quarta-feira, 30 de novembro de 2011

JANELA DO DIA


 
1.

O Orçamento do Estado para 2012 foi aprovado com votos favoráveis do PSD/PS.
O Partido Socialista absteve-se.
PCP, PEV e BE votaram contra.

2.

Em entrevista à SIC, o Primeiro-ministro considerou que há um risco de o declínio económico em 2012 ser maior do que o previsto pelo Governo e admitiu que nesse cenário sejam adoptadas novas medidas de austeridade.

O Partido Comunista considerou que o primeiro-ministro revelou hoje "um profundo desprezo pela vida de milhões de portugueses e mantém inatacável o compromisso do Governo com os grupo económicos e financeiros, com a banca, com os especuladores, com as orientações que presidem neste momento à própria União Europeia, incluindo às da senhora Merkel.

Por seu turno o Bloco de Esquerda criticou a leviandade e a descontracção com que o primeiro-ministro admitiu a aplicação de medidas adicionais de austeridade.


Legenda: fotografia de Idílio Freire

AH! AQUELA GUITARRA...


Dez anos sem George Harruison, o meu beatle de estimação.
O sol vem aí e eu digo que está tudo bem...

OS CROMOS DO BOTECO

DO BAÚ DOS POSTAIS

Curia

VAI SER NATAL OUTRA VEZ


De hoje a um mês vai ser outra vez Natal.
Na maioria dos lares portugueses a palavra de ordem é:
Neste Natal só se oferecem presentes às crianças.
Terá menos brilho o Natal mas não vai deixar de ser Natal.
Porque, como diz a canção:, o Natal é a Festa dos Amigos!

POSTAIS SEM SELO


A minha diversão é ver televisão com uma t-shirt vestida e beber uma cerveja a ver football.

Woody Allen

terça-feira, 29 de novembro de 2011

JANELA DO DIA


1.

O naipe de burocratas que constituem o governo do reino, desconhece, em absoluto, como vivem o povo e os trabalhadores.

Fazia-lhes bem descerem á rua.

Evitavam, de certeza, o acumular de uma montanha de injustiças e decisões que transformaram a vida dos portugueses num inferno.

2.

As taxas moderadoras da Saúde vão aumentar 50%, no início de Janeiro.

Este aumento permitirá ao Estado arreecadar 100 milhões de receitas.

3.

De acordo com uma auditoria à sustentabilidade de empresas de capitais públicos do Tribunal de Contas, até 31 de Dezembro de 2007, foram dispendidos cerca de 40,738 milhões de euros em estudos e outros custos empresariais.

Em 2008, o Governo alterou a localização do futuro aeroporto de Lisboa da Ota para Alcochete.

4.

A maioria parlamentar na Assembleia da República aprovou o aumento do IVA na restauração, entre muitos outros produtos, quase todos de bens alimentares, que deixa de estar sujeito a uma taxa de 13%, passando para 23%.

5.

Para os consumidores, as perspectivas sobre a evolução da economia e da situação financeira do seu agregado familiar nunca foram tão más. Para as empresas, o pessimismo é transversal a todos os sectores.

De acordo com dados fornecidos pelo IME o indicador de confiança dos consumidores atingiu em Novembro um novo mínimo histórico. Os números mostram que as perspectivas dos consumidores quanto à evolução da situação económica do país e da situação financeira do seu agregado familiar nunca estiveram num nível tão baixo, na sequência das sucessivas medidas de austeridade anunciadas pelo Governo e da própria crise da dívida europeia.

As expectativas de aumento do desemprego e dos preços, usadas para aferir o indicador de confiança dos consumidores, estão também em níveis elevados.

6.

O Parlamento aprovou a proposta de alteração ao Orçamento para subir o corte dos dois subsídios de férias e de Natal para os 1100 euros e para penalizar os rendimentos acima dos 600 euros. Ficam assim isentos de cortes cerca de 51 mil funcionários públicos
           
Como disse Jerónimo de Sousa estamos no campo dos meros faits-divers.

O governo mostrou que não é tão inflexível como dizem, o Partido Socialista viu ser-lhe oferecido um rebuçado.

Para os portugueses o que antes tinha sido decidido  era um roubo, o que agora foi aprovado, continua a ser um roubo.

