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segunda-feira, 28 de outubro de 2019

TRUMPALHADAS


A última trumpalhada que aqui publicámos, está datada do dia 19 de Janeiro. Curiosamente um deslize de Marcelo Rebelo de Sousa que, em Paris, entendeu convidar Donald Trump para visitar Lisboa.
O coro de protestos que viu chegar a Belém, terá levado a colocar o assunto em banho-maria.
Claro que o presidente dos Estados Unidos, desde Janeiro, tem continuado a pôr a pata na poça, mas tornou-se indecente encharcar os viajantes do cais com tanto disparate.
Mas voltamos hoje porque este recorte, tirado do Público de 19 de Outubro, permite alimentar alguma esperança que o homem, mais dia, menos dia, seja obrigado a embrulhar a trouxa e zarpar da Casa Branca.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

NOTÍCIAS DO CIRCO


Na semana passada, Marcelo Rebelo de Sousa convidou, para converseta, sessões de memes  e visita ao Palácio de Belém, uma série de gente a que chamam «influencers» que  eu entendo – mas quem sou eu ?! – ser gente que não se recomenda a ninguém, que se «notabilizam» por terem milhares de seguidores no Instagram, no Twitter, no Facebook, no sei lá mais o  quê, que  eu que nestas coisas das redes sociais considero-me  um E.T.

Esta gente, para além de frivolidades, intrigas, boatos, notícias falsas, não têm nada para dizer seja a quem for, e muito menos a um Presidente da República.

Mas Marcelo é assim.

Uma coisa destas, como ele um dia disse, não lembra ao careca.

domingo, 1 de setembro de 2019

LIVROS EM BELÉM


Politicamente, Marcelo Rebelo de Sousa está muito longe dos meus horizontes.
Mas agrada-me ter um Presidente da República que gosta de livros e provoca os contactos que o povo, pelo menos o de Lisboa, possa ter com esses mesmos livros.
Por Setembro, abre as portas do Palácio de Belém para que se vejam livros, se ouça música, se possa passear pelos jardins.
Tão longe, mesmo muito longe, da múmia bafienta e cavaquista que tivemos de aturar.
Mas Marcelo não deixa de ser um homem perigoso.
Atrás, tem largos anos de comentador político nas páginas do semanário Expresso, nas televisões.
Por esses lados, foi cozinhando o caldo que lhe permitiu chegar a Belém.
Ainda não conseguiu responder se está interessado numa nova candidatura à presidência.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

ETECETERA


Nasce uma igreja por mês em Portugal.
Em 15 anos, foram registadas 833 confissões religiosas. 97 surgiram nos últimos cinco anos.

1.

Esquecimento fatal em Baku. O judoca Anri Egutidze, representante de Portugal e candidato à vitória na categoria de 81 quilos na prova do Grand Slam, foi eliminado ao fim de 13 segundos quando, durante um movimento mútuo para derrubar o adversário, o telemóvel esquecido no quimono do judoca português caiu.

 2.

O primeiro-ministro israelita anunciou o início do processo para criar um novo colonato judaico no território sírio ocupado dos montes Golã, com o nome do Presidente dos EUA, que em Março reconheceu a soberania de Israel naquele território.

 3.

O trafulha Berardo disse na comissão de inquérito que lhe tinham pedido para ajudar os bancos.
Quando dava, como comentador, catequese aos domingos nas televisões, Marcelo Rebelo de Sousa, em 2007, elegeu Joe Berardo a figura do ano na economia portuguesa, pelo papel que tinha tido na definição do futuro do BCP.

4.

Quase cinco pessoas detidas por dia em processos de violência doméstica.
De 1 de Janeiro até 10 de Maio, a PSP deteve 247 pessoas e a GNR 382, mas o número final pode ser mais elevado.
Apesar das muitas detenções, a maioria dos inquéritos acaba arquivada. No ano passado, só 14,4% resultaram em acusação.

5.

Quase 1,8 milhões de portugueses estão em risco de pobreza e 17,3% da população, a maioria no norte e centro do país, sobrevivem com 467 euros por mês.

6.

Um homem de 32 anos morreu após ter sido esfaqueado no pescoço, na Praia da Rocha, depois de ter recusado dar um cigarro a outro homem.

7.

Tempos de crise.
Charo é uma prostituta amiga de Pepe Carvalho, detective dos romances de Manuel Vasquez Montálban.
Em Os Mares do Sul, Pepe pergunta a Charo:
- Como vai o negócio?
- Mal. Há uma concorrência tramada. Com isso da crise económica até as freiras se puseram a foder.                                   

quarta-feira, 8 de maio de 2019

ETECETERA

 

Recortes do jornal Público de 27 de Abril.

1.

O sucedâneo de acontecimentos que envolveram a questão dos professores, mormente a ameaça de demissão do governo se a lei fosse aprovada na Assembleia da República, forneceu a surpresa de Marcelo Rebelo de Sousa não ter proferido qualquer palavra pública.

Marcelo nunca esteve tanto tempo calado. Nem quando foi operado.

2.

Os banqueiros querem pôr-nos a pagar pela utilização do Multibanco.
Assim se pronunciaram os presidentes executivos do BPI, Caixa Geral de Depósitos, BCP e Novo Banco.

3.

Um rapaz de 13 anos não tem telemóvel porque a sua mãe não quer.

A mãe do rapaz chama-se Madonna e numa entrevista à Vogue britânica explica o porquê.

João Lopes no seu blogue Sound and Vision conta a história:

«Vou manter essa decisão por tanto tempo quanto possível, porque cometi um erro quando dei telemóveis aos meus filhos mais velhos aos 13 anos de idade. Na verdade, isso pôs fim à minha relação com eles. Não completamente, mas tornou-se uma parte muito, muito importante das suas vidas. Ficaram alagados em imagens e começaram a comparar-se com outras pessoas, o que é muito mau para a descoberta da própria identidade.»

