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domingo, 17 de maio de 2020

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?



D. Quixote, o fiel Sancho Pança e as suas andanças, moinhos de vento, aldonza a prostituta que tem de ser salva, aventuras, sonhos impossíveis.

O filme chama-se O Homem de La Mancha e foi realizado em, 1972, por Arthur Hiller.

 Um musical com interpretações de Sophia Loren, Peter O’ Toole James Cococ, para música de Mitch Leigh, e letras de Joe Darion

Durante a inquisição espanhola Miguel de Cervantes é preso como herege por defender pensamentos ditos subversivos e metem-no numa cela ocupada por ladrões e assassinos. Julgado pelos próprios prisioneiros, Cervantes utiliza na sua defesa a história de um homem idoso que passa dias e noites a ler e apenas vê um mundo de vigaristas e gentes sem lei. Durante o julgamento Cervantes, para sua própria defesa, transforma-se em D. Quixote.

Da banda sonora faz parte a canção The Impossible Dream, um êxito que perdura pelos tempos.
Era a canção favorita do Presidente John Kennedy e foi tocada durante as cerimónias fúnebres.

Sonhar mas um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo, cravar esse chão
Não me importa saber se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu, delirar e morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

Por aqui fica o trailer do filme, a versão portuguesa de The Impossible Dream da autoria de Chico Buarque de Holanda e Ruy Guerra, cantada por Maria Bethânia e a versão de Frank Sinatra.




domingo, 22 de março de 2020

ANTOLOGIA DO CAIS

Para assinalar os 10 anos do CAIS DO OLHAR, os fins-de-semana estão guardados para lembrar alguns textos que por aqui foram publicados.

NUNCA CAMINHARÃO SOZINHOS

Foram os ingleses que inventaram o futebol, têm um enorme respeito por ele e chamam-lhe «The Beautiful Game.»

Vivem o jogo como ninguém.

Deslocam-se, enchem os estádios.

Avós, pais, filhos, netos, bisnetos: a família.

A festa.

Nem em tempo de Natal o dispensam.

Bem pelo contrário: exigem que haja jogos nesses dias.

Nos dias de transmissão do futebol inglês, quando as câmaras focam as bancadas, vêem-se espectadores das mais variadas idades. Por vezes, parece que toda uma família, do mais novo ao mais velho, foram ao futebol.

Uma das claques mais conhecidas, no Reino Unido, é a do Liverpool.

Tomaram como hino You’ll Necer Walk Aloneuma canção composta por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II para o musical da Broadway Carousel, de 1945 e que, em 1956, foi adaptado ao cinema por Henry King.

Mas seria com a versão de Gerry &The Pacemaker, conjunto oriundo da própria cidade, que a canção se tornaria o hino do clube.

Hoje, outros clubes, em outros países, o adoptaram como hino, mas nada como em Anfield Road.

Simplesmente  arrepiante.

Uma visita ao You Tube permite ficarmos a saber dos grandes nomes da música norte-americana, bem como outros, que gravaram You'll Never Walk Alone.

Shirley Jones gravou-a para a banda sonora de Carousel, mas há versões de Ella Fitzgerald, Ray Charles, Aretha Franklin, Mahalia Jackson, Nina Simone, Louis Armstrong, Elvis Presley, Barbra Streisand, Andy Williams, Judy Garland, Frank Sinatra, Johnny Cash, Roy Orbinson, The Rigteous Brothers, Tom Jones.

Também é possível encontrar uma versão dos Beatles.

Estas são as minhas escolhas.

A versão da Nina Simone é tocada ao piano.

