum, se pode comparar com o livro de Saramago.

Mas tal como Saramago disse:

Na parte que me toca, não escrevo para ganhar prémios nem escrevo porque haja prémios. Assisto de longe às alecrínicas e mangerónicas guerras, mesmo quando me vejo involuntário figurante nelas, e sorrio