O poeta delicado de ascendência humilde
foi sempre um cão
batido e se não o fosse
viveria mais infeliz
ainda por não ser
o cão batido. É bom no
fundo, amigo, leal, o dedicado.
Mas, nas entrelinhas
dos sorrisos dele,
há sempre um rosnar
doce de contida inveja:
é que outros a quem
batem são leões ou alifantes,
porém não cães batidos.
E não nasceram
nas palhas da
província, embora se não escolha
onde se nasce para cão
batido.
Jorge
de Sena em Dedicácias
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