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terça-feira, 8 de outubro de 2019

ANTES DE UM LUGAR HÁ O SEU NOME


Antes de um lugar há o seu nome. E ainda
a viagem até ele, que é um outro lugar
mais descontínuo e inominável.

Lembro-me

do quadriculado verde das colinas
do sol entretido pelos telhados ao longe,
dos rebanhos empurrados nos carreiros,
de um cão pequeno que se atreveu à estrada.

Íamos ou vínhamos?

Maria do Rosário Pedreira em A Casa e o Cheiro dos Livros

quinta-feira, 4 de abril de 2019

ESTA NOITE O VENTO CEIFA OS BOSQUES


Esta noite o vento ceifa os bosques e
uma raiva sacode a terra. Se a voz
do mar chamasse pelas velas, os estreitos
aguardariam um naufrágio. E se dissesses
o meu nome eu morreria de amor.

Devo, por isso, afastar-me de ti – não
por ter medo de morrer (que é de já não
o ter que tenho medo), mas porque a chuva
que devora as esquinas é a única canção
que se ouve esta noite sobre o teu silêncio.

Maria do Rosário Pedreira em O Canto do Vento nos Ciprestes

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

ADEUS ANO VELHO


Mais logo, despedimo-nos de mais um ano velho.

A Sophia de Mello Breyner Andresen não sabia por que as pessoas celebravam a passagem do ano. O ano está sempre a mudar, dizia.

Novo ano.

O que for será, como naquela velha canção da Doris Day.

Ou a Criação do Mundo que é um lindíssimo poema da Maria do Rosário Pedreira:

«Olhou as mãos em concha e viu arredondar-se
um sonho dentro delas – um mundo
que ninguém podia adivinhar, pois dele
fariam também parte os magos e os profetas.

Abriu-as devagar e deixou cair as trevas como sementes,
para que então servissem unicamente de sombras
e prolongassem a memória das coisas por vir. Foi assim
que inventou a luz e separou um dia do seguinte.

Depois afastou o céu daquilo que viria a ser o mar,
como quem divide um lenço azul em dois e limpa
as lágrimas apenas a metade. No meio, deixou que
crescesse tudo quanto do chão quisesse escapar-se
para traçar a primeira geografia dos caminhos. E assim

descobriu a cor e encheu a sua paleta de animais
que rasgariam os céus, cruzariam os oceanos e
resolveriam as entranhas da terra na estação
das chuvas. Por fim, semeou pequenas clareiras

nas florestas, pedras nas vertentes das cordilheiras,
cristais de neve no contorno dos lagos, estrelas cadentes
na vizinhança do desespero e rios serpenteantes
entre as searas louras, mordidas por um sol que lhe caiu
quase sem querer dos dedos, mas lhes aproveitou o calor

E, apesar da alegria que experimentou, sentiu que o seu
mundo era tão frágil que, se desviasse os olhos, tudo acabaria
por regressar ao pó, às trevas e ao verbo. Só por isso criou alguém
que também o visse e lhe dissesse todos os dias como era belo.»


Maria do Rosário Pedreira em O Canto doVento nos Ciprestes


domingo, 29 de abril de 2018

NADA ENTRE NÓS TEM O NOME DA PRESSA


Nada entre nós tem o nome da pressa.
Conhecemo-nos assim, devagar, o cuidado
traçou os seus próprios labirintos. Sobre a pele
é sempre a primeira vez que os gestos acontecem. Porém,

se se abrir uma porta para o verão, vemos as mesmas coisas –
o que fica para além da planície e da falésia; a ilha,
um rebanho, um barco à espera de partir, uma palavra
que nunca escreveremos. Entre nós

o tempo desenha-se assim, devagar.
Daríamos sempre pelo mais pequeno engano.

Maria do Rosário Pedreira em A Casa e o Cheiro dos Livros

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

NESSE VERÃO O VENTO DESPENTEOU OS CAMPOS E OS BARCOS


Nesse verão, o vento despenteou os campos e os barcos
andaram aos gritos sobre as ondas. A beleza excessiva
das crianças arrombou os espelhos; e as raparigas,
surpreendendo a intimidade dos pais, enlouqueceram
nos corredores e foram perder-se, também elas,
na volúpia dos dias. Nas árvores centenárias

rebentaram frutos que inflamavam a concha das mãos
e escorregavam para a boca com a pressa dos nomes
proibidos. O sol queimou as páginas do livro
interrompido na violência de um poema e revirou
os cantos do único retrato que resistira à moldura
do tempo. De noite, os rapazes deitaram-se às baías

atrás das estrelas; e os amantes, incomodados
com a exiguidade dos quartos, foram fazer amor
nos balneários frios da praia e acordaram nas vozes
um do outro. Já não sei o que disse e o que disseste:

o verão desarruma os sentimentos.

