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quarta-feira, 3 de abril de 2019

ETECETERA




Dois recortes da crónica de Frei Bento Domingues no Público.

1.

Título do Público de 24 de Março:

«A estrada Beira-Maputo reabre este domingo e a ajuda vai começar a chegar mais depressa.»

Do Diário de Notícias, on-line de hoje:

«As autoridades moçambicanas admitiram que os bens enviados para ajudar as vítimas do ciclone IDAI estão a ser desviados e prometeram fiscalização apertada e punição exemplar.

Há vários relatos de roubo de alimentos e de desvios de donativos.»

2.

No dia da Mulher, a cidadã Maria João Valente Rosa disse ao Público:

«Entraremos numa sociedade profundamente igualitária quando tivermos mulheres altamente incompetentes como CEO das empresas».

3.

Cerca de 4000 pessoas desaparecem por ano em Portugal.

Metade chega ao Ministério Público - por suspeita de crime - mas muitos não querem ser encontrados. 


Pormenor da capa do JL referindo o regresso de Maria João Pires a Belgais.
Pretexto para, em findar de post, recordar Maria João a tocar Bach, BWV 1056.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

OS CLÁSSICOS DO MEU PAI


Creio já ter escrito, por aqui, que Beethoven e Bach eram os compositores, amados e venerados, pelo meu pai. Gostava de Mozart mas não o suficiente para entar no patamat dos imprescindiveis.

Escolhi este concerto de Mozart porque no piano deslizam as mãos de Maria João Pires.

O meu pai gostava muito da Maria João Pires. Se a morte não o tivesse levado teria ficado muito feliz quando a caixa  dos “Nocrurnos” de Chopin, tocados pela Maria João Pires, chegou ao top dos discos mais vendidos, no Natal de 1996, em Portugal. A morte roubou-lhe essa alegria, mas também o poupou de assistir ao desgosto de Maria João Pires com a falência do seu projecto-sonho para Belgais.

Um sonho que virou pesadelo, que a levou, inclusive, a deixar Portugal e a refugiar-se no Brasil, um sonho demasiado bonito para ter acabado da maneira como acabou. Culpas várias mas em que as de Maria João Pires serão mínimas.

O meu pai teria ficado muito triste.

Sobre Maria João Pires, e como texto final do último volume de “O Caderno”, escreveu José Saramago:
“Maria João Pires não teve muita sorte com o país em que nasceu. Sessenta anos de carreira (e que extraordinária carreira a sua) justificariam uma homenagem de âmbito nacional capaz de expressar a nossa gratidão por pisarmos o mesmo chão e respirarmos o mesmo ar. Não será assim, pelos vistos, ainda que não lhe venham a faltar na terra portuguesa outras manifestações de admiração e respeito. Foi em casa de uns amigos que a ouvi pela primeira vez, quando ela não passava de uma


adolescente que, com o seu frágil corpo, mal parecia haver saído da infância, e que me fez temer se os braços e as mãos lhe chegariam para enfrentar-se ao gigantesco teclado. O piano familiar, vertical, talvez não estivesse em perfeito estado de afinação, mas as primeiras notas saltaram límpidas, cristalinas, dando-me a sensação, não de serem a mera consequência do choque dos martelos com as cordas, mas de haverem brotado directamente dos dedos da própria pianista. Foi o meu baptismo na arte de Maria João Pires. Depois, ao longo dos anos, sempre que ela, já viajante emérita, aparecia por Lisboa a dar os seus recitais, eu lá estava, rogando às potestades celestes que a protegessem do mau-olhado, de um simples sopro de ar que a perturbasse. Talvez por efeito das minhas petições e do crédito que tenho no céu, todos os concertos e recitais de Maria João Pires a que assisti chegaram felizmente ao seu termo. Desta vez, por razões de distância e também de saúde, não poderei estar presente, dar palmas e beijar as suas mãos tão cheias de música, de humanidade, de beleza. Por tudo o que me fez ouvir e sentir, Maria João, obrigado.”