FREQUENTADO POR ARTISTAS


Desceu na praça e pensou em tomar qualquer coisa no British Bar do Cais do Sodré. Sabia que era um lugar frequentado por artistas e contava encontrar lá algum. Entrou e sentou-se numa mesa do canto. Na mesa vizinha, realmente, estava o romancista Aquilino Ribeiro a almoçar com Bernardo Marques, o desenhador de vanguarda, que tinha ilustrado as melhores revistas do Modernismo português. Pereira deu-lhes os bons dias e os artistas responderam com um aceno de cabeça.

Antonio Tabucchi em Afirma Pereira, Quetzal Editores, Lisboa 1995

DO BAÚ DOS POSTAIS

Caldas da Raínha

POSTAIS SEM SELO


Ler pode ser melhor que viver


Legenda: Biblioteca, pintura de Vieira da Silva.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

JANELA DO DIA


1.

Segundo o Público, a CP está à procura de entidades públicas ou privadas que possam ser suas parceiras na exploração do comboio histórico do Douro, para minimizar os prejuízos que tem tido naquele serviço e que a empresa diz não poder mais suportar.

Caso esta solução não seja viável, está efectivamente em causa a sua continuidade.
Este ano o comboio histórico teve custos de 150 mil euros e receitas de 90 mil euros.

A Estrutura da Missão do Douro olhando os valores financeiros em causa, absolutamente simbólicos para a realidade da CP, considera criticável a opção de encerramento do serviço do comboio histórico no Douro.

Esta decisão, a confirmar-se, não acompanha de todo a aposta que se faz hoje no desenvolvimento turístico da região, nem respeita o seu estatuto de Património da Humanidade.

2.

A dívida de curto prazo da Parque Expo atingia, no final de 2010, 150 milhões de euros e era cinco vezes superior ao volume de negócios gerado pela empresa em 2009, revela um relatório do Tribunal de Contas.

O Estado gastou, até 2009, cerca de 491 milhões de euros com a Parque Expo, mais de metade do total despendido com o universo de empresas analisado neste relatório.

O governo que nos assiste, anunciou, em Agosto, a extinção da Parque Expo.

3.

Segundo dados do governo, Portugal vai pagar um total de 34.400 milhões de euros em juros pelos empréstimos do programa de ajuda da "troika".

QUOTIDIANOS


Empunhando uma cafeteira como arma, uma camponesa de 68 anos matou o seu octogenário marido. O casal discutia muitas vezes. Um vizinho encontrou o homem jazendo por terra, com o rosto em sangue. A mulher, a seu lado, bebia café serenamente.

Herberto Helder em Photomaton & Vox, Assírio & Alvim, Lisboa 1979

DO BAÚ DOS POSTAIS

Coimbra.

POSTAIS SEM SELO


Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos á boca
e viesse o que viesse.

Antonio Gedeão

Legenda: Cadeira de Gauguin, pintura de Van Gogh

domingo, 27 de novembro de 2011

JANELA DO DIA



O VI Comité Inter-Governamental da UNESCO aprovou hoje em Bali, na Indonésia, a integração do Fado na Lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Esqueçam-se os assomos de patriotismo barato que aparecem sempre em acontecimentos como este, aquela saloiice a que governantes,,e outros, não conseguem fugir.

Diga-se apenas que o Fado passa a ser património da Humanidade e é tudo quanto baste, e esta consagração, não é mais que uma alegria, uma festa.

Por mim, não sendo um incondicional do fado, terei que dizer que há fados de que gosto muito, que me deixam arrepiado, concretamente aqueles que surgiram quando Alain Oulman por aqui andou, e compôs, para a voz de Amália, lindíssimas músicas, que , por sua vez, embrulhavam lindíssimos poemas.

Alain Oulman trouxe ao fado um toque de qualidade musical, melhor dito,um toque de classe que lhe emprestou uma outra dimensão.

Como exemplo maior, o álbum, de Amália e Oulman, Com Que Voz, editado naqueles dias em que este país se encontrava parado no tempo.

Um disco que é um prazer ouvir, uma melancolia miudinha que invade os sentidos e o torna um belo exemplo da justiça de o fado, a partir de hoje, seja pertença da Humanidade.

