quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

SUJEITO ESTRANHO


Este disco  é de 1980, comprei-o na Discoteca Melodia, na Rua do Carmo, em Lisboa, e custou-me 400$00, nos dias de hoje a módica (?) quantia de 2 euros.
Para além de Barco Negro, o disco reúne outras duas excelentes interpretações de Ney: Um Índio de Caetano Veloso e Doce Vampiro de Rita Lee.

BARCO NEGRO


Barco Negro.
Há muitos e muitos anos que conheço este fado de Amália Rodrigues.
Gosto muito de o ouvir.
Só mais tarde vim a saber, que o bonito poema é da autoria de David-Mourão Ferreira.
Vim depois a encontrar a versão de Ney Matogrosso num disco LP que dá pelo nome de Sujeito Estranho.
A capa desse disco encontram-na no post seguinte.
Gosto muito de Amália, mas, permitam-me o desplante: a versão de Ney é um assombro.
Tentei encontrar essa interpretação, para a colocar aqui, mas das que estão pelo You Tube, nenhuma é a disco.
As que ouvi não me parecem nada felizes razão porque vos deixo a da Amália.
Por isso escolhi Amália.

Barco Negro

Poema: David-Mourão Ferreira
Música: Caco Velho

De manhã temendo que me achasses feia,
acordei tremendo deitada na areia,
mas logo os teus olhos disseram que não
e o sol penetrou no meu coração. 
 
Vi depois, numa rocha, uma cruz,
e o teu barco negro dançava na luz;
vi teu braço acenando, entre as velas já soltas.
Dizem as velhas da praia que não voltas...
São loucas! São loucas!  -  
 
Eu sei, meu amor,
que nem chegaste a partir,
pois tudo em meu redor
me diz que estás sempre comigo. 
 
No vento que lança
areia nos vidros,
na água que canta,
no fogo mortiço,
no calor do leito,
nos bancos vazios,
dentro do meu peito
estás sempre comigo.

IDÍLIO EM BICICLETA



Agora vai ser, no próximo dia 13 de Março, pelas 21 horas, na Casa da América Latina.

A entrada é livre não sendo necessário reservas ou marcações.

Naquele seu estilo descontraído, o Idílio vai avisando: a sala tem lotação máxima de 70 lugares sentados (ou 100 de pé, consoante a afluência), sendo para mim completamente imprevisível se estará vazia, cheia ou a transbordar...
Aparece quem quer/pode, pois o meu cachet não depende do número de presenças!!

A Casa da América Latina fica, em Lisboa, na Avª 24 de Julho nº 118. 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

DEVANEIO ENTRE CASCAIS E LISBOA


Devaneio entre Cascais e Lisboa. Fui pagar a Cascais uma contribuição do patrão Vasques, de uma casa que tem no Estoril. Gozei antecipadamente o prazer de ir, uma hora para lá, uma hora para cá, vendo os aspectos sempre vários do grande rio e da sua foz atlântica. Na verdade, ao ir, perdi-me em meditações abstractas, vendo sem ver as paisagens aquáticas que me alegrava ir ver, e ao voltar perdi-me na fixação desatas sensações. Não seria capaz de descrever o mais pequeno pormenor da viagem, o mais pequeno trecho de visível. Lucrei estas páginas, por olvido e contradição. Não sei se isso é melhor ou pior do que o contrário, que também não sei o que é.
O comboio abranda, é o Cais do Sodré. Cheguei a Lisboa, mas não a uma conclusão.

Fernando Pessoa em O Livro do Desassossego

POSTAIS SEM SELO


O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

JANELA DO DIA


1.
.
O destaque é do Público.

A Tobis é vendida, não se sabe muito bem a quem, e o secretário-geral da Cultura manifesta desconhecer os pormenores.

Neste caso não estamos perante alguém que fala dos concertos de violino de Chopin.

O secretário-geral é um homem que há largos anos vive dentro, e nas margens da cultura, tem obra publicada e interesses sempre ligados aos livros e às artes.

Demasiado vaidoso para o meu gosto, mas isso é outra história e não é para aqui chamada.

Dentro de tantas coisas que o secretário diz desconhecer, espero bem que tenha salvaguardado, ou alguém por ele, os interesses do importantíssimo arquivo histórico da Tobis Portuguesa.

Desta gente, tudo é de esperar!...

2.

Cerca e 90 trabalhadoras da Fersoni estão desde esta segunda-feira de manhã, à porta da empresa, em Joane, Famalicão.

Depois de uma semana de férias, as operárias regressavam ao trabalho, mas encontraram a porta fechada.

A administração da empresa de confecção ainda não pagou o Subsídio de Natal nem o mês de Janeiro.

