quarta-feira, 22 de julho de 2026
sábado, 11 de julho de 2026
sábado, 30 de maio de 2026
MÚSICA PELA MANHÃ
Muitos
dos que nos acompanharam na vida, fazendo-a diferente, estão a deixar-nos.
sábado, 16 de maio de 2026
domingo, 3 de maio de 2026
segunda-feira, 20 de abril de 2026
À LUPA
Conceição Ramos, a “criada de servir” que fundou um sindicato, morreu nesta segunda-feira, confirmaram amigos ao PÚBLICO. A octogenária estaria internada nos cuidados paliativos do Hospital de Chaves há cerca de um mês.
Cansada de ser explorada como “criada”, Conceição Ramos fundou um sindicato.
A ideia de defender os direitos das empregadas domésticas surgiu na Juventude Operária Católica, grupo que Conceição Ramos liderava, ainda antes do 25 de Abril de 1974. Mais tarde viria a fundar o Sindicato do Serviço Doméstico.Nasceu em 1941 e, desde então, passou por várias casas, onde acumulou más experiências que não queria ver repetidas com as outras trabalhadoras domésticas. Sabia que eram "milhares a passar o mesmo", como contou ao Público em 2024.
sábado, 18 de abril de 2026
MÚSICA PELA MANHÃ
O compositor, artista plástico e arquiteto José Luís Tinoco morreu na noite de quarta-feira, em Lisboa, aos 93 anos.
Pianista,
criador de canções como No teu poema,
uma lindíssima canção.
José Luís Tinoco foi também o músico de jazz que fez parte das primeiras formações do Hot Clube de Portugal, o poeta que publicou "Perseguição dos dias", o compositor que Bernardo Sassetti, João Paulo Esteves da Silva, Mário Laginha, Ivan Lins, Carlos do Carmo abordaram vezes sem conta, e cuja música detém “a qualidade dos grandes ‘standards’”, como reconhecem os seus intérpretes, num nível equiparável a Cole Porter ou Tom Jobim.
A sua marca, porém, não se limita à música. Estende-se à arquitetura, à ilustração, ao cartoon, à fotoanimação, aos figurinos e cenários para teatro, ópera e bailado, ao design e às artes gráficas.
Em 2014, José Luís Tinoco recebeu o Prémio de Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores, e o Teatro S. Luiz, em Lisboa, abriu a temporada com o espetáculo de homenagem “Os lados do mar – José Luís Tinoco”, dirigido por Laurent Filipe, com a participação de músicos como Carlos do Carmo, Carminho, Camané, André Sarbib e Pedro Jóia.
"Evito o fácil", dizia
sempre José Luís Tinoco. "Não cedo
só porque é bonito", garantia. Na música, na pintura, na arquitetura,
na vida toda.
No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida
No teu poema existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E, aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da senhora da agonia
E o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonhos inquietos de quem falha.
No teu poema
Existe um cantochão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo o mais que ainda escapa
E um verso em branco à espera de futuro.
quinta-feira, 12 de março de 2026
MÁRIO ZAMBUJAL (1936-2026)
Com 90 anos, feitos no dia de 5 de Março, morreu o jornalista e escritor Mário Zambujal.
Neste
dia, o jornalista e escritor Ferreira Fernandes deixou no Mensagem de Lisboa,
a evocação dos 90 anos do Zambujal:
«Um dia, Bernard Pivot foi a um restaurante de província, em França, onde lhe serviram uma soberba brandade provençal de bacalhau. Durante o último quarto do século passado, Pivot foi o mais eficaz divulgador da literatura francesa. Os seus programas televisivos Apostrophes e Bouillon de Culture são uma saudade (em francês culto, diz-se “saudade”).
Apesar de também ter gostos culinários (em português, “bouillon” diz-se caldo), não foi ao prato que ele agradeceu. À saída do restaurante La Lavande, em Lardiers, Bernard Pivot deu um abraço apertado aos dois tomos do dicionário Le Petit Robert, à disposição dos clientes e expostos na sala de jantar.
Em Les Mots de Ma Vie, As Palavras da Minha Vida, Pivot escreveu esta frase: “Amei primeiro as palavras antes de amar os livros”. No começo da Segunda Guerra Mundial, em casa, numa aldeia perto de Lyon, teve mais acesso ao Petit Larousse, outro dicionário, e às Fábulas de La Fontaine, do que eu aproveitei no consumo dos meus tantos livros infantis.
Ele dedicou-se a descobrir, compreender e comparar o que queria dizer aquela condição de “atraída” (a Raposa, pelo cheiro do queijo que o Corvo tinha no bico), ou aquela coisa, a “larva” (que a esfomeada Cigarra cantadeira arrependida implorava à Formiga trabalhadeira).
