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domingo, 19 de abril de 2026

O OUTRO LADO DAS ESTANTES


O meu pai foi um marxista-leninista. 

Nas nossas conversas entendia que eu, acima de tudo, deveria ler Marx e Engels. Por Marx ainda li o que se entenderia por fundamental, até porque, mais tarde, o João César Monteiro apareceu a dizer que no Marx está tudo, Lenine é que foi muito pouco. 

Este Manual de Marxismo-Leninismo, de diversos autores, - 2 volume num total de 739 páginas - foi comprado pelo meu pai no Festival Internacional do Livro e do Disco, realizado no Centro Cultural de Belém em 1977, traduzido por Carlos Grifo, revisto por Manuel Gusmão, editado por Novo Curso Editores, em Setembro de 1975, Venda Nova/Amadora:

«Só uma classe determinada, os operários urbanos e, em geral, os operários fabris, industriais, está em condições de dirigir todo o conjunto de trabalhadores e explorados na luta para derrubar o jugo do capital, no momento em que este é derrubado, na luta para manter e consolidar a vitória com o objectivo de criar um regime social novo, socialista, e em toda a luta pela total supressão das classes». Lenine, citado na página 239 do 2º volume.

Livros apenas folheados porque, como a carne é fraca, li mais Raymond Chandler, mas retive que, como ensinavam os clássicos do marxismo-leninismo,  a  revolução socialista leva os trabalhadores ao poder, dirigidos pela classe operária.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

SOLTAS

Faleceu Vítor Dias.

É com profundo pesar que o Secretariado do Comité Central do PCP informa que faleceu Vítor Dias, com 80 anos, recordando a sua intervenção destacada na actividade do Partido, onde desempenhou importantes tarefas e responsabilidades.

Vítor Dias, empregado de escritório, aderiu ao PCP em 1973 sendo funcionário do Partido desde 1976.

Tendo integrado diversas associações culturais e desportivas do concelho de Vila Franca de Xira, foi dirigente da Associação de Estudantes da Faculdade de Direito de Lisboa em 1966/1967 e membro da direcção da Cooperativa Livreira e Cultural “DEVIR”. A partir de 1969 integrou diversas estruturas da CDE de Lisboa, pelo qual foi candidato na batalha política aquando da farsa eleitoral fascista de 1973 e dirigente do MDP/CDE até 1976. Militante antifascista, integrou a luta pela democracia e a liberdade tendo sido preso a 6 de Abril de 1974 e libertado com a Revolução de Abril.

Membro do Comité Central desde o IX Congresso, Vítor Dias integrou a Comissão Política do Comité Central do PCP de Maio de 1990 até 2008. Assumindo diversas tarefas, foi responsável pelo trabalho de Informação e Propaganda Central, autor de inúmeros textos na imprensa do Partido e activo participante nas diversas batalhas eleitorais a que o Partido foi chamado. Foi ainda membro da Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira no primeiro mandato autárquico de 1976/1979. Nos últimos anos manteve uma atenção à situação do País e do Mundo intervindo com a sua opinião a partir do blogue Tempo das Cerejas de que era autor.

1.

Portugal é o segundo país mais envelhecido da União Europeia, apenas ultrapassado pela Itália.

2.

A procura turística por Portugal continua em alta e os próximos tempos esperam-se animadores para o setor hoteleiro. Há mais de 70 hotéis que vão abrir portas durante este ano, acrescentando mais de 3800 quartos ao mercado. A maioria é em Lisboa, no Algarve e no Porto.

3.

«A comparação é cruel, justa e conduz inevitavelmente à conclusão de que os protagonistas políticos são hoje, de um modo geral, bastante medíocres e fazem deslizar para a mediocridade o discurso e toda a circunstância política».

4.

Todos nos enganamos.

Uns mais do que outros.

Todos acreditamos.

Uns mais do que outros.

Zita Seabra

Militante do PCP desde os 15 anos, passou à clandestinidade com 17 anos. Participou nas lutas estudantis até ao 25 de Abril, sendo responsável pela criação da União dos Estudantes Comunistas.

Dirigente comunista e Deputada à Assembleia da República de 1975 a 1988 pelo PCP e pela APU, foi expulsa do PCP em 1988.

Foi deputada eleita pelo Grupo Parlamentar do PSD na Assembleia da República e vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD na X Legislatura. Foi, ainda, vice-presidente do PSD em 2009.

Coordenou o Secretariado Nacional para o Audiovisual em 1993, ano em que assumiu a presidência do Instituto Português de Cinema. De 1994 a 1995, foi presidente do Instituto Português da Arte Cinematográfica e Audiovisual.

