Um Drama no
Atlântico
Mignon G. Eberhart
Tradução: Baptista de Carvalho
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 36
Livros do brasil, Lisboa s/d
Três mulheres,
profundamente deprimidas, estavam sentadas no exíguo camarote, esperando a
ordem de abandonar o navio. O camarote rangia, todo o navio rangia e se
desconjuntava, subindo e descendo a cada nova vaga, com prolongados
estremecimentos, tão fortes que Marcia sustinha a respiração e, de ouvido à
escuta, pensava: «é agora… é agora que o navio se despedaça; desta vez não
resistirá. A madeira apodrecida não poderá resistir; a ferragem gasta e
enferrujada quebrar-se-á».
Era quase um
milagre que tal não sucedesse; pelo menos assim o consideravam as três
mulheres, Marcia sabia as outras compartilhavam da sua ansiedade. O rosto
super-civilizado, fino e bem desenhado d, de Daisy Belle, apresentava
igualmente um olhar de concentrada atenção; e os grandes olhos verdes de Gili
relanceavam furtivamente para um lado e outro lado, como os de um gato
assustado que sente aproximar-se o perigo.
Havia três dias e
duas noites que tinham deixado Lisboa. Já ficavam para trás os Açores, com os
seus moinhos de vento gemendo tristemente. Estavam ao largo do escuro Atlântico,
longe de qualquer auxílio.

