quarta-feira, 15 de abril de 2026

ENSONETO

Entretanto, meu filho, é vinho tinto,

erosão persistida, abraço baço.

Lumes novos, quem é que os inventa

melhor do que o calor que nós nos damos?

 

Às uvas pois. O mais é uma cadeira

e o olhar do céu com chuva ou não,

enquanto as aves fogem e nós as imitamos

quase sem dor nem arte - só sentidos.

 

Assim sossega, assim verdeja e está,

eructa e vê, olhando à transparência,

um céu assim mais lento.

 

Só depois te levantas e contigo

vai certeza nenhuma, só viver

outra vez, amanhã, a vida mesma.

 

Pedro Tamen 

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