Coordenou o Secretariado Nacional para o Audiovisual em 1993, ano em que assumiu a presidência do Instituto Português de Cinema. De 1994 a 1995, foi presidente do Instituto Português da Arte Cinematográfica e Audiovisual. Aderiu ao Partido Social Democrata  e, nessa condição, Eleita pelo PSD no círculo de Coimbra em 2005, foi deputada na X legislatura e vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD na Assembleia da República até outubro de 2007. Nessa legislatura, destacou-se pelas posições que tomou contra a legalização do aborto, de que havia sido uma das mais acérrimas defensoras nos tempos de militância comunista. No XXX Congresso do PSD, em 2007, passou a ser uma dos seis vice-presidentes da Comissão Política Nacional deste partido, cargo que desempenhou até maio de 2008.

Cadernos de Lanzarote 2º volume de José Saramago:

Entrada do dia 8 de Janeiro de 1994:

« Chegaram-me ecos do desastre que terá sido a participação de Zita Seabra no programa de Manuela Moura Guedes. Entristece-me verificar como afinal valia tão pouco, intelectual e eticamente falando, alguém a  quem os acasos e  as necessidades políticas colocaram em funções e confiaram missões de responsabilidade dentro e fora do Partido. Que Zita Seabra se tenha desempenhado delas, nesse tempo, com coragem e dignidade, não pode servir para disfarçar nem desculpar o seu comportamento actual. Zita Seabra é hoje o exemplo perfeito e acabado do videirinho, palavra suja que significa, segundo os dicionários e a opinião da gente honrada, «aquele que para chegar aos fins não olha aos meios nem hesita em humilhar-se e cometer baixezas». Ouço, leio, e chego a uma conclusão: esta mulher vai acabar mal.»

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

À LUPA


Olhou o texto do Luís Eme, olhou a fotografia que ele entendeu colocar a ilustrar o texto, e ao fim de algum longo tempo, olhou o pedaço da cidade que consegue ver da janela onde mora, e decidiu-se:

«Dizem algumas coisas com que não concordo, dizem algumas coisas que não consigo entender, apesar de tudo sempre me dei bem com esta gente.

Ou José Saramago, num velho dia, a responder à jornalista brasileira Marília Gabriela, espantada pela sua fidelidade ao Partido:

«Não há outra coisa!...»

Também uma crónica do Manuel António Pina:

 «Nunca militei no PCP. Estou talvez, por isso, à vontade para perceber a resposta de António Hespanha, ainda e sempre ao fogoso Telejornal, quando lhe perguntavam se iria, também ele, abandonar o PCP: «Sabe, ensinou o professor, eu nunca ganhei nada com o PCP, nem o PCP comigo; o nosso casamento não foi, de todo em todo, um casamento de conveniência; se fosse, seria bem fácil dissolvê-lo, mas um casamento de amor, esse não se dissolve com facilidade…»

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

OLHAR AS CAPAS

Partido Comunista Português (1921-2021)

Uma Antologia

Selecção, Introdução e Preâmbulos: José Neves

Textos, entre outros de:

João Arsénio Nunes, Fernando Rosas, Alvaro Cunhal, José Pacheco Pereira, João Madeira, Paula Godinho, Ana Margarida de Carvalho, Francisco Louçã

Capa: V. Tavares

Edições Tinta-da-China, Lisboa Abril de 2021

A clandestinidade de Teresa Dias Coelho, 45 anos, pintora, filha de Margarida Tengarrinha e do escultor assassinado pela PIDE José Dias Coelho, foi passada a desenhar. Compulsivamente. Ainda hoje guarda uma mala cheia de desenhos infantis, testemunhos da vida fechada em casa, fechada sobre aquele mundo de adultos excessivamente carregado para uma criança entender. Não havia outros miúdos, companheiros de brincadeiras, mas em família tudo lhe parecia demasiado normal – os piqueniques ao fim-de- semana em Monsanto, as historinhas lidas e ilustradas ao deitar, os Natais decorados com mais imaginaçõa do que dinheiro, as exposições de desenhos espalhados no chão da sala. Tudo, excepto «a vez em que a minha m~se desatou a correr comigo na rua para não se encontrar com alguém conhecido». Ou quando um simples desenho seu gerou o pânico lá em casa. Não era caso para menos: acabar de fazer uma réplica quase perfeita do cabeçalho do Avante!, e era conhecido o seu hábito de lançar folhas pintadas pela janela.

(De um texto de Ana Margarida Carvalho publicado na VisãoFilhos da Clandestinidade)

terça-feira, 22 de abril de 2025

À LUPA


Em 1949 foi peso José Moreira, funcionário do Partido Comunista Português, responsável pelas ligações com as tipografias. A polícoa sabia qual era a sua tarefa. Quis arrancar-lhe, através de violências inauditas, a confissão dos locais onde elas se encontravam. José Moreira costumava dizer: «Uma tipografia clandestina é o coração da luta popular. Um corpo sem coração não pode viver.»

José Dias Coelho em A Resistência em Portugal.

segunda-feira, 3 de março de 2025

E ASSIM FICARIA A NOITE TODA...

