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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

OS AMIGOS DE MANUEL COSTA E SILVA


Os Meus Amigos é um livro-homenagem a Manuel Costa e Silva.
O livro é composto por fotografias de amigos de Manuel Costa e Silva e para esses amigos, o editor Nelson de Matos, arranjou alguém que desses amigos falasse.
São estes os amigos de Manuel Costa e Silva que aparecem no livro:

Fernando Lopes – texto de João César Monteiro
Maria João Seixas – texto de Maria Belo
José Gomes Ferreira – texto de Fernando Lopes Graça
Lia Gama – texto de Baptista-Bastos
Luandino Vieira – texto de Augusto Abelaira
João Hogan – texto de Virgílio Domingues
Eugénio de Andrade – texto de Eduardo Prado Coelho
Carlos de Oliveira – texto de Salvato Teles de Menezes
Rogério Ribeiro – Alexandre Cabral
Sérgio Niza – José Manuel C. Mendes
Maria do Céu Guerra – Vitorino d’Almeida
José Saramago – Carlos Eurico da Costa
João Abel Manta – José Carlos de Vasconcelos
Ilda Moreira – Luísa Dacosta
Ricardo Pais – Maria Velho da Costa
António Borges Coelho – José Saramago
Maria Emília Correia – Miguel Serras Pereira
Frederico George – Daciano Costa
José Cardoso Pires – Maria Lúcia Lepecki
Vitorino – Maria do Céu Guerra
António Ole – David Mestre
Zita Duarte – Fernando Lopes
Pedro Bessa Múrias – pelo próprio
Júlio Pomar – pelo próprio
Vespeira – António Ramos Rosa
Mario Vargas Llosa – Irineu Garcia
Virgílio Domingues – Rui Mário Gonçalves
João Cutileiro – Sílvia Chicó
Aníbal Falcato Alves – António Simões
Eduardo Geada – Artur Semedo
Rosalina Gomes d’Almeida – Sérgio Niza
José Bizarro – Mário Barradas

Legenda. Fotografia de Manuel Costa e Silva tirada de Os Meus Amigos.

OLHAR AS CAPAS


Os Meus Amigos

Manuel Costa e Silva
Apresentação: José Cardoso Pires
Capa: Fernando Felgueiras
Publicações Dom Quixote, Lisboa, Novembro de 1983

Alguém que passeia a infância – pelo menos é assim que eu o penso quando lembro aquele não sei quê de desamparo e de teimosia solitária que há nos gostos dele e no andar, aquela prevalência dos olhos sobre o falar, coisas que (bem sabemos) são ilusões da sábia infância que nós maltratámos quando foi nossa e que depois mentimos quando dizemos que no princípio era o verbo.
ON Costa e Silva, não: guardou-as. O Costa e Silva sabe até demais que no princípio é a luz e só muito mais tarde é que vem o verbo. Que o verbo é que nos mata, nunca o olhar, e daí aquele silêncio discreto, quase à margem, que é a sua maneira de estar presente e conversar com os amigos. Só com o ver, digamos. De maneira que antes que a pessoa tenha tempo de olhar o passarinho já ele captou nos contrastes da lama mais do corpo e lhe registou a espécie de luz que há nela.
Talvez por sortilégio destes é que o ofício de olhar é mais que todos misterioso, os pintores que o digam. E os fotógrafos, que é este o caso. E os solitários do deserto. As aves mudas. Um ofício predestinado, todo em iluminações súbitas e sempre a negar a aparência e a ver para longe e para lá. Será?
Como fotógrafo de cinema, o Costa e Silva aprendeu essa arte, a muitas latitudes e a muitas declinações: suécias, alemanhas, américas, portugais de cenário e de rua, alentejos. Sabe-a por inteiro e com todas as mágicas da lanterna universal, ou seja, luz em cima de luz, cor recobrindo a cor, o artifício a sobrepor-se ao real para transmitir com mais verdade o mundo que se nos oferece. Mas fora do cinema ele inverte o jogo: aí a solidão total; tudo se passa numa intimidade estricta consigo mesmo e em despojado rigor, sem adjectvos.
Descobriremos depois que os sujeitos, as primeiras pessoas dessas fotografias, há muito que estavam dentro dele e que não fez mais que as ajustar às figuras reais que fotografou. Como que rebatendo-as de dentro para fora, perdoe-se-me a imagem. Só assim se percebe que nos Retratos dos Amigos haja tanta luz pessoal dele próprio, Costa e Silva, tantos dos seus silêncios e dos seus sinais dispersos. A sua amizade repartida, afinal.
Amizade: uma busca de perfeição no encontro com os outros, o nossos reflexo sobre a harmonia das contradições.

(Apresentação de Os Meus Amigos por José Cardoso Pires)