4.

Quase um terço dos deputados da Assembleia da República nasceu depois do  25 de Abril de 1974.

5.

Há 28 freguesias, a maioria no interior do país e nos Açores, onde não nascem bebés há pelo menos cinco anos. O aumento da natalidade em 2018 ficou sobretudo a dever-se ao maior número de filhos nascidos de mães estrangeiras.

6.

 Opinião de Isabel do Carmo sobre Cavaco Silva, retirada de um artigo de opinião no Público:

«Trata-se de uma pessoa rancorosa, em que o ódio é que mexe os lábios e a língua, sem estatura intelectual e pessoal. Devem ser analisadas as suas acções e desígnios e avaliar e criticar uma personalidade que se considerou sempre intocável. Muitas vezes é gozado em termos que podem ser classistas. A questão não deve ser a dos tiques de classe. É de política que se trata e é como político que deve ser analisado e julgado.»

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

NOTÍCIAS DO CIRCO


Marcelo não deixa de surpreender.
Cada intervenção que faz seja sobre o que quer seja tem um objectico nem sempre muito claro.
Os portugueses estão-se borrifando para as comemorações do 10 de Junho dê-se ao a  esse dia a designação que lhe queiram dar.
Tal como, Cavaco Silva enquanto presidente, disse: «É o Dia da Raça!»
Mas soube-se ontem que Marcelo designou João Miguel Tavares, diz-se jornalista, também humorista, para presidir à comissão das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portugueses.
Se ele não vier dar uma explicaçãozinha professoral, não se compreende os motivos da escolha.
Mas, grosso modo, não abona nem o Presidente da República nem o tal dia.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

NOTÍCIAS DO CIRCO



O Presidente Marcelo começa a derrapar.
Já não se limita a telefonar para as Cristinas Ferreiras das televisões, a beijar as crianças e os velhinhos, começou a convidar gente que não se recomenda.
E, aparentemente, ninguém lhe diz que o país, apesar de ser um sítio mal frequentado tem limites!...

Legenda: os recortes são tirados do Expresso de 1 de Dezembro de 2018 e 5 de Janeiro de 2019, respectivamente.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


A Pastelaria Suiça já não existe.

De portas abertas desde 1922 foi vendida a um fundo de Investimento em que o tenista espanhol Rafael Nadal é participante.

Nunca foi uma loja histórica da cidade.

Concorreu para o ser, mas acabaram por desistir.

A Suiça era a sua esplanada, voltada para o Rossio, com turistas a beber cervejas ou galões.

O dono estava cansado e depois das últimas obras que fizeram, há uns anos, perdeu qualidades:

Ricardo Martins Pereira:


A 31 de Agosto do passado ano, dia em que fechou portas, o presidente Marcelo foi lá jantar:

«Durante décadas, almocei e jantei aqui, desde miúdo, com a minha família. Quando passava de ano vinha aqui almoçar ou jantar. Quando vinha a um espetáculo vinha aqui cear. Ficávamos nestas mesas. Ou aqui ou ali», afirmou Marcelo, às reportagens televisivas.

«Nesta mesa morreu o meu pai, neste mesmo lugar onde eu estou a comer, há 16 anos, portanto ficámos muito ligados e vim aqui despedir-me».

O Carlos Alberto, amigo de infância que já não vejo há largos e largos anos, num daqueles Primeiros de Maio que a ditadura proibia, a fugir à Polícia de Choque e aos seus carros de tinta azul, refugiou-se dentro da Suiça.

Tinha um carinho especial pela Suiça e, volta e meia convidava os amigos para um café e para contar, pela enésima vez, as peripécias daquele findar de tarde de  primeiro de Maio.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

NOTÍCIAS DO CIRCO


Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, felicitou Cristina Ferreira pelo seu  programa, estreado hoje na SIC:

"Está? Daqui é Marcelo Rebelo de Sousa. Interrompi aqui uma reunião que tinha e espreitei para ver o seu primeiro programa e, como ao longo da vida, estive várias vezes consigo quando arrancou com novas fases da sua vida, queria desejar-lhe muitas felicidades e enviar-lhe um beijinho", disse o presidente, deixando a apresentadora visivelmente emocionada.
"Posso chamar-lhe professor? É que tenho dificuldade em chamar-lhe presidente?", respondeu Cristina. "Espero que tenha o mesmo sucesso que teve noutras fases da sua vida", disse Marcelo Rebelo de Sousa. "Queria agradecer por ser o presidente de todos os portugueses. Quero que saiba que esta porta estará sempre aberta", acrescentou a apresentadora.

Jornal de Notícias, on-line

sábado, 29 de setembro de 2018

ETECETERA


Os portugueses apostam 14 milhões de euros por dia.

Os primeiros seis meses deste ano mostram que nunca se apostou tanto em Portugal.
Totobola, Euromilhões, Totoloto estão a perder terreno nas escolhas.

As Raspadinhas e Placard são os jogos mais escolhidos.

Um dos prémios mais altos que alguma vez ficaram por reclamar foi um prémio de Joker, de sete milhões. A Santa Casa chegou a publicar anúncios, mas o vencedor nunca apareceu.

Os prémios não reclamados revertem a favor do Fundo Rainha Dona Leonor de reabilitação das Misericórdias.

PGR

A direita em Portugal tomou como dores muito suas a permanência de Joana Marques Vidal na Procuradoria-Geral da República.

A histeria foi muita e as razões soavam pífias.

No princípio do ano a Ministra da Justiça adiantou um passo ao dizer que o governo entendia que o mandato de PGR deveria ser de apenas um mandato.

Por proposta do Governo e promulgação pelo Presidente da República, a escolha para Procurados Geral da República recaiu em Lucília Gago.
           
Choveram provocações e insultos, chegaram a falar de perseguição e saneamento.