OLHAR AS CAPAS


O Começo de Um Livro é Precioso.
Maria Gabriela Llansol
Desenhos: Ilda David
Assírio & Alvim, Lisboa Outubro 2003

O começo de um livro é precioso. Muitos começos são preciosíssimos.
Mas brece é o começo de um livro – mantém o começo prosseguindo.
Quando este se prolonga, um livro seguia se inicia.
Basta esperar que a decisão da intimidade se pronuncie.
Vou dar-lhe fio____ linha, confiança, crédito, tecido.

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE


Hoje há uma quantidade enorme de livros de receitas e até as grandes superfícies oferecem receitas.

No meu tempo havia um outro livro de receitas, a começar no calhamaço do Pantagruel
que não estava ao alcance de todos.

Lembro-me da Maria de Lurdes Modesto e o seu programa de culinária na televisão.
Nas casas daquele tempo, as comidas passavam de voz em voz, ia-se aprendendo.
O meu primeiro livro de receitas foi a avó Brigida que ditou e fui escrevendo.

A primeira receita, doce de tomate, foi escrita em de 6 de Maio de 1962.

O livro ainda anda por aqui e talvez os filhos peguem nele como um tesouro de família.

Comidas sem artifícios ou coisas complicadas, tudo muito simples, essa maravilha a que se chama comida caseira, algo em vias de extinção, algo que só os mais velhos vão sabendo o que é.

Hoje os tempos são de Bimby em que a comida se faz sem grande trabalho, mas que sabe toda à mesma coisa: a Bimby.

POSTAIS SEM SELO


A literatura não diz nada aos seres humanos satisfeitos com a sua sorte, a quem agrada a vida tal como a vivem. Ela é o alimento de espíritos indóceis e propagadora de inconformismo, um refúgio para aqueles a quem sobra ou falta algo, na vida, para ser infeliz, para não se sentir incompleto, sem realizar as suas aspirações. Sair a cavalgar junto do esquálido Rocinante e do seu desgovernado ginete pelos descampados de La Mancha, percorrer os mares atrás da baleia branca com o capitão Ahab, engolirmos o arsénico com Enmma Bovary ou transformarmo-nos num insecto com Gregor Samsa é uma maneira astuta que inventámos com o fim de nos desagravarmos a nós próprios das ofensas e imposições desta vida injusta que nos obriga a ser sempre os mesmos, quando queríamos ser muitos, tantos quantos seriam necessários para aplacar os ardentes desejos de que estamos possuídos.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

JANELA DO DIA


Por norma os fins-de-semana são dias parcos em notícias, os políticos os fala-barato, vão arejar e, apenas ficam as outras notícias, normalmente mortes outras tragédias, por vezes, um acontecimento feliz.
É um tempo propício para colocar à janela o que, nos últimos dias fui lendo pela concorrência.

1.

A atracção que sinto pelas casas abandonadas é uma coisa que vem da infância e que nunca perdi.

Há pelo menos meia dúzia de palacetes abandonados, que gostava imenso de conhecer por dentro. Ás vezes quando passo perto deles, apetece-me saltar os muros e entrar por ali a dentro, descobrir os mistérios que aquelas paredes encerram, olhar os tectos (alguns ainda devem ser bonitos...), subir as escadas e depois espreitar pelas suas janelas...

Normalmente só entro nestes locais misteriosos, quando as portas estão abertas. E faço muitas perguntas, mesmo sabendo que as paredes permanecem silenciosas.

Luís Eme em Largo da Memória

2.





Manchete do Público para entrevista com a ministra da Agricultura, Assunção Cristas, que ainda nem devia ter nascido no tempo em que a destruição da Reforma Agrária deixou milhares de hectares de latifúndio abandonados.

Vitor Dias em O Tempo das Cerejas 2


Legenda: a imagem é um óleo é de Alain Gazier tirado do Largo da Memória

QUOTIDIANOS


O Instituto de Meteorologia prevê para hoje que os tremómertos deverão chegar aos 36 graus em Évora e Beja, 33 no Porto, 31 em Lisboa e 28 em Faro.
O meu avô odiava os meses de Janeiro e Fevereiro
Percorria os dias destes meses com uma neura inultrapassável.
Ansiava os primeiros dias de março com um sol a tremelicar, mas que já anunciavam a chegada da Primavera. O semblante mudava.
Justamente acabou por morrer num dia de Fevereiro.
Que diria o meu avô, dos dias de sol que têm feito?
Vivemos, hoje, uma Primavera antecipada que nos irá sair muito cara,