É de Alain Oulman e de Amália de que me lembro neste dia de festa.

No tempo de escolher uma ilustração para este texto, melhor não encontrei do que este vídeo em que Amália canta Abandono, poema de David Mourão Ferreira, para música de Alain Oulman.

Também conhecido como “Fado de Peniche”, invoca a fuga, em 3 de Janeiro de 1960,  de Alvaro Cunhal, e outros militantes comunistas, do Forte de Peniche..

E por aqui me fecho, como diria o Camilo Castelo Branco.

LXXXI


Já és minha. Repousa com teu sono em meu sono
Amor, dor, trabalhos, devem dormir agora.
Gira a noite em suas rodas invisíveis
e ao meu lado  és pura como âmbar adormecido.

Nenhuma outra, amor, dormirá com meus sonhos.
Irás, iremos juntos pelas águas do tempo.
Nenhuma outra viajará pela sombra comigo,
Apenas tu, sempre-viva, sempre sol, sempre lua.

Já tuas mãos abriram os punhos delicados
e deixaram cair suaves signos sem rumo,
teus olhos fecharam-se como duas asas cinzentas,

enquanto eu sigo a água que levas e me leva.
a noite, o mundo, o vento fiam o seu destino,
e  sem ti já não senão apenas o teu sonho.

Pablo Neruda em Cem Sonetos de Amor, tradução de Albano Martins, Campo das Letras, Porto, Maio 2004

MATINÉ DAS 3



O Carteiro de Pablo Neruda
Realização: Michael Radford (1994)

Com: Massimo Troisi, Philippe Noiret, Beatrice Russo

O filme esteve quase um ano em exibição no Cinema Mundial.Há a história de uma idosa que ia ver o filme quase todos os dias.
No Mundial vi-o duas vezes e volta e meia revejo-o e acabo sempre de lágrima ao canto do olho.
De uma deliciosa ternura.
Massimo Troisi, o carteiro, adiou uma intervenção cirúrgica para poder finalizar o filme.
Pouco depois de terminadas as filmagens, um ataque cardíaco fulminou-o.

RUÍNAS


De súbito tudo faz sentido, a casa em
ruínas, o apito do comboio ao longe,
a noite densa rasgada pelos pirilampos,
ainda a Primavera debruçada nas águas
do rio, em reflexos de dálias e açucenas
enquanto outras flores ardem num
punho que se fecha; adeus, tudo faz
sentido, a estrada por onde já não
chega o autocarro verde, o Outono
descendo sobre as árvores e as colinas,
o comboio a apitar, o aceno através
da bruma; adeus, as ruínas ficam
mas eu não.

José Mário Silva

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


Na próxima terça-feira, pelas 21,30 horas, no Grande Auditório da Culturgest, Aldina Duarte vai dar um concerto a que chamou “Contos de Fados”.

Preços: 18,00 euros.
Até aos 30 anos: 5 euros

“Quando canto também sonho; creio que estou a trabalhar, subterraneamente, na substituição de um medo, que é comum a todos, por uma esperança igualmente forte. Não me levem a mal.
Ao fundo do palco as cores primárias sucedem-se, entre nós a luz e a sombra, e o jogo sagrado de muitas vidas onde todos somos tudo e não somos nada.
No concerto – Contos de Fados – desejo um lugar de silêncio e revelação onde cada um por si, legitimamente, possa brincar consigo próprio às escondidas, imaginando no seu coração um esconderijo de ilusões e desilusões em desafio permanente, honesto e generoso.
Canto porque a vida me foi levando nessa direcção, mas como o vento norte, às arrecuas, sempre no sentido do Fado.
E canto – “Orfeu e Eurídice” – à Maria do Rosário Pedreira, e aos fadistas, e aos poetas: “mesmo que o saiba fechado / no silêncio mais profundo”.
E canto – “No Pó Que Ficou” –, do José Luis Gordo, a memória dos que se apaixonam, e dos que resistem, e dos que morrem: “no pó que ficou por lá / escrevi o teu nome ausente”.
E canto – “Que Amor É Este?” – o que não digo de ti, e de outros, e de ninguém : “Sobre o céu e o inferno / Diz-me tu o que não sei”.
E canto – “Medeia” – à Manuela de Freitas, e às mulheres, e a todos: “fiz do vazio pensamento / à espera de redenção”.
E canto – “Uma Outra Nuvem” – por mim como quem reza distraída, e pelo José Mário Branco, e pelo meu semelhante: “em que eu à força de aprender a amar / aprenda tudo sobre toda a gente”.

