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quinta-feira, 22 de agosto de 2019
terça-feira, 20 de agosto de 2019
QUOTIDIANOS
João Caramês,
médico-dentista, diz hoje no Diário de Notícias-on line:
«Portugueses são
dos mais desdentados da Europa.»
O Serviço
Nacional de Saúde não tem condições para prestar assistência dentária aos
portugueses. Resta a medicina privada, mas uma ida a um consultório de doutor
dentista custa os olhos da cara e mais alguma coisinha!...
Por dentes, num
delicioso filme de Francis Ford Coppola, Peggy Sue Casou-se, Kathleen Turner
tem este diálogo com o avô:
- Avô!
Sabe, quando o senhor e a avó morrerem a família morre
convosco. Não voltarei a ver os primos.
- O “strudel “da tua avó é que mantém esta gente
unida.
- Se pudesse voltar a fazer tudo de novo, avô, que
faria de modo diferente?
- Trataria melhor dos meus dentes.
domingo, 18 de agosto de 2019
QUOTIDIANOS
O governo vai
decretar que os dias da crise energética chegaram ao fim.
O Sindicato
Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas, após uma semana de luta,
anunciou o final da greve.
Quanto, ganharam,
ainda mais, as empresas petrolíferas?
Trabalhadores
por um lado, patrões por outro, o governo a servir de árbitro entre as partes,
uma arbitragem que tendeu mais para o lado do patronato e, face a esses sinais,
a ministragem arbitral foi murmurando que era importante que o país não parasse
que os portugueses tivessem umas férias sem sobressaltos.
O estranho desta
greve é que os responsáveis das petrolíferas não foram chamados pelo governo e
mantiveram um silêncio ensurdecedor.
Importante é que
os trabalhadores, de uma vez por todas, exijam melhores salários, melhores
condições de trabalho e que os diversos subsídios, que as empresas pagam por
debaixo da mesa, sejam declarados.
Os dinheiros não
declarados, que agora recebem, sabem bem mas em caso de baixa médica, subsídio
de desemprego ou reforma futura, não servem para nada!
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quinta-feira, 1 de agosto de 2019
quinta-feira, 11 de julho de 2019
QUOTIDIANOS
As cerejas estão
a acabar.
Parece que o
Verão chegou a Portugal.
A corrupção
alastra nas autarquias.
Não há meio de
sabermos o que se passou realmente no roubo de armamento em Tancos.
Vítor Constãncio
recebe de reforma do Banco Central Europeu 17 mil euros e 17 mil de Portugal. O
que fez na estranja não é público, o que (não) fez em Portugal vai-se sabendo
aos poucos, mas perdeu a memória e Joe Berardo continua a rir-se.
Soube-se agora
que a campanha de Cavaco Silva á presidência da República beneficiou de dez
cheques de 25.000 euros provenientes do saco azul gerido por Ricardo salgado no
BES.
Soube-se hoje
que somos menos, que estamos mais envelhecidos e que a taxa de pobreza diminuiu
um pouco mas continua elevada e que afecta os jovens até aos 18 anos e os
adultos com mais de 65 anos.
As televisões,
diariamente, ocupam horas e horas e horas e horas de futebol.
Hélia Correia,
uma escritora portuguesa, venceu o com o seu livro Um Bailarino na Batalha
venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de
Escritores. Talvez alguma televisão tenha gasto 3 segundos com a notícia.
Dizem que a
chuva talvez volte amanhã.
A certeza é que
quando as cerejas acabarem, só as voltaremos a ver lá para o Natal, vindas do
Chile, a preços astronómicos.
No dia 20 de
Julho, um sábado, às 21H30 irei rever, na Cinemateca, Belarmino, esse belo filme de Fernando Lopes.
No meio disto tudo, lembrar que Mário de
Carvalho começa assim o seu livro Fantasia para Dois Coronéis e uma Piscina:
«Assola o país uma pulsão coloquial que põe toda a
gente em estado frenético de tagarelice, numa multiplicação ansiosa de duos,
trios, “ensembles”, coros. Desde os píncaros de Castro Laboreiro ao Ilhéu de
Monchique fervem rumorejos, conversas, vozeios, brados que abafam e escamoteiam
a paciência de alguns, os vagares de muitos e o bom senso de todos. O falatório
é causa de inúmeros despautérios, frouxas produtividades e más-criações.