Numa entrevista ao Expresso (06.02.2016), por ocasião dos 50 anos dos Cinco Minutos de Jazz, perguntaram-lhe por um episódio destes longuíssimos minutos de jazz, o José Duarte respondeu:

Fui a uma rádio em Los Angeles, que passa jazz 24 horas por dia. O edifício era lindo, alto, todo em vidro. Era o início dos anos 70, o João ainda era vivo. Eu tinha levado comigo uma cassete da Nina Simone a tocar piano. O apresentador fez-me perguntas, estranhou onde era Portugal, expliquei-lhe que se nadasse sempre em frente chegaria a Lisboa. E quando lhe contei que tinha um programa de cinco minutos fechou o microfone, pensava que eu me tinha enganado no inglês! No fim, pôs a minha cassete da Nina Simone e ia caindo da cadeira: nunca a tinha ouvido só a tocar o piano. Saí daquela rádio orgulhoso.

Um orgulho tão grande que, certamente, no regresso a Lisboa, obrigaram o José Duarte a pagar excesso de bagagem.

Texto publicado em 24 de Maio de 2016







quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

RELACIONADOS







Fly me To The Moon, que se ouve em Space Cowboys, está envolvida na voz de Frank Sinatra, acompanhado pela Orquestra de Count Basie e para a qual Quincy Jones fez um soberbo arranjo.
Juntam-se estas lendas da música americana e pergunta-mo-nos por que raio teremos de morrer e deixar de ouvir estas pérolas musicais.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

O VELHO DINO


Não me perguntem porque gosto deste «canastrão» que foi cantor, actor de cinema, «entertainer» naquele gang que metia Frank Sinatra e Sammy Davis Jr.
Não me esqueço de O Feitiço da Lua com a lindíssima e insinuante Cher, em que Dean Martin percorre o filme a cantar «That’s Amore»
Morreu no Dia de Natal de 1995.
Para onde foi, transportou., o bucho, milhões de litros de Whisky, nos pulmões toneladas de fumo de cigarros.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

CANÇÕES DE ENTARDECERES



O Sol hoje pôs-se às 19,32 horas e deu-se o último pôr-de-sol do Verão.
Já estamos no Outono.
Peguemos nas páginas de O Principezinho de Antoine Saimt-Exupéry:

 Ah, principezinho, assim fui conhecendo, aos poucos, a tua vida melancólica. Durante muito tempo, apenas a doçura dos poentes te serviria de distracção. Tomei conhecimento deste novo pormenor no quarto dia, de manhã, quando me disseste:
- Gosto muito do pôr-do-sol. Vamos ver um pôr-do-sol...
- Mas é preciso esperar...
- Esperar o quê?
- Esperar que o Sol se ponha.
A princípio ficaste muito surpreendido e depois, riste-te de ti próprio. E disseste-me:
- Julgo sempre que estou no meu sítio...
Com efeito. Quando é meio-dia nos Estados-Unidos, o Sol , toda a gente o sabe, põe-se em França. Bastava ira França num minuto para assistir ao pôr-do-sol. Infelizmente, a França fica muito longe. Mas no teu planeta tão  pequenino, bastava-te afastar a cadeira dois ou três passos e contemplavas o crepúsculos sempre que desejasses…
- Um dia vi o pôr-do-sol quarenta e quatro vezes!
E algum tempo depois, acrescentavas:
- Sabes... quando se está muito, muito triste, gosta-se do pôr-do-sol...
- Então no dia das quarenta e três vezes estavas assim tão triste?
Mas o principezinho não respondeu.

A canção escolhida recaiu em I Believe I’m gonna love you.
Há mais de uma versão desta canção, mas apenas uma vale a pena registar: a que se ouve na voz de Frank Sinatra.


sexta-feira, 9 de junho de 2017

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?


Quando morrer e chegar ao céu, é tipo para dar uma seca maluca a Deus por tê-lo feito careca.

Marlon Brando sobre Frank Sinatra.

Segundo Manuel S. Fonseca, Brando ficou cheio de Sinatra em «Guys and Dolls», filme de Mankiewicz.

Sinatra foi contra a contratação de Marlon Brando para o papel de Sky, pois ele queria esse papel.