BENFICA

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Sou do Benfica desde que me lembro, mas só me fiz sócio uns dias após o jogo Bayern-Benfica de 1981, para a Taça dos Campeões Europeus. O meu pai é Benfiquista, disfarça muito, mas sofre mais do que eu, mas nunca foi sócio, por isso nunca incentivou a minha filiação no clube. Eu sou benfiquista por influência do meu pai, mas sou sócio desde 1981 por opção minha, e tomei-a no dia em que “levámos” 4-1 do poderoso Bayern, porque achei que era nessa altura que o Benfica mais precisava de mim, após as vitórias aparecem sempre muitos para festejar, mas quando a coisa corre mal só ficam os mais convictos. Nas relações pessoais, isso também acontece, mas felizmente que ainda há muita gente que não abandona um familiar ou amigo, apenas porque este adoeceu, mesmo que reconheça que parte da culpa é do próprio, por não ter tomado as devidas precauções. Também me lembro do dia em que o Benfica foi goleado em Alvalade por 7-1, estava na Força Aérea, na Base das Lajes, e ouvi o relato, na camarata,  ao pé do meu camarada de especialidade, que era um Sportinguista ferrenho, e que me gozou, como eu o teria feito se fosse ao contrário, mas nesse mesmo momento apostei com ele um jantar em como o Benfica seria campeão, e foi um belo jantar que comi, passado uns meses, na Praia da Vitória, à conta do lagarto !
O Benfica empatou ontem com a Académica, desperdiçou oportunidades de golo, e foram lhe negados dois penaltys, um deles claríssimo, sobre Aimar, transformado em falta deste, nada que não tivesse começado há umas jornadas atrás, se nos lembrarmos do penalty inventado por Jorge Sousa, num jogo em que o Benfica acabou por golear, mesmo contra a vontade do juiz “super-dragão”. Mas os árbitros não ganham nem perdem jogos, apenas os podem tornar mais fáceis ou mais difíceis, uma equipa boa e com vontade, tem que saber dar a volta a essas situações. Quando uma equipa não tem sucesso, nem sempre é por razões científicas que alguns gostam de inventar, faz parte do jogo, há duas equipas em campo, com objectivos contrários, e há sempre três resultados possíveis, da forma mais natural do mundo. A minha prática desportiva, embora noutra modalidade, como atleta e especialmente, há vários anos, como treinador, permite-me ter uma visão mais aproximada da realidade competitiva, semanalmente tenho que tomar decisões para o início dos jogos, e durante estes, e estas nem sempre resultam, mas é assim, há coisas que na teoria parecem perfeitas, mas depois há a intervenção humana, nossa e do adversário, e esta felizmente não é sempre igual, se não o desporto perdia a sua beleza. Claro que há aqueles que gostam de grandes análises, e têm sempre a certeza de como se deveria fazer para ganhar, são os que acertam sempre nos números do Euromilhões à segunda-feira. São os que nunca perdem, mas também nunca ganham, porque nunca colocaram as suas ideias em jogo, ou na maior parte dos casos, os seus disparates disfarçados de teorias de grandes conhecedores que fazem rir qualquer um que perceba minimamente da poda. Jorge Jesus é um grande treinador, o Benfica joga um futebol consistente, perde muito poucas vezes, e os jogadores melhoram quando são treinados por si, e isto tem muito mérito, pois não falamos de escalões de formação, fazer evoluir um sénior não é tarefa para qualquer um. JJ tem um défice de cultura geral, é verdade, nasceu e cresceu num bairro operário, na Venda Nova, para meia dúzia poder estar cheio de conhecimentos, a maioria inúteis, é inevitável que  muitos milhões tenham que ficar incultos, é o resultado das opções de sociedade, que alguns sempre defenderam e agora cinicamente parecem condenar. JJ teve que subir a vida a pulso, o futebol tirou-o de uma vida no limiar da pobreza, e parece que não lhe perdoam isso, ele não domina as regras do discurso, é arrogante, mas é competente, no fundo ele, que até é Sportinguista, representa toda a essência do Benfiquismo, veio do povo e é do povo, o Benfica era vermelho no tempo do fascismo, e era democrático no tempo da ditadura, ergueu-se pela força braçal, para mim mais do que um clube, encarna, como não podia deixar de ser, o um ideal, foi a vitória de um clube do povo sobre o clube da nobreza, a vitória dos que não tinham campo para jogar, sobre o clube que nasceu rico.
Por tudo isto, eu nunca deixarei o meu clube ficar mal, por tudo isto eu festejo as vitórias do meu Benfica, mas sinto-me muito mais Benfiquista nos maus momentos, e que diabo, estamos em primeiro ! Graças à generosidade amiga, irei ter o privilégio de assistir ao próximo Benfica-Porto, e nenhuma situação me daria mais convicção do que a actual, lá estarei para ganhar ou perder junto do meu clube, no místico estádio do Sport Lisboa e Benfica ! com uma certeza, após o jogo continuaremos a ser o Glorioso !

ZECA


Quero falar-te e o coração, de comovido,
Perde as palavras que juntara para ti.
Cantar-te sei e apenas isso faz sentido.
Menino de oiro,
Vem sentar-te aqui.
Menino de oiro,
Vem sentar-te aqui.

