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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

VIVER A VIDA EM SOLIDÃO


Enquanto atravessava a Sexta Avenida, as palavras Callas é Medeia é Callas rodopiavam de modo ritmado ao som dos calcanhares das minhas botas a bater np pavimento. Pier Pailo Pasilini estudos com cuidado as possibilidades de elenco e acabou por escolher Maria Callas, uma das vozes mais expressivas de todos os tempos, para um papel é pico com pouco diálogo e em que o canto não entrava. Medeia  não canta canções de embalar, ela assassina os próprios filhos. Callas não era uma cantora perfeita, mas a sua voz saía das entranhas do seu ser e fê-la conquistar a pulso o seu lugar no mundo. A tristeza das heroínas que encarnou não a preparou para a sua própria dor. Traída, abandonada, ficou sem amor, sem voz, sem o filho que perdera, condenada a viver a sua vida em solidão. Preferia imaginar Callas livre das pesadas vestes de Medeia, a rainha queimada, na túnica amarelo-claro sob elas. Usava pérolas. A luz inunda o seu apartamento em paris quando pega num pequeno guarda-joias de couro. O amor é a joia mais preciosa de todas, murmura, desapartando as pérolas que lhe caem da garganta, escalas cantadas em ondulações de sofrimento que diminuem depois até ao silêncio.

Patti Smith em MTrain

Legenda: Maria Callas no filme Medeia de Pier Paolo Pasolini

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O VERÃO A DESPEDIR-SE...


O Verão angustiava-o. Certamente o desespero de nunca conseguir viver de acordo com ele.

Hoje, a versão de Summertime cabe a Maria Callas.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O VERÃO A DESPEDIR-SE...



Começou a ver os dias ficarem mais curtos.

Da janela do sótão, olhava os crepusculos.

Pelo Verão deparava-se com sentimentos vários. Tinha dias em que o odiava, e a quietude do Outono, que se aproximava, não o deixava sossegado.

Lera, já não lembra onde: «No Inverno penso que a Primavera me vai salvar e, no Verão, penso que será o Outono, e, no Outono, fico a pensar que é sempre o mesmo; esperar de uma estação para outra.» 

Maria Callas também cantou Summertime.


Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

REMORSOS DE UM ENCENADOR DE TEATRO


Muita gente me acusa de ser o culpado do estado de desgraça do nosso país por ter reprovado Pedro Passos Coelho numa audição em que eu procurava um cantor para fazer parte do elenco de My Fair Lady. Até o espertíssimo gato fedorento Ricardo Araújo Pereira já afirmou que eu devia ser chicoteado em público todos os dias até Passos Coelho desistir de ser primeiro-ministro, como insistentemente o aconselha o Dr. Soares.
Na verdade, confesso que em 2002, quando preparava os ensaios para levar à cena My Fair Lady fiz uma série de audições a cantores para procurar o intérprete do galã apaixonado por Elisa Doolittle, a pobre vendedora de flores do Covent Garden, personagem saída da cabeça brincalhona e maniqueísta de Bernard Shaw, genial dramaturgo que no seu tempo se fartou de gozar com políticos. Entre muitos concorrentes à audição, apareceu Pedro Passos Coelho de jeans, voz colocada, educadíssimo e bem-falante. Era aluno de Cristina de Castro, uma excelente cantora dos tempos de glória do São Carlos que tinha sido escolhida por Maria Callas para contracenar com a diva naTraviata quando da sua passagem histórica por Lisboa. As recomendações portanto não podiam ser melhores e a prova foi convincente. Porém, Passos Coelho era barítono e a partitura exigia um tenor. Foi por essa pequena idiossincrasia vocal que Passos Coelho não foi aceite, o que veio a ditar o futuro do jovem aspirante a cantor que, em breve, ascenderia a actor protagonista do perverso musical da política. Se não fosse a sua tessitura de voz de barítono, hoje estaria no palco do Politeama na Grande Revista à Portuguesa a dar à perna com o João Baião, a Marina Mota, a Maria Vieira, e talvez fosse muitíssimo mais feliz. Diria mal da forma como o Estado trata a cultura em Portugal, revoltar-se-ia com os impostos que o teatro é obrigado a pagar, saberia que um bilhete que é vendido ao público a dez euros, sete vão para o Estado, teria um ataque de nervos contra os lobbies da Secretaria de Estado da Cultura, há quarenta anos sempre os mesmos... não saberia sequer o nome do obscuro e discretíssimo secretário da Cultura oficial, não perceberia porque em Portugal não há uma Lei do Mecenato que permita aos produtores de espectáculos cativar os mecenas, tal é a volúpia cega dos impostos, saberia que cada vez mais há artistas no desemprego em condições miserabilistas e degradantes, que fazer teatro, cinema ou arte em Portugal se tornou um acto de loucura e de militância esquizofrénica. Mas a cantar no palco do Politeama estaria bem longe da bomba-relógio do Dr. Paulo Portas, cada vez mais fulgurante como pop-star, da troika, agora terrível e pós-seguramente medonha, das reuniões de quinta-feira com o Senhor Professor, do Gaspar que se pisgou para o Banco de Portugal, dos enredos do partido bem mais enfadonhas do que as animadas tricas dos bastidores do teatro, das reuniões intermináveis com os alucinados ministros, das manifestações dos professores, dos polícias, dos funcionários públicos, dos pescadores, dos estivadores, dos reformados, dos trabalhadores de tudo o que mexe e não mexe em cima deste desgraçado país, ah!, e das sentenças do Palácio Ratton que agora são chamadas para tudo, só para tramarem a cabeça intervencionada do pobre Pedrinho... não bastava já as constantes birrinhas do Tó Zé Seguro, as conversas da tanga do Dr. Durão Barroso, o charme cínico e discreto de Madame Christine Lagarde, as leoninas exigências da mandona da Europa para Bruxelas assinar a porcaria do cheque. Valha-me o Papa Francisco que tudo isto é de mais para um barítono!
Assumo o meu mais profundo remorso. Devia ter proporcionado ao rapaz um futuro mais insignificante mas mais feliz. Mas, tal como Elisa Doolittle, que depois de ser uma grande dama prefere voltar a vender flores no mercado de Covent Garden, talvez o nosso herói renegue todas as vaidades e vicissitudes da política e suba ao palco do Politeama para interpretar a versão pobrezinha mas bem portuguesa de Os Miseráveis!