«- Os amigos são do Partido Comunista, não é verdade?

Dos dois sofás orelhudos, Jorge e Vitorino cravavam os olhos no professor e responderam em coro:

- Sim, somos.

Reboredo não deu pela agressividade altiva. Sentia-se a conversar entre amigos e assim ficaria a noite toda, sem presas nem acintes:

- Eu logo vi. Nota-se, até pela maneira de andar. Eu cortei com o Partido quando eles renunciaram à ditadura do proletariado. Para mim, foi uma traição. Esta malta precisava toda era da puta duma ditadura do proletariado. Eu não aceito os compromissos com a burguesia…»

Mário de Carvalho em Era Bom Que Trocássemos umas Ideias Sobre o Assunto.

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

O 25 DE NOVEMBRO EXISTIU?


Durante a ditadura salazarista, o poeta António Gedeão, num poema, a que Manuel Freira colocou música, disse-nos que eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida, que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança.

Hoje, imensos jovens não sabem o que foi o 25 de Abril, muitos mais ainda, não sabem o que foi o 25 de Novembro.

A história do que foi o 25 de Novembro de 1975 ainda não está feita. Como se diz no Aqui de Setembro de 1976: «houve um golpe. É o mínimo em que há unanimidade de certezas.»

Diz a historiadora Raquel Varela,  Público 25 de Abril de 2011:

«Embora o encontro entre Álvaro Cunhal e Melo Antunes a 25 de Novembro esteja documentado, acredito que o acordo tenha decorrido alguns dias antes do golpe que pôs fim à crise político-militar e terminou com a duplicidade de poderes nas Forças Armadas. Até porque os Nove poderiam adivinhar que as unidades militares afectas ao PCP não deixariam de responder a uma insurreição militar, como acontecera a 28 de Setembro de 1974 e 11 de Março de 1975».

José Saramago que, muito bem sabia do que estava a falar, disse: «Perdeu-se em Portugal muita coisa desde o 25 de Novembro. Perdeu-se sobre tudo a vergonha».

Adelino Gomes no Público de 26 de Novembro de 2000:

«Quem desencadeou o 25 de Novembro? Quem deu ordem aos páras para ocuparem quatro bases aéreas? Otelo traiu os seus homens ou evitou a guerra civil? O PCP de que lado(s) esteve? Até onde chegavam as ligações ao MDLP? Quantos grupos funcionavam dento do Grupo dos Nove? Qual foi a mais decisiva: a Região Militar do Norte (RMN) ou a Região Militar sw Lisboa (RML)?; o posto Avançado da Amadora, comandado pelo então tenente-coronel Ramalho Eanes, ou o Posto de Comando Principal, montado em Belém, e onde ficaram o Presidente Costa Gomes e o comandante da RML, e Conselheiro da Revolução, Vasco Lourenço? Quantos 25 de Novembro houve naquele dia?

0 25 de Novembro existiu?

segunda-feira, 13 de maio de 2024

O OUTRO LADO DAS ESTANTES


Chamo-lhe o Outro Lado das Estantes.

São livros que vieram da biblioteca do meu pai, também da do meu avô.

São livros, técnicos, outros que não sei como classificá-los.

Ficam aqui por mera curiosidade para memória futura.


Filhos, netos e bisnetos, outros descendentes, terão um dia que lidar com tudo isto. Não sei bem como e eu também não sei explicar.

Talvez seja um tempo em que já não haja livros ou espaço para os aconchegar.

No Outro Lado da Estante pego hoje num livro encadernado, comprado pelo meu pai na Festa do Avante, que reproduz os exemplares do Avante publicados antes de 25 de Abril, bem como o exemplar do 1º número do Avante em tempo de Liberdade, publicado em 17 de Maio de 1974.

Provavelmente o meu pai, com a compra deste livro, quis recordar alguns dos Avantes clandestinos que, em tempo de ditadura leu, porque sempre se afirmou como marxista-leninista. Recorda as muitas vezes que disse que, para além de Marx, não todo, não todo, deveria ler Lénine mas apenas se ficou pelo julgado necessário.

O Jornal dos Trabalhadores da Democracia e do Socialismo

Edições Avante, Lisboa 1977.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

O FECHAR DOS TAIPAIS


 Essencialmente, o dia fica marcado pela visita-surpresa do Presidente Joe Biden a Kiev, precisamente na semana em que se assinala um ano sobre a invasão da Rússia à Ucrânia.

«À medida que nos aproximamos do aniversário da brutal invasão da Ucrânia pela Rússia, estou hoje em Kiev para me encontrar com o presidente Zelensky e reafirmar o nosso compromisso inabalável com a democracia, a soberania e a integridade territorial da Ucrânia", declarou Joe Biden numa mensagem publicada no Twitter.»

1.