Por todo o ano é tempo de cantar janeiras.
Mulher da erva, ainda agora a vi passar.
Por mar profundo, terra e todas as fronteiras
Venham mais cinco
Mil p’ra te saudar.
Venham mais cinco
Mil p’ra te saudar.

Pode o sol morrer de velho,
Pode o gelo arder também.
Mas a voz que de ti nasce
Já não morre com ninguém.

No céu cinzento, o astro mudo ainda revela
Um bater de asas, o disfarce do seu pé.
Bebem do sangue, comem tudo, olhai, cautela
O que faz falta
Já se sabe o que é.
O que faz falta
Já se sabe o que é.

Junta-te a nós, ó bairro negro, vem, falua,
P’la noite fora até que se erga o sol do Verão
Solta as amarras, sopra, ó vento, continua,
Que este homem não
Se foi embora, não.
Que este homem não
Se foi embora, não.

Pode o sol morrer de velho,
Pode o gelo arder também.
Mas a voz que de ti nasce
Já não morre com ninguém.

Hélia Correia

Nota do editor:
Poema de Hélia Correia para uma música de Janita Salomé e que faz parte do álbum L’Amar de Filipa Pais.

Legenda: Cartaz encontrado em A Cinco Tons.

POSTAIS SEM SELO


Há também o silêncio. O silêncio, por definição, é o que não se ouve. O silêncio escuta, examina, observa, pesa e analisa. O silêncio é fechado. O silêncio é a terra negra e fértil, o húmus do ser, a melodia calada sob a luz solar. Caem sobre eles as palavras. Todas as palavras. As palavras boas e as más. O trigo e o joio. Mas só trigo dá pão.

José Saramago em Deste Mundo e do Outro, 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

OLHARES


Bairro Alto.
Só nos bairros velhos da cidade, podemos ainda encontrar as estas drogarias que vendem de tudo um pouco.
Não há as modernices que encontramos nos grandes supermercados mas, muito dificilmente, não encontramos o que queremos.
Até ratoeiras para ratos.
A Santos & Celestina, Lda   tem porta aberta na Rua da Rosa.

TROVADOR DA VOZ D'OURO INSUBMISSO


É de murta e de mar a tua voz
Com algas de canção estrangulada.
Aberta a concha da trova malsofrida
Saíste como sai a madrugada
Da noite, virginal e humedecida.

É de vinho e de pinho a tua voz
Com pranto de insofríveis flores banidas.
Mas é pela tua garganta que soltamos
As eriçadas aves proibidas
Que no muro do medo desenhamos.


Nota do editor: poema publicado pela Associação José Afonso.

Legenda:
José Afonso na Festa do Avante, 1980
Fotografia tirada de As Voltas de Um Andarilho, Viriato Teles, Assírio & Alvim, Lisboa Outubro 2009

SARAMAGUEANDO


Clara Ferreira Alves, numa sua Pluma Caprichosa que publica no Expresso, dizia:

Somos um país desempregado. Sem voz. Os que agora compram em Portugal vieram aos saldos e o Governo é um prestamista e vendedor autorizado.

Volto às opiniões que José Saramago deixou sobre a entrada de Portugal na Europa que, repito, muito claramente, considerou uma nova forma de capitalismo.


Entraram aqui milhões de contos por dia em fundos da União Europeia e perguntamo-nos onde está esse dinheiro, o que se fez com ele?
Gostaria que o Governo publicasse um anúncio de página inteira nos jornais para explicar o que Portugal recebeu da Comunidade e onde é que essas importâncias foram aplicadas. Era uma informação para o povo português ficar a saber que a entrada na Comunidade não tinha sido um capricho político e que havia razões – que até se comprovavam – justificadas pelo apoio económico materializado em milhões todos os dias no país. Não se fez nunca isso, nem foi dada uma explicação porque seria muito difícil dá-la. E, claro, que eu nem queria chegar ao pormenor dos tostões…

Em Uma Longa Viagem Com José Saramago de João Céu e Silva.

Não diria que o Mercado Comum signifique, com o tempo, a morte da democracia política na Europa. Digo, sim, que a democracia política vai passar a estar condicionada pelos interesses e pela lógica desse mesmo sistema económico que não pode, sob pena de condenar-se a si mesmo, admitir veleidades de contradições dentro de si.

Em José Saramago Nas Suas Palavras, organização de Fernando Gómez Aguilera

Sempre se falou da Europa como de um mercado com não sei quantos milhões de consumidores. Ninguém falou da Europa dos cidadãos que precisam de medicamentos, pensões de velhice dignas, assistência hospitalar, sistemas educativos modernos. É duvidoso que, em 40 anos de construção europeia, nada na Comunidade aponte nesse sentido. Aquilo de que se fala é reduzir os benefícios socias. Se me é permitido, passámos do ideal do Estado-providência para o estado-chulo.