Sinatra detestava Brando, por ele, um não-cantor, ter sido a estrela do filme.

terça-feira, 9 de maio de 2017

DA MINHA GALERIA


Uma cambada de rufias: Frank Sinatra, Dean Martin, Peter Lawford, Sammy Davis Jr.

sábado, 15 de abril de 2017

OUVIR TUDO NA VOZ DE FRANK


Em casa do Ray, como não havia muitos discos folk, costumava pôr algumas vezes a tocar o fenomenal «Ebb Tide» do Frank Sinatra, que nunca deixou de me encantar. A letra era tão deliciosa e estupenda. Quando o Frank a cantou, consegui ouvir de tudo na voz dele – morte, Deus e o universo, tudo. Só que eu tinha mais que fazer e não podia passar a vida a ouvir aquilo.

Bob Dylan em Crónicas

terça-feira, 25 de outubro de 2016

OLHA QUE DOIS!


Lauren Bacall e Frank Sinatra.

terça-feira, 21 de junho de 2016

PRETEXTOS DE VERÃO


Jean Peters sorrindo no filme Niagara.

Ao lado uma mesa com livros.

Terão sido lidos?

Qual a razão do sorriso de Jean Peters?

Quem viu o filme, sabe.

Quem não viu, talvez conclua que ela sorri porque alguém diz que lhe vai trazer uma bebida e a seguir pôr a rodar a canção Summer Wind.

O vento de Verão, um vento quente, soprando nos seus cabelos.  

Os que disto sabem, dizem que ninguém a interpreta melhor do que Frank Sinatra.

Aliás, o problema está em que quase todas as canções em que Frank tocou, se tornaram únicas.

Talvez haja aqui um pouco de exagero, mas adiante.

Escolheu-se a versão de  Emmy Rossum, actriz, cantora e compositora, de seu nome completo Emmanuelle Grey Rossun, nascida em Nova Iorque a 12 de Setembro de 1986

Por fim: Niagara, provavelmente, é o único filme de Marilyn em que a Diva não nos surge como o seu ar inocente e ingénuo.

Um ar bem diverso da inocência e ingenuidade, diga-se.


terça-feira, 24 de maio de 2016

NUNCA CAMINHARÃO SOZINHOS


 Foram os ingleses que inventaram o futebol, têm um enorme respeito por ele e chamam-lhe «The Beautiful Game.»

Vivem o jogo como ninguém.

Deslocam-se, enchem os estádios.

Avós, pais, filhos, netos, bisnetos: a família.

A festa.

Nem em tempo de Natal o dispensam.

Bem pelo contrário: exigem que haja jogos nesses dias.

Nos dias de transmissão do futebol inglês, quando as câmaras focam as bancadas, vêem-se espectadores das mais variadas idades. Por vezes, parece que toda uma família, do mais novo ao mais velho, foi ao futebol.

Uma das claques mais conhecidas, no Reino Unido, é a do Liverpool.

Tomaram como hino You’ll Necer Walk Alone, uma canção composta por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II para o musical da Broadway Carousel, de 1945 e que, em 1956, foi adaptado ao cinema por Henry King.

Mas seria com a versão de Gerry &The Pacemaker, conjunto oriundo da própria cidade, que a canção se tornaria o hino do clube.

Hoje, outros clubes, em outros países, o adoptaram como hino, mas nada como em Anfield Road.

Simplesmente  arrepiante.

Uma visita ao You Tube permite ficarmos a saber dos grandes nomes da música norte-americana, bem como outros, que gravaram You'll Never Walk Alone.

Shirley Jones gravou-a para a banda sonora de Carousel, mas há versões de Ella Fitzgerald, Ray Charles, Aretha Franklin, Mahalia Jackson, Nina Simone, Louis Armstrong, Elvis Presley, Barbra Streisand, Andy Williams, Judy Garland, Frank Sinatra, Johnny Cash, Roy Orbinson, The Rigteous Brothers, Tom Jones.

Também é possível encontrar uma versão dos Beatles.

Estas são as minhas escolhas.

A versão da Nina Simone é tocada ao piano.