Aldina Duarte

POSTAIS SEM SELO



Devia-se esperar e acumular sentido e doçura ao longo de toda uma vida, e esta ser tão longa quanto possível, e então, mesmo no fim dela, talvez se pudesse escrever dez linhas que fossem boas.

Rainer Maria Rilke

sábado, 26 de novembro de 2011

Ei-LO QUE CHEGA!


POSTAIS SEM SELOS


um barco
na distância
subitamente proporcional
ao esquecimento
e depois, um murmúrio
de noite
nos teus olhos

Carlos Alboim

Legenda: fotografia de Idílio Freire

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

OLHAR AS CAPAS



Cravo

Maria Velho da Costa
Capa: Luiz Duran
Moraes Editores, Lisboa, Abril 1976

Foram longe de mais. Nem um mês, nem um ano, nem um século decorrerão sem que vos roa um a um as entranhas e pague com a pior peste a ousadia de cercar-me à traição, de limitar-me a voz, os acessos, a vida. Pela voz de todos os que aqui feneceram de excessos e ardores, os meus poetas, os meus desmesurados de sempre, os meus cidadãos da aventura, os grandes viajantes, eu vos amaldiçoo. Um por um vos hei-de corromper do desastre lento, da aventura adiada. Eu não sou a cidade de origem, eu sou a tomada da na ida, a reconquistada dez mil vezes com um farnel e um saco de pano, a donde se vem mudar a vida, a nossa. Vocês pagam. Esta é uma maldição lançada aos reles da ressurreição da minha história. As minhas janelas hão-de abrir-se de novo a escarnecer usurpadores a soldo, a cuspir-vos para esse país de rezas e mesinhas sem luz nem ar onde conservais os vossos trastes e cagais sentenças e ditadores em nome do bom senso. Eu sou a cabeça da terra dos que mais tentam a morte que tal sorte. Eu duro da aventura desventurada, o menor mal. Vocês pagam.

POSTAIS SEM SELO


Perdeu-se em Portugal muita coisa desde o 25 de Novembro. Perdeu-se sobretudo a vergonha.

José Saramago

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

JANELA DO DIA



1.

Uma Greve Geral não se mede pelos números de adesão.

Os resultados não são para o imediato,

Saberemos, lá mais para frente, o quanto esta Greve Geral foi importante.

Por muito que não queira ver, o Governo vai ter que olhar para o que hoje se passou no país.

2.

O que queremos é ver um país mobilizado não para se manifestar, ainda que possa emitir todas as suas opiniões políticas, mas um país mobilizado, concentrado em fazer o seu trabalho, em ser mais produtivo e em eliminar todos os bloqueios que hoje temos na nossa economia para poder crescer mais e ter mais emprego, afirmou o líder da bancada social-democrata, Luís Montenegro, em declarações aos jornalistas no Parlamento.

3.

A Fitch afirmou, esta quinta-feira, que o risco de derrapagens nas metas orçamentais que Portugal está obrigado a cumprir é grande e considera mesmo que podem ser necessárias medidas adicionais em 2012 devido à situação financeira das empresas públicas.

DO BAÚ DOS POSTAIS

Azenhas do Mar.

QUOTIDIANOS



Miró: Tudo são começos.
Heidegger: Estamos sempre a regressar ao princípio.
As pessoas nunca se interrogam sobre os princípios.
Todo o princípio é difícil.

Legenda: fotografia de Idílio Freire.

POSTAIS SEM SELO




Não faço ideia de qual a cidade onde me encontro. Não importa. Não faço ideia de qual a cidade para onde vou. Não tenho planos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

JANELA DO DIA


Espero o dia – mesmo na cova o espero – em que acabe a exploração do homem pelo homem.