Até Cavaco Silva deixou o recato do lar, o estilo múmia, para nos vir dizer:
«Sou levado a pensar que esta decisão política de não recondução de Joana Marques Vidal é talvez a mais estranha tomada no mandato do governo que geralmente é reconhecido como geringonça.»

Marcelo Rebelo de Sousa não deixou cair a observação de Cavaco:

«Todos sabemos que quem nomeia as procuradoras-gerais da República são os Presidentes, não são os governos. Portanto, a nomeação da procuradora-geral da República foi minha e de mais ninguém.»

Os jornalistas insistiram e voltaram a lembrar o que disse Cavaco Silva.

Ainda Marcelo:

«O que me está a dizer é que o presidente Cavaco Silva, no fundo, disse que era a mais estranha decisão do meu mandato. Perante isso, tenho sempre o mesmo comportamento: entendo que, desde que exerço estas funções, não devo comentar nem ex-Presidentes, nem amanhã quando o deixar de o ser, futuros presidentes, por uma questão de cortesia e de sentido de Estado, e não me vou afastar dessa orientação.»


TAP



O título pertence à 1ª página do Público de 23 de Setembro.

Em determinado tempo, os nossos governantes «concluíram» que em Portugal não havia ninguém que percebesse de aviões e foram buscar ao Brasil a excelência de um tal Fernando Pinto.

Esteve no cargo de presidente da TAP vários anos com ordenados e mordomias de excepção.

Tanto quanto agora foi tornado público, o homem permitiu que fossem gastos 500 milhões de euros num estranho negócio com a Vem-Varig Engenharia e Manutenção e, tanto quanto se diz pelos corredores, foi fazendo caminho para que a TAP fosse vendida ao seu amigo Efromovich.

Ficamos a aguardar as cenas dos próximos capítulos.

ASSIM COMO A GUERRA DO SOLNADO

Vasco Lourenço desde o início afirmou que o roubo das armas em Tancos, ocorrido em Julho do ano passado, era uma história muito mal contada.

Chegou a falar-se que a pátria estava em perigo, que a NATO nos iria retirar confiança política e militar.

Soube-se agora, que as armas, depois de roubadas, ficaram numa propriedade da avó do principal autor do roubo. Tentou vendê-las mas não apareceram compradores. Entalado que começou a estar, congeminou, com «colaboração» de «gnrs» e outras tropas, a manobra de diversão em que, por artes mágicas, as armas apareceram numa quinta na Chamusca.

Ninguém sai bem desta história rocambolesca: militares, polícias e assim como assim, o próprio governo.

Já há detidos e segue-se agora o tempo da Justiça.

Lento, muito lento, como sabemos que esse tempo é.

Muita água continuará a passar por debaixo das pontes.

ASSIM VAI O PSD

Marques Mendes, o catequista dominical da SIC, aconselhou Rui Rio:

«Tem, de ser mais humilde, menos convencido, menos arrogante.»

Entretanto Santana Lopes continua por aí à espera que o Tribunal Constitucional dê luz verde à sua Aliança.

A FECHAR

Os portugueses são os europeus que mais pagam pela energia eléctrica.

Investigue-se!

domingo, 12 de agosto de 2018

NOTÍCIAS DO CIRCO


Marcelo Rebelo de Sousa, de visita a Monchique,  revelou que ainda não sabe se irá recandidatar-se à Presidência da República nas eleições de 2021.

«Está nas mãos de Deus, na altura da ponderação, inspirar-me adequadamente. Eu como cristão acho que, em cada momento, devo estar no sítio que corresponde à missão mais adequada para cumprir nesse momento e devo estar aí se não existir alguém em melhores condições para estar aí. Portanto, Deus logo diz se sim ou não».

sábado, 4 de agosto de 2018

ETECETERA


A passagem de Pedro Santana Lopes sempre deu origem a episódios circenses.

Saio. Não saio.

Mas, preto no branco, já disse que agora é de vez.

Amanhã, em carta, dirá das razões.

A caminho, está a firme intenção de formar um novo partido político.

Marcelo Rebelo de Sousa, de férias nas zonas atingidas pelos incêndios no passado ano, disse às televisões que não se quer imiscuir na vida dos partidos, mas deixa recado de que a oposição não se deve fragmentar.

Entretanto a oposição interna a Rui Rio conhece outros contornos.

Para além do sempre eterno Luís Montenegro, perfila-se agora Pedro Duarte , já foi líder da Juventude Democrata, também director da campanha presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa.

Diz que O PSD tem de mudar de líder e estratégia «tão cedo quanto possível», e declara-se preparado para assumir a liderança partidária.




O país, nestes primeiros dias de Agosto está sob uma vaga de calor infernal.

Lisboa registou hoje temperaturas de 40 e 42 graus A temperatura mais alta este sábado em Portugal registou-se em Alvega, no distrito de Santarém, que chegou aos 46,8 graus.

Entretanto, ao findar da tarde, a Protecção Civil deu conta de três fogos no distrito de Santarém e no local estão 172 homens, 45 viaturas e três aviões.

Pior é a situação do incêndio que, desde sextra-feira, lavra na Serra de Monchique.

Por precaução continua a ser feita a retirada de alguma população para locais mais seguros.

O vento forte e as constantes mudanças de direcção dificultam imenso o trabalho dos 719 operacionais, apoiados por 139 viaturas e sete meios aéreos que estão no terreno.

O DELFIM PINHO

Manuel Pinho, o ex-ministro de José Sócrates foi há dias à Comissão de Economia e. para além de alarvidades e piadas de mau gosto, recusou-se a falar da sua relação com o Grupo Espírito Santo ou de como recebia, em simultâneo, dinheiro de Ricardo de Salgado e do estado.
Luís Marques, no Expresso de 21 de Julho, escreve sobre os «Delfins de Ricardo Salgado»:

A FECHAR

Num curto espaço de tempo, perdemos duas das mais importantes personalidades da nossa intelectualidade: António Arnaut (21 de Maio) e João Semedo (17 de Julho).

