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sexta-feira, 12 de abril de 2019

OLHAR AS CAPAS


Soeiro Pereira Gomes: Na Esteira da Liberdade
Catálogo da Exposição do Centenário
7 de Novembro de 2009 a 14 de Março de 2010

Coordenador: David Santos
Textos:
Marta da Luz Rosinha
David Santos
Luísa Duarte Santos
Manuel Gusmão
Capa: Júlio Miguel Rodrigues
Edição da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira/Museu do Neo-Realismo
Vila Franca de Xira, Novembro de 2009

Precisamente três meses antes de morrer, escreve as suas disposições testamentárias que entrega ao seu irmão Jaime Pereira Gomes:

«As minhas últimas disposições
Prevendo que pouco tempo terei de vida, expresso aqui as minhas últimas disposições. Peço ao meu querido irmão Jaime que as ponha em prática.
1 -  Os direitos de autor do meu romance Esteiros, assim como de quaisquer outras publicações minhas, ficarão a pertencer ao meu partido – o Partido Comunista Português.
2 - O manuscrito e as cópias do meu romance inédito Engrenagem ou Embate serão destruídas, por não lhe achar mérito bastante para ser publicado.
3 - Aos meus sobrinhos João Paulo e José Pedro será dada metade da minha
 corrente de ouro. A medalha da mesma ficará para a minha mulher.
4 - O meu irmão Jaime ficará com a minha cigarreira de prata, e os meus    
outros irmãos e irmãs poderão escolher, entre os meus fracos trastes,
 qualquer lembrança.
 5 - Ao meu afilhado (o filho do escritor Alves Redol) será entregue um pequeno talher de prata que está num estojo, e também a minha caneta e lapiseira.
 6 - Os meus botões de punho serão entregues à camarada Carlota. À camarada Margarida será dado o meu relógio de pulso, se, antes, não lhe tiver oferecido um novo.
7 - Os meus livros serão entregues, em partes equivalentes, às bibliotecas do Alhandra Sporting Club e Sociedade Euterpe Alhandrense, excepto os livros de técnica agrícola, a que o Partido dará o destino que entender,
                                               Em 5 de Setembro de 1949

                                       Joaquim Soeiro Pereira Gomes»

sexta-feira, 1 de março de 2019

POSTAIS SEM SELO


O trabalho da esperança que magoa ensina-nos que o que foi possível, e logo derrotado, será possível (de outra forma), outra vez.

Manuel Gusmão 

domingo, 17 de fevereiro de 2019

ETECETERA


O poeta e professor universitário Manuel Gusmão recebeu a Medalha de Mérito Cultural como reconhecimento do Governo português.

Discurso de Graça Fonseca, Ministra da Cultura:

«Há conjugações perfeitas como esta, de estar aqui neste lugar quase mágico, quase ficção, que é a Biblioteca do Palácio da Ajuda e prestar homenagem a um poeta e ensaísta como Manuel Gusmão, que certamente não levará a mal que o caracterize também como uma biblioteca, tanto de si mesmo, como de nós enquanto linguagem e poesia. Mas há também lugares ingratos e um deles é encerrar esta cerimónia e colocar as minhas palavras depois das de Manuel Gusmão, tão bem e tão musicalmente lidas por Fernanda Lapa e Ana Gusmão. O que me cumpre, assim postas as coisas, é reconhecer o óbvio e declarar esta medalha como aquilo que ela pode representar face a um autor como Manuel Gusmão. Ela não vem afirmar o mérito cultural de um poeta em que os séculos de tradição são convocados para criar um depoimento singular e incisivo sobre os dois séculos em que viveu. O mesmo sobre um professor e ensaísta lúcido, dedicado e que criou, nos seus textos, formas e pontes de leitura dos grandes autores da poesia portuguesa do século XX, muitos deles seus pares e contemporâneos, como Herberto Helder e Carlos de Oliveira. Se as palavras pouco podem, quanto mais as medalhas. Prefiro, a tudo isto, olhar para esta medalha como uma homenagem ao poeta Manuel Gusmão e, através dos seus textos, à grande literatura portuguesa do século XX e aos seus pares, a José Gomes Ferreira, a Carlos de Oliveira, a Nuno Bragança, a José Cardoso Pires, entre tantos outros. Digo-o porque tanto enquanto autor, como crítico ou investigador, o diálogo fez parte da forma poética de Manuel Gusmão, na procura de beleza como uma exultação comunicável e partilhável. Termino evocando uma poderosa associação de conceitos que Manuel Gusmão utilizou para dar título a um dos seus livros de ensaios: tatuagem e palimpsesto. Esta condição paradoxal de permanência e reescrita, de perenidade e reutilização, que não deixa de ser testemunhada por estas estantes que nos rodeiam, parece-me encerrar muito do percurso poético, autoral e pessoal que hoje homenageamos. O que me resta é, agora, reconhecer tudo isto e agradecer a Manuel Gusmão por dignificar, com o seu nome, este mérito cultural que não se reconhece, mas que se diz, tal como a poesia, até contra as evidências. Somos todos, por assim dizer, bibliotecas, mas uns têm a sorte de dedicar toda uma vida à Biblioteca, agora com maiúscula».