Em José Saramago Nas Suas Palavras, organização de Fernando Gómez Aguilera

Não estou desenganado, sou totalmente céptico. A Comunidade (Económica Europeia) é um conselho de administração de um espaço económico. E, como acontece sempre nos conselhos de administração, quem manda é quem tem mais acções. Cada membro desse conselho senta-se num pacote de acções e, quanto mais alto for esse pacote, mais força e mais poder tem, porque possui mais acções. Mesmo que nós – quando digo nós, refiro-me aos portugueses – nos sentemos ali, fazêmo-lo como uma parte menor, porque a relação de poder e de força no interior da Europa se mantém. Em poucos anos, a Europa será administrada pela Alemanha e nós seremos só uma espécie de satélite do Bundesbank. E embora essa relação de poder entre o forte e o fraco tenha existido sempre, muitos lutámos para que isso não seja um escândalo.

Em José Saramago Nas Suas Palavras, organização de Fernando Gómez Aguilera

A Europa não foi feita pela riqueza mercantil. Foi feita pela riqueza mental, pela intelectual, pela sua capacidade de criar. A Europa não deve ter um futuro de mercadores, mas sim de criadores. Senão, não haverá futuro para este continente.

Em José Saramago Nas Suas Palavras, organização de Fernando Gómez Aguilera

POSTAIS SEM SELO


Naqueles anos, todos eles se tinham movido sem saberem muito bem se acordariam na manhã seguinte. Viviam numa febre constante, numa vertigem, num excesso permanente. Era preciso viver depressa e morrer depressa, de preferência ainda jovem. Nenhum deles alimentava projectos ou ambicionava fosse o que fosse. Era-lhes indiferente estar vivo ou morto. Mantinham-se nesse lugar mal iluminado e sem saída: a vida.

Al Berto em Lunário, Assírio & Alvim, Dezembro 1999.

Legenda: quadro de Edward Hopper

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

JANELA DO DIA


1.

Lê-se, e a primeira coisa que salta à vista, é que isto não pode estar a acontecer.

É mau de mais para que possa ser verdade.

Cavaco Silva disse hoje, em mais uma etapa da Viagem de Roteiro para a Juventude  ter ficado um pouco surpreendido com os últimos números do desemprego, considerando excessivas as previsões de recessão para 2012,  e que tem esperança que não se concretizem.

Cavaco foi professor de economia, foi durante 10 anos primeiro-ministro, está no segundo mandato como Presidente da República, tem assessores para tudo e mais alguma coisa.

Claro, de há muito sabemos, que não lê jornais mas, pelo menos, não vê a abertura de um qualquer tele-jornal para que possa ver o que vai pelo país, pelo mundo?
Será que, apenas, passa os serões a contar, com a esposa, os tostões do mealheiro?

E não haverá ninguém, naquele palácio, que lhe diga que não pode vir, cá para fora, dizer disparates destes?

Decididamente, isto não pode estar a contecer!...

2.

Portugal está no grupo de países com maiores desigualdades em termos de rendimento disponível das famílias, sendo o terceiro com maior desigualdade em rendimento de trabalhadores a tempo inteiro, diz a OCDE.

O relatório junta Portugal ao Chile, Israel, México, Turquia e Estados Unidos no grupo dos países com maiores desigualdades em termos de rendimento disponível das famílias, indicando que nestes países existe uma elevada concentração de rendimentos de trabalho, capital e trabalho independente, e que nestes países a taxa de pobreza é elevada.

3.

Duarte Marques , líder da Juventude Social Democrata  disse, numa entrevista, que a resolução do problema do desemprego é uma questão de fé.

4.

Da crónica de Manuel António Pina no Jornal de Notícias de hoje:

A sondagem agora realizada pela Universidade Católica para a RTP comprova o pior: quase dois terços (62%) dos eleitores consideram mau ou muito mau o desempenho do Governo em funções, mas três quartos (73%), olhando em volta para as alternativas viáveis - que é como quem diz para o PS - não vê que valha a pena mudar de Governo por um outro que, com mais ou menos leis do aborto ou do casamento homossexual, faça exactamente a mesma coisa.

Quando os eleitores concluem que tanto dá votar como não votar porque o resultado será o mesmo, a democracia está gravemente doente e madura para qualquer aventura populista


Legenda: imagem tirada do Jornal de Notícias.

DO BAÚ DOS POSTAIS




Copenhaga.

