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quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

OLHAR AS CAPAS


O Riso de Deus

António Alçada Baptista

Editorial Presença

Capa: Teresa Cruz Pinho

Editorial Presença, Lisboa, 1995

A letra de Deus nem sempre é decifrável e ninguém conhece a língua em que escreveu a alma humana. Às vezes, a gente julga que as palavras chegam para esclarecer a vida, mas hoje, estou certo de que muitas coisas permanecem por detrás de palavras que ainda não foram feitas e outras, por detrás de palavras de que perdemos o uso.

sábado, 23 de maio de 2020

OLHAR AS CAPAS


O Tecido do Outono

António Alçada Baptista
Capa: Fernando Felgueiras
Editorial Presença, Lisboa, Outubro 1999

Não é possível contar esta história sem que, uma vez por outra, coisas como a solidão e a morte aflorem às linhas da escrita, mas vou fazer o possível para escrever tudo isso sem solenidade. É que, a certa altura, a vida é outra e o próprio passado não é bem aquilo que a gente viveu, porque, em cada tempo, há uma forma de olhar, e aquilo que vivemos não está no mundo, está na maneira como olhámos para ele.
É no Outono que a gente é capaz de reparar que a vida não é banal não obstante o nosso quotidiano ter sido uma banalidade atroz. Acredito que é possível descobrir pedaços de luz no meio de tudo isso. São coisas destas que me levam à convicção de que a vida para que fomos feitos não é, de modo nenhum, aquela que andámos a viver.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

OLHAR AS CAPAS


O Tempo e o Modo

Antologia
Prefácio de Guilherme d’Oliveira Martins
Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa Outubro de 2007

Os jornais noticiaram, há dias, que um homem pobre e doente, falecido no Hospital de S. José, deixara como ´+ultima vontade, a de ser enterrado vestindo a camisola do Benfica e, se possível, debaixo da águia que identifica o Estádio da Luz. Apenas a primeira parte do desejo pôde ser satisfeita. As posturas municipais modernas são rigorosas e cada vez se percebe menos de mortos.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

OLHAR AS CAPAS


O Riso de Deus

António Alçada Baptista
Capa: Teresa Cruz Pinho
Editorial Presença, Lisboa, 1995

- As pessoas têm dificuldades até aprenderem a relacionar-se…
- Essa é uma das minhas dúvidas: um homem e uma mulher não podem viver na dia- léctica e muito menos nesta pedagogia doméstica de se ensinarem como é que um quer o outro. O futuro não vai conhecer a dialéctica e o amor entre duas pessoas tem que ser o nosso ensaio do futuro, pelo menos aquele que nos é mais acessível. Amar é uma atitude de compreender e aceitar: é reconhecer os outros e respeitar a sua liberdade. Não pode ser outra coisa, se quisermos acabar com este espectáculo triste em que andamos metidos. Eu só aceito as catástrofes naturais: os tremores de terra, as inundações, as secas, os ciclones a morte. Não posso aceitar esta destruição domiciliária doa sentimentos e da vida pela vontade deliberada dum homem e de uma mulher que é o que se anda pr’aí a viver com o nome de amor…

 Ela sorriu-se, a fazer de irónica:
- Até parece que não são as pessoas que fazem as guerras…
-Pois são, e com isso é que eu não me conformo.

domingo, 23 de novembro de 2014

OLHAR AS CAPAS


A Pesca à Linha

António Alçada Baptista
Capa: Fernando Felgueiras
Editorial Presença, Lisboa, Abril de 2000

Quando era Presidente do Instituto do Livro e o António Braz Teixeira veio para Secretário de Estado da Cultura, tratei de fazer um relatório com o plano e o andamento das actividades do Instituto. Ele leu e disse-me: «Tu tens fama de não fazer nada nas afinal tens aqui imenso trabalho.» Eu respondi-lhe: «Esse é um dos equívocos da minha imagem: eu teorizo a preguiça e pratico o trabalho, a maior parte das pessoas teoriza o trabalho e pratica a preguiça.»