Dois políticos como já não vamos tendo, dois defensores do Serviço Nacional de Saúde que tantos querem ver despedaçado.

Dois homens de excepção, dois homens que, nos tristes tempos que vão correndo, nos fazem muita falta. Muita mesmo.

terça-feira, 29 de maio de 2018

SE NÃO PODES AJUDAR-ME A VIVER, AJUDA-ME A MORRER


A discussão sobre a eutanásia é uma discussão dificílima, um emaranhado de melindres, cada cabeça sua sentença…ou se está a favor… ou se está contra…

O resto é pano de fundo onde se torna difícil navegar… mas navegar é preciso!

Eutanásia significa morte tranquila, ajudar as pessoas em agonia a sair deste mundo com serenidade, não é a escolha entre a vida e a morte.

É uma escolha entre duas maneiras de morrer.

Com ou sem dignidade.

O médico e escritor Fernando Namora morreu em Janeiro de 1989.

Até morrer, sofreu horrivelmente.

O Dr. José Luciano de Carvalho que, durante anos e anos, assistiu a nossa família, quando num dia longínquo lhe perguntei a sua opinião sobre a eutanásia, não se mostrou favorável e contou-me que, durante a doença, ao visitar o seu amigo e colega Fernando Namora, e este lhe pedira, encarecidamente, que o ajudasse a morrer.

- Fernando, sabes tão bem como eu, que não te posso ajudar: fizemos um juramento…


Acresce a este juramento profissional, a posição da Igreja.

Tenho um vasto dossier, li livros, vi filmes sobre o tema, sei-o fracturante, a crispação que o tema provoca, por tudo isto, também por instinto, sou a favor da eutanásia.

Hoje, o tema da morte assistida, quatro coprojectos do PS, Bloco de Esquerda, Partido Ecologista Os Verdes e PAN, será discutido na Assembleia da República.

O PCP e o CDS votarão contra, os restantes partidos deram liberdade de voto aos seus deputados.

O desfecho desta votação aponta para um «não» como resultado. Contas feitas pelos jornalistas, mostram que 116 deputados deverão chumbar a legalização da eutanásia contra 114 deputados que votarão a favor, mas estes números não são um dado adquirido.

Li a Posição política do Partido Comunista sobre a provocação da morte assistida, inclino-me a perceber o que nela se pretende, mas não concordo com os argumentos expostos.

Acresce que essa múmia política que dá pelo nome de Cavaco Silva, há longo tempo remetido ao silêncio, disse à Rádio Renascença que é contra a legalização da eutanásia:

 «Estando em causa a defesa do primado da vida humana, entendi que devia fazer uso das duas armas que me restam como cidadão: a minha voz, não ficando calado, e o meu direito de voto na escolha dos deputados nas próximas eleições legislativas.»

No mesmo sentido se pronunciou o ex-primeiro ministro Pedro Passos Coelho e, segundo o Expresso, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que não tem posição tomada em relação aos diplomas sobre a eutanásia que estão em discussão, mas deverá vetar a lei.

Seguem-se declarações de diversas personalidades, relembro uma história do quotidiano contada por José Cardoso Pires, incursões sobre os Diários de Miguel Torga e Vergílio Ferreira e mais à frente, em Relacionados, coloco três «velhos» recortes:

«Tenho idade e já sofri o suficiente para saber que a vida, sendo embora um bem finito, só vale a pena ser vivida em plenitude ou com dose razoável de humanidade. No ano em que se deixou morrer, Teixeira de Pascoaes disse à família uma coisa luminosa: “Não me tirem a dignidade de viver”. Tinha 75 anos, extinguia-se rapidamente e tinha consciência de que entrara na fase terminal da vida. É por isso, porque a decadência irreversível antecipada por uma cabeça é o mais horrível dos sofrimentos, que defendo o direito de cada um de nós dispor daquilo que pode ser considerado uma “dignidade de viver”.»

António Mega Ferreira, escritor.

«O Expresso pergunta-me por que defendo a eutanásia. E eu respondo, de forma simples e clara: porque quero continuar, como até agora, a poder decidir sobre todos os minutos da minha vida, mesmo quando ela se aproxime do fim e a única expectativa que posso alimentar é sofrer até ao último suspiro ou continuar vivo mas sem vida, estar mais morto que vivo.
Aprovada a morte assistida cada um poderá decidir como entender sobre a reta final da vida, ninguém fica obrigado a ela recorrer mas também ninguém estará impedido de o fazer
Defendo a morte assistida (eutanásia e suicídio medicamente assistido) porque defendo a minha liberdade e a de todos. Aprovada a morte assistida cada um poderá decidir como entender sobre a reta final da vida, ninguém fica obrigado a ela recorrer mas também ninguém estará impedido de o fazer.
Sim, há uma questão ética nesta discussão. A escolha é entre uma ética da liberdade – uma ética da tolerância - e uma ética da imposição. Eu não quero impor a eutanásia seja a quem for, mas não aceito que me imponham opções que não são as minhas. Muito menos quando a consequência dessa imposição é sofrer mais ou reduzir-me a um estado vegetativo.»

João Semedo, médico e ex-deputado do Bloco de Esquerda

«A Igreja que quero forte é a maioritária no meu país: a Igreja Católica Apostólica Romana. Sou ateu, não acredito na existência de um Deus (ou vários), acredito na autonomia do homem, na natureza, no conhecimento científico e que o que sobra quando morremos é pó e a memória que os outros guardarão de nós. Mas, mesmo sabendo que Deus não existe, sei também outra coisa: a Igreja existe. E, mesmo assente naquilo que eu simpaticamente posso admitir como um grande equívoco, é melhor que continue a existir - e forte. Forte para os nus e para os esfaimados do mundo, para os excluídos e para os que não têm outro remédio. Mal ou bem, para estes. Caridadezinha ou humanismo grande - que salve pessoas, é o que interessa.
Vêm aí decisões sobre a despenalização da eutanásia, no Parlamento. Afirmo-me desde já favorável. Admito o direito de alguém em dor e sofrimento, lúcida e plenamente informado, por decisão rigorosamente própria, perante uma doença clinicamente incurável, ter direito a que alguém de forma voluntária e medicamente competente lhe ponha fim à vida. Acontece que não tenho certezas sobre isto - e duvido que alguém verdadeiramente possa ter. Há nas circunstâncias de alguém que pede morte assistida mil e uma razões que me podem levar a ter dúvidas. E nenhuma lei as poderá prever todas, para lá de qualquer dúvida.»

