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sábado, 29 de junho de 2024

OLHAR AS CAPAS


O Lobo do Mar

Jack London

Tradução: João Guerreiro Boto

Publicações Europa-América, Lisboa, Setembro de 1973

Mal sei por onde começar, embora por vezes atribua jocosamente a causa de tudo a Charley Furuseth. Ele tinha uma casa de veraneio em Mill Valley, à sombra do monte Tamalpais, que só ocupava quando passava os meses de Inverno sem trabalhar, a ler Nietzshe e Schopenhauer para repousar o espírito.

sábado, 13 de janeiro de 2024

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Maravilhosos os tempos de juventude em que li Jack London.

Nunca esqueci uma frase que li numa crítica, longínqua, de televisão do Mário Castrim no Díário de Lisboa:

«Quem já leu Jack London, fecha os olhos quando aparecem os cãezinhos do circo.»

Ao colocar este livro no Olhar as Capas, fui relendo aqui e ali, e não resisto a transcrever um pedaço, está na página 99, de O Apelo da Selva:

«Este homem salvara-lhe a vida, o que já era qualquer coisa; mas, acima de tudo, ele era o dono ideal. Na sua maioria, os homens  cuidam dos seus cães por um sentido do dever ou por conveniências profissionais; este cuidava dos seus como se seus filhos fossem, e porque não podia deixar de fazê-lo. E mais. Nunca se esquecia de lhes dirigir uma saudação carinhosa ou uma palavra de encorajamento e de, sentado no chão ter com eles longas conversas («conversas fiadas», como ele dizia, sentindo nisso tanto prazer como eles.  Tinha um gesto muito seu de agarrar rudemente a cabeça de Buck entre as mãos e, apoiando a sua cabeça na do cão, abaná-lo para trás e para a frente, enquanto lhe segredava palavras ofensivas, que para Buck eram palavras de amor. Buck não conhecia maior alegria que esse abraço rude e o som das pragas sussurradas, e, a cada balanço para trás e para a frente, parecia que o coração lhe saltava do peito, tão grande era o seu êxtase. E quando, uma vez liberto, de um salto se punha em pé, a expressão risonha, os olhos eloquentes, a garganta vibrante de sons inarticulados e assim se conservava sem se mover, John Thornton, cheio de respeito, exclamava:

- Santo Deus só te falta falar.»

OLHAR AS CAPAS


 O Apelo da Selva

Jack London

Tradução: Maria Francisca Ferreira de Lima

Colecção: Livros de Bolso Europa-América nº 89

Publicações Europa-América, Lisboa, Agosto de 1974

Buck não lia o jornal, pois de contrário teria sabido o que se preparava não só contra ele como contra todos os cães-d’água, de Piget Sound a San Diego, cujos músculos fossem fortes e o pelo abundante e comprido, Tudo porque alguns indivíduos, tacteando na escuridão do Árctico, tinham topado com um metal amarelo, descoberta essa que o barco a vapor e outras companhias de transporte se encarregaram de espalhar aos quatro ventos, provocando a corrida de milhares de homens para s terras do Norte. Ora esses homens precisavam de cães, e necessariamente cães corpulentos, de músculos possantes para o trabalho e espessa pelagem que os protegesse do frio intenso.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

ARRISCOU AMBAS


Um contraste com a esoteria de outro lugar de livros em Carmel by The Sea, antes de entrar no Big Sur, junto ao restaurante que pertenceu a Clint Eeastwood. Ele foi o mayor daquela cidade turística, quase um lugar de bonecas. Trouxe de lá a biografia de Jack London, o homem que se dividiu pela Califórnia e pelo Alasca, ideologicamente o contrario de Eastwood, quando ser comunista era rebeldemente proibido na América e ser lobo do mar uma aventura quase tão grande como isso. Arriscou ambas.

Isabel Lucas em Livrarias – Um Mapa Pessoal Incompleto, publicado na revista Ler, nº 146, Verão 2017.

sábado, 9 de julho de 2016

POSTAIS SEM SELO


Quem já leu Jack London, fecha os olhos quando surgem os cãezinhos de circo.


Mário Castrim

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

POSTAIS SEM SELO


Não é fácil chegar à meia-noite a uma cidade desconhecida, falido, ao frio, e encontrar onde dormir. O sueco não tinha cheta. Os meus bens resumiam-se a duas moedas de dez cêntimos e uma  de cinco. Indagando junto de uns garotos, ficámos a saber que a cerveja era a cinco cêntimos e que os bares estavam abertos toda a noite. Era a nossa safa! Duas canecas de cerveja custariam dez cêntimos e, se nos sentássemos ao pé do fogão de sala, poderíamos dormir até de manhã. Apressámo-nos em direcção a um bar iluminado, pisando a neve e com um vento gélido a soprar-nos nas costas.

Jack London em Vagabundos Cruzando a Noite

Legenda: pintura de John French Sloan