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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

OLHAR AS CAPAS


Pão Com Manteiga

Bernardo Brito e Cunha – Carlos Cruz – Eduarda Ferreira – José Duarte – Mário Zambujal – Orlando Neves
Capa: Luís Trindade
Edição Pão Com Manteiga, Lisboa 1980

Era uma vez uma árvore que dava bolachas. Nada menos do que bolachas, que apareciam penduradas na ponta de fios transparentes, quase iguais aos fios de pesca.
As bolachas tinham uns furos que davam perfeitamente para os fios as segurarem bem. Portanto, era fácil. Vistas bem as coisas, uma árvore das bolachas é uma árvore como as outras, só que dá bolachas.
Ora, quem possuía esta árvore era um homem que, a pouco e pouco, se foi apercebendo do valor que tinha ali no quintal. Por isso, começou a apensar fazer negócio, organizando o seu marketing, como agora muito bem se diz nas esferas que percebem do assunto. Quase a propósito de esferas, convém dizer que as bolachas eram de formato redondo, talvez para não destoarem muito de maçãs, laranjas e outras frutas da época. Colheita após colheita, (e a produção não era pequena), o homem foi aumentando o volume do negócio. Tinha tudo organizado, operacional, como também se diz agora e muito bem, caixinhas normalizadas para a exportação, quando a árvore começou, de um dia para o outro, a dar bolachas quadradas. Um problema bicudo. Para saber onde estava o nó do problema e evitar a conversão de todo o seu comércio de bolachas, o homem escavou para saber qual era o mal da raiz. E descobriu então: a raiz quadrada era o problema.

sábado, 5 de março de 2016

À CONVERSA


Perguntaram-lhe:

A paixão pelo Benfica foi-lhe passada pelo seu pai...?

Respondeu:

Foi. Tenho amigos que são benfiquistas e os filhos sportinguistas, ou vice-versa, mas para mim isso são modernidades. À antiga, o pai tinha o cuidado de instilar no filho, logo de pequenino, a paixão e o gozo de pertencer a um clube. Aquilo era parte da família. E estou grato ao meu pai por isso, acho que ele fez muito bem. O Benfica tem-me dado grandes satisfações.

Mário Zambujal, de uma entrevista ao Mais Futebol.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O COMBOIO DAS 23 HORAS E 28 MINUTOS


No tempo em que havia jornais, compostos e impressos à moda antiga, havia uma regra de ouro: não perder os comboios.
Mário Zambujal, jornalista que viajou por A Bola, Diário de Lisboa, O Século, Diário de Notícias, alguns mais, estava em O Século no Verão Quente de 1975, tempos tão tumultuosos como gratificantes.
Foi numa velha entrevista ao Mário Zambujal que li, bem contadinha como só ele sabe, a história dos jornais não poderem perder os comboios.
O Zambujal, conta-a assim:

…estávamos no auge de 75. Vivi o 25 de Abril e tudo o que se seguiu com muita emoção e alegria... mas acontece que sou muito profissional. O comboio das 23 horas e 28 minutos é o comboio das 23 horas e 28 minutos. E começámos a perdê-lo muitas vezes, por isto e por aquilo, sempre com explicações muito sérias e plausíveis. Mas para mim isso era inaceitável: não se pode perder nunca o comboio. Vale para jornais e para o resto.
Sei que havia muito rebuliço, mas bati-me sempre contra. Não contra o rebuliço: contra o perder-se o comboio. Não aceitava isso. O trabalho tinha que estar à frente. Mas o cansaço, apesar de tudo, vinha mais do rebuliço interno, uns contra os outros e, ainda por cima, gente de quem eu era amigo colocada nos dois lados da barricada.
Sou muito amante da paz, da concórdia, de ambientes agradáveis e aconteciam coisas do quilé. Um dia até tive que travar à última hora uma edição que ia aparecer com o Roby Amorim, do MRPP, como director... O Roby, era um grande jornalista e de quem eu gostava. Mas as coisas estavam a ficar azedas e eram golpadas atrás de golpadas. Individualmente dava-me bem com todos, mas já não aguentava mais.
Nessa altura disse: vou-me embora, quero ir para as Berlengas.


Legenda: fotograma do filme Deadline de Richard Brooks com Humphrey Bogart

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

PROCURA-SE!


Num tempo, em que a censura da ditadura marcelista perseguia Mário Castrim, chegou mesmo a suspender, durante semanas,  o seu Canal de Crítica no Diário de Lisboa, A Mosca, suplemento dos sábados do Diário de Lisboa, fez publicar este aviso.
Aliás, a qualidade jornalística e satírica de A Mosca, mereceria um estudo e que, ao mesmo tempo, se fizesse uma recolha de alguns dos textos que poderiam ser publicados em livro.
Os textos, por norma, não eram assinados, mas conhece-se colaboração, entre outros, de Fernando Assis Pacheco, José Cardoso Pires, João Paulo Guerra, Mário Zambujal, Luís de Sttau Monteiro com as célebres redações da Guidinha.

Hoje, tenho uma imensa pena de não ter coleccionado esse suplemento, como fiz em relação a outros, como seja o Jornal de Crítica que, mais tarde, também aos sábados, se publicava no República.

sexta-feira, 8 de março de 2013

OLHAR AS CAPAS


Já Não Se Escrevem Cartas de Amor

Mário Zambujal
A Esfera dos Livros, Lisboa Outubro de 2008

É certo que na Lisboa de 50 se vivia sem telemóveis, televisão – chegaria em 57 – semáforos, viadutos, metro, centros comerciais, pontes sobre o Tejo, micro-ondas, escadas rolantes, computadores, filmes sem cortes, a Gulbenkian, o CCB e um sem-número de comodidades.
Mas havia os chás-dançantes no Negresco, das cinco às sete e meia da tarde.
Os chás-dançantes era, aliás, moda em vários locais de diversão e nunca deviam ter acabado. Se chamam a isso o progresso, confundem avanço com marcha-atrás.
Era à escolha do frequentador levar menina, como seu par, ou ir à descoberta, o que oferecia o estímulo superior do imprevisto. Este era o bom hábito do nosso grupo. Travavam-se conhecimentos e sempre se sentia nos braços uma fêmea diferente, conforto menos trivial que actualmente. Quem não viveu esta época, ignora que apalpar a namorada na rua ou dar beijos glutões na boquinha dela era caso de polícia, por atentado ao pudor e à moralidade pública.
E depois, chá-dançante não queria dizer que o chá fosse obrigatório. Também valia um bom conhaque e foi o que tomámos, o Jorge e eu, na inédita tarde da zaragata. Por causa da esquadra americana .