João Pedro Henriques, jornalista

«No dia em que a minha vida for exclusivamente uma visão de caixas de comprimidos, sem trabalho, sem capacidade de leitura, de apreciar música, de sair à rua, pois não quero cá estar. Podemos concordar que discordamos, mas a minha morte é um assunto meu.»

Patrícia Reis, escritora

«Nós ouvimos falar de eutanásia e não nos podemos esquecer que a palavra vem do grego, significa "boa morte". Defendo que a vida compreende inevitavelmente a morte. Assim sendo, todos nós temos o direito de dispor da forma como queremos terminá-la. E devemos ter esse direito.
Penso que a sociedade já interiorizou que as pessoas não devem ter uma má morte. Quantas vezes nós ouvimos dizer, mesmo de quem tem um ponto de vista religioso: "Deus o leve." Isto quer dizer o quê? Ponham termo a este sofrimento. Com toda a franqueza, penso que esse sentimento já está interiorizado socialmente. As pessoas não gostam de ver sofrer familiares, nem terceiros.»

Paula Teixeira da Cruz, deputada, ex-ministra da Justiça.

«Sou a favor da eutanásia e subscrevi o recente manifesto Direito a Morrer com Dignidade. Não o fiz propriamente por achar que há um direito a morrer ou por qualquer razão jurídica. Não o fiz por considerar que a morte sem recurso à eutanásia e após grande sofrimento não possa ser digna. Claro que pode. E claro que se pode defender que a disposição da nossa Constituição que determina que “a vida humana é inviolável” não permite a legalização da eutanásia. Como, de resto, se afirmou relativamente à legalização da interrupção voluntária da gravidez. Mas são meras construções jurídicas e a questão de fundo não me parece ser jurídica.
É uma questão de concreta humanidade e amor ao próximo. Aceitar a legalização da eutanásia exige-nos a capacidade de aceitar que o “outro em sofrimento” não queira viver um pesadelo existencial sem outra saída que não seja a morte e possa evitar esse pesadelo e pôr termo à vida de uma forma não clandestina e angustiada mas antes, tanto quanto possível, tranquila e em paz. É também a possibilidade de alguém a quem amamos não ter de sofrer absurdamente.»

Francisco Teixeira da Mota, advogado

«Dois velhos a viverem há cinquenta anos numas águas furtadas da Avenida Marginal, frente ao Tejo: ele reformado da construção naval, sentado à cabeceira da mulher que esperava a morte que não vinha, e a olhar os navios que entravam e saíam da barra; a estudar os voos das gaivotas; a confirmar hora após hora os comboios que passavam entre ele o rio por essas praias além; a pensar mundos perdidos para lá dos nevoeiros. E vencido, impotente, porque a mulher há tantos anos, minada por metástases até aos ossos gritava, dormia e respirava dores, implorando a Deus que a levasse, depressa, Senhor, depressa para a sua santíssima presença.
Uma manhã, ao despertar, o velho viu-a por instantes bela e serena como nos seus tempos de amor. E chorou de mansinho e também ele desejou morrer.
Depois sentiu as dores a aproximarem-se de novo, e a escorrer lágrimas de desespero, de cansaço, de saudade, abraçou-se à mulher amada, envolveu-se nela e no seu sofrimento e cobriu-lhe o corpo de facadas.
Suicidou-se atropelado por um comboio, mesmo em frente da janela onde costumava ver passar os navios.»

José Cardoso Pires

«O pior na doença, mais do que o sofrimento, é a desgraça de ter todos os momentos na consciência a humilhação das fraquezas do corpo. É sentir cada órgão a recusar a função, cumprir de má vontade o acto de viver. É suportar a tirania dos sentidos e nada poder contra a degradação e o empobrecimento de ser seu escravo. Viver é estar inocente de si próprio. Como na santidade, que tem de se ignorar, também nenhuma parte de nós deve saber que existe.
(…)
Não sei como hei-de resistir.
- A resistir… - responde-me uma teimosa voz interior.
E deixo-me ficar estoicamente no meu sofrimento, fiel à íntima certeza em que sempre vivi de que a suprema fortuna é saber corajosamente merecer a vida, e a suprema desgraça é coverdemente não a saber perder.»

Miguel Torga, Diãrio Vol. XVI

«Mas a certa altura fala-me da nossa irmã. O espírito apaga-se-lhe precipitadamente e tudo aquilo que a ligava ao mundo se lhe confunde num caos. A filha, marido, todas as pessoas de família lhe são figuras estranhas como toda a perspectiva do tempo se lhe perdeu. Tento situar-me em face da minha irmã e não sei. Quando voltar a vê-la decerto me mão conhece. Todo o passado da nossa infância comum vem ter comigo e de súbito ele está morto nela a uma distância de vertigem. Que significa ela estar viva e real na realidade que é a sua? É morta minha irmã. No fundo de mim o sei.»

terça-feira, 8 de maio de 2018

ETECETERA


Para evitar qualquer situação de mal-entendido, digo que sou completamente contra qualquer tipo/género  de assédio sexual.

Mas, percebendo a problemática, gostaria de deixar dito que toda esta gente levou bastante tempo a fazer as denúncias e as revelações que, agora, saltam em cada dia abrangendo as mais variadas gentes. 