Maria do Rosário Pedreira em O Canto do Vento nos Ciprestes

Legenda: fotografia Reditt

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

A CRIAÇÃO DO MUNDO


Olhou as mãos em concha e viu arredondar-se
um sonho dentro delas – um mundo
que ninguém podia adivinhar, pois dele
fariam também parte os magos e os profetas.

Abriu-as devagar e deixou cair as trevas como sementes,
para que então servissem unicamente de sombras
e prolongassem a memória das coisas por vir. Foi assim
que inventou a luz e separou um dia do seguinte.

Depois afastou o céu daquilo que viria a ser o mar,
como quem divide um lenço azul em dois e limpa
as lágrimas apenas a metade. No meio, deixou que
crescesse tudo quanto do chão quisesse escapar-se
para traçar a primeira geografia dos caminhos. E assim

descobriu a cor e encheu a sua paleta de animais
que rasgariam os céus, cruzariam os oceanos e
resolveriam as entranhas da terra na estação
das chuvas. Por fim, semeou pequenas clareiras

nas florestas, pedras nas vertentes das cordilheiras,
cristais de neve no contorno dos lagos, estrelas cadentes
na vizinhança do desespero e rios serpenteantes
entre as searas louras, mordidas por um sol que lhe caiu
quase sem querer dos dedos, mas lhes aproveitou o calor.

E, apesar da alegria que experimentou, sentiu que o seu
mundo era tão frágil que, se desviasse os olhos, tudo acabaria
por regressar ao pó, às trevas e ao verbo. Só por isso criou alguém
que também o visse e lhe dissesse todos os dias como era belo.

Maria do Rosário Pedreira em O Canto do Vento nos Ciprestes

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

NÃO TENHO PLANOS, NEM PROMESSAS


Não tenho planos, nem promessas, nem
filhos que nos convidem para almoços
de domingo - a minha ideia de família
resume-se a um retrato velho preso numa
gaveta; e do amor possível sei tão-só

o que li nos romances que me salvaram
da desordem quando o meu tempo
andava de ferida em cicatriz. Mas guardo
ainda muitos por estrear para essa estante

que ergueste no corredor como uma casa
nova. E trago portas abertas no coração:

se ainda não sabias, és muito bem-vindo.

Maria do Rosário Pedreira em Poesia Reunida

Legenda: imagem Pinterest

sexta-feira, 10 de março de 2017

CHEGAM CEDO DEMAIS


Chegam cedo demais, quando ainda não podem escolher 
nem decidir. Vêm carregados de espectros, de memórias
e de feridas que não souberam sarar; mas trazem a confiança
da cura nas palavras. Convencem-se de que amam outra vez

quando nos tocam os pequenos lugares, esquecendo-se do rumo
incerto dos seus passos nas estradas tortuosas que os 
trouxeram. Abafam-se num cobertor de mentiras sem saber e 
falam de injustiça quando tentamos chamá-los à verdade. 

Dormem de vez em quando nas nossas camas e protegemo-los 
da dor como aos filhos que não iremos ter nunca
porque não nos resignamos a perdê-los. E, um dia, partem, vão 

culpados, não chegam a explicar o que os arrasta. Escrevem
cartas mais tarde - uma ou duas para se aliviarem dessa espada.
E nós ficamos, eternamente, sem vergonha, à espera que regressem. 

Maria do Rosário Pedreira em A Casa e o Cheiro dos Livros

sábado, 19 de março de 2016

OLHAR AS CAPAS



Em Nome do Pai
Pequena Antologia do Pai na Poesia Portuguesa

Vários Autores
Organização: José da Cruz Santos
Prefácio: Vasco da Graça Moura
Capa: Armando Alves
Modo de Ler, Porto, Março de 2008

Pai, dizem-me que ainda te chamo, às vezes, durante
o sono - a ausência não te apaga como a bruma
sossega, ao entardecer, o gume das esquinas. Há nos
meus sonhos um território suspenso de toda a dor,
um país de verão aonde não chegam as guinadas
da morte e todas as conchas da praia trazem pérola. Aí

nos encontramos, para dizermos um ao outro aquilo
que pensámos ter, afinal, a vida toda para dizer; aí te
chamo, quando a luz me cega na lâmina do mar, com
lábios que se movem como serpentes, mas sem nenhum
ruído que envenene as palavras: pai, pai. Contam-me

depois que é deste lado da noite que me ouvem gritar
e que por isso me libertam bruscamente do cativeiro
escuro desse sonho. Não sabem

que o pesadelo é a vida onde já não posso dizer o teu
nome - porque a memória é uma fogueira dentro
das mãos e tu onde estás também não me respondes. 