Paulo Baldaia, hoje, no Diário de Notícias intitula a sua crónica:  Falcões e pombas nos céus da Ucrânia:

«Visto do lugar de cada um dos que estão em guerra, a paz é impossível. A Ucrânia não admite ceder território e a Rússia não aceita ficar apenas com o que já tinha antes da invasão de 24 de fevereiro. Para cada um dos campos aliados, aceitar a derrota é também impensável. É evidente que se joga, na guerra da Ucrânia, muito mais que os desejos imperialistas de Moscovo. Os impérios que se confrontam usam os eslavos como carne para canhão, mas é no Pacífico que querem medir forças. Por agora, estão apenas a testar o resto do mundo. Já vimos acontecer.

A China anunciou que, assinalando um ano de guerra, avançará com uma iniciativa de paz na Ucrânia, mas aproveitou para apontar o dedo aos que "atiraram achas para a fogueira". Obviamente, procurando culpar Washington. Obviamente, pouco interessada em criar um clima em que a paz possa ser verdadeiramente discutida. A China poderia fazer a diferença, mas não vê o que pode ganhar com isso.

A China anunciou que, assinalando um ano de guerra, avançará com uma iniciativa de paz na Ucrânia, mas aproveitou para apontar o dedo aos que "atiraram achas para a fogueira". Obviamente, procurando culpar Washington. Obviamente, pouco interessada em criar um clima em que a paz possa ser verdadeiramente discutida. A China poderia fazer a diferença, mas não vê o que pode ganhar com isso.

A Europa que acabará sempre a perder, seja qual for o resultado da guerra, trabalha para adiar o seu declínio. Não está capaz de se defender militarmente a si própria e está em segundo plano na guerra económico-financeira em curso entre a China e os Estados Unidos. Quanto menos conta mais a Europa amedronta as suas opiniões públicas, influenciadas pelo populismo nacionalista e religioso, interessadas em ver o fim da guerra, disponíveis para serem convencidas da vantagem de uma derrota ucraniana.»

2.

«As novas entregas de armas prometidas por Biden nesta altura são um sinal inequívoco de que as tentativas russas de ganhar não terão qualquer hipótese.

 Zelensky, presidente da Ucrânia

 3.

O secretário-geral do PCP considerou esta segunda-feira que a visita do Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, à Ucrânia poderá "acrescentar guerra à guerra", apelando a que sejam dados sinais com vista a negociações de paz.

4.

Tal como aconteceu com a aquisição das vacinas contra a covid-19, a União Europeia poderá vir a estabelecer mecanismos para a compra conjunta de armas e munições de modo a garantir um fornecimento, em quantidade e rapidez, à Ucrânia. A presidente da Comissão Europeia mencionou a ideia este sábado na Conferência de Segurança de Munique.

«Podemos pensar, por exemplo, em programas antecipados de aquisição, que permitirão à indústria de defesa a possibilidade de investir em linhas de produção», disse Ursula von der Leyen.

 5.

Josep Borrell, chefe da diplomacia europeia defendeu esta segunda-feira que a União Europeia deve decidir rapidamente como acelerar o fornecimento de armamento, sobretudo munições, à Ucrânia, advertindo que se este apoio falhar, "o resultado da guerra está em risco".

domingo, 19 de fevereiro de 2023

O FECHAR DOS TAIPAIS


Domingo de Carnaval.

 Vergílio Ferreira:

 Que ideia a de que no Carnaval as pessoas se mascaram. No Carnaval desmascaram-se.

 Há uma cena genial em A Família Addams quando perguntam à Wednsday se não vai mascarada ao baile e ela responde que já está mascarada:

 Estou mascarada de psicopata. Os psicopatas parecem pessoas normais.

 Por ele,  que nunca foi de carnavais, gostava um dia de ir ao Carnaval de Nova Orleães.

 Os taipais são os do Kioske.

 Correm, ao findar do dia, depois de lida, apenas o que entendeu ler, a imensa tralha que se aloja no vazio da internet.

1. 

Francisco Louçã em entrevista: «Para o Partido Socialista, o Chega é o Euromilhões».

2.

Advogado acusado de cobrar 60 mil euros por processo fictício.

O Marque Mendes disse hoje na SIC, que os maiores beneficiários com o projecto habitacional de António Costa, serão os advogados!

3.

Duas casas devolutas, em espaços contíguos, arderam durante a madrugada deste domingo, na freguesia de São Victor, em Braga.

4.

Um grupo de católicos portugueses está a organizar uma vigília de oração contra abusos sexuais na Igreja Católica.

De acordo com a divulgação feita nas redes sociais, o evento vai decorrer em todo o país na próxima quarta-feira, dia 22 de Fevereiro, entre as 21 e as 22 horas.

5.

«Fui segunda-feira à Gulbenkian ouvir o relatório da Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa.

