Há uma idade a partir da qual nenhuma realidade
supera a memória, por isso os velhos falam pouco e ficam horas virados para
dentro, por isso se deitam cedo e esperam o sono como um amigo antigo.
Tem razão, Luís, tendência algo generalizada para silenciar o que os velhos têm para dizer. Contudo, o sublinhar desta frase no livro do Nuno Camarneiro, tem a ver com o filme «Viagem a Tóquio», de Yasujiro Ozu, que revi no tempo em que lia o livro. Marido e mulher, no cair das tardes, ficavam horas, sentados, a olhar, só eles sabem para onde, uma serenidade silenciosa que chega a ser comovente. Foi a razão do meu sublinhado, longe da acertada interpretação que o Luís lhe dá. Fico com a sensação de que não estou a ser muito claro... Abraço.
Nós só precisamos de ser verdadeiramente claros para nós, Sammy.
Isto dos blogues funcionam muito como diários, escrevemos sobre o que nos é mais próximo (inclusive pessoas...), e por vezes também não queremos ser demasiado claros...
E o leitor muitas vezes lê em diagonal, pega apenas numa frase que "falou mais alto" (falo por mim, como comentador), sem querer ir ao fundo das verdadeiras questões...
Claríssimo entendimento. É isso mesmo, Luís. Os comentários em alguns blogues entraram no campo da javardice. Os anos que levo de blogosfera nunca me levaram a entrar em comentários porque sabia onde isso acabaria. A excepção aconteceu com o «Largo da Memória». Mesmo no seu blogue, por vezes apetece-me dizer algo sobre alguns posts, mas um qualquer pequeno sinal me diz que não a estou a ver o filme com olhos de ver do Luís, e deixo passar. Esta é das tais conversas que mereciam uns berbigões em Cacilhas – ainda há tascos em Cacilhas? Ainda há berbigões? «Nunca os comas fora do meses de «r», dizia a minha avó, e completava o aviso com o pregão das ruas de Lisboa «rr-mexilhão». Havemos de pensar nisso quando voltarmos a ser gente. Mas já estive mais optimista!
Estou, ainda, sentado nos primeiros dias do resto da minha vida. O Eugénio de Andrade, se agora estivesse aqui, diria: «O meu país é entre junho e setembro.» Limito-me a escrever: «Agendado.» At+e lá!
Só não me parece que os velhos falem pouco. Não falam mais porque não os deixam, Sammy...
ResponderEliminarTem razão, Luís, tendência algo generalizada para silenciar o que os velhos têm para dizer.
ResponderEliminarContudo, o sublinhar desta frase no livro do Nuno Camarneiro, tem a ver com o filme «Viagem a Tóquio», de Yasujiro Ozu, que revi no tempo em que lia o livro. Marido e mulher, no cair das tardes, ficavam horas, sentados, a olhar, só eles sabem para onde, uma serenidade silenciosa que chega a ser comovente.
Foi a razão do meu sublinhado, longe da acertada interpretação que o Luís lhe dá.
Fico com a sensação de que não estou a ser muito claro...
Abraço.
Nós só precisamos de ser verdadeiramente claros para nós, Sammy.
ResponderEliminarIsto dos blogues funcionam muito como diários, escrevemos sobre o que nos é mais próximo (inclusive pessoas...), e por vezes também não queremos ser demasiado claros...
E o leitor muitas vezes lê em diagonal, pega apenas numa frase que "falou mais alto" (falo por mim, como comentador), sem querer ir ao fundo das verdadeiras questões...
Claríssimo entendimento.
ResponderEliminarÉ isso mesmo, Luís.
Os comentários em alguns blogues entraram no campo da javardice.
Os anos que levo de blogosfera nunca me levaram a entrar em comentários porque sabia onde isso acabaria. A excepção aconteceu com o «Largo da Memória». Mesmo no seu blogue, por vezes apetece-me dizer algo sobre alguns posts, mas um qualquer pequeno sinal me diz que não a estou a ver o filme com olhos de ver do Luís, e deixo passar.
Esta é das tais conversas que mereciam uns berbigões em Cacilhas – ainda há tascos em Cacilhas? Ainda há berbigões? «Nunca os comas fora do meses de «r», dizia a minha avó, e completava o aviso com o pregão das ruas de Lisboa «rr-mexilhão».
Havemos de pensar nisso quando voltarmos a ser gente.
Mas já estive mais optimista!
Pode ser que em Setembro (tem r...), o "covid" tenha metido férias, Sammy. :)
ResponderEliminarEstou, ainda, sentado nos primeiros dias do resto da minha vida.
ResponderEliminarO Eugénio de Andrade, se agora estivesse aqui, diria:
«O meu país é entre junho e setembro.»
Limito-me a escrever:
«Agendado.»
At+e lá!