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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO



Todas as vezes que um homem me ajudou houve um preço. Qual é o seu?

Marlene Dietrich e Gary Cooper em Morocco de Josef von Sternberg.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


Se não sabem, ficam a saber que o Diário de Notícias, na sua colecção Divas, disponibiliza, hoje, um CD de Marilyn Monroe, integrado numa colecção por onde já passaram Maria Callas, Ella Fitgerald, Amália, Edith Piaf, Aretha Franklin, Billie Holiday, Judy Garland e, ainda passarão, Marlene Dietrich e Carmen Miranda,

A selecção musical e notas, são da responsabilidade de Rui Vieira Nery, enquanto Patricia Reis assina um texto ficcional sobre Marilyn, que termina assim:

A saúde de Marilyn está cada vez pior. Sofre de fobias. Chega sistematicamente atrasada às filmagens. Começa a fazer terapia com um psiquiatra e aceita ser internada na mesma instituição onde a mãe esteve. O facto de não ter conseguido ter filhos, apesar de ter engravidado duas vezes não ajudou. Queria muito ser mãe. E isso eu compreendo muito bem. Foi uma bênção ter conseguido adoptar os meus filhos. Marilyn foi operada para corrigir uma obstrução nas trompas de falópio. A seguir teve uma crise de vesícula e voltou a ser operada. Nos anos sessenta estava já um fio e era tão nova. Se pensarmos, morreu com 62 anos. Parece que a última pessoa a falar com ela ao telefone terá sido o presidente Kennedy, mas quem o pode garantir? Elton está convencido de que a mandaram matar. Era inconveniente, como misturava bebida com comprimidos, não tinha filtro. Era uma diva e uma menina perdida ao mesmo tempo. Como tantas outras divas. Parece que DiMaggio colocou rosas na sepultura da ex-mulher até morrer. Eme morreu em 1999. A isso eu chamo amor. Elton diz que posso estar enganado. Mas que sei eu? Casei com Elton John, a minha vida é uma montanha russa. E admito, existem dias em que Elton é Marilyn. Não me perguntem mais.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?


Sim, há o famoso diálogo do Johnny Guitar, mas convém lembrar que esse diálogo é, "irmão gémeo", embora  25 anos mais novo, de outro retirado de "O Expresso de Xangai", filme que Joseph von Sternberg realizou em 1932, com interpretação de Marléne Dietrich e Clive Brook, e com cénário do grande Jules Furthman, um dos maiores  das décadas de oiro do cinema americano. E tão "gémeos" são que há autores que dizem que o primeiro é a matriz do segundo, uma maneira delicada de dizer que o segundo é um plágio do primeiro... Mas estão quase todos de acordo em dizer que são os dois diálogos mais belos da história do cinema.

Tudo isto me parece exagerado, porque Nicholas Ray não precisa de plagiar ninguém e há tantos diálogos bonitos em cinema que me parece arriscado identificar os melhores. Se nem sequer em relação aos filmes há consenso nesse aspecto, quanto mais em relação aos diálogos...

Antes de passar à apresentação do diálogo é necessário enquadrar o filme, para quem não o conhece. Tudo (ou quase tudo...) se passa num comboio que faz o  trajecto entre Pequim e Xangai no ano de 1931, em plena guerra civil. Como é habitual neste tipo de filmes, o comboio vai carregado de personagens estranhos e exóticos, a começar por duas senhoras, uma chinesa e outra "branca", que não é difícil associar rapidamente a actividades de boa/má vida... Quando as vê entrar, um padre (figura antipática no começo do filme, mas altamente positiva  no final...) remata logo no início: "Suponho que todos os comboios transportam a sua carga de pecado, mas este comboio leva mais do que a sua conta...!".

A mulher branca é a Marléne, que todos identificam de imediato como sendo "Xangai  Lily" e dizem ter derretido a fortuna a dez  grandes homens de negócio chineses. Da chinesa, nada se diz e nada se vem a saber durante todo o filme, estando-lhe reservado o papel de assassina do "mau do filme" para salvar a sua honra.