Um poema de Manuel Gusmão:

E o que te diz ela a ti … essa canção
que só pode ser ouvida por quem
na sua própria voz cantando a escuta?
– Nada lhe peço que me diga Apenas
que venha que continue a chegar
até mim com a sua morte a viver
oferecida viva e sem remédio.
E há então… uma tal soturna idade
uma tão violenta doçura… agora
que para sempre… por momentos
adia o meu morrer.

QUOTIDIANOS

1.

O nível cultural, intelectual da maioria dos nossos juízes não se recomenda.

Também podemos sobre Direito, duvidar do que andaram eles a aprender na Faculdade.

Há dezenas de casos de péssimas atitudes e decisões de juízes, mas peguemos nesta.

Uma advertência registada foi a pena disciplinar aplicada a Neto de Moura, juiz do Tribunal da Relação do Porto que desvalorizou uma agressão grave praticada pelo marido contra a “mulher adúltera”, num acórdão de Outubro de 2017.

O Conselho Superior da Magistratura determinou essa pena disciplinar com apenas quatro votos, tendo sido necessário ao presidente usar o voto de qualidade. Outros quatro membros do conselho defenderam a aplicação de uma pena de multa e os sete que votaram a favor do arquivamento do caso optaram pela abstenção. Numa anterior decisão igualmente controversa – oito votos a favor e sete contra - o órgão de tutela dos juízes recusou arquivar o caso, como sugeria o conselheiro que analisou o processo.


Recorde-se que o citado juiz nos dois acórdãos de 2017 que fundamentaram a abertura do processo disciplinar de que foi alvo (foram detectadas outras decisões do mesmo autor, mais antigas, com argumentações semelhantes, mas a responsabilidade disciplinar por aquelas já havia prescrito), o juiz desembargador do Tribunal da Relação do Porto apelida as vítimas de adúlteras, mentirosas, falsas e desleais, cita a Bíblia, invoca costumes religiosos e tradições que as punem com a morte ou normas legais de antanho que permitiam aos maridos o direito de as matar.

O advogado do desembargador Neto de Moura diz que o juiz irá recorrer da advertência para o Supremo Tribunal de Justiça.

2.

O que se vai conhecendo sobre  a gestão dos diversos Conselhos de Gerência da Caixa Geral de Depósitos, são uma vergonha,

Luís Marques no Expresso:

sábado, 22 de julho de 2017

OLHAR AS CAPAS


Relâmpago

Nº 11
Número dedicado a Carlos de Oliveira
Colaborações:
José Ricardo Nunes, Manuel Gusmão, Pedro Eiras, Rosa Maria Martelo, Armando Silva carvalho, Augusto Abelaira, Eduarda Dionísio, Eduardo Prado Coelho, Fernando Lopes, Fernando Pinto do Amaral, Gastão Cruz, José Manuel Mendes, Margarida Gil, Nuno Júdice, Urbano Tavares Rodrigues
Capa: Nuno Marques Mendes
Assírio Alvim, Lisboa, Outubro de 2002