Numa entrevista ao Expresso (06.02.2016), por ocasião dos 50 anos dos Cinco Minutos de Jazz, perguntaram-lhe por um episódio destes longuíssimos minutos de jazz, o José Duarte respondeu:

Fui a uma rádio em Los Angeles, que passa jazz 24 horas por dia. O edifício era lindo, alto, todo em vidro. Era o início dos anos 70, o João ainda era vivo. Eu tinha levado comigo uma cassete da Nina Simone a tocar piano. O apresentador fez-me perguntas, estranhou onde era Portugal, expliquei-lhe que se nadasse sempre em frente chegaria a Lisboa. E quando lhe contei que tinha um programa de cinco minutos fechou o microfone, pensava que eu me tinha enganado no inglês! No fim, pôs a minha cassete da Nina Simone e ia caindo da cadeira: nunca a tinha ouvido só a tocar o piano. Saí daquela rádio orgulhoso.

Um orgulho tão grande que, certamente, no regresso a Lisboa, o obrigaram a pagar excesso de bagagem.

                                         

                                          

                                          


                                          

                                          

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

QUOTIDIANOS


Diz a sabedoria popular que entre dois males, é melhor morrer de bêbado do que morrer de sede.

Ou como diria Baptista-Bastos: a bebida facilita o movimento dos mecanismos da cordialidade.

A mexer em papelada velho dei com uma receita de Irish Cream que, afiançaram-me é a verdadeira…  a legítima.

Pelo menos é melhor que essas mistelas que nos impingem nos supers, com nomes como carolans, baileys.

Resolvi partilhá-la:

3 ovos
¼ litro de natas
1 lata de leite condensado
2 colheres de chá de Nescafé
½ colher de essência de coco
2 colheres de chá de chocolate em pó.
1 ½ chávena de whisky

Misturar tudo muito bem num copo misturador e engarrafar.

Nunca beba sozinho se pode beber acompanhado.

O radialista Mário Dias, há muitos anos na TSF, dizia numa recente entrevista que 
ir sozinho para os copos já não lhe agrada.

Depois de montes de anos a beber copos sozinho ou mal acompanhado, fui mudando.

Chame alguém.

Ponha a rodar um disco dos Pogues, ou Chiefatians, Van Morrison, ou  por-aí-fora-irlandesmente-falando.

Por fim:

Ame os fumadores e adore os ébrios.

Não esqueça que não será feliz enquanto não possuir todos os vícios.

E recorde aquele diálogo entre o Frank Sinatra e a Kim Novak no filme O Querido Joey:

Frank: porque é que as pessoas bebem tanto se no dia seguinte é tão mau?

Kim: É porque é tão bom na noite anterior.

Já andamos às voltas com este 2016.

Afigura-se, apenas isso, não tão complicado como o de 2015.

Nestas coisas, é sempre bom colocar fasquia baixa.

No meio da borrasca, qualquer salpico de sol é um bem inultrapassável.

Convém não esquecer que não conseguimos fazer da vida mais do pouco que ela é.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O CENTENÁRIO DE FRANK SINATRA


Terceiro, e último, volume da edição com que o Público assinalou os 100 Anos de Frank Sinatra.
Texto de  Chema García Martínez que aborda a paixão de Frank Sinatra por Ava Gardner.
José Duarte passeia-se pelos anos de Frank na Reprise, o swing adoptado (1961-1963).



O alinhamento dos CDs:




Parte final do texto de Chema García Martínez que refre os momentos após um desastrado de Frank Sinatra no Estádio de Santiago Bernabéu, Setembro de 1986:

“À saída encontro Vladimiro Bas, saxofonista de jazz escolhido para acompanhar o cantor no espectáculo madrileno. "O que é que se sente ao tocar com a Voz?", pergunto. "Nada de especial", responde. "Mais um gig"

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O CENTENÁRIO DE FRANK SINATRA


Segundo volume deSinatra 100 Anos,  com que o Público assinala os 100 anos de Frank Sinatra.
Testos de Patrícia Reis e Inês Pedrosa.