(Maria do Rosário Pedreira)

sexta-feira, 31 de julho de 2015

LÊ, SÃO ESTES OS NOMES DAS COISAS


Lê , são estes os nomes das coisas que
deixaste – eu, livros, o teu perfume
espalhado pelo quarto; sonhos pela
metade e dor em dobro, beijos por
todo o corpo como cortes profundos
que nunca vão sarar; e livros, saudade,
a chave de uma casa que nunca foi a
nossa, um roupão de flanela azul que
tenho vestido enquanto faço esta lista:

livros, risos que não consigo arrumar,
e raiva – um vaso de orquídeas que
amavas tanto sem eu saber porquê e
que talvez por isso não voltei a regar; e
livros, a cama desfeita por tantos dias,
uma carta sobre a tua almofada e tanto
desgosto, tanta solidão; e numa gaveta
dois bilhetes para um filme de amor que
não viste comigo, e mais livros, e também
uma camisa desbotada com que durmo
de noite para estar mais perto de ti; e, por

todo o lado, livros, tantos livros, tantas
palavras que nunca me disseste antes da
carta que escreveste nessa manhã, e eu,

eu que ainda acredito que vais voltar, que
voltas, mesmo que seja só pelos teus livros

Maria do Rosário Pedreira em Poesia Reunida

Legenda: pintura de Van Gogh

sexta-feira, 19 de junho de 2015

OLHAR AS CAPAS


Poesia Reunida

Maria do Rosário Pedreira
Prefácio: Pedro Mexia
Capa: Rui Rofrigues
Quetzal Editores, Lisboa, Janeiro de 2013

Ainda bem
que não morri de todas as vezes que
quis morrer - que não saltei da ponte,
nem enchi os pulsos de sangue, nem
me deitei à linha, lá longe. Ainda bem


que não atei a corda à viga do tecto, nem
comprei na farmácia, com receita fingida,
uma dose de sono eterno. Ainda bem


que tive medo: das facas, das alturas, mas
sobretudo de não morrer completamente
e ficar para aí - ainda mais perdida do que
antes - a olhar sem ver. Ainda bem


que o tecto foi sempre demasiado alto e
eu ridiculamente pequena para a morte.

Se tivesse morrido de uma dessas vezes,
não ouviria agora a tua voz a chamar-me,
enquanto escrevo este poema, que pode
não parecer - mas é - um poema de amor.

sábado, 18 de abril de 2015

QUE ESSA PRIMAVERA ERA OUTRA


Conta-me essa história, mas esquece deliberadamente
os nomes e as datas. Diz-me que essa primavera
era outra, muito mais antiga.
e agora lembrada sem querer ou por acaso. Conta-me

como foi, mas evita os pequenos detalhes intranquilos.
E, dos lugares, refere apenas os mais desconhecidos
e estranhos à memória. Não fales dos perfumes, dos desejos
ou dos demónios que de noite costumam enfeitiçar o corpo
e entretê-lo. E descreve todos os gestos hesitantemente,
como se fossem mesmo de outro tempo e deles
não mais guardasses que uma lembrança vaga e desprendida.

Conta-me de que falaram, mas escolhe, entre as palavras,
aquelas que pudesses não ter dito. E nunca escondas,
se os houve, os pensamentos tardios que, atrás delas,
tacteariam às cegas, sem destino. Conta-me essa história, sim,

se achares que deve ser, que tem de ser. Mas fá-lo sempre
com quem dela esqueceu a maior parte e não consegue
lembrar-se do desfecho, final feliz ou não.
Assim escutá-la-ei até ao teu silêncio
como um romance antigo, meio lido, perdido agora
entre outros numa estante e para sempre incompleto.
As outras histórias, de amanhã ou depois,
hei-de ouvi-las inteiras: são livros por escrever,
lugares distantes, coisas por inventar no tempo
que aí vem, nomes que não se adivinham nem magoam.


Maria do Rosário Pedreira em A Casa e o Cheiro dos Livros

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

OLHAR AS CAPAS


O Canto do Vento nos Ciprestes

Maria do Rosário Pedreira
Capa: Rogério Petinga
Gótica, Lisboa, Maio de 2007

Na tua boca cantou subitamente uma voz
E, ao dizeres o meu nome na rede de um abraço,
o rio que outrora bordava o campo emudeceu
com as suas pedras lisas. Então, foi possível

ouvir o vento soprar nas asas das borboletas
e os lagartos recolherem-se nos veios dos muros
e o sol ferir-se nos espinhos das roseiras.