De súbito, o Carlos de Oliveira pediu-me:
- Você por acaso tem aí um lápis?
Aquele “por acaso” impressionou-me, era indicativo de que, para ele, só por acidente um escritor usaria lápis (então eu ainda não publicara nenhum livro). E fui perguntando:
- Você esqueceu-se?
Para meu espanto, revelou-me que nunca, por nunca ser, trazia um lápis (ou caneta) na algibeira. O seu lápis era a memória, construía as poesias “na cabeça”. Alinhava e desalinhava as palavras na memória durante o dia, durante as horas do dia, e quando chegava a casa, era somente escrevê-las. Somente? Escrevê-las, reescrevê-las, quem conhece o Carlos sabe como é.
Então, com o lápis, para depois a Ângela as passar à máquina. Quantas vezes?

(Do texto de Augusto Abelaira)

sábado, 3 de dezembro de 2016

QUOTIDIANOS


Lembro-me de uma pessoa amiga dizer que tinha ficado arrepiada com determinados versos, e era o que eu desejara. Se se perceber que a palavra amizade não tem a ver com o clã, com os amigalhaços, diria que nós escrevemos como quem tenta produzir uma amizade. Uma amizade com amigos que já conhecemos, sejam próximos ou longínquos, com amigos que não conhecemos e talvez venhamos a conhecer, e com um amigo que virá e que nunca conheceremos. É um outro, que não conseguimos vislumbrar, mas ao encontro de quem vamos.

Manuel Gusmão

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

POSTAIS SEM SELO



…mas depois há um golpe de vento que faz uma rima no mundo.


Manuel Gusmão

segunda-feira, 21 de março de 2016

OLHAR AS CAPAS



Respiração Assistida

Fernando Assis Pacheco
Organização: Abel Barros Baptista
Posfácio: Manuel Gusmão
Capa: Bárbara Assis Pacheco
Assírio & Alvim, Lisboa, Novembro de 2003

O que vai ser avô saúda-vos
parentes meus
mudos sob a terra guardados
em roupas que sobraram nas gavetas
papeleiras inúteis
pratas deformadas

velhas fotos severas
numa delas meu pai menino
de pé no seu bibe escolar
e a cara tão séria
que jamais perdeu
mesmo quando sorria

minha mãe moça magra
o que se dizia bem posta
vinda nesse ano
de Melias em Ourense
aturdida com a festa
que as minhas filhas
foram conhecer comigo
e como ela bonitinhas

mas depois chega a morte
adeus Cazurro barqueiro
adeus sr. Santiago A. A. Mendes
-nome comercial- adeus tios Eládios
logo dois um deles meu tio-avô

sábado, 3 de janeiro de 2015

POSTAIS SEM SELO


Vou de uma palavra a outra que entretanto mudou
 e já não sei como voltar à primeira

Manuel Gusmão

Legenda:: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

SOU DE TODA A PARTE ONDE TRABALHO


Quando morre no dia 5 de Dezembro de 1949, Soeiro Pereira Gomes tem 40 anos.

Soeiro Pereira Gomes morreu em Lisboa e, por vontade da família, foi a enterrar no cemitério de Espinho.

O povo exigiu a passagem do cortejo fúnebre por Alhandra.

Nesse dia, aquele papel anónimo lançado para as flores do caixão, que dizia:

Ao nosso querido e inesquecível amigo, Joaquim Soeiro Pereira Gomes, lhe rendemos, neste momento, em nome de todo o povo honrado e trabalhador de Alhandra, a última e derradeira homenagem àquele que soube, perto ou longe, contribuir para a liberdade do Povo de Portugal
Nós te juramos, querido e saudoso camarada, que, sejam quais forem os obstáculos que os responsáveis da tua morte nos levantarem, levantaremos sempre bem alto, mas enfrentando a morte, a bandeira da democracia pela qual sempre honradamente sonhaste lutar e morrer.
Nós te juramos, saudoso amigo, pelo amor dos nossos filhos.

