Milhares
de mães não desculpam a Igreja por ter passado o Dia da Mãe de 8 de Dezembro, Dia da Imaculada Conceição,
para o primeiro domingo de Maio.
Segundo
o Instituto Nacional de Estatistica, o
número de crianças nascidas em Portugal aumentou 3,7% no ano passado, para
87.764, sendo que cerca de um terço dos bebés são filhos de mães estrangeiras.
anunciou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).
«O meu ponto é apenas chamar a atenção para um facto
chocante. Há quatro anos, convocados a escolher entre Montenegro e Moreira da
Silva para liderar o PSD, 26.975 militantes não hesitaram e votaram
massivamente no agora primeiro-ministro. O resultado foi claro: 72,5% para
Montenegro e uns curtos 27,5% para Moreira da Silva.
Há um fosso que separa Moreira da Silva de Montenegro: um tem carreira
profissional, percurso internacional (na Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Económico e, agora, na Organização das Nações Unidas) e
experiência governativa; o outro tem um passado apenas tribunício,
complementado, sabemos agora, pela promoção de uma empresa familiar com uma
carteira de clientes intimamente ligada ao seu percurso partidário regional.
Porque escolheram, então, os militantes do PSD Montenegro? Não foi certamente
por questões de posicionamento ideológico: Montenegro opunha-se a Rio, mas
escolheu para coordenar a sua moção o autor da moção do anterior líder, o agora
ministro Miranda Sarmento. Os motivos são outros. No que é uma lei de ferro, os
partidos de poder fecharam-se, desligaram-se da sociedade, não estão
interessados em líderes com percursos autónomos, e os critérios que organizam
as escolhas internas dependem de uma teia de cumplicidades irrelevante — quando
não perniciosa — para a governação, mas decisiva para conquistar o aparelho.
O desfecho não poderia ser outro: entre Moreira da Silva e Montenegro, a
escolha foi clara. Não surpreende, depois, que os resultados sejam os que se
veem — sobre Gaza, sobre Trump e Putin, e na governação do país.»
Será Bella Ciao,
ouvida ontem no final dos festejos do 1º de Maio na Alameda
Conta a
Wikipédia:
«"Bella
Ciao" (adeus, querida) é um canto popular italiano que se tornou um hino
global de resistência, liberdade e antifascismo, marcando a luta dos partigiani
contra o fascismo na Segunda Guerra Mundial. Embora associada à resistência, a
letra original de autor desconhecido narra a despedida de um guerrilheiro que
antecipa a sua morte na luta contra as tropas nazifascistas.»
A provável letra original da canção tem como
tema as duras condições de trabalho nos arrozais padanos:
Stamattina mi
sono alzato, o bella ciao, bella ciao
Bella ciao ciao
ciao, stamattina mi sono alzato,
ho trovato
I'invasor!
A lavorare
laggiù in risaia
Sotto il sol che
picchia giù!
E tra gli
insetti e le zanzare, o bella ciao, bella ciao
Bella ciao ciao
ciao, e tra gli insetti e le zanzare,
duro lavoro mi
tocca far!
Il capo in piedi
col suo bastone, o bella ciao, bella ciao
Bella ciao ciao
ciao, il capo in piedi col suo bastone
E noi curve a
lavorar!
Lavoro infame,
per pochi soldi, o bella ciao bella ciao
Bella ciao ciao
ciao, lavoro infame per pochi soldi
E la tua vita a
consumar!
Ma verrà il
giorno che tutte quante o bella ciao, bella ciao
Bella ciao ciao
ciao, ma verrà il giorno che tutte quante
Lavoreremo in
libertà!
Tradução em
português
Esta manhã, eu
me levantei, adeus querida, adeus querida
Adeus, adeus,
adeus querida, esta manhã, eu me levantei
e encontrei um
invasor!
Para trabalhar
lá no arrozal, adeus querida, adeus querida
Adeus, adeus,
adeus querida! Para trabalhar lá no arrozal
Sob o sol que
nos derruba!