Sobre a colina quente passou uma nuvem
e uma ave poisou, perplexa, no fio do horizonte -
por um instante, o dia mostrou as suas pálpebras tristes;

e, na brancura cega desse entardecer, a tua mão
escorregou pela inclinação do sol e veio contar
as sombras do um decote.

São assim as mais pequenas histórias do mundo.

segunda-feira, 21 de março de 2011

DIA DA POESIA


Os que passam por aqui sabem que não necessitamos de um dia de para trazer as palavras dos poetas. O Cais do Olhar é por si uma ideia de que não há olhares sem poesia, nem cais sem chegadas e despedidas, o mundo demasiado grande a engolir-nos, o adeus, mas viramo-nos para a frente, para a seguinte aventura louca sob os céus, tal como escreveu Jack Keroauc pela estrada fora.
Maria do Rosário Pedreira é quem nos visita neste dia, dito da poesia, que também é dia da árvore, e bom seria que as gentes pensassem todos os dias em poesia, na poesia e não apenas porque é dia de.


“Mãe, eu quero ir-me embora – a vida não é nada
daquilo que disseste quando os meus seios começaram
a crescer. O amor foi tão parco, a solidão tão grande,
murcharam tão depressa as rosas que me deram –
se é que me deram flores, já não tenho a certeza, mas tu
deves lembrar-te porque disseste que isso ia acontecer.
 
 Mãe, eu quero ir-me embora – os meus sonhos estão
cheios de pedras e de terra; e, quando fecho os olhos,
só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais
que a escuridão por cima. Ainda por cima, matei todos
os sonhos que tiveste para mim – tenho a casa vazia,
deitei-me com mais homens do que aqueles que amei
e o que amei de verdade nunca acordou comigo.
 
 Mãe, eu quero ir-me embora – nenhum sorriso abre
caminho no meu rosto e os beijos azedam na minha boca.
Tu sabes que não gosto de deixar-te sozinha, mas desta vez
não chames pelo meu nome, não me peças que fique –
as lágrimas impedem-me de caminhar e eu tenho de ir-me
embora, tu sabes, a tinta com que escrevo é o sangue
de uma ferida que se foi encostando ao meu peito como
uma cama se afeiçoa a um corpo que vai vendo crescer.
 
 Mãe, eu vou-me embora – esperei a vida inteira por quem
nunca me amou e perdi tudo, até o medo de morrer. A esta
hora as ruas estão desertas e as janelas convidam à viagem.
Para ficar, bastava-me uma voz que me chamasse, mas
essa voz, tu sabes, não é a tua – a última canção sobre
o meu corpo já foi há muito tempo e desde então os dias
foram sempre tão compridos, e o amor tão parco, e a solidão
tão grande, e as rosas que disseste um dia que chegariam
virão já amanhã, mas desta vez, tu sabes, não as verei murchar.”

Maria do Rosário Pedreira em “O Canto do Vento nos Ciprestes” Gótica Editora, Lisboa 2007

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

FICOU VAZIO O TEU LUGAR À MESA


À Avó

Ficou vazio o teu lugar à mesa. Alguém veio dizer-nos
que não regressarias, que ninguém regressa de tão longe.
E, desde então, as nossas feridas têm a espessura
do teu silêncio, as visitas são desejadas apenas
a outras mesas. Sob a tua cadeira, o tapete
continua engelhado, como à tua ida.
Provavelmente fiará assim para sempre.

No outro Natal, quando a casa se encheu por causa
das crianças e um de nós ocupou a cabeceira,
não cheguei a saber
se era para tornar a festa menos dolorosa,
se para voltar a sentir o quente do teu colo.

Maria do Rosário Pedreira em A Casa e o Cheiro dos Livros.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

OLHAR AS CAPAS


A Casa e o Cheiro dos Livros

Maria do Rosário Pedreira
Capa: Rogério Petinga
Gótica, Lisboa, Maio de 2007

                                                             para João Guimarães

Os amantes aparecem no verão, quando os amigos partiram
para o sul à sua procura, deixando um lugar vago
à mesa, um bilhete entalado na porta, as plantas,
o canário, um beijo e um livro emprestado: a memória
das suas biografias incompletas. Os amigos
desaparecem em agosto. Consomem-nos as labaredas do sol
e os amantes que chegam ao fim da tarde
jantam e de manhã ajudam a regar as raízes das avencas
que os amigos confiaram até setembro, quando regressam
trazem saudades e um romance novo debaixo da língua.
Levam um beijo, os vasos, as gaiolas e os amantes
deixam um lugar vago na memória, cabelos na almofada,
uma carta, desculpas, e um livro de cabeceira que os
amigos lêem, pacientes, ocupando o seu lugar à mesa.