Tirei quatro conclusões básicas: há cem sacerdotes no activo que têm de ser imediatamente expulsos das sacristias e altares e colégios e seminários e grupos de escuteiros; há 25 acusações ainda não prescritas, agora enviadas ao Ministério Público, que deverão ser investigadas e, caso se provem, severamente punidas com prisão; a Igreja terá, como noutros países, de pagar despesas médicas de acompanhamento psicológico e indemnizações às vítimas; por último, é essencial que haja um pedido de desculpas formal, ecuménico, irreversível e genuíno, dos bispos portugueses e do Papa, durante as cerimónias da Jornada Mundial da Juventude, no Trancão.»

Rui Cardoso Martins, da crónica no Jornal de Notícias

6.

O preço que os trabalhadores terão de pagar por uma refeição nas cantinas dos organismos e serviços públicos vai aumentar 80 cêntimos, passando dos actuais 4,10 euros para 4,90 euros.

7.

Ainda é possível, passados que são 13 dias sobre a tragédia encontrar pessoas com vida entre os escombros que, segundo números recentes, provocaram mais de 40.000 mortos.

8.

O primeiro-ministro português mostrou-se este domingo confiante na reeleição de António Vitorino, em alguns tempos o partido solicitou-lhe auxílio, «não há festa nem festança onde não apareça a Dono Constança» e ele assobiou para o lado, para a Organização Internacional para as Migrações, salientando que todos os líderes africanos com quem falou em Adis Abeba apoiam a manutenção de António Vitorino.

9. 

A biografia de Natália Correia que será publicada em Março pela Contraponto tem 700 páginas e levou seis anos a ser escrita, notícia revelada ao final da tarde desta sexta-feira no Correntes d’Escritas, o festival literário da Póvoa de Varzim.

10.

Marcelo Rebelo de Sousa, considerou esta sexta-feira que a posição do PCP sobre a condecoração do Presidente ucraniano com a Ordem da Liberdade “é coerente” com aquilo que o partido defende desde o inicio da guerra.

11.

Dados oficiais demonstram que cerca de 57 milhões de toneladas de comida são desperdiçados na União Europeia  todos os anos, o equivalente a 127 quilogramas por habitante. São cerca de 130 milhões de euros que vão, literalmente, para o lixo, quando milhares de europeus não têm acesso a uma refeição completa.

Neste cenário, números de 2020 mostram que Portugal está acima da média. No quarto país da União Europeia onde mais se deita comida fora, cada português desperdiça em média quase 184 quilogramas de alimentos por ano.

12.

«Os sacrificados funcionários judiciais são peças essenciais para o bom funcionamento da Justiça e a sua greve está a criar um caos. É do mais estrito bom senso que o Ministério da Justiça, rapidamente, chegue a um acordo com os funcionários judiciais.» 

Francisco Teixeira da Mota no Público 

terça-feira, 15 de novembro de 2022

DOS REBOTALHOS E COISAS ASSIM...


 Reconhece que, neste mês de Novembro, com as atenções centradas em José Saramago poucas possibilidades têm existido para abordar outros temas e personagens.

Estes Rebotalhos permitem hoje, uma tentativa de remediar qualquer coisinha lembrando que Agustina Bessa-Luís lembrou que num mundo de cegos e cegueiras várias, provavelmente a lucidez se perca algures.

1.

O Partido Comunista mudou de secretário-geral e os media ficaram à beira de um ataque de nervos porque o novo secretário-geral, Paulo Raimundo, não lhes deu pano para manchetes, bisbilhotices e demais coisíssimas menores que eles tanto adoram para encher espaço televisivo e manchetes de jornais.

Exemplarmente,hmbf,exemplarmente, resumiu o assunto de modo eficaz e melhor é quase impossível:

«Já que insistem, cá vai e não me chateiem com o assunto. Paulo Raimundo tem vários problemas:

1.⁰ é comunista

2.⁰ não se formou no ISCTE

3.⁰ ninguém o conhece (isto é altamente problemático, como recentemente ficou demonstrado com a atribuição do Nobel da Literatura a Louise Glück)

4. ⁰ parece ausente das redes sociais, o que torna até duvidosa a sua existência 

5.⁰ ao contrário de Donald Trump, não foi democraticamente eleito

6.⁰ mesmo não sendo conhecido por ninguém, mesmo nada se sabendo sobre ele, é certo e sabido que é mais do mesmo (a mim não me enganam, quem não os conhece que os compre, não conheço mas não gosto...)

7.⁰ não tem experiência profissional fora do partido, tendo sido padeiro, carpinteiro e animador cultural por entretenimento (sublinhe-se o exemplo de António Costa, desde que aderiu à JS com 14 anos teve uma larga e intensa actividade laboral fora da política)

Isto podia continuar, mas tenho mais que fazer. Deixem o homem trabalhar, pá. E depois venham daí as sentenças. Com propriedade, claro, que isto de condenar por antecipação é assim a modos que aposta de casino.»

2.

Nestes dias, poderemos estar a assistir a um princípio para o fim da guerra na Ucrânia?