Esteiros de Soeiro Pereira Gomes é um daqueles livros que nos marcam para uma vida.

Na biblioteca do meu pai estava lá o livro, edição da Sírius, com os belíssimos desenhos de Álvaro Cunhal e aquela dedicatória:

Para os filhos dos homens que nunca foram meninos, escrevi este livro.

Uma dedicatória como esta não pode enganar qualquer leitor.

Aliás, são lindíssimas as dedicatórias dos livros de Soeiro Pereira Gomes.


Para os trabalhadores sem trabalho – rodas paradas duma engrenagem caduca.

De Contos Vermelhos:

Aos meus companheiros que, na noite fascista, ateiam clarões duma alvorada.

Do conto Mais Um Herói, incluído em Refúgio Perdido:

À memória de Ferreira Marquês e de quantos, nas masmorras fascistas, foram mártires e heróis.

Manuel Gusmão em Soeiro Pereira Gomes tomar a palavra: dedicatórias e promessa:

Quando o lemos, percebemos que quem dedica aqueles contos e romances é alguém que assim estava a dedicar a sua vida.

Em Janeiro de 1972 a Editora Europa-América publicou as, possíveis, Obras Completas de Soeiro Pereira Gomes.

Dela não fazem parte os Contos Vermelhos e o que de Refúgio Perdido se publica, não consta, entre outros, o conto Mais um Herói.

Para Refúgio Perdido, as Publicações Europa-América, seguem o volume editado, em Junho de 1950, pelas Edições SEN, do Porto, com prefácio do jornalista Manuel de Azevedo.

Recentemente, o jornal Público, na sua colecção Livros Proibidos, publicou uma edição fac-símile em que reproduz os ofícios trocados entre a Censura salazarista e a editora.




A versão completa de Refúgio Perdido é publicada, em Fevereiro de 1975, pelas Edições Avante.

Soeiro Pereira Gomes nasceu em Gestaçô, concelho de Baião, distrito do Porto, no dia 14 de Abril de 1909.

Com 22 anos fixou-se em Alhandra e, por intervenção do pai de sua mulher, Manuela Câncio Reis, empregou-se nos escritórios da Fábrica de Cimento Tejo.

Em Alhandra, foi o grande impulsionador do movimento cultural entre os trabalhadores e o povo. Montou bibliotecas, nas colectividades de cultura e recreio, realizou conferências sobre temas culturais, de desporto, promoveu cursos de alfabetização e de ginástica, a construção de uma piscina – A Charca – em que trabalhou como operário e, juntamente, com Alves Redol e Dias Lourenço, organizou os célebres passeis de fragata que mais não eram que uma subtil maneira de proporcionar encontros entre intelectuais e quadros do Partido, longe dos olhos e ouvidos das polícias.

Conta quem com ele conviveu, que Soeiro Pereira Gomes não se limitava a escrever livros: vivia-os.

Os seus contactos pessoais, os laços humanos que construiu, a fraternidade que respirava cada uma das suas palavras, forneciam-lhe os materiais com que organizava a luta, dia e noite, sem qualquer ponta de desfalecimento. Na luta por um país sem fome nem miséria, Soeiro Pereira Gomes, juntamente com outros intelectuais, esteve na linha da frente.

A tua alegria é a minha alegria. A tua tristeza é a minha tristeza. Na vitória final estaremos todos, e até mortos vão ao nosso lado como escreveu José Gomes Ferreira.

Esteiros. Minúsculos canais, como dedos de mão espalmada, abertos nas margens do Tejo. Dedos das mãos avaras dos telhais, que roubam nateiro às águas e vigores à malta. Mãos de lama que só o rio afaga.

Um livro a que volto sempre com o mesmo gosto ternurento de quando o li pela primeira vez.