Raul Brandão citado por Mário Sacramento em Vértice, Agosto 1967

COMBOIO CORREIO


O comboio correio das 10 da noite partia da
minha terra para Lisboa. Fui tantas vezes
com o meu pai levar as cartas. Esperávamos
na gare. Se havia chuva ouvíamos o apito
quando passava à Granja vindo de Óbidos e

depois de correr o vale de S. Mamede.
O que mais me seduzia era o seu peso o negro
da máquina o movimento do êmbolo a nuvem de vapor
correndo toda a gare. Chegava entre videiras e
pântanos. O chefe da estação de

bandeirinha verde dava o sinal de entrada. Era
o intenso barulho os ferros da travagem
o bater das portas as carruagens verdes
enegrecidas, os castanhos wagons. Máquinas de carvão,
a diesel depois. O degrau de madeira ao

longo da carruagem, o romano nas portas I, II, e III.
Anos depois, já de mim se dizia «um homenzinho»
viajei nesse comboio das 10. Partia de
Coimbra, às cinco horas. Pelos campos do Mondego

a água, a matéria do ferro, confundi
com o caos. Reconheço neste comboio a forma
obscura, a intuição ridícula das imagens. A noite
corria de mistura com a triste lâmpada do
corredor, benefício do mistério, fogo fechado pela

trovoada sobre os campos do arroz, sobre o pinhal de Leiria.
Viajava em segunda. Vinha para casa no natal.
Eu tinha um emblema, vermelho e branco dos suíços,
na lapela do sobretudo. O meu irmão, as mãos
gretadas das frieiras sob umas luvas azuis. No

banco em frente,
uma professora de geografia rezava o terço
atenta à formação do espírito científico nascente.
Descolorido amor humano,
fornalha de comboio, coração das coisas a noite
corria fora e dentro da carruagem verde.

Meu pai estava na gare.
A longa fita de cabedal para fechar, abrir as
janelas. A rede onde pousava as malas.
Os corridos bancos de madeira ficavam na III.
Um guarda republicano cerrava todas as

noites sobre o azul do capote a portinhola.
O traço do comboio separa o céu da terra sob as estrelas
sob o limite da chama
a arte tanta vez a natureza.

João Miguel Fernandes Jorge

Legenda: fotografia tirada daqui

DO BAÚ DOS POSTAIS



O Rio Danúbio em Regensburg. Enviado pela Angelika/Hans-Martin.

CHAMINÉS




Chaminé em Cuba, no Alentejo.
Talvez de uma pequena indústria, de uma padaria. Não houve possibilidade de chegar lá.

POSTAIS SEM SELO


Sei que amanhã ninguém entenderá nossos poemas. Que ninguém saberá estes minutos dolorosos de mascar palavras. Mas sei também que é grande este momento em que nós somos um machado. Em que somos um corpo que constrói as suas próprias mãos.

Hélia Correia, Novembro 1968

Legenda: pintura de Edward Hopper

terça-feira, 22 de novembro de 2011

JANELA DO DIA


1.

O contrato com Deus falhou, porque Deus não existe; o contrato com os homens não o cumpro, porque, se me sujeito a respeitar-lhe as cláusulas, sozinho, expoliam-me
.
Raul Brandão, em Humus

2.

A CP informou que a greve geral de quinta-feira vai provocar fortes perturbações na circulação de comboios, acrescentando que os impactos para os utentes deverão começar logo na quarta-feira ao final do dia.

3.

O Metropolitano de Lisboa informou que terá a circulação suspensa entre as 23:30 de quarta-feira e as 01:00 de sexta-feira devido à greve geral.

4.

O grupo Transtejo, responsável pelas ligações fluviais no rio Tejo, avisou que não vai assegurar as carreiras no dia 24 de Novembro, devido à Greve Geral.

5.

Na Soflusa, empresa responsável pela ligação entre o Barreiro e Lisboa, a última ligação no sentido Barreiro/Terreiro do Paço ocorrerá às 23 horas do dia 23, enquanto no sentido inverso será às 23:30, estando previstas o retomar das ligações para as primeiras horas do dia 25.

6.

Na Transtejo, a ligação entre Cacilhas e o Cais de Sodré vai parar às 23:20 no sentido norte/sul, enquanto no sentido inverso será às 23:45, estando prevista a primeira ligação para as 00:40, do dia 25, entre Cacilhas e o Cais do Sodré.
Nas restantes ligações do Montijo, Seixal e Trafaria com Lisboa, os barcos vão estar parados ao longo de toda a quinta-feira.