Fala-se, fala-se, fala-se, em todos os sotaques, em
todos os tons e decibéis, em todos os azimutes. O país fala, fala, desunha-se a
falar, e pouco do que diz tem o menor interesse. O país não tem nada a dizer,
a ensinar, a comunicar. O país quer é aturdir-se. E a tagarelice é o meio de
aturdimento mais à mão.»
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domingo, 19 de maio de 2019
QUOTIDIANOS
Leio nos jornais
que os partidos perdoam ao Patriarcado de Lisboa o apelo ao voto na Direita.
Ninguém lhes devia
perdoar.
Porque eles
sabem o que fazem!
sexta-feira, 19 de abril de 2019
QUOTIDIANOS
Meio da tarde,
no café do bairro, hora em que o Dudu manda a Dona Luzia fazer a bifana da
ordem, um ritual de muitos anos, mas que inclui sempre a recomendação: «com
muito alho e não esqueça o pimentão e a imperial só vem com a bifana«.
- Caramba, Sr. Dudu, nem na sexta-feira deixa de comer
carne.
- Olhe, Dona Elvira, sempre ouvi dizer que Cristo
encarnou não empeixou!...
quarta-feira, 17 de abril de 2019
QUOTIDIANOS
Chove em Lisboa.
O país vive
momentos de algum pânico por falta de gasolina nos postos de abastecimento, devido à greve dos camionistas de matérias perigosas.
Chega-se à idade
terceira e há fantasmas que não nos largam.
Bem tentamos
fechar-lhes a porta na cara, mas sem êxito.
Os tempos mudam,
as vontades também, mas não esqueço que em Setembro de 1973, chovia em Santiago,
e o fim da experiência chilena de Salvador Allende, para além das ajudas
externas, teve greves de camionistas e certas damas nas ruas a bater tampas de
tachos e panelas.
Repito: os tempos
são outros, mas convém não esquecer.
Continua a
chover em Lisboa.
Novas da greve
dos camionistas, talvez amanhã.
Legenda: capa de
O Embargo, conto de José Saramago, edição da Estúdios da Cor no Natal de
1973. Este conto seria posteriormente publicado em Objecto Quase.
sexta-feira, 5 de abril de 2019
QUOTIDIANOS
Chove na cidade.
Passagem pelo
velho café do bairro, entre as torradas e os galões, as velhotas lamentavam-se
pelo regresso da chuva.
Saibamos receber
a chuva como algo que nos traz fartura.
Lembremos a
alegria do hortelão a ver a chuva cair sobre os vegetais da horta, face à seca
que os noticiários dizem que anda por aí.
Recordo as
palavras felizes do José Gomes Ferreira, num qualquer volume dos seus Dias
Comuns, quando, na sua casa do bairro de Alvalade, via a chuva cair e isso constituir uma bênção para os nabos que plantara na horta da casa que tinha em
Albarraque.
Coisas simples…
ou o sentirmos que não estamos cercados pela indiferença…
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quinta-feira, 27 de setembro de 2018
QUOTIDIANOS
Se as coisas
corressem normalmente, mas já nada corre com normalidade!, teria, há dias,
colocado uma frase que li, algures, em Agustina Bessa-Luís:
«Aquela chuva do fim do Verão, ríspida e quase alegre.»
Mas todo este
Setembro, que deveria ser um doce Setembro, «está
de ananases» como escreveu o Eça na «Correspondência
de Fradique Mendes».
Neste momento os
termómetros, em Lisboa, marcam 33 graus!
Legenda: pintura de Édouard Manet
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sexta-feira, 21 de setembro de 2018
QUOTIDIANOS
Os dirigentes de
pacotilha e o jornalismo de sarjeta, estão a matar o futebol em Portugal.
Artur Portela Filho, numa entrevista ao Público:
«... o país, aliás, é o futebol, e vice-versa. Isso é potencialmente fatal, pode vir a ser fatal, está a ser fatal para todos nós.»
sábado, 8 de setembro de 2018
QUOTIDIANOS
Aqui somos o que temos. Dinheiro e cor. Sou mulata,
mas chamam-me “preta”. No fundo é igual. Sou pobre.
Iolanda,
cozinheira cabo-verdiana no Harlem, citada por Isabel Lucas, revista Ler,
Primavera, 2018
sábado, 1 de setembro de 2018
AGORA QUE É SETEMBRO
Procurar cheiros. Os
dias de chuva.
