domingo, 10 de maio de 2020

POSTAIS SEM SELO




Há uma idade a partir da qual nenhuma realidade supera a memória, por isso os velhos falam pouco e ficam horas virados para dentro, por isso se deitam cedo e esperam o sono como um amigo antigo.

Nuno Camarneiro em Debaixo de Algum Céu  

6 comentários:

  1. Só não me parece que os velhos falem pouco. Não falam mais porque não os deixam, Sammy...

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  2. Tem razão, Luís, tendência algo generalizada para silenciar o que os velhos têm para dizer.
    Contudo, o sublinhar desta frase no livro do Nuno Camarneiro, tem a ver com o filme «Viagem a Tóquio», de Yasujiro Ozu, que revi no tempo em que lia o livro. Marido e mulher, no cair das tardes, ficavam horas, sentados, a olhar, só eles sabem para onde, uma serenidade silenciosa que chega a ser comovente.
    Foi a razão do meu sublinhado, longe da acertada interpretação que o Luís lhe dá.
    Fico com a sensação de que não estou a ser muito claro...
    Abraço.

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  3. Nós só precisamos de ser verdadeiramente claros para nós, Sammy.

    Isto dos blogues funcionam muito como diários, escrevemos sobre o que nos é mais próximo (inclusive pessoas...), e por vezes também não queremos ser demasiado claros...

    E o leitor muitas vezes lê em diagonal, pega apenas numa frase que "falou mais alto" (falo por mim, como comentador), sem querer ir ao fundo das verdadeiras questões...

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  4. Claríssimo entendimento.
    É isso mesmo, Luís.
    Os comentários em alguns blogues entraram no campo da javardice.
    Os anos que levo de blogosfera nunca me levaram a entrar em comentários porque sabia onde isso acabaria. A excepção aconteceu com o «Largo da Memória». Mesmo no seu blogue, por vezes apetece-me dizer algo sobre alguns posts, mas um qualquer pequeno sinal me diz que não a estou a ver o filme com olhos de ver do Luís, e deixo passar.
    Esta é das tais conversas que mereciam uns berbigões em Cacilhas – ainda há tascos em Cacilhas? Ainda há berbigões? «Nunca os comas fora do meses de «r», dizia a minha avó, e completava o aviso com o pregão das ruas de Lisboa «rr-mexilhão».
    Havemos de pensar nisso quando voltarmos a ser gente.
    Mas já estive mais optimista!

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  5. Pode ser que em Setembro (tem r...), o "covid" tenha metido férias, Sammy. :)

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  6. Estou, ainda, sentado nos primeiros dias do resto da minha vida.
    O Eugénio de Andrade, se agora estivesse aqui, diria:
    «O meu país é entre junho e setembro.»
    Limito-me a escrever:
    «Agendado.»
    At+e lá!

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