7.

Segundo a ANA - Aeroportos de Portugal, para dia 24 de Novembro, estão previstos 311 voos (159 partidas e 156 chegadas) no Aeroporto de Lisboa, 135 (68 partidas e 67 chegadas) no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, e 38 no Aeroporto de Faro (19 partidas e 19 chegadas).

A ANA referiu, ainda, que nestes voos, em condições de actividade normal, seriam processados 33 mil passageiros em Lisboa, 12 mil no Porto e 5 mil no Algarve. No total são 50 mil passageiros que correm o risco de não ter voo.

6.

O Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários, não vai aderir à greve geral.

De acordo com um comunicado, o sindicato lembra que a sua actuação se baseia nos "princípios do sindicalismo democrático, livre, responsável e independente pelo que não pretende participar numa greve geral que foi determinada por centrais sindicais que, reconhecidamente, servem interesses político-partidários.

Como é sabido, Portugal enfrenta actualmente um desafio histórico e que exige, de todos e de cada um, a determinação para contribuir para o bem comum e para que o nosso País recupere a plenitude da sua soberania (económica e política). E, ironia máxima, são os que contribuíram para a ruína do País que decretam esta Greve Geral.

VILLA RAUL



No fim das férias, quando a casa da Arrábida passava a ser a casa que se fechava, guardando nela o cheiro único da madeira molhada e da roupa engomada, eu juntava esses nomes, esses títulos, esses sonhos e essas imagens. E voltava para Lisboa e para a luz eléctrica sabendo que os ia poder conhecer e emoldurar. Com conhecimento de causa. Com conhecimento de casa.
Um dia hei-de voltar. À Arrábida e ao cinema volto sempre.

 João Bénard da Costa em Muito Lá de Casa, Assírio & Alvim, Lisboa Dezembro 1993.

Legenda: Villa Raul, a casa de João Bénard da Costa na Arrábida, tirada de Muito Lá de Casa.

OS CROMOS DO BOTECO

DO BAÚ DOS POSTAIS

Lubeck

POSTAIS SEM SELO


Como nunca estabelecera objectivos, nunca tivera de se preocupar em atingi-los


Legenda: fotografia de Elliot Erwitt.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

JANELA DO DIA


1.

Miguel Laranjeira, dirigente socialista e responsável pelos assuntos sociais e laborais, em conferência de imprensa, disse:

 O Partido Socialista  não toma posição sobre a greve geral da próxima quinta-feira e, enquanto partido político, não participa.

 2.

O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, afirmou, hoje, no Parlamento que as projecções macroeconómicas foram revistas durante a última missão da 'troika', esperando agora uma queda de 1,6 por cento do PIB este ano e 3 por cento em 2012.

Portugal irá receber a terceira tranche em Dezembro e Janeiro.

Depois desta tranche teremos recebido 38,2 mil milhões de euros", disse. "Em pouco mais de 6 meses teremos utilizado mais de metade do valor disponível, se deduzirmos os montantes para recapitalização da banca.


3.

Segundo o semanário Sol , a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, recebe 7.255 euros de pensão por dez anos de trabalho como juíza do Tribunal Constitucional.

Por não poder acumular esse valor com o ordenado de presidente do Parlamento, Assunção Esteves abdicou de receber pelo exercício do actual cargo, cujo salário é de 5.219,15 euros. Mantém, no entanto, o direito a ajudas de custo no valor de 2.133 euros.

Assunção Esteves pôde reformar-se muito cedo, aos 42 anos, porque a lei de então contemplava um regime muito favorável para todos os juízes do Tribunal Constitucional: podiam aposentar-se com 12 anos de serviço, independentemente da idade, ou com 40 anos de idade e dez anos de serviço.

VAGUEANDO PELA CIDADE


Beco dos Toucinheiros em Xabragas.

