Mostrar mensagens com a etiqueta Tabaco. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tabaco. Mostrar todas as mensagens

domingo, 22 de fevereiro de 2026

VELHOS RECORTES

Diário de Notícias, 2 de Março de 2011.

domingo, 3 de novembro de 2024

DEIXAR RASTOS PELO CAMINHAR DOS DIAS


Quando os meus filhos nasceram, o fumo do meu cachimbo recebeu-os um a um, como uma nuvem de boas vindas. Uma nuvem feita de imaginação e de sonho. Todas as minhas casas ficaram impregnadas desses odores – a cada um o seu perfume…
Mais tarde, quando me separei, os meus filhos confessavam-me que sentiam a falta do cheiro do meu cachimbo. Pelo menos ficou-lhes o meu rasto… Efémero, como qualquer fumo.

António Carvalho, Diário de Notícias s/d 


terça-feira, 31 de outubro de 2023

CONVERSANDO


À força de nos quererem de boa saúde, tudo fazem para nos tirarem os vícios e sem os quais a vida seria uma chatice.


Jules Romains, citado por Manuel António Pina, dizia que a saúde é um estado precário que não augura nada de bom.


Tiram-nos o sal do pão - menos um grama de sal por dia salvaria 2649 vidas por anos, se fossem quatro gramas chegaríamos às sete mil, dizem os higienistas - cortam nas chouriças e no açúcar – já houve quem reclamasse uma lei que obrigue a que os pacotes de açúcar servidos nos cafés com a "bica", não tenham mais de 6 gramas, isto para combater a diabetes, a obesidade, as doenças cardiovasculares e cerebrovasculares - impedem-nos de cigarrar após a refeição num qualquer restaurante, o que considera uma intromissão intolerável na liberdade dos cidadãos.
Querem dar-nos cabo da vida, é o que é.
A procura da raça pura, de pessoas imaculadas, a tentativa desesperada para morrermos cheios de saúde e ele não sabe que puto de piada tem o morrer cheio de saúde.

Cada um deve viver a vida como muito bem entenda, dizia a minha avó, uma analfabeta repleta de sabedoria filosófica.

Deixem-no, pois, continuar a frequentar tudo o que o transporte aos “musts” do perfeito colesterol.

Chamem-lhe o que bem entenderem.

A idade deu-lhe a imunidade de com isso se preocupar… zero!!!

Legenda a imagem que encima o texto, é uma cortesia de Mr. Ié-Ié. 

sábado, 13 de maio de 2023

RODEADOS POR MENTECAPTOS ACÉFALOS


Aumentam os sem-abrigo nas cidades.

São milhares e milhares os portugueses que ainda não têm médico de família.

Os estudantes universitários não encontram casas, quartos, a preços acessíveis nas cidades para onde foram estudar,

O governo está repleto de incompetentes. «No jobs for the boys», disse António Guterres quando um dia chegou a primeiro-ministro do reino, ou chover no molhado, chorar sobre o leite derramado.

Mas há dias, o governo aprovou as mudanças na lei do tabaco, que incluem a proibição de fumar em esplanadas à porta de restaurantes, cafés, ao ar livre junto a escolas, faculdades.

«Não sou fumador. Mas detesto que outros escolham o que é bom para mim. E o que a Lei do Tabaco vem criar, na senda do fundamentalismo americano que atravessou o Atlântico e chegou à Europa, é uma sociedade de delatores e um grupo social de párias. De delatores, porque os cidadãos são incentivados a denunciar aqueles que fumam em espaços onde tal será proibido, se não o fizerem de moto próprio, os respectivos proprietários. De párias, porque são tratados como um grupo que tem de ser erradicado da sociedade. Não há produto sobre o qual, na Europa e nos Estados Unidos, mais campanhas têm sido feitas, a explicar os seus malefícios. Haverá muito poucos cidadãos europeus, com mais de 18 anos, que não saibam que o tabaco pode provocar cancro, impotência e outras doenças. Mas, dito isto, deixem-nos exercer o nosso direito a decidir. Deixem-nos escolher se queremos ir a um restaurante onde se pode fumar ou não. Deixem-nos escolher se comemos chouriços e morcelas ou alimentos vegetarianos. Deixem-nos andar a uma velocidade decente nas estradas e não a uns irracionais 120 km/h. Deixem-nos assar sardinhas no carvão, matar o porco nas aldeias, ir a touradas. Dêem-nos toda a informação. Mas não escolham por nós o que devemos fazer. Só assim teremos uma sociedade responsável e não um grupo de mentecaptos acéfalos, prontos a obedecer sem pensar ao primeiro tiranete que subir ao palco»

Nicolau Santos, jornalista no ano de 2010.