quinta-feira, 21 de maio de 2026

OLHAR AS CAPAS


Primeiro Poema

Nuno Júdice

Prefácios: Manuela Júdice e Ricardo Marques

Capa: Rui Garrido

Publicações Dom Quixote, Lisboa, Abril 2026


O Espelho da estrofe


Se me perguntarem para que serve

a poesia, peço para pegarem num espelho

de vidro limpo e puro. O rosto que ali

aparece, mais do que aquele de quem o olha,

é o rosto que perdura no olhar que, um dia,

encontrou noutro olhar o seu duplo. Assim,

se a poesia serve para alguma coisa,

é para te ver, para lá do tempo

e da ausência, e novamente ter à minha frente

esse olhar que nunca mais esqueci

e que vive, no mais fundo de mim,

quando te encontro, no espelho do poema,

fazendo com que eu peça que o reflexo

se transforme na realidade do teu corpo.

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