OLHAR AS CAPAS


Por Quem os Sinos Dobram

Ernest Hemingway
Tradução: Monteiro Lobato
Revisão: Alfredo Margarido
Capa: Bernardo Marques
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Há um ano que combato pelo que julgo certo. Se vencermos aqui, venceremos por toda a parte. O mundo é belo e merece que se lute por ele, e dói-me deixá-lo. E no entanto tu tiveste tanta sorte em ter uma vida tão boa. Sim, foi uma vida tão boa como a do teu avô, se bem que seja mais curta. Sim foi uma vida como as melhores, graças a estes últimos dias. Não te queixes já que tiveste tanta sorte. Mas gostaria que houvesse um meio de transmitir o pouco que aprendi.

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?



Em “For Whom the Bell Tolls”, a loura e sueca Ingrid Bergmann, na cena em que mais celestes lhe vi os olhos, é uma improvável espanhola, uma improvável camponesa e a mais improvável Maria. Apaixonou-se por Gary Cooper, americano e combatente na Guerra Civil ao lado dos republicanos. Quer, mas não sabe como beijá-lo: “Onde é que se metem os narizes”, diz a escaldar de “coqueterie”. Senhor de um nariz que não se mete onde não é chamado, Cooper roça os lábios pelos lábios dela. “Afinal não se atravessam no caminho, pois não”, e já é ela que o beija, uma, duas vezes. À americana.

Manuel S. Fonseca no suplemento Actual do Expresso, 22 de Outubro de 2011.

Dubley Nichols adaptou o romance de Ernest Hemingway, Por Quem os Sinos Dobram, segundo V.S. Pritchett, o romance mais adulto do escritor, para o filme que, com o mesmo nome, Sam Wood realizou em 1943.

Robert Jordan, alter ego de Hemingway,o americano, ou o inglês como quer Maria que ele seja, é interpretado por Gary Cooper e Maria por Ingrid Bergman.

Fica o diálogo, melhor dito o monólogo, de Maria com Roberto.

Maria fala, Roberto ouve e lmita-se a dizer Maria, ela pergunta se fez mal alguma coisa, ele nada diz e beija-a ardentemente:

- Roberto, eu… não sei beijar, senão beijava-o.
  Para onde vão os narizes? Sempre me perguntei o que fazíamos com o nariz!
  Eles não estorvam, pois não?
  Sempre pensei que iriam estorvar. Veja, consigo fazer.
- Maria…
- Fiz alguma coisa mal?

Agora, o diálogo do livro:

E depois, como num último apelo de esperança:
-Mas eu nunca beijei nenhum homem.
- Beija-me então agora.
- Eu bem queria. Mas não sei. Quando me fizeram coisas, lutei até perder os sentidos. Lutei até…até… que um deles se sentou em cima da minha cabeça… e eu mordi-o… e então amordaçaram-me e prenderam-me os braços atrás da cabeça… e outros abusaram de mim.
- Eu amo-te, Maria – repetiu Jordan – e ninguém te fe nada, ninguém te atingiu, ninguém tocou a minha coelhinha.
- Falas a sério?
- Como nunca.
- E podes amar-me ainda? Sussurrou Maria aconchegando-se a ele.
- E mais ainda.
- Vou tentar beijar-te muito bem.
- Beija-me então.
- Não sei,
- Beija-me simplesmente.
Ela beijou-o na face.
- Não.
- E o que é se faz ao nariz? Sempre me perguntei o que se faria ao nariz?
- Olha, vira um pouco a cabeça. – E as suas bocas juntaram-se. Ela estava unida a ele e a boca entreabriu-se pouco a pouco. E, de súbito, tendo a rapariga apertada contra ele, sentiu-se mais feliz que nunca, com uma felicidade interior ligeira, amorosa, exaltada e sem pensamentos, e sem fadigas, e sem cuidados, tudo delícias e ele murmurou: - minha coelhinha. Minha querida. Minha doce amada.

POSTAIS SEM SELO


Mas ao ver-me tão insignificante, a manquejar encolhido de frio, sorriu para  me aquecer.

 José Gomes Ferreira em Tempo Escandinavo

Legenda: Greta Garbo

domingo, 20 de novembro de 2011

JANELA DO DIA


1.

Já há muito que as noites brancas invadiram por completo o correr dos nossos tempos.

Com o aproximar do final do ano surgirão as noites surgem em todo o esplendor

2.

Há cada vez mais pessoas a pedir fiado.

Há cada vez mais sem-abrigo nas ruas.