HOJE FALO NO ZECA !

zeca

Alguém disse que hoje ninguém falaria no Zeca, mas não é verdade. Hoje e sempre, há quem fale no Zeca, no Adriano, no Mário Viegas, no Saramago, no Álvaro, no Maia, no Che e em tantos outros, não somos os suficientes ? somos os possíveis, aqueles que não se refugiam na conveniente desilusão para justificarem a traição daquilo em que acreditaram. Aqueles que não trocam os ideais por almoços, aqueles que não se renderam ao ouvirem os primeiros tiros. Aqueles que acreditam que se os amanhãs não cantarem, cantarão os dias seguintes, aqueles que recusam a aceitar a realidade monocromática que nos querem vender como fatalidade, os que não aceitam o sacrifício de milhões para benefício de meia dúzia privilegiados. Os que acreditam que utopia é pensar-se que o caminho do abismo será o único. Os que acreditam que é possível criar uma sociedade mais justa, que não desistem perante os aparentes insucessos passados. Enquanto houver quem acredite que vale mais morrer de pé, do que viver ajoelhado, haverá sempre alguém que falará no Zeca, caro amigo, hoje e sempre.

CHAMINÉS


Chaminé que se avista da Rua Francisco Ribeiro (Ribeirinho).
Situa-se no nº 55 do Regueirão dos Anjos.
Não está em actividade. Poderá ter sido uma pequena empresa metalúrgica.

POSTAIS SEM SELO


Há momentos em que me vai apetecer, conheço-me bem, companhia para um passeiozeco a ver o rio, alguém que me pegue no braço, a respirar perto de mim.

António Lobo Antunes, de uma crónica na Visão

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

JANELA DO DIA


José Afonso partiu há 25 anos.

Hoje, que foi esse dia, houve as palavras costumeiras: imprescindível, genial, único, toda aquela parafernália de palavreado que se convoca para as redondas efemérides.

Mas quase todos se esqueceram que foram terríveis os últimos anos de vida de José Afonso.

Em tempo de euforias os ingleses costumam dizer que há-de aparecer alguém que, para estrgar a festa, põe veneno no champanhe

Voltemos atrás, olhemos a 1ª página do Diário de Lisboa de 31 de Dezembro de 1984:



Na página 16 transcreve-se o diálogo que José Afonso manteve com os jornalistas Eugénio Alves e Ribeiro Cardoso.

No findar da conversa, José Afonso rematou com estas palavras:

Não estou de forma alguma empobrecido na minha combatividade. Não me sinto “desencantado”, como agora se diz. Nem frustrado. Entendo que para uma revolução muito pouco se trabalhou. Mas acho que é este precisamente o momento em que devemos voltar a ser combativos. Em suma: devemos pôr em prática aquilo que o Brecht dizia na “Excepção e a Regra”: “Nunca digas é natural”. Onde houver injustiças, irregularidades, prepotências, devemos estar sempre prontos a denunciá-las. Sobretudo se temos autoridade para o fazer.

Quando proferiu estas palavras, José Afonso, encontrava-se doente há quatro anos – esclerose lateral amiotrófica, disseram os médicos.

Plantei a semente da palavra, escreveu um dia.

Mas, como dizia, hoje, um amigo cá da casa:

Amanhã já ninguém fala em José Afonso…

CANTIGAS DO MAIO




Título de uma entrevista de José Afonso a José Jorge Letrie e publicad no Diário de Lisboa de 2 de Dezembro de 1971.

CARTA PARA ZECA AFONSO


Povoa-se esta noite
de muito para dizer
há mesmo
no silêncio
uma charrua
a abrir a terra
(talvez um astro
talvez uma onda
ou talvez
nada mais
do que uma lágrima)
e ouvem-se,
tão de leve
que parecem
passos de ave
na areia,
ouvem-se
gestos no inquieto chão
de uma velha memória.
Mas, por mim, hoje
não posso dar-te
nem
uma palavra. Olha,
se lá tivesse estado
talvez também cantasse
(digamos: murmurasse)
um verso
ou um refrão
do tempo
em que a noite lá fora
era de gelo.
Hoje, porém,
nem
uma palavra ao menos
te direi.
E palavras há tantas
que
é mesmo aí que está
o mais difícil.
Não é que eu tenha
alguma coisa contra
o barro
do meu ofício..
Com as palavras
se ilumina o mundo
e se levanta o pão:
sabes tu isso bem
tu que as cantaste.
Contigo, ao pé de ti,
ou só de ver-te
certas palavras logo
amadurecem de novo
amadurecem
caem,
pesadas de sentido,
da grande árvore
comida pelo silêncio
que os falcões da electrónica
instauraram.
Mas de mim  nem sequer
terás
nem
uma palavras certa
nem
uma palavra de violeta
nem
uma palavara supérflua
isso: nem mesmo
as palavras supérfluas
que são em poesia
as mais preciosas
percorrerei
todo o espaço
desta respiração
(desta transpiração)
quotidiana
e vigiarei atentamente
para que nem uma palavra
dizer seja  o que for,
certa
contente e
de si tão convencida
que já nem saiba onde
ela se principia
e tu acabas.
Farei é certo algum esforço
pra não dizer, digamos
fraternal
pão de mesa comum
canção
Abril
coragem
o que é preciso
é reunir a malta
outras coisas assim
mas nem essas
deixarei
que tas diga
ficarei
sem dever nada
a mim próprio
certo
de que as palavras
que se dzem
em noites
como esta
correm o perigo de
não ter a bastante
direcção.
Depois, palavras
“dirigidas a”
não são propriamente
o meu género.
Meu género era ver-te
à minha mesa
ou ouvir-te modular
(modelar?)
uma canção que andava
em ti buscando
forma.
Ou ver-te recriar
o ritmo
dos cavadores de Paredes
e dos operários
partindo pedra
não sei onde
(oiço-te a bater
com os nós dos dedos
no tampo da mesa)
Assim no meu silêncio
é que te vejo
e que te falo
Palavras? Não.
Palavras nem
uma; nem
que elas me fiquem
no coração
doendo
e que sofram
que sofram
as palavras também
a vez delas havia
de chegar.
Elas, elas aqui
hoje é que não,
hoje não deixarei
que se perturbe
esta noite,
nem sob o álibi
das formas de dizer
com as palavras.
Sem palavras um abraço
sem palavras um beijo
sem palavras portanto
esta carta
este canto.