José Duarte aborda os anos de Frank na Capitol: a maturidade.


Do texto de José Duarte:

São raros se é que existem os ouvintes que sabem ouvir e que não gostam de ouvir Sinatra quer homens até mulheres como se justificarão os nossos contras? que ele era da Mafia – por ser italo-n-americano não comento eu nasci no Bairro alto – o relatório secreto da FNI apresenta Sinatra como simpático com a esquerda relatório McCarthy – por ter ido a Cuba  centro de diversões dos n-a longe dos tempos de Fidel & Che na ditadura de Batista que Salazar hospedou nas ilhas portuguesas no atlântico num certo fim de tarde
Ninguém `vista vi passeando-se no aeroporto de Lisboa o ditador e Seixas o agente Pide que mais batia e mandava estava eu a trabalhar na TAP sozinhos eu a guiar um pesado e potente jeep!...

O alinhamento dos 2 CDs:



sábado, 12 de dezembro de 2015

O MELHOR ESTÁ PARA VIR


Frank Sinatra morreu, em Los Angeles, a 14 de Maio de 1998.
Tinha 83 anos.
Na pedra tumular está escrito:

O melhor está para vir.

POSTAIS SEM SELO


…Sinatra foi o professor de inglês da minha geração…

Josè Duarte em Jazzé e Outras Músicas.

AS MINHAS CANÇÕES DE NATAL


Como não poderia deixar de ser a canção de hoje teria de sair do álbum de Natal de Frank Sinatra.
Gosto particularmente da sua interpretação em The Christmas Waltz.

FRANK E BACALL


Frank Sinatra tinha uma profunda admiração por Humphrey Bogart.

Bogart era tudo o que Frank gostava de ter sido: culto, sofisticado, respeitado.

Muitos anos depois da morte de Bogart, Lauren Bacall contou que o marido tinha ciúmes de Frank.

«Em parte porque sabia que eu gostava de estar com ele, em parte porque pensava que Frank estava apaixonado por mim.»

Foi o mais perto que Bacall esteve de admitir a sua paixão por Frank, enquanto o marido estava a morrer.

 «Para nós não era segredo», disse o escritor Ketti Frings, «Toda a gente sabia do casso de Betty com Frank. Só esperávamos que o boggie não descobrisse. Isso matava-o mais depressa que o cancro.»

Durante o ano de 1957, Frank começou a ser visto com Lauren Bacall que, ardentemente queria o casamento. Frank colocava água na fervura.

Finalmente no dia 11 de Março de 1958, catorze meses depois da morte de Hunphrey Bogart, Frank pediu Bacall em casamento.

A actriz nem 30 segundos demorou a dizer que sim.

Sinatra pediu segredo mas era coisa que Bacall não sabia guardar.

Um dia os jornais colocaram em título:

«Sinatra vai casar com Bacall.»

Frank teve uma das suas fúrias e, ao fim de uma série de dias sem falar com Bacall telefonou-lhe e disse:

«Porque é que fizeste isto?»

Bacall não tornou a ver Sinatra.

Quando os jornalistas perguntavam se ele ia casar, Frank respondia:

«Para quê? Para ter que vir para casa todas as noites? Só se eu fosse doido!»

Ava Gardner telefonou a Sinatra:

«Ouvi dizer que já não há casamento.»

«Que casamento?», perguntou Frank.

«Com a Betty Bacall.»

«Deus me livre de casar com essa mandona.»

Lauren Bacall escreverá nas suas memórias o quanto ficou destroçada pelo abandono de Sinatra:

«Ser abandonada é duro, uma coisa difícil de se esquecer, mas ser abandonada publicamente dá cabo de uma pessoa. Mas a verdade é que ele se comportou como um pulha. Foi demasiado cobarde para dizer a verdade – que a ideia do casamento era demasiado perturbadora para ele, que não sabia como enfrentá-la.»