Num despacho da agência Lusa, Jorge Santos, presidente da Comunidade Vida e Paz, afirma:

Hoje em dia ninguém está livre de ser sem-abrigo, uma situação que não escolhe idade, nem profissão ditada pelas circunstâncias adversas da vida, Actualmente quem vive na rua já não é apenas o "desgraçado" com um historial de exclusão social: Nós encontramos sem-abrigo que estiveram muito bem na vida, como empresários e advogados.

3.

A crise das famílias está a atingir as empregadas domésticas.

Segundo o sindicado que as representa, os casos de funcionárias despedidas, com horários reduzidos ou salários cortados aumentaram dez por cento nos últimos seis meses.

Nem o Sindicado nem a Segurança Social conseguem dizer quantas são as empregadas domésticas existentes no país, nem qual o número real de despedimentos ou reduções de horário de trabalho.

A esmagadora maioria das empregadas domésticas não descontam para a segurança social, nem estão sindicalizadas.

É um pecado original dos trabalhadores: não estarem sindicalizados.

Depois, chega a hora do aperto e batem à porta do Sindicato em busca do apoio dos serviços de contencioso.

Pagam, então, alguns meses de quotização, e passam a ser apoiados.

Segundo um dirigente sindical do sector, citado pelo Diário de Notícias as famílias começam por reduzir o horário e, só quando a situação se agrava, é que avançam para o despedimento. Mas existem também relatos de quem se vê forçado a aceitar menos dinheiro pelas mesmas horas de trabalho.

4.

Segundo o Jornal de Notícias, o número de desempregados inscritos nos centros de emprego no Continente voltou a crescer no mês de Outubro, para 567.250, mais 3% do que no mesmo período de 2010 e mais 2,4% do que em Setembro, revela o Instituto do Emprego e Formação Profissional  no seu relatório mensal.

Foram os professores que mais recorreram aos centros de emprego no último ano.

5.

O financiamento do fundo imobiliário do filho de Duarte Lima, Pedro Lima, e do advogado Vítor Igreja Raposo para a compra de um conjunto de terrenos em Oeiras foi decidido directamente pelo antigo presidente do BPN, José Oliveira e Costa, contra a opinião de dois antigos administradores do banco.

Como dizia o Eduardo Guerra Carneiro: isto anda tudo ligado!

MATINÉ DAS 3

Realização: Howard Hawks (1938)

Com: Katharine Hepburn e Cary Grant.

Um dos filmes mais divertidos que me lembro de ver, com dois artistas de que gosto muito.
Como diz Sammy: já não se fazem filmes como este.

QUOTIDIANOS


Tenho duas camisolas idênticas. O mesmo modelo, a mesma matéria-prima, diferem apenas na cor. Uma é castanha e a outra vermelha escura. A vermelha é sempre mais quente.

Cristina Fernandes, lido aqui.

DO BAÚ DOS POSTAIS

Route 66, emviado pela Cristina/Miguel, Julho 2008.

POSTAIS SEM SELO


Porque temos medo de estar sozinhos na noite, perante os cacos da vida, ou não é por isso que nos juntamos no teatro?


Legenda: pintura de Edward Hopper

sábado, 19 de novembro de 2011

JANELA DO DIA


1.

Segundo o Público, o ministro dos assuntos parlamentares Miguel Relvas, enquanto deputado e antes da nacionalização do BPN, intermediou para o Banco Efisa, do grupo BPN, um negócio da ordem de 500 milhões de dólares, que envolveu o município do Rio de Janeiro.

Quantas figuras de proa do PSD existirão que não tivessem andado em negociatas com o BPN.

2.

Entre Janeiro e Novembro de 2010, na Assembleia da República foram consumidos 35 mil litros de água engarrafada.
Este consumo originou uma despesa de 8.000 euros.
Acresce que esse consumo de água originou que perto de 50 mil garrafas e 78 mil copos de plástico fossem lançados para o lixo o que não ajuda nada a defesa do meio ambiente.

A EPAL cobra ao estado 1,4 euros por cada mil litros de água.

Quando os deputados da Nação, não têm confiança na água que sai das torneiras da rede pública e preferem água engarrafada, que exemplo estão a dar ao país?

Quem é que anda para aí a falar em contenção de despesas?