Tudo a ver com a cerimónia que passo a celebrar. Um absoluto colega do francês, também jornalista, sábio e generoso, o Mário Zambujal – e quase contemporâneo de Pivot – tornou-se hoje centenário!
Sobre a identidade profissional e cívica de ambos, lá irei, sobre as datas explico-as já: Zambujal nasceu a 5 de março de 1936 e Bernard Pivot nasceu, no mesmo dia, dois meses depois e um ano antes do português. Centenários, ambos! Não venham cá com as vossas pequenas aritméticas, “eh pá, estamos em 2026, ainda falta uma década…” Minudências (ide ver ao José Pedro Machado ou ao Morais).
É interessante que Mário Zambujal, miúdo, também tenha vivido uma guerra e até antes do camarada francês, que só aos quatro anos viu camiões militares de cá, para lá, na França ocupada. Já o português, logo meses depois de nascer, teve a sua alentejana e fronteiriça Amareleja com refugiados espanhóis fugidos à guerra civil. Havia-os acantonados no corredor comprido da sua casa. Se calhar há quem passe todo o período da amamentação indiferente aos vizinhos do corredor, mas há-os, outros. Como o Mário Zambujal.
Quando foi viver para Algarve, aos 5 anos, levou com ele o Alentejo e guardou-o, a mãe fazia migas e ensopado de borrego. Depois, foi o Bairro Alto e os jornais, onde ele chegou para distribuir com critério e beleza o que começara e continuaria a vida toda a colecionar – palavras.
Como disse o tal francês, as palavras da minha vida é a minha vida com as palavras.
Quase nenhum quiosque lisboeta pendura hoje tanto jornal quanto os títulos por onde o Zambujal passou: A Bola, Diário de Notícias, O Século, Diário de Lisboa, O Jornal, Tal & Qual, Se7e, Record… Estendam o rol, onde ele assentou prosa sua, em programas de sucesso na tevê e rádio, dita por outros, como Carlos Cruz (“Pão Com Manteiga”, na Rádio Comercial) ou Raul Solnado (“Lá em Casa Tudo Bem”, RTP)…
É muita palavra. Mais isto: cada uma feita com pesquisa de sinónimos e escolha da nuance certa. Juntem um breve deitar de olho a dicionários de etimologia, saber dar pelo flash de um calão antigo, ter dúvidas da conjugação. E o que já vos disse, a circunstância divina de ter estado acordado, ao outro, desde miúdo. Não é acaso, é convicção profunda de que se é ignorante esclarecido, quer dizer, pronto para aprender.
Apesar de só nos termos encontrado meia-dúzia de vezes (foram sete, Mário), eu conheço Zambujal ao pormenor. Fui, sou, dele, leitor contumaz e já depois com os outros Presidentes todos. Faltaram-me o Carmona e o Craveiro Lopes, pois Zambujal foi publicado pela primeira vez, aos 15 anos. Isso bate em 1951, no ano em que aqueles dois dividiram Belém, um saiu e o outro entrou. O importante foi a primeiro texto ter sido na revista Os Ridículos. Também bate certo, só goza com estas coisas quem leva a carreira a sério.
A editora Clube do Autor lança hoje uma Edição Comemorativa – 90 anos – republicando três livros de Mário Zambujal, Cafuné, Dama de Espadas e a memória coletiva e a procura em vão em alfarrabistas ainda mais coletiva: Crónica dos Bons Malandro.
A edição comemorativa, já vimos, tem aquela pequena dedução formal: Mário Zambujal nasceu em 1936, faz anos hoje, portanto, Edição Comemorativa – 90 anos…
Não, antes de contagens especiosas, o que conta é a essência do personagem. O que é hoje 05-03-2026? Uma folha que amanhã já substituo por outro no calendário da cozinha.
Ora, o sujeito do assunto é o Mário Zambujal, logo, centenário. O nosso escritor, no ano passado, se escrevesse a crónica de uma comemoração ao Senhor Coluna faria a mesma coisa que eu faria. No ano passado, o seu xará e correligionário Mário Coluna – o capitão glorioso do Benfica – fez 90 anos, pois nasceu em 2035. Mas uma crónica do Mário Zambujal sobre o assunto haveria de se chamar O Centenário do Velho Capitão.
Há gente como os dois Mários acima mencionados para quem as datas nunca são assim-assim, como as calendas gregas. Porque lhes acontece com eles são logo efeméride, número redondo! Há personagens que não cabem em livros de contabilidade, onde não se erra ao cêntimo, mas se peca no estilo. Essas pessoas são para as palavras que tomaram o poder da imaginação. Mário Zambujal, centenário, e não se fala mais disso.
Ou, se calhar, e
isso aplaudo, foi daqueles bons erros malandros dos Correios e até Bancos
Centrais que lançam selos e notas com um pequeno erro de edição. Recolhem a
coisa e é um ver se te avias no mercado paralelo. Os meus três livrinhos já os
fechei no cofre para a herança dos netos.»
quinta-feira, 5 de março de 2026
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
ANTÓNIO CHAÍNHO
Aos88 anos, morreu o guitarrista António Chaínho.