PS. O artigo foi escrito em português antigo. No Teatro Politeama nem as bailarinas russas aderiram ao Acordo Ortográfico.


Filipe La Féria, ontem no número comemorativo dos 149 anos do Diário de Notícias.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

MARIA CALLAS


Maria Callas.
Se por cá andasse, faria hoje 90 anos.
Seria uma bonita velhinha a beber chá pelas tardes, a ouvir árias de óperas, a conviver com amigos, não fosse a rasteira que o  destino, um tipo sem moral nenhuma, lhe pregou ao  colocar  na rota da vida,  o milionário grego Aristóteles Onassis que acabou por lhe despedaçar a carreira.
Como é que a sua forte personalidade permitiu que um verme como Onassis, que a trocou pela leviana Jacqueline Kennedy, a conduzisse à  profunda tristeza de que viria a morrer..
Morrer de amor...
Um nome único no mundo da Ópera..
Provavelmente, não mais aparecerá outra intérprete como Maria Callas.
Provavelmente…




sexta-feira, 26 de julho de 2013

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


Se não sabem, ficam a saber que o Diário de Notícias, na sua colecção Divas, disponibiliza, hoje, um CD de Marilyn Monroe, integrado numa colecção por onde já passaram Maria Callas, Ella Fitgerald, Amália, Edith Piaf, Aretha Franklin, Billie Holiday, Judy Garland e, ainda passarão, Marlene Dietrich e Carmen Miranda,

A selecção musical e notas, são da responsabilidade de Rui Vieira Nery, enquanto Patricia Reis assina um texto ficcional sobre Marilyn, que termina assim:

A saúde de Marilyn está cada vez pior. Sofre de fobias. Chega sistematicamente atrasada às filmagens. Começa a fazer terapia com um psiquiatra e aceita ser internada na mesma instituição onde a mãe esteve. O facto de não ter conseguido ter filhos, apesar de ter engravidado duas vezes não ajudou. Queria muito ser mãe. E isso eu compreendo muito bem. Foi uma bênção ter conseguido adoptar os meus filhos. Marilyn foi operada para corrigir uma obstrução nas trompas de falópio. A seguir teve uma crise de vesícula e voltou a ser operada. Nos anos sessenta estava já um fio e era tão nova. Se pensarmos, morreu com 62 anos. Parece que a última pessoa a falar com ela ao telefone terá sido o presidente Kennedy, mas quem o pode garantir? Elton está convencido de que a mandaram matar. Era inconveniente, como misturava bebida com comprimidos, não tinha filtro. Era uma diva e uma menina perdida ao mesmo tempo. Como tantas outras divas. Parece que DiMaggio colocou rosas na sepultura da ex-mulher até morrer. Eme morreu em 1999. A isso eu chamo amor. Elton diz que posso estar enganado. Mas que sei eu? Casei com Elton John, a minha vida é uma montanha russa. E admito, existem dias em que Elton é Marilyn. Não me perguntem mais.