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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

À ESPERA DE UM TAL ABRIL


José Gomes Ferreira, no dia 1 de Janeiro de 1966, escrevia nos seus Dias Comuns:

A passagem do ano desenrolou-se com mansidão sóbria.
Alguns amigos: o Mário Dionísio com a família, Maria e o Chico Keil, a Maria Vitória e o Manuel, a Georgiana e o Zé Queiroz, a minha Mãe e o Raúl...
Champanhe. Uvas à meia-noite. Sandwiches. Pudins. Mastigação melancólica.
Rotina dos eternos gracejos com ranço... repetição de ditos já musgosos... Palavras que deixam na boca fios de teias de aranha de cuspo...
Começo dum novo ano de bafio...
Quando voltaremos a viver com entusiasmo? Qualquer entusiasmo. Até com caveiras nas árvores!

sexta-feira, 5 de março de 2010

UM PADRE NOS ENTERROS...


Numa exposição na Sociedade de Belas Artes, a PIDE levou-me um quadro meu que se chamava "Regresso à Terra". Ainda para aí o tenho e é muito fraquinho. Era uma paisagem, com um grupo de gente em pé e no meio daquela gente havia uma cova, onde estava um morto, as pessoas a olhar para ele. Aquilo surgiu-me porque eu tinha o meu pai muito doente. A PIDE levou-me o quadro e quando o meu marido foi lá buscá-lo perguntou ao censor:
- Mas que mal tem isto?
Responderam-lhe:
-Bem vê. Isto é um enterro, não é? No nosso país há sempre um padre nos enterros. Diga-me lá onde ele está?

Maria Keil

Legenda - Maria Keil. Auto retrato, 1941