Sinatra não gostou do que leu.

Limitou-se a comentar:

«Acho que é injusto porque há outra maneira de ver o problema. Mas eu não vou falar nisso. Acho que há coisasa que se devem deixar esquecer.»

SUMMER WIND


Na biografia não autorizada escrita por Kitty Kelley, a páginas 363, depois de ter sido agraciado pelo Clube de Variedades da Califórnia do Norte por «serviços prestados às crianças do mundo inteiro, Frank disse que, sendo um adulto extremamente privilegiado, devia ajudar as crianças desprotegidas e contou uma história que o comoveu muito.

Numa visita a uma criança de seis anos, que era cega.

Estava bastante vento, e eu afastei-lhe o cabelo dos olhos e disse que o vento estava a levantar-lhe os cabelos. Fiquei sem saber o que dizer quando ela me perguntou: «De que cor é o vento?»

Ruy Belo, poeta português, provavelmente, também nunca soube a cor do vento, mas sabia o seu preço:

Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que gosto
O vento das árvores o vento dos cabelos
o vento do inverno o vento do verão
O vento é o melhor veículo que conheço
Só ele traz o perfume das flores só ele traz
a música que jaz à beira-mar em agosto
Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento
O vento actualmente vale oitenta escudos
Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto

O mesmo com Irene Lisboa, uma tão esquecida escritora portuguesa, que, provavelmente, também não sabia a cor do vento, mas entendia-o:

Já no Monte Agudo – pelos meus dezassete anos – eu queria dizer qualquer coisa ao vento. Rapariga solitária, demasiado solitária, impressionava-me o vento, a lua e outras coisas mais. Mas também sei, não esqueci que me achava incapaz de dizer o que queria ou sequer, de entender o que o vento me sugeria. O vento é um companheiro. As vozes acompanham-nos. Cortam o absoluto silêncio, a atonia e a calma do calado.”

Mas Sinatra sabia do Vento de Verão e cantou-o como só ele sabia cantar, tão suave como um tocador de flauta a chamar por alguém.

PARA SINATRA


Nunca lhe escrevi

Não sei se se justifica, mas o que é certo é que nunca fui capaz de o fazer e sempre achei escusado. Só no Porto tentei falar consigo mas como, à última hora, decidiu sair do concerto directamente para o seu avião, para ir dormir a Espanha, a minha carta, as minhas perguntas ficaram debaixo da porta da sua suite.
Não ficaram, fui lá busca-las com a ajuda de um recepcionista do hotel, conivente, entrega-las ao baterista da sua orquestra que no bar do hotel se me dirigiu, reconhecendo-me da televisão portuguesa, do jazz!

Prometeu-me que lhas entregaria, que lhe era fácil.


Em bateristas acredito sempre…
Sim, Porto, a cidade que deu nome ao vinho, há-o branco ou não, seco ou não, pode beber-se muito, sempre em pequenas quantidades, sempre straight, no chaser, como «o nosso amigo» Daniel’s dever ser consumido.
A propósito, estive muitas vezes sentado no seu lugar favorito, no Jilly’s Bar de Nova Iorque, a ver assim o mundo como o via dali sentado. Claro que era uma etapa da peregrinação que gostava de cumprir, claro que era.
(…)
Que época inesquecível deveria ter sido aquela quando actuava com o seu gang favorito, Lawford, Dino, Sammy… Eram vocês que escreviam as piadas?
Dino era genial.


Que divertido deve estar a ser agora o Inferno com vocês de novo juntos!...
A pianista Marian McPartland, lembra-se dela?, ainda por cá anda com 78, disse recentemente para a imprensa norte-americana que muitos, muitos milhares de mulheres por este mundo fora tiveram casos de amor consigo, sem mesmo você saber!...
É uma bonita afirmação que lhe não deve «resvalar na couraça da sua indiferença»…
Acho que a mulher que melhor lhe ficou foi Ms. Novak a quando de Pal Joey, o filme, apesar de Rita estar presente. 