Entre os passageiros (militares, homens de negócios, apostadores, ....) está um militar todo vestido de branco (Clive Brook), que saberemos mais tarde tratar-se do capitão Donald Harvey, médico-militar que vai a Xangai operar o Governador-Geral.


A cena em questão passa-se logo no início do filme, sem que nada saibamos dos dois personagens e da sua possível ligação, para além da tal referência à Xangai Lily. Ambos assomam em simultâneo à janela da sua carruagem e deparam um com o outro. A cena é realizada em  plano quase fixo, do exterior do comboio,  apenas com um ou outro corte para nos dar grandes planos do rosto da Marléne. Só  a última "tirada" é filmada num plano inverso, já do interior do comboio.
Como não sabemos nada dos personagens, vamos chamar-lhes apenas Homem (H) e Mulher (M).

Então vamos lá, "camera, action":

H:  Magdalen!
M:  Doutor, há muito tempo que não te via! Não mudaste nada...
H:  Tu mudaste muito...
M:  Achas, Doc...? Importas-te que te chame Doc, ou devo ser mais respeituosa...?
H:   Nunca foste respeituosa e sempre me trataste por Doc...
M:  Pensei que não voltaria a ver-te... Pensaste muito em mim?
H:  Foi há quanto tempo?
M:  Cinco anos e quatro semanas.
H:  Durante cinco anos e quatro semanas, não pensei noutra coisa...
M:  Sempre foste bem educado. Não mudaste nada...
H:  Tu mudaste, Magdalen, mudaste muito...
M:  Estou menos bonita?
H:  Estás mais bonita que nunca...
M:  Mudei em que aspecto...?
H:  Oxalá pudesse descrever...
M:  Mudei de nome...
H:  Casaste...?
M:  Não. Foi preciso mais do que um homem para mudar o meu nome para Xangai Lily...
H:  Então tu é que és a Xangai Lily...?
M:  ... a desacreditada flor branca da China... Ouviste falar de mim? Sempre acreditaste no que ouviste...
H:  E continuo a acreditar. Como vês, não mudei nada. Gostei de te ver, Magdalen...
M:  A sério...!?



"It took more than one man to change my name to Xangai Lily" é uma das tiradas mais emblemáticas de toda a carreira da Marléne...

O filme está cheio de belos diálogos e fabulosos grandes planos de Marléne, iluminada como só Sternberg  (e Rouben Mamoulian também, num único filme...) a soube iluminar nos sete filmes que fizeram juntos.

A história evolui  em estilo de avanço/recuo na relação entre a Magdalen e o Doc, com os equivocos habituais, para acabar em "happy-end", o único entre todos os filmes que fizeram juntos. Não é que eu desgoste de "happy-ends", mas gosto mais dos filmes da Marléne em que ela acaba a perseguir o tenente Gary Cooper, seu amante, pelas dunas do deserto, junto às mulheres de "má fama" (Morroco), ou então quando é pura e simplesmente fuzilada, sem antes deixar de ajeitar o cabelo e puxar as meias de ceda  para cima.(Deshonored)...

Colaboração de Luís Miguel Mira

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

ANJO AZUL


Neste dia, no ano de 1901,em Berlim,  nascia Marlene Dietrich.

O fotógrafo Cecil Beaton chamava-lhe “prazer estranho”, John Wayne que era “a mulher mais intrigante que conhecera”, Jean Cocteau dizia simplesmente que era “a perfeição em si mesma”
Cigarro na mão, voz rouca, pernas inesquecíveis.

Diz-se que Ernest Hemingway terá sido um dos seus muitos amantes e dela deixou escrito:  

“Mesmo que ela não tivesse nada mais do que a sua voz, conseguiria partir-nos o coração. Mas ela tem também aquele corpo lindo e a doçura intemporal do seu rosto. Não faz diferença de que forma parte o nosso coração porque ela está lá para o arranjar.”

Em 1930 trocou a Alemanha pelos Estados Unidos o que lhe valeu a ira de Hitler, chamando-lhe traidora.

Em Paris, aos 91 anos, a morte visitou-a enquanto dormia.