Mário Castrim, Canal da Crítica, Diário de Lisboa, 1 de Março de 1983.


Nota do editor:
Esta carta de Mário Castrim foi publicada no dia a seguir à Festa da Fraternidade a José Afonso, realizada no Coliseu no dia 29 de Janeiro de 1983.

POSTAIS SEM SELO


Ele abriu janelas onde nem paredes havia.

Sérgio Godinho

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

JANELA DO DIA


1.

Miguel Relvas, para além de ministro da propaganda, nomeou-se coordenador da nova Comissão Interministerial de Criação de Emprego e Formação Jovem.

A comissão reuniu-se esta manhã com os parceiros sociais. Para além de Relvas estiveram 12 secretários de estado.

Nenhum documento foi apresentado, apenas blá-blá-blá.

Finda a reunião, Arménio Carlos, Secretário-Geral da CGTP, acusou o ministro de estar a tentar iludir a opinião pública para dar ideia que está preocupado com o desemprego juvenil quando, na prática, as políticas que estão a ser seguidas, não só não criam emprego, como destroem emprego e são responsáveis pelo número elevadíssimo de desempregados.

Quando a medidas, a CGTP propôs um combate à precariedade e aos falsos recibos verdes, o lançamento de uma campanha para atacar os postos de trabalho precários em funções permanentes, o reforço da protecção dos desempregados. Para as micro e PME, a central sindical adiantou uma linha de financiamento através da CGD, a redução dos custos de contexto e uma maior atenção e protecção a estas empresas que estão a ser esmagadas pelos grupos económicos.

Dada a ausência de propostas por parte do Governo, a reunião foi encarada pela CGTP como uma manobra de diversão e de propaganda pura e dura.

2.

Segundo o secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, disse esta quarta-feira que 17 mil a 20 mil pessoas deixaram a Função Pública durante o ano de 2011, o que corresponde a uma redução de 3,2% nos trabalhadores do Estado.


3.

A Carris pretende rescindir contrato por mútuo acordo com cerca de 300 trabalhadores este ano, disse o presidente da transportadora pública, adiantando que até ao momento 80 funcionários já cessaram o seu vínculo laboral.

4.

Da crónica de Baptista-Bastos, hoje no Diário de Notícias:
Ninguém esperava que o País chegasse a isto. Embora alguns, não muitos, demonstrassem um cepticismo próximo da negação absoluta. Estava no Diário Popular, quando Marcelo Caetano se rendeu. Andei pelo Carmo, a rondar e a sondar, corri para o jornal, e disse ao José de Freitas: "Zé: o fascismo caiu." José de Freitas era um notável jornalista, sonhara os sonhos impossíveis da grande geração a que pertencia, e fora marcado por toda a gama de desesperos. Respondeu-me, as lágrimas a rolarem-lhe pela face: "Vamos lá ver... Vamos lá ver..."
As frases toldadas causaram-me surpresa próxima da perplexidade. "Caiu, Zé; o fascismo caiu." E ele: "És muito novo, ainda", talvez para justificar a minha pobre ingenuidade. Ele tinha razão. Não se extirpa, de um momento para o outro, uma mentalidade timbrada pelo temor reverencial, ou as características serviçais que revelam índoles pouco corajosas. Alie-se a estas debilidades a ignorância larvar, e a tendência para deixar correr as coisas. E algumas traições, aparentemente inverosímeis.
O sonho, como se sabe, durou pouco mais de ano e meio. Normalizou-se uma democracia que nem sequer sabia que o era. Depois, fomos tropeçando, à medida das nossas resignações e incapacidades. Se calhar, não gostamos do risco de pensar, e damo-nos mal com a democracia, que nos incita a isso. Se calhar.

SARAMAGUEANDO



Esta é a Europa onde nos meteram.