Sim, a vida é difícil…

O velho recorte que antecipa este apontamento é de autoria da jornalista Antónia de Sousa e foi publicado no Diário de Notícias há uns bons 30 anos.

Está lá tudo!

Os salários em atraso, os contratos a prazo, a precaridade do emprego tornaram as mulheres mais vulneráveis à chantagem sexual nos locais de trabalho.

Lembram-se da grande crise nas empresas têxteis do Vale do Ave?

E a chantagem, não é muitas vezes exercida pelos patrões, mas por chefes e chefinhos, encarregados e encarregadinhos, que se aproveitam das fragilidades das trabalhadoras para as seduzir.

Há quem resista mas a esmagadora maioria são mulheres que não aparecem em público a denunciar as chantagens.

Por vergonha, por medo.


Voltando ao escândalo que envolve a atribuição do Prémio Nobel da Literatura, referido no último Etecetera, é muito importante ler o artigo de  Ana Sousa Dias, no Diário de Notícias. de sábado.

Começa assim:


Mais uma citação:

E tudo por causa de um rastilho acendido em outubro do ano passado por múltiplas denúncias de que um certo Harvey Weinstein usava e abusava do seu poder de produtor de cinema para conseguir sexo. É uma história do género O Rei Vai Nu. Aquela coisa de"toda a gente sabe mas ninguém fala nisso", como aconteceu com a pedofilia na Igreja Católica ou, por cá, com as histórias escabrosas da Casa Pia, sobre as quais já se percebeu que nunca saberemos nada que se aproxime de verdade.

TEMPOS SOCRÁTICOS

O ganda noia Marques Mendes, na sua prática dominical na SIC, largou, ontem, a ideia de que José Sócrates vai fazer tudo para perturbar a vida ao Partido socialista e embaraçar António Costa. 

«José Sócrates é vingativo» afirmou.

A jornalista Fernanda Câncio, que manteve relação próxima com José Sócrates, em artigo no Diário de Notícias afirma que o ex-primeiro-ministro enganou toda a gente.

E por onde anda Manuel Pinho?

AVISO

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, avisou, em entrevista à Rádio Renascença que pode antecipar as eleições legislativas se o Orçamento:

«É tão fundamental para mim, que uma não aprovação do Orçamento me levaria a pensar duas vezes relativamente àquilo que considero essencial para o país, que é que a legislatura seja cumprida até ao fim».

NÚMEROS DA POBREZA

Dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que, em 2017, dois milhões e 399 mil portugueses estavam em risco de pobreza ou exclusão social, ou seja, menos 196 mil pessoas do que no ano anterior.

Do total de pessoas em pobreza ou exclusão social, 18% (431 mil) eram menores de 18 anos, enquanto 18,8% (451 mil) eram pessoas com 65 ou mais anos.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

NOTÍCIAS DO CIRCO


Marcelo Rebelo de Sousa deverá ter em Belém um assessor que lhe selecciona os afectos.

Há incêndios e ele corre… há uma avioneta que cai em Tires e ele corre… há trabalhadores da Triumph, desde o dia 5 de Janeiro em vigília à porta da fábrica para impedir a saída das máquinas, e ele não corre…

Trabalhadores lamurientos, porque os salários estão em atraso, porque perderam o emprego, dá pouco «share» televisivo, está fora de uma qualquer cartilha que deverá existir pelos corredores do Palácio Belém.

Depois de o Presidente da República ter faltado à reunião com as trabalhadoras da antiga Triumph, na passada segunda-feira, estas confrontaram-no à porta da Escola Secundária de Camarate, no concelho de Loures e alá teve ele que alinhavar umas palavritas, que não sei quê o governo…

Mas ontem, os trabalhadores da Triumph, 463 ao todo, souberam que foi decretada, pelo tribunal, a falência da empresa e assim poderão aceder ao subsídio de emprego e ao fundo de garantia social e ficam a aguardar que lhe sejam pagas as indemnizações.

Apenas um certo alívio porque a outra parte do drama é terem ficado sem emprego, uma empresa que eles sabem ter viabilidade.

«Pode depois aparecer à posteriori um investidor, porque nós estamos dispostas a trabalhar. Nós estamos aqui para trabalhar», reiterou Mónica Antunes, delegada sindical.

Certamente, não mais quererão ouvir falar em afectos presidenciais, mas sabem, de certeza certa, de que sem a sua luta nada teria sido conseguido.

sábado, 6 de janeiro de 2018

ETECETERA


Cumprida está a primeira semana do Novo Ano.

A palavra-chave da mensagem de Ano Novo do Presidente da República foi «reinventar».

Mas reinventar o quê?

Quem?

Ficou a dúvida.

Pode ser que, durante as suas múltiplas declarações aos jornais e televisões, Marcelo vá clarificando.

Talvez…

CATALUNHA

A justiça espanhola mostra-se incapaz de lidar com o buraco que Rajoy construiu na Catalunha.

Como se fossem vulgares criminosos, mantém na prisão líderes independentistas.

 A Catalunha ão é um caso jurídico. É um caso político.

Sombras e fantasmas franquistas que não desapareceram.

Sabemos como é.

A procissão ainda não saiu do adro.

CHILE

O candidato da coligação de direita Chile Vamos, Sebastián Piñera, obteve 54,57% dos votos na segunda volta das eleições para a presidência do Chile.

Trata-se da maior derrota da área de centro-esquerda desde o fim da ditadura de Pinochet, em 1990.

ÁUSTRIA

Os neo-nazis regressaram ao Governo da Áustria.

Sebastian Kurz, 31 anos, Chanceler eleito e líder do Partido Popular, coligou-se com Heinz-Christian Strache, 48 anos, líder do Partido da Liberdade, o FPÖ, fundado em 1956 por proeminentes nazis.