Você, este ano, só trouxe novatos, ó mestre!
Mas dão conta do recado, patrão. Valem por homes.

Adolfo Casais Monteiro:

O seu romance foi recebido pela crítica de todas as tendências com o maior aplauso. Isto se deve, sem dúvida, a ser Esteiros uma obra que se impõe pela veracidade ao mesmo tempo que pela poesia, dos sucessivos quadros em que nos apresenta essas inesquecíveis figuras de crianças miseráveis, o pessoal mártir dos esteiros da margem do Tejo, na época do ano em que se fabrica o tijolo; mártires também, durante o resto do ano, em que nem o sofrimento do trabalho bárbaro os ajuda a subsistir condenados à vagabundagem e à fome.

O sonho do Gineto na prisão, por andar a roubar carvão e fruta: que os amigos, o Gaitinhas, o Sagui, virão para o libertar e  mandar para a escola aquela malta dos telhais – moços que parecem homens e nunca foram meninos.

 Gente que Soeiro Pereira Gomes conheceu bem e soube amar como ninguém.

E só se fala bem daquilo que se ama.

Ou, como diria, Paul Éluard: o poeta deve ser mais útil do que qualquer outro cidadão da sua tribo.

Nota do Editor: o título é retirado de um diálogo de Engrenagem.

Legenda: ampliação dos desenhos de Álvaro Cunhal que ilustravam o início de cada capítulo d 1ª edição de Esteiros, tirada de Soeiro Pereira Gomes: Na Esteira da Liberdade, edição do Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira, Novembro de 2099.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

QUEM SOMOS NÓS?


Quem somos nós?
Nós somos «a esperança que não fica à espera».
Quem pode ser no mundo tão quieto
Que o não movem nem o clamor do dia
Nem a cólera dos homens desabitados
Nem o diamante da noite que se estilhaça e voa
Nem a ira, o grito ininterrupto e suspenso
Que golpeia aqueles a quem a voz cegaram
Quem pode ser no mundo tão quieto
Que o não mova o próprio mundo nele.
Manuel Gusmão
Texto retirado do blogue Que Se Lixe a Troika
Legenda: imagem do Público.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


Quarta-feira, dia 30 de Maio, às 18.30 horas, no Anfiteatro IV da Faculdade de Letras de Lisboa, homenagem a Urbano Tavares Rodrigues.

O Urbano é um homem que transporta consigo o culto antigo da amizade e consciência da necessidade da fraternidade e a capacidade de ser solidário. Um homem que aprendeu a duvidar e a viver com a dúvida, com a interrogação por vezes dolorosa dos seus ideias. A sua geração foi daquelas que pôde viver sucessivos desastres da esperança, nas primeiras tentativas históricas de construção de sociedades libertas da exploração do homem pelo homem. E, entretanto, é alguém que permaneceu fiel ao que para ele é uma exigência ética e política vitais, no sentido em que sustentam uma vida.

Manuel Gusmão nos 50 Anos de Vida Literária de Urbano Tavares Rodrigues, Edições ASA, Porto Junho 2003.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

OS DIAS LEVANTADOS


O 25 de Abril é um dia e são dias,
meses, anos. É daquelas datas
que se  constelam, que estão
antes de hoje, que hoje ecoam ainda,
e que tremulizarão no depois de hoje
como a memória de uma outra
possibilidade no conflito dos reais.
Porque foi um processo de irrupção
de imensas vozes e corpos
no teatro da história
tal como a fazemos.
Porque foi um processo de
transformação do nosso espaço-tempo
e das nossas formas de habitar.
Porque foi a liberdade e a
democracia como emancipação
Porque foi a política como poiesis.

Manuel Gusmão, autor do libreto para a ópera Os Dias Levantados de António Pinho Vargas sobre o 25 de Abril, estreada no Teatro São Carlos em 25 de Abril de 1998

Legenda: ilustração de António Pimentel para o livro As Portas Que Abril Abriu de José Carlos Ary dos Santos, Editorial Comunicação, Lisboa Novembro de 1975.