Uma velha canção de
Bécaud, também a contagem dos dias que
faltam para que seja Natal. Outra vez.
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
QUOTIDIANOS
O pai para o
filho:
- É a ler que aprendes a escrever…
- Mas quem é que lhe disse que eu queria aprender a
escrever?
E voltou a
dedilhar na maquineta de sms... ou lá o que isso é.
segunda-feira, 7 de maio de 2018
QUOTIDIANOS
Depois de todo este tempo de fanfarra, e ainda mais, cheguei a um ponto
em que precisava de solidão e de desligar a máquina de «pensar» e «gozar»
aquilo a que chamam «a vida», só desejava deitar-me na erva e olhar para as
nuvens…
Dizem, também, numa escritura antiga: «A sabedoria só pode ser obtida
do ponto de vista da solidão.»
E de qualquer forma estava farto e cansado de todos os navios e
caminhos de ferro e Times Squares de todos os tempos…
Candidatei-me no Departamento de Agricultura dos E. U. a um emprego
como vigia de incêndios na Floresta Nacional de Monte Baker nas High Cascades
do Grande Noroeste.
Jack Kerouac Viajante Solitário
sábado, 5 de maio de 2018
QUOTIDIANOS
Sim bebes demais e fumas demais, perdeste dentes e não te deste ao
cuidado de os substituir, a tua alimentação não cumpre os preceitos do
nutricionismo contemporâneo, mas se evitas a maioria das verduras é simplesmente
porque não gostas delas, e achas difícil, para não dizer impossível, comer
coisas de que não gostas. Sabes que a tua mulher se preocupa contigo,
principalmente por causa do tabaco e da bebida, mas felizmente, até agora,
nenhuma radiografia revelou qualquer tipo de estrago no fígado, e por isso
persistes nos teus hábitos deploráveis, sabendo perfeitamente que acabarão por
te causar danos graves, mas quanto mais envelheces menos provável te parece que
alguma vez tenhas vontade ou coragem para abandonar os teus queridos
charutinho, os teus frequentes copos de vinho, que ao longo dos anos tanto
prazer te deram, e às vezes pensas que, se abrisses mão deles nesta idade, o
teu organismo deixaria de funcionar.
Paul Auster em Diário de Inverno
domingo, 29 de abril de 2018
QUOTIDIANOS
A minha vizinha do andar de baixo tem muita idade e vive sozinha.
Poucas vezes a vejo, porque nunca sai, não sobe nem desce escadas;
porque eu saio e entro sempre em correria, porque o egoísmo adia a visita, o
bom-dia, a planta que se encomendou no florista.
Estive um tempo fora. No regresso subia com as malas, e o estrondo
sincopado de encontro aos degraus chamou a atenção da senhora que apareceu no
patamar. Perante o seu contentamento de me ver tornei a sentir-me envergonhada.
«Sim, a sua vida… Gostava de vê-la mais vezes mas não faz mal. Sabe,
bastam-me os seus passos embora cheguem aqui abafados pela alcatifa. Gosto
tanto de os ouvir. A verdade é que tinha saudades do som dos seus passos lá em
cima».
Isabel da Nóbrega em Quadratim-I
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Quotidianos
segunda-feira, 16 de abril de 2018
QUOTIDIANOS
Sou das que acredito
até ao fim.
Sigo o velho ditado
popular de que «até ao lavar dos cestos é vindima».
quinta-feira, 1 de março de 2018
NOTÍCIAS DO CIRCO
O Tribunal da Relação do Porto agravou a pena aplicada a
um homem de 50 anos condenado pelo roubo de 15 chocolates no valor de 23,85
euros.
O arguido tinha sido
condenado na primeira instância a 90 dias de prisão substituída por 90 horas de
trabalho a favor da comunidade, por um crime de roubo na forma tentada.
Inconformado com a
decisão, o Ministério Público recorreu para a Relação que alterou o crime para
violência depois de subtração, condenando o arguido a um ano de prisão, cuja
execução será suspensa pelo mesmo período de tempo.
«No caso concreto não
temos dúvidas que o arguido quis conservar os bens furtados em momento
posterior à subtração, quando já se aprestava para sair porta fora e uma vez
interpelado reagiu de forma a conservar os bens em seu poder».
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