Ninguém nos perguntou nada, nem nos preocupámos com isso.

Disseram que iam desaguar rios de dinheiro.

Assim aconteceu.

Poucos pensaram que não há almoços grátis.

Esses poucos já sabiam que o despertar ia ser atroz.

José Saramago foi um deles.

Fui respigar alguma coisa, do muito que ele disse, sobre a nossa adesão à União Europeia. 

Entrada do dia 20 de Fevereiro de 1995 em Cadernos de Lanzarote, Vol. III:

Sou um europeu que aprendeu tudo do seu cepticismo com uma professora chamada Europa. Não falando do “ressentimento histórico”, a que sou especialmente sensível, mas que, de todo o modo, é ultrapassável, rejeito a denominada “construção europeia” por aquilo que vejo estar a ser a constituição premeditada de um novo “sacro império germânico”, com objectivos hegemónicos que só nos parecem diferentes dos do passado porque tiveram a habilidade de apresentar-se disfarçados sob roupagens e uma falsa consensualidade que finge ignorar as contradições subjacentes, as que constituem, queiramo-lo ou não, a trama em que se moveram e continuam a mover-se as raízes históricas das diversas nações da Europa.

Entrada do dia 21 de Fevereiro de 1995 em Cadernos de Lanzarote, Vol. III:

Se a União Europeia fosse o que diz ser, nenhum dos países que a integram teria de temer a sombra de um vizinho economicamente mais poderoso, uma vez que as estruturas comunitárias lá estariam para velar pelo equilíbrio geral e resolver as tensões locais.

No dia 1 de Março de 1994, José Saramago recebeu, em Lanzarote, a visita de Mário Soares, deste modo referida nos Cadernos Lanzarote, Vol. II:

Tive a melancólica satisfação de ouvir dizer a Mário Soares, que partilha hoje de algumas das minhas reservas, antigas e recentes: “Que será de Portugal quando acabarem os subsídios?”, foi sua a pergunta, não minha. Aproveitei a ocasião e permiti-me substituir a pergunta por outras mais inquietantes: “Para que serve então um país que depende de tudo e de todos? Como pode um povo viver sem uma ideia de futuro que lhe seja própria? Quem manda realmente em Portugal?” Não tive respostas, mas também não contava com elas.

Entrada a 2 de Agosto de 1997 nos Cadernos de Lanzarote, Vol. V:

Perguntaram-me pela Europa e eu respondi-lhes que a União Europeia não passa de um império económico, e que não gosto de impérios, em particular se se excluem as ideologias políticas ou as reduzem a meras etiquetas sem valor.

Amanhã, continuarei as palavras de José Saramago sobre a União Europeia, que ele considera uma nova forma de colonialismo, em que a política limita-se a gerir o trânsito e a arrumar os carros dos senhores da economia.

POSTAIS SEM SELO


Trabalhas na mesma fábrica
Onde o teu homem trabalha
Manobras a mesma máquina
Mas não tens a mesma paga.

G.A.L.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

JANELA DO DIA


1.

A execução do Programa de Assistência Financeira a Portugal vai no bom caminho, e não será renegociado,  disseram os representantes da troika aos deputados, numa reunião realizada hoje na Assembleia da República.
João Semedo, deputado do Bloco de Esquerda, em declaração aos jornalistas, afirmou:

O que pudemos recolher desta reunião é que a troika olha para o memorando mas não olha para o país, não vê que o País está pior e não pretende alterar minimamente o rumo da política que está a ser seguida e essa é para nós uma teimosia que está a sair caro aos portugueses e ao país.

2.

As mulheres têm uma remuneração média 20% inferior aos homens, indica uma nota da central sindical CGTP divulgada a propósito do Dia Europeu da Igualdade Salarial,  que se celebra amanhã.

O documento da CGTP salienta que o ordenado mínimo (485 euros), depois de deduzidos os descontos, fica reduzido a 432 euros, valor abaixo do limiar da pobreza, fixado em 434 euros.

Também nas pensões, as mulheres recebem, em média, menos 40% que os homens, ficando-se pelos 304

3.

Segundo o jornal I, Portugal queria banir a TVI para sempre das chamadas tour de table, em Bruxelas, na sequência da conversa gravada e difundida entre os ministros das Finanças de Portugal e da Alemanha.
Os serviços de imprensa do Conselho de Ministros da União Europeia decidiram na semana passada implementar regras mais restritivas para a recolha de imagens nos instantes que antecedem o início das reuniões ministeriais e suspender, durante um mês, o repórter de imagem da TVI responsável pela recolha das imagens da polémica.

4.

O ex-director de Informação da RDP justificou à sua equipa de sub-directores que o programa de opinião Este Tempo ia acabar nessa semana porque o director-geral assim o queria por causa da crónica crítica de Pedro Rosa Mendes sobre Angola.


Legenda: imagem de A Bola.