Não é a primeira vez que o FPÖ chega ao poder, mas, em 2000, a controvérsia junto da opinião pública austríaca e internacional, de Israel e da UE foi tanta, que Jörg Haider não chegou a entrar no Governo. Agora, Heinz-Christian Strache é vice-chanceler, e o FPÖ nomeou 6 dos 13 ministros, entre eles os do Interior, Defesa e Negócios Estrangeiros.

A Comissão Europeia assobia para o lado.

LIVROS?

Copiado do blogue «Horas Extraordinárias» de Maria do Rosário Pedreira:

«A escritora Luísa Costa Gomes partilhou na sua página do Facebook um anúncio que estava na OLX no dia 22 de Dezembro último e que deve fazer-nos reflectir sobre os tempos que atravessamos. Começava assim: “Vendo livro novo para quem gosta de ler tipo romances.” (A redacção é, já de si, bastante má e oral...) E, depois da fotografia do dito romance (na verdade, imagens da capa e contracapa de uma obra intitulada Shangai Baby, de Wei Hui, em inglês), a conversa era esta (cito): “vendo um bom livro de romance supostamente está novo nunca foi lido. troco por tsirts tm de marca em bom estado.” Enfim, nem sei para que continuo eu a fazer livros…»

JORNAIS E REVISTAS

Está consumada a venda de alguns jornais e revistas da Impresa.

O comprador, não se conhecem valores, foi o jornalista Luís Delgado, presidente da Trust In News.

Diz-se pelas esquinas que é um mero testa-de-ferro.

Delgado nega por completo e declara-se detentor a 100% da sociedade.
Os jornais, revistas e outras publicações periódicas perderam 28% de circulação total em 2016 face ao ano anterior, registando-se também uma quebra de 17,6% nos exemplares vendidos, revelou o Instituto Nacional de Estatística.
De acordo com as estatísticas em 2016 existiam 1.271 publicações periódicas, que corresponderam a 23.035 edições anuais, 420,5 milhões de exemplares de tiragem total e 322,2 milhões de exemplares de circulação total, dos quais foram vendidos 192,9 milhões de exemplares.

Em relação a 2015, verificaram-se, contudo, diminuições no número de publicações (2,7%), de edições (3,4%), na tiragem (22,3%), na circulação total (28,0%), nos exemplares vendidos (17,6%) e nos oferecidos (27,5%).

CTT

Os CTT preparam-se para fechar 22 lojas dos Correios em todo o país, a maioria das quais na Grande Lisboa e Grande Porto.

Este encerramento, bem como o despedimento de mil trabalhadores até 2020, estava previsto no plano de reestruturação dos CTT, negociado com o governo de Pedro Passos Coelho.

Diga-se, ainda, que desde que foram privatizados, os CTT têm desenvolvido um trabalho digno de um qualquer país do Terceiro Mundo: atrasos na correspondência, cartas que não chegam aos destinatários, perdidas não se sabe onde.

A FECHAR

«Diz-se que não se devem ter economias baseadas em mão-de-obra barata. Não sei por que não. Porque se não for a mão-de-obra barata, não há emprego para ninguém.»


Belmiro de Azevedo

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

NOTÍCIAS DO CIRCO


A operação a que o Presidente da República foi sujeito, nos últimos dias do ano que passou, deu lugar a larguíssima intervenção, em directo, das  televisões, deu oportunidade para que Eduardo Barroso viesse, uma vez mais a sua enorme vaidade.
Não sei muito bem porquê lembrei-me de uma notícia de 1ª página publicada, em Dezembro de 1864, no nº 1 do Diário de Notícias:

«Suas Magestades e Altezas passam sem novidade em suas importantes saudes.» 

Legenda: Eduardo Barroso mais a sua vaidade televisiva.

domingo, 29 de outubro de 2017

ETECETERA


Preocupante a situação na Catalunha.

Em Barcelona, este domingo, realizaram-se manifestações pela unidade de Espanha marcadas por símbolos fascistas e por actos violentos.

O parlamento regional da Catalunha aprovou na sexta-feira a independência da região, numa votação sem a presença da oposição, que abandonou a assembleia regional e deixou bandeiras espanholas nos lugares que ocupavam.

Ao mesmo tempo, em Madrid, o Senado deu autorização ao Governo para aplicar o artigo 155º. da Constituição para restituir a legalidade na região autónoma.

O executivo de Mariano Rajoy, apoiado pelo maior partido da oposição, os socialistas do PSOE, anunciou a dissolução do parlamento regional, a realização de eleições em 21 de dezembro próximo e a destituição de todo o Governo catalão, entre outras medidas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, Alfonso Dastis, afirmou hoje que o líder catalão Carles Puidgemont, demitido por Madrid, poderá ser preso por ter participado no movimento independentista.

O chefe da diplomacia do Estado espanhol indicou que Puidgemont pode «em teoria» ser candidato nas eleições regionais marcadas para 21 de Dezembro por Mariano Rajoy, «se nessa altura não tiver sido posto na prisão».

O Partido Comunista Português, em comunicado, já criticou o Governo espanhol, acusando-o de «intolerância, autoritarismo, coação e repressão», e considerou que a solução para a Catalunha passa pela vontade do povo catalão.

«A questão nacional em Espanha tem de ser considerada com a complexidade que a história e a atual realidade daquele país encerram. A resposta a esta questão, designadamente na Catalunha, deve ser encontrada no quadro do respeito pela vontade dos povos de Espanha e, consequentemente, do povo catalão. São profundamente criticáveis as atitudes do Governo espanhol, na base da intolerância, do autoritarismo, da coação e da repressão.»

Lê-se, ainda, no comunicado:

«É evidente que, a coberto da actual situação, se promovem valores nacionalistas reacionários e tomam alento sectores fascistas franquistas, que durante dezenas de anos oprimiram os povos de Espanha.»

BELÉM & SÃO BENTO

É estranho que um político experiente, e hábil, como António Costa não se tenha apercebido que os incêndios que destruíram vidas e bens, necessitava de um outro discurso, que se não é por se mudar de ministro que as coisas também não se resolvem em manter uma ministra que já demonstrara não ter pulso para aguentar a embarcação.