«Tudo na vida de António Chaínho parece ter sido obra de pequenos “milagres” ou de inexplicáveis acasos. Até mesmo a sua morte, que de mansinho, sem aviso, nos privou da sua presença física no exacto dia em que ele completava 88 anos, nesta terça-feira, 27 de Janeiro, como confirmou o seu agente artístico.»
Do álbum A Guitarra e Outras Mulheres, escolhemos Sombra com a voz de Teresa Salgueiro.
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
MARIA ALZIRA SEIXO (1941-2026)
Aos84 anos, morreu a ensaísta Maria AlziraSeixo, profunda estudiosa das obras de José Saramago e António Lobo Antunes.
Legenda:
Maria Alzira Seixo, fotografia de Luís Ramos, Público.
domingo, 28 de dezembro de 2025
BRIGITTE BARDOT (1934-2025)
Morreu
Brigitte Bardot.
Tinha
95 anos.
Um
leitor do Público, ao ler o óbito que Vasco da Câmara fez para o jornal,
indignou-se:
«Esta sim, é uma
verdadeira notícia falsa. A fake new completa, acabada e indecente. Não posso
deixar de manifestar a minha indignação a quem ande a espalhar estas notícias,
sem a mínima aderência à realidade. BRIGITTE BARDOT não morreu pela simples
razão que "a mulher" nunca morrerá, que "a beleza" é eterna
e o sonho do homem não tem fim.».
Ainda
no dia 29 de Julho A Lupa lembrava a moça e também uma canção do Zeca Baleiro
que diz:
«A saudade
É brigitte bardot
Acenando com a mão
Num filme muito antigo.»
terça-feira, 23 de dezembro de 2025
MÚSICA PELA MANHÃ
Chris Rea morreu ontem aos 74 anos.
Foi
um dos cantores que participou, em 1980, no single de beneficência Do TheyKnow it’s Christmas do super grupo Band Aid.
Como
homenagem, é essa a canção desta manhã.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
ROB REINER (1947-2025)
A
morte trágica de Rob Reiner deixou um vazio para o qual não tenho palavras.
Era
um realizador de que gostava muito.
Lembro-me
de há uns tempos ler uma afirmação do seu pai, que ele amiúde repetia: todas as
manhãs o pai lia a secção de obituários do jornal. Se não estivesse lá o seu
nome, ia de imediato tomar o pequeno-almoço.
quarta-feira, 22 de outubro de 2025
FRANCISCO PINTO BALSEMÃO (1937-2025)
Aos 88 anos morreu Francisco Pinto Balsemão.
Acima
de tudo um jornalista, o Expresso em tempos de ditadura é uma pedrada no
charco.
sábado, 18 de outubro de 2025
ANTÓNIO BORGES COELHO (1928-2025)
Ainda
há dias estive a reler alguns dos textos de António Borges Coelho no seu Crónicas e Discursos, ao ponto de ter colocado, aqui, um parágrafo de uma das suas
crónicas.
Deixou-nos agora, aos 97 anos.
Uma tristeza imensa.
Legenda: fotografia de Adriano Miranda no Público de 29 de Maio de 2015.
domingo, 12 de outubro de 2025
DIANE KEATON (1946-2025)
Estão
todos a partir.
Diane Keaton morre aos 79 anos.
O
cinema é Diane Keaton no filme Annie
Hall que lhe valeu o óscar de melhor acriz.
Se
há personagem que a conheceu muito bem, é Woody Allen que a págs. 207 de A
propósito de Nada, recorda:
«Esses tempos estão
entre as minhas memórias mais agradáveis. Ir ao
cinema, a um museu ou a uma galeria com Keaton é uma delícia, porque ela
está cheia de ideis, perspectivas e opiniões. Abre-nos os olhos para as coisas,
ou pelo menos foi o que fez aos meus. É de riso fácil e fá-lo alto e bom som –
para alguém que vive de fazer piadas, é um mitzvah.
Separámo-nos como
amigos e, como já disse, permanecemos próximos ao longo dos anos. Ainda a
consulto em termos de casting, de quando em vez, ou a problemas criativos com
os quais me possa debater. Nunca discutimos e trabalharíamos juntos várias
vezes no futuro.»
quarta-feira, 24 de setembro de 2025
CLAUDIA CARDINALE (1938-2025)
Tinha
87 anos.
«Todos tivemos uma
paixão por Cláudia Cardinale. Efectivamente, resulta impossível ficar
indiferente a esta actriz. Com a sua entrada em cena, esquecemos tudo o resto e
o nosso ritmo cardíaco sobe.»


















