domingo, 19 de abril de 2026

O OUTRO LADO DAS ESTANTES


O meu pai foi um marxista-leninista. 

Nas nossas conversas entendia que eu, acima de tudo, deveria ler Marx e Engels. Por Marx ainda li o que se entenderia por fundamental, até porque, mais tarde, o João César Monteiro apareceu a dizer que no Marx está tudo, Lenine é que foi muito pouco. 

Este Manual de Marxismo-Leninismo, de diversos autores, - 2 volume num total de 739 páginas - foi comprado pelo meu pai no Festival Internacional do Livro e do Disco, realizado no Centro Cultural de Belém em 1977, traduzido por Carlos Grifo, revisto por Manuel Gusmão, editado por Novo Curso Editores, em Setembro de 1975, Venda Nova/Amadora:

«Só uma classe determinada, os operários urbanos e, em geral, os operários fabris, industriais, está em condições de dirigir todo o conjunto de trabalhadores e explorados na luta para derrubar o jugo do capital, no momento em que este é derrubado, na luta para manter e consolidar a vitória com o objectivo de criar um regime social novo, socialista, e em toda a luta pela total supressão das classes». Lenine, citado na página 239 do 2º volume.

Livros apenas folheados porque, como a carne é fraca, li mais Raymond Chandler, mas retive que, como ensinavam os clássicos do marxismo-leninismo,  a  revolução socialista leva os trabalhadores ao poder, dirigidos pela classe operária.

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