E entre os
insetos e os mosquitos, adeus querida, adeus querida
Adeus, adeus,
adeus querida, e entre os insetos e mosquitos,
Um trabalho
pesado que tenho que fazer!
O chefe está de
pé com uma vara, adeus querida, adeus querida
Adeus, adeus,
adeus querida! O chefe está de pé com uma vara
E nós curvados a
trabalhar!
Trabalhe infame,
por pouco dinheiro, adeus querida, adeus querida
Adeus, adeus,
adeus querida! Trabalho infame, por pouco dinheiro
E tua vida a
consumir!
Mas chegará o
dia em que todos, adeus querida, adeus querida
Adeus, adeus,
adeus querida! Mas chegará o dia em que todos,
trabalharemos em
liberdade!
A versão
partigiana
Stamattina mi
sono alzato,
o bella, ciao!
bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
Stamattina mi
sono alzato,
ed ho trovato
l'invasor.
O partigiano,
portami via,
o bella, ciao!
bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
O partigiano,
portami via,
ché mi sento di
morir.
Se io muoio da
partigiano,
o bella, ciao!
bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
Se io muoio da
partigiano,
tu mi devi
seppellir.
E seppellire
sulla montagna,
o bella, ciao!
bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E seppellire
sulla montagna,
sotto l'ombra di
un bel fior.
E le genti che
passeranno,
o bella, ciao!
bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E le genti che
passeranno,
Ti diranno «Che
bel fior!»
«Questo fiore
del partigiano»,
o bella, ciao!
bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
«Questo fiore
del partigiano,
morto per la
libertà!»
Tradução em
português
Nesta tradução,
a palavra «resistente» designa um membro de força militar irregular que se opõe
a um invasor externo ou a um exército de ocupação.
OS
MAIOS DAS CARRINHAS DE TINTA AZUL DA POLÍCIA DE CHOQUE
Se
agora lhe perguntassem o que fez depois da madrugada por que esperava, diria
que daí até ao 1º de Maio, necessariamente, terá dormido mas, do que lembra
bem, é que andou num turbilhão vertiginoso ao ponto de dizer que esse dia 25
não foi um dia, foram mais: que vai desde 25 de Abril até ao primeiro 1º de
Maio.
Dirá
então que acontecesse o que acontecesse – e muita coisa iria acontecer -
obviamente aquela festa de ilusões, aquele património, já ninguém lhe tirava.
Mais tarde dirá aos filhos que só quem viveu aqueles tempos de oásis, de
miragens, perceberá o que foi o 25 de Abril. E não mais esquecerá aqueles dias
luminosos em que tudo parecia ser possível.
Os jornais tentam dar notícia de tudo o que está acontecer, também do que virá.
Já
foi extinta a PIDE/DGS, a Legião e as Mocidades Portuguesas, o povo persegue os
pides nas ruas e, entregando-os às forças militares, agora encarcerados em
Caxias, nem todos, conhecem a casa mas agora olham-na com uma perspectiva bem
diferente, sabe-se que os funcionários públicos despedidos por motivos
políticos serão reintegrados, começam a regressar os exilados políticos, os desertores
querem voltar e pedem amnistia,
Tomás
e Caetano e outros ministros, já tiveram guia de marcha para o exílio em terras
brasileiras, os trabalhadores tomam conta dos seus sindicatos.
Neste
dia, há uma notícia que ofuscará tudo o resto, que encherá de alegria os
portugueses: a comemoração pública do 1º de Maio. Durante a ditadura, o 1º de
Maio era um dia que trabalhadores e estudantes estavam impedidos de comemorar.
Mas com coragem e determinação, aqui e ali, sempre encontraram forma de o
assinalar,
se bem que sujeitos a brutal repressão: pedras e palavras de ordem contra
bastões, espingardas, carros de combate com tinta azul.
De repente, recordo-me
de que, durante a opressão salazarista, sempre festejei o 1º de Maio à minha
maneira. Decretava feriado a mim próprio, punha uma gravata vermelha e marchava
em cortejo sozinho por essas ruas empunhando uma encarniçada bandeira mental.