A comunicação social está apostar numa eventual guerra entre o presidente da república e o primeiro-ministro.

A situação entrou nnaquele campo das conferências de imprensa futebolísticas: um jornalista disse ao presidente que o governo ficara em estado de choque com o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa em Oliveira do Hospital e este respondeu de imediato que quem ficara chocado tinha sido o país.

É importante que impere o bom senso, que se coloquem de lado guerrinhas que nada trazem de positivo.

OUTRAS PREOCUPAÇÕES

O primeiro ministro da Hungria, Viktor Orban, disse no início desta semana, que a Europa Central é a última «zona livre de migrantes» e que a união entre países como a Hungria, Polónia e República Checa permite travar a globalização e as migrações em massa.

Ensurdecedor o silêncio da União Europeia face a estas declarações.

Entretanto na Áustria,  a extrema-direita está perto de voltar a integrar um governo. O partido de extrema-direita aceitou negociar com Sebastian Kurz e exigiu à cabeça a pasta de ministro do Interior.

CR7

O português mais conhecido em todo um mundo é um futebolista.

José Pacheco Pereira dixit.

E JÁ IAM NO QUARTO DRY-MARTINI...

Uma deliciosa história contada por Manuel S. Fonseca:

Garson Kanin, um belíssimo argumentista e um  bom realizador menor (era assim que eu falava quanto tinha carta de condução de intelectual), convidou Barrymore para ser o protagonista de The Great Man Votes, filme sobre um professor alcoólico em risco de perder a custódia dos seus dois filhos, depois da morte da mulher, que o lança em funda depressão.
Foram, Garson e John, jantar. Tinham avisado Kanin de que Barrymore, com a idade e o peso da realeza, era um tipo difícil. Mas John pareceu-lhe feliz e beberam antes, como aperitivo, um dry-martini. Trouxeram o menu, Barrymore nem o abriu, mas pediu um segundo cocktail. Conversa animadíssima e vibrante e já iam no quarto dry-martini, sem que Barrymore olhasse sequer para o menu.
Kanin sentiu que tinha obrigação de o pressionar e evitar que o grau de alcoolémia chegasse ao céu. “Mr. Barrymore, talvez seja altura de escolhermos o que vamos comer…” Barrymore, susceptível embora, respondeu-lhe com elegância: “Meu rapaz, quando chegares à minha idade vais descobrir que uma das piores coisas que podes fazer é começar a comer com o estômago vazio!”

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

ETECETERA


Há 50 anos Che Guevara foi assassinado.

«Muitos consideram-me um aventureiro e na verdade sou-o, mas de um tipo diferente, do tipo dos que arriscam a pele para provar o que dizem.»

Mário Sacramento no seu Diário:

«Parece que sempre conseguiram matar o Che Guevara, ao que dizem os jornais. Embora o sinta, não adiro com o mesmo sentimento que tive e tenho pelo Lumumba. É muito diferente lutar e morrer no seio do próprio povo ou agir como caixeiro-viajante da aventura revolucionária, no seio de outros. A dinastia dos Malraux nunca me foi simpática e a realidade confirma que há boas razões para isso.»

Poema para Che Guevara escrito por Jorge de Sena:

Neste vil mundo que nos coube em sorte
por culpa dos avós e de nós mesmos
tão ocupados em desculpas de salvá-lo,
há uma diferença de revoluções.
Alguns sofrem do estômago, escrevem versos,
Outros reúnem-se à semana discutindo
o evangelho da semana; outros agitam-se
na paz da consciência que adquirem
com agitar-se em benefícios e protestos;
outros param com as costas na cadeia,
para que haja protestos. Há também
revoluções, umas a sério, que se acabam
em compromissos, e outras a fingir,
que não acabam nem começam. Mas são raros
os que não morrem de úlcera ou de pancada a mais,
e contra quem agências e computadores
se mobilizam de sabê-los numa selva
tentando que os campónios se revoltem.
Os campónios não se revoltam. E eles
São caçados, fuzilados, retratados
em forma de cadáver semi-nu,
a quem cortam depois cabeça, mãos,
ou dedos só (numa ânsia de castrá-los
mesmo depois de mortos) e o comércio
transforma-os logo num cartaz romântico
para quarto de jovens que ainda sonhem
com rebeldias antes de se empregarem
no assassinar pontual da sua humanidade
e da dos outros, dia a dia, ao mês,
com seguro social e descontando
para a reforma na velhice idiota.
Ó mundo pulha e pilha que de mortos vive!


PSD

Quando for eleito o sucessor, Passos Coelho vai renunciar ao mandato de deputado.

Rui Rio fará o anúncio da sua candidatura quarta-feira em Aveiro, não quis que fosse no porto ou em Lisboa.

Pedro Santana Lopes, segundo a SIC, almoçou hoje com Marcelo Rebelo de Sousa e ainda não parou de ponderar.

Marcelo que amiúde diz não querer meter-se na vida dos partidos, de que terá falado com Santana? Dos tempos em que este, como primeiro-ministro, quis pô-lo a andar de comentador da TVI?

Marcelo que, sabe-se, não gosta de Rui Rio nem de Santana, poderá, apesar de tudo, preferir Santana a Rio?

Fernanda Câncio no Diário de Notícias, de hoje, lamenta os louvores que por aí circulam dedicados a Pedro Passos Coelho, terminando o artigo:

«Lamento: não tenho prazer em zurzir em quem está de saída, mas o que é demais é demais. Há porém um inestimável serviço ao país pelo qual Passos ficará na história -- uniu a esquerda. E isso sim, é obra.»

CATALUNHA

Amanhã, provável declaração unilateral de independência da Catalunha.

Mariano Rajoy, afirmou hoje que o executivo fará tudo o que for preciso para impedir a independência da Catalunha.