Aliás o próprio filme lhe assenta como uma luva, tal como «High Society». È assim que o imaginava na vida real. Aquela cena antológica com Bing Crosby, cantando e beberricando naquele cosy room! Inesquecível! Big Bing tinha um swing discreto, um estilo grandiosos, não tinha?
(…)
A peça que gravou e que acho ser uma definitiva, perfeita obra-prima é «The One I Love Belongs To Somebody Else» para a sua Reprise com um arranjo de Billy May, no LP ou CD «Sinatra Swings». Repetir sempre de maneira diferente as medidas era prática sua, até numa pequena faix de 3 minutos agora em «The One» ultrapassa tudo o que se julgaria possível, substituindo palavras, acrescentando um pequeno it,


mudando pois sentidos, notável cantar «change it» a seguir a «the world will never change»… A autêntica Enciclopédia de swing que são aqueles escassos minutos de Voz com Música, que fácil que parece afinal ser, que difícil apenas repetir ao fim de milhares de audições.
(…)
O Mundo sem si teria sido pior de ouvir e viver.
Parabéns pela sua entrada defeituosa, que insistiu em deixar ficar, alegando que tudo se devera ao espanto pelo superior comportamento sonoro da orquestra de Basie no primeiro Reprise que gravou com ela.
(…)



Fui na véspera e vim no dia seguinte, certa vez a Nova Iorque, assistir a um concerto onde cantou com Ella Fitzgerald e a orquestra de Count Basie e, à socapa, gravei todod o concerto com um gravadorzeco ao colo.
Pura atitude de especialista em transe.
Não a guardo, a gravação, não sei onde a pus, perdi-a.
O espectáculo começou com a big band, depois entrou ela, Ella, a seguir cantou você e o grand finale com todos!
Memorável.


Nos em Portugal conhecemo-lo mal como cantor. Temos, os que têm, muitos discos seus, mas nada sabemos de como era o seu look nos anos 30 e 40, nada dos programas de tv onde colaborou ou de que foi autor, nada da época Shore, essa maravilhosa Dinah Shore, nada das suas actuações com o famoso grupo de amigos, artistas, que tanto se divertiam ao divertir os outros.
A Portugal ia não vindo e já não veio em nenhum dos seus esplendores, só no da glória.
Sempre gostei das suas amizades, com mafiosos em particular, o conceito de gang unido, auto-ptotector, atrai-me, embora seja incapaz de o aplicar.
Shame on me!
(…)


Talvez até para contrariar um tipo de reacciionarismo encapotado, tanto eu gosto de «Strangers in the Night» e muito eu gosto de «My Way», com o seu climax bem preparado e a sua verdade em forma provinciana, mas verdade, para quem tem coragem de o reconhecer.
Admito que, para tal, seja precisa idade cronológica e mental.
Um problema semelhante ao que se defronta com Roberto Carlos, o cantor.
(…)
Não esquecerei o seu comportamento cívico quando e quando não era preciso em relação à raça negra norte-americana, que é uma raça definida, com cultura própria. Comportamento exemplar. Lembro a camaradagem com Sammy Davis Jr., a 


solidariedade com Joe Louis, a sua reacção quando Sarah Vaughan foi vítima de racismo e como tal não convidada para uma festa em Beverly Hills. Gostei da sua natural, provocadora coragem de ter organizado em sua casa uma festa para Sarah e ter convidado quem convidou.
(…)
Todo o seu universo musical está nos primeiros discos LP para a Capitol - «Swing Easy, «Swingin’ Lovers» e «Wee Small Hours».
Os próprios termos dos títulos são a temática de toda a sua obra: swing, lovers e aquelas malvadas horas das madrugadas onde a palavra de ordem você imortalizou: one for my Baby and one more for the road,
(…)
Quando soube que tinha morrido estava um dia
dramaticamente belo. No Gerês.

Julho 1998

José Duarte em Cinco Minutos de Jazz