3.

Em cada dia pressente-se que o governo de maioria absoluta do Partido Socialista é uma balsa navegando à bolina, sem qualquer fim em vista.

4.

Luís Montenegro, qual traste-picareta-falante, em cada hora, vai lembrando todos os casos em redor do primeiro-ministro que têm surgido, desde Março e quando há casos, inventa…

Um desastre falando de outros desastres!...

5.

Percalços e vergonhas várias no poder local.

Isaltino de Morais acusado de prevaricação em assuntos relacionados em negociatas com processos públicos-privados, levando atrás outros arguidos, como uma deputada do PS, um antigo autarca de Mafra.

Ainda a detenção, pela Polícia Judiciária. do presidente e vice-presidente  da Câmara de Montalegre em negócios nebulosos que envolvem 20 milhões de euros. 

5.

 O que se passou com Miguel Alves, ex-braço direito de António Costa, saído agora do governo, aponta para histórias antigas que vêm desde os tempos em que Costa presidia à Câmara de Lisboa e em que terá pago mais de 80 mil euros a Alves em ajustes directos para assessoria, para dizer ainda que o afastamento agora do sorridente Alves desafia, de maneira pornográfica, o surreal.

O vigilante Marque Mendes – futuro presidente da república?, Marcelo também saiu para Belém ido dos comentários domingueiros na TVI – disse no domingo que António Costa foi muito imprudente ao convidar Miguel Alves para o governo.   

6. Em algumas esquinas da cidade há quem lembre, com palavras simples escritas em cartazes, que os preços e lucros das grandes empresas estão a aumentar e o povo está a pagar tudo o que resulta duma especulação desenfreada.

7 

Conclua-se, por hoje, com palavas e gostos amáveis que Pedro Garcias deixou no Público de 15 de Outubro:

«Colhidas as últimas uvas, e com o derradeiro lote, da casta Sousão, ainda por fermentar, fugi às saudades da vindima e fui para Cabo Verde tomar banhos de mar, ouvir mornas e coladeras, beber cerveja Strela e acrescentar mais uma página ao meu passado. Sim, o futuro não passa de uma possibilidade e de um desejo e o presente não é mais do que nada. Tudo o que acontece, em pensamento ou acção, é logo passado. Passamos a vida a somar recordações; e se a vida é longa, ainda corremos o risco de acabar esquecendo tudo.O Outono no Douro é a mais bela manifestação do ideal de beleza de uma paisagem vinhateira. Mesmo sem uvas, as videiras são como um arco-íris em fogo, cheio de encantamento. Mas, quando chega a noite, o imenso vale, ou serei eu, parece mergulhar numa tristeza sem fim, órfão da vindima e do Verão e ainda sem força e vontade de começar tudo de novo.

O Outono no Douro é a mais bela manifestação do ideal de beleza de uma paisagem vinhateira. Mesmo sem uvas, as videiras são como um arco-íris em fogo, cheio de encantamento. Mas, quando chega a noite, o imenso vale, ou serei eu, parece mergulhar numa tristeza sem fim, órfão da vindima e do Verão e ainda sem força e vontade de começar tudo de novo.»

segunda-feira, 2 de maio de 2022

NOTÍCIAS DO CIRCO

O presidente da associação Refugiados Ucranianos, Maksym Tarkivskyy de seu nome, a viver em Portugal há 20 anos, aqui estudou e aqui trabalha, afirmou à Lusa não perceber «como é que Portugal, um país democrático, continua a ter um partido como o PCP».

Hoje, na esplanada do Café do Bairro, o Armando, a propósito de algo completamente diferente, disse: «O mundo já acabou. Muita gente é que ainda não deu por isso.»

quarta-feira, 20 de abril de 2022

NOTÍCIAS DO CIRCO

Um assunto para ser tratado com pinças e,mesmo assim, como lembra Saramago em Abaladas Espingardas,  há que ter o cuidado de as pinças estarem desinfectadas.

Pode-se não concordar com as ideias, a política, o que quer que seja, do Partido Comunista Português mas esta capa do Público de 17 de abril, é simplesmente miserável.

Não há nada, mas mesmo nada, que permita perceber o que a direcção do jornal, quis com esta capa.

Outro motivo não existe senão o achincalhamento do Partido.

Os biltres que poiaram esta capa, desconhecem que ideias, sejam elas quais forem, se combatem com palavras.

O poeta Manuel Gusmão:

«Ser comunista, hoje, é lutar contra a injustiça social; é acreditar no fim do Estado; é querer o fim da luta de classes; é acreditar na igualdade entre todos; é querer o fim da exploração da humanidade; é acabar com a propriedade. Marx, para alguns, ainda está vivo, até nas universidades americanas. Mas 90 anos depois, nada disto pode ser separado da democracia. Porque não se pode ver a floresta sem se ver as árvores, todas e cada uma.»

