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segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

CONVERSANDO

Andei em tempo de Natal, percorrendo as poucas livrarias que vamos tendo, procurando livros  para oferecer aos netos e sobrinhos, sabendo que não lêem  e me mostram um sorriso amarelo cada vez que desmancham o papel bonito de embrulho e encontram um livro.

Não comprei nenhum livro até porque os livros que fui encontrando eram completamente descabelados, um desastre.

Manuel António Pina tem muito bons, alguns excelentes, livros para crianças.

Foi ele que um dia disse:

«A literatura para crianças está cheia de pessoas que não percebem nada de literatura e não percebem nada de crianças».

domingo, 18 de julho de 2010

A MAIOR FLOR DO MUNDO


A Maior Flor do Mundo

José Saramago
 Ilustrações de João Caetano
Editorial Caminho, Lisboa  Março de 2001.

José Saramago é bem capaz de ter boa parte de razão, quando diz que, quem o quiser conhecer tem mesmo de ir aos “Cadernos de Lanzarote”.

No 4º volume, respondendo a um inquérito dos alunos da Escola Secundária da Golegã”, escreve:

“Finalmente e vou dizer-lhes que não sei escrever para crianças, que quando eu próprio fui criança mão me interessavam muito o que chamamos “histórias infantis”, o que eu queria era saber o que diziam os livros para gente crescida." 

Já em “A Bagagem do Viajante” abordara a questão das Histórias para Crianças, e é a essas páginas, que vai buscar o âmago de “A Maior Flor do Mundo”, um livro com lindíssimas ilustrações de João Caetano, e, que se saiba, a única incursão de Saramago pela literatura infantil.


“As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples, porque as crianças, sendo pequenas, sabem poucas palavras e não gostam de usá-las complicadas. Quem me dera saber escrever essas histórias, mas nunca fui capaz de aprender e tenho pena. Além de ser preciso escolher as palavras, faz falta um certo jeito de contar, uma maneira muito certa e muito explicada, uma paciência muito grande – e a mim falta-me pelo menos a paciência do que peço desculpa.”.
A deliciosa e bonita história termina com um desafio ao pequeno leitor:

“Quem sabe se um dia virei a ler outra vez esta história, escrita por ti que me lês, mas muito mais bonita?”
E na contra-capa, como não podia deixar de ser, deixa uma provocação:

“E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?”

Este livro deu origem a um filme de animação feito por Juan Pablo Etchevery e Chelo Loureiro, que vivem na Galiza, e para o qual Emilio Aragon compôs a música.

  “Eu próprio apareço nele, de chapéu e bastante favorecido na idade”, escreveu Saramago nos seus "Outros Cadernos."

O filme pode ser visto aqui.