Ou José Saramago, num velho dia, a responder à jornalista brasileira Marília Gabriela, espantada pela sua fidelidade ao Partido:

«Não há outra coisa!...»

sábado, 5 de março de 2022

CONVERSANDO

É provável que os dois ou três leitores que viajam por este Cais, já tenham reparado que o blogue tem andado assim aos solavancos, sem graça, se é que alguma vez a teve.

No desembrulhar de uma pandemia que deixou mossas em tudo e todos, chegado a Janeiro deste ano, um disparate sem nome que lhe abalou os alicerces, ainda não se recompôs, a eterna lembrança da infância, as púrrias na Quinta do Amaral, em que levou muito mais porrada do que aquela que deu, o momento quando fica a olhar, para não distinguir nada, apenas o prazer de olhar, de lembrar o passar das noites de Verão ao lado dos companheiros da rua, aquela brisa confortante que nunca mais sentiu.

Agora esta guerra, tão longe e tão perto.

Uma catástrofe de proporções que ninguém consegue imaginar quando e como vai terminar.

E para além da trágica invasão da Ucrânia pela Rússia, fica perante as estúpidas e incompreensíveis declarações do Partido Comunista Português retiradas das catacumbas da guerra fria. 

Um perfeito disparate que, para além de deixar incrédulos militantes e simpatizantes, dá azo a que uma série de ratazanas de esgoto, entendam exigir a ilegalização do Partido.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

O RISCO DE SE FICAR MAL NO RETRATO

Num comício em Outubro de 2015, Jerónimo de Sousa afirmou que o «PS só não forma governo se não quiser.»

Passos Coelho e Paulo Portas tinham ganho as eleições, mas existia uma maioria de esquerda na Assembleia.

No dia 15 de Fevereiro de 2016 por aqui se escrevia:

«Há um governo do Partido Socialista, apoiado pelas esquerdas.

O passe de mágica que destronou a direita, que se preparava para nos infernizar a vida por mais quatro anos, aconteceu.

Lembrar o quanto José Saramago ficaria feliz com a possibilidade das esquerdas -finalmente! – terem iniciado os caminhos da unidade.

Uma unidade que já vem dos tempos da Assembleia Constituinte, mas que certos actores, com fins então inconfessáveis, desprezaram.

 Em artigos de opinião, em conferências, em entrevistas, José Saramago nunca deixou de vincar o mote da unidade com vista ao nosso futuro de povo.

Nos dias que correm, estão muito difíceis os tempos deste governo do Partido Socialista apoiado pelas esquerdas.

Bruxelas, os mercados, o raio que os parta, tudo junto, a tentarem que o sonho, mesmo sendo débil, se desfaça.

Um trabalho que, tanto o Partido Socialista, o Partido Comunista, o Bloco de Esquerda, têm de preservar.

Sob pena de não existir uma outra oportunidade e de todos ficarem mal no retrato.»

A água continuou a correr por debaixo das pontes.

Corria o findar de Outubro de 2021.

Cada um com a devida quota parte de responsabilidades, Partido Socialista, Partido Comunista, Bloco de Esquerda, acabaram por provocar o desfecho de obrigarem o Presidente da República a marcar eleições legislativas para o dia 30 de Janeiro de 2022.

Cada um tem a sua explicação.

Ressalta a quem lê a história por fora, que António Costa apenas aguardava a oportunidade de afastar aquela esquerda do seu caminho.

Quando Paulo Portas chamou «geringonça» aos acordos do PS, do PCP, do BE, António Costa, num debate quinzenal na Assembleia da República, ainda disse:

«É geringonça, mas funciona.»

Mas era difícil o palmilhar naquele caminho de pedras.

António Costa ainda lembrou que os portugueses não gostam de maiorias, mas começou a recente campanha por exigi-la.

Os palradores televisivos logo disserem que uma maioria absoluta era quase uma impossibilidade.

As sondagens das diversas empresas foram dando empates técnicos, ligeira percentagem a António Costa, uma sondagem ainda conseguiu dar a vitória a Rui Rio, mas os resultados são aqueles que os votantes entenderam dar no domingo.

Não sei como funciona o negócio das sondagens mas terá que existir uma qualquer explicação para tanto disparate.

Há clubes de futebol que arranjam bruxos para influenciar resultados, há partidos que arranjem gurus para mexer cordelinhos.

Outras histórias.

Segundo o Diário de Notícias, António Costa pretende indicar Edite Estrela como futura Presidente da Assembleia da República.

Se assim acontecer, opinião minha, os novos caminhos não começam nada bem…

domingo, 30 de janeiro de 2022

NÃO UM DOMINGO COMO OUTRO QUALQUER


Há dias, durante os estúpidos silêncios em que o Cais mergulhou, o viajante Seve perguntou que livros eu tinha lido no ano que findou.

Li muito, mas poucos livros novos.

Tornei-me, como dizem os ingleses, que nem sequer têm literatura, nem cinema, tudo o que têm lhes chega da Irlanda, um «slow reader» e, acima de tudo, ando em releituras, principalmente de José Saramago que,  ao fim de tanta e tantas leituras, ainda descubro coisas novas e de espanto.

Mas de um livro quero falar porque é uma pequena bíblia desenhada por um escritor que escreve muitíssimo bem, é uma excelente pessoa e nunca troquei sequer uma palavra com ele.

 O livro chama-se «De Maneira Que É Claro…» e o autor é Mário de Carvalho.

Foi funcionário do Partido Comunista, partido de que há muito deixou de ser militante, mas numa entrevista a Ana Sá Lopes, Público de 19 de Novembro de 2021, afirmou que no Partido sempre tem votado:

Ele o disse:

«Se o PC desaparecer, se enfraquecer mais, todos perdemos com isso. Faz parte do nosso quadro democrático.»

 O livro são pequenas memórias de uma vida muito rica, «apontamentos muito curtos sobre alguns aspectos – não todos – do meu percurso de vida que me pareceu interessante partilhar com o leitor.»

 Comprei o livro em Novembro, li-o de um folego só, e depois passei a pegar nele, não direi todos os dias, mas amiúde dou com ele nas minhas mãos.

 É um livro de encantamento e, como já disse, muito bem escrito, forte apanágio do autor.

 Mentiria se dissesse que não sei das razões por que falo do livro neste domingo. E sei-o tão bem, que não hesito em copiar a historinha mariocarvalhiana que se encontra na página 192:

 «A separação do PCP foi-me longa e dolorosa. Era (com outros) um património de família. Anos de reminiscências afectivas. Memórias de militância, por vezes difícil e dura. Ilusões, desilusões, vitórias e frustrações. Preços pagos!

O sentido da incongruência, após a revolução, foi-se firmando a pouco e pouco. Conheci pessoalmente, quase todos os meus heróis míticos. Senti, em dada altura, que já me ouvia a dizer coisas em que não acreditava.

Tive duas conversas, espaçadas, com Álvaro Cunhal. Iniciativa dele. Não que eu, na casa, fosse importante. Mas ele queria conhecer tudo e todos. Chamou-me. Um encanto de pessoa. Após a segunda conversa foi-me enviado um recado por terceiro: «Negando o papel de vanguarda da classe operária, faltavam-me condições para continuar na direcção do ”sector intelectual”.» Pode ser que as palavras não tenham sido exactamente estas, mas o significado foi.

E ainda bem, porque a relação já se ia deslassando, devagar. Os factos minavam quotidianamente esta minha aposta. A dada altura tornou-se-me evidente que não apenas certo tipo de análise, mas também um estilo de funcionamento e, até, de linguagem, me diziam cada vez menos. Caiu o tal muro, soçobrou a União Soviética, um antigo futuro de radiosa esperança transformou-se em ruim passado.

Houve movimentos, encontros, infindas discussões, agitação periférica, papéis, cismas. Reavaliar, transformar, adequar… O que se sabe.

Nesse confronto, muitas pessoas que me são estimáveis, por esta ou aquela razão, ficaram do outro lado. Não deixo por isso de as prezar e admirar.

Posso ironizar, brincar, desdizer. Mas não me está no feitio hostilizar o Partido.»

Legenda: desenho de Rogério Ribeiro

domingo, 31 de outubro de 2021

NOTÍCIAS DO CIRCO

Em Outubro de 2019 o Partido Socialista recusou à esquerda qualquer acordo escrito para a nova legislatura.

Essa esquerda entendia que se devia mexer nas leis laborais de que o PS, há muito e muito tempo, andava a fugir com o cú à seringa. Entendia o governo que mexer nas leis laborais, como a esquerda pretendia – mas o PS não se diz de esquerda ???!!!... – não era prioritário.

Neste meio ano parlamentar, o PS votou mais vezes ao lado do PSD, CDS, PAN e IL do que com, tal como eles dizem os seus aliados parlamentares. A esquerda aprovou muitas das propostas do PS e o PS, em descaminho, votou contra inúmeras iniciativas da esquerda.

Quem não poderia concluir que o PS apenas entendia a esquerda como bengala do governo?

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

NÃO SE DISSOLVE COM FACILIDADE...

18 de Setembro de 1991

 Nunca militei no PCP. Estou talvez, por isso, à vontade para perceber a resposta de António Hespanha, ainda e sempre ao fogoso Telejornal, quando lhe perguntavam se iria, também ele, abandonar o PCP: «Sabe, ensinou o professor, eu nunca ganhei nada com o PCP, nem o PCP comigo; o nosso casamento não foi, de todo em todo, um casamento de conveniência; se fosse, seria bem fácil dissolvê-lo, mas um casamento de amor, esse não se dissolve com facilidade…»

 Manuel António Pina em Crónica, Saudade da Literatura