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quarta-feira, 28 de maio de 2025

DISTO, DAQUILO E DAQUELOUTRO


 Carta de Fernando Pessoa a Mário de Sá-Carneiro, 14 de Março de 1916 :

«Escrevo-lhe hoje por uma necessidade sentimental — uma ânsia aflita de falar consigo. Como de aqui se depreende, eu nada tenho a dizer-lhe. Só isto — que estou hoje no fundo de uma depressão sem fundo. O absurdo da frase falará por mim.

Estou num daqueles dias em que nunca tive futuro. Há só um presente imóvel com um muro de angústia em torno. A margem de lá do rio nunca, enquanto é a de lá, é a de cá; e é esta a razão íntima de todo o meu sofrimento. Há barcos para muitos portos, mas nenhum para a vida não doer, nem há desembarque onde se esqueça. Tudo isto aconteceu há muito tempo, mas a minha mágoa é mais antiga.

Em dias da alma como hoje eu sinto bem, em toda a minha consciência do meu corpo, que sou a criança triste em quem a vida bateu. Puseram-me a um canto de onde se ouve brincar. Sinto nas mãos o brinquedo partido que me deram por uma ironia de lata. Hoje, dia catorze de Março, às nove horas e dez da noite, a minha vida sabe a valer isto.

No jardim que entrevejo pelas janelas caladas do meu sequestro, atiraram com todos os balouços para cima dos ramos de onde pendem; estão enrolados muito alto; e assim nem a ideia de mim fugido pode, na minha imaginação, ter balouços para esquecer a hora.

Pouco mais ou menos isto, mas sem estilo, é o meu estado de alma neste momento. Como à veladora do "Marinheiro" ardem-me os olhos, de ter pensado em chorar. Dói-me a vida aos poucos, a goles, por interstícios. Tudo isto está impresso em tipo muito pequeno num livro com a brochura a descoser-se.

Se eu não estivesse escrevendo a você, teria que lhe jurar que esta carta é sincera, e que as coisas de nexo histérico que aí vão saíram espontâneas do que sinto. Mas você sentirá bem que esta tragédia irrepresentável é de uma realidade de cabide ou de chávena — cheia de aqui e de agora, e passando-se na minha alma como o verde nas folhas.

Foi por isto que o Príncipe não reinou. Esta frase é inteiramente absurda. Mas neste momento sinto que as frases absurdas dão uma grande vontade de chorar.

Pode ser que, se não deitar hoje esta carta no correio, amanhã, relendo-a, me demore a copiá-la à máquina, para inserir frases e esgares dela no "Livro do Desassossego". Mas isso nada roubará à sinceridade com que a escrevo, nem à dolorosa inevitabilidade com que a sinto.

As últimas noticias são estas. Há também o estado de guerra com a Alemanha, mas já antes disso a dor fazia sofrer. Do outro lado da Vida, isto deve ser a legenda duma caricatura casual.

Isto não é bem a loucura, mas a loucura deve dar um abandono ao com que se sofre, um gozo astucioso dos solavancos da alma, não muito diferentes destes.

De que cor será sentir?

Milhares de abraços do seu, sempre muito seu

Fernando Pessoa

P. S. — Escrevi esta carta de um jacto. Relendo-a, vejo que, decididamente, a copiarei amanhã, antes de lha mandar. Poucas vezes tenho tão completamente escrito o meu psiquismo, com todas as suas atitudes sentimentais e intelectuais, com toda a sua histeroneurastenia fundamental, com todas aquelas intersecções e esquinas na consciência de si-próprio que dele são tão características...

Você acha-me razão, não é verdade?»

1.

Cada vez mais pessoas em situação de sem-abrigo procuram as urgências hospitalares em busca de um teto, alimentação, higiene, entre as quais imigrantes e moradores que perderam a casa ou o quarto onde viviam por dificuldades financeiras.

2.

Odeiam trabalhadores.

Greve na CP.

Tiveram todo o tempo para resolver as justas reivindicações dos trabalhadores.

Ocuparam os seus tempos em tratar dos assuntos dos homens do dinheiro.

Agora dizem que os trabalhadores são uns ingratos, uns irresponsáveis por terem marcado greves para o tempo de eleições…

Ouvir Luís Montenegro, com o seu cínico sorriso dizer: "um dia, temos de pôr cobro a isto!", é de de colocar um cidadão no limiar do vómito.

Ver/Ouvir aquele ministro da tutela, Miguel Pinto Luz, completamente histérico: «Isto é política partidária, eleitoral que o Governo fez "tudo para evitar" a paralisação.

O pretexto para, mais uma vez, se atacar o direito à greve é a paralisação de comboios provocada pela adesão a uma série de paragens convocadas por 16 organizações sindicais da CP, umas filiadas na CGTP-IN, outras na UGT, outras sem filiação em qualquer central sindical.

3.

«É o imigrante mais antigo que recusa admitir direitos aos novos imigrantes; é o trabalhador mal pago que acredita que os pobres que recebem subsídios o estão a extorquir; é o branco que não aceita ver os negros fora dos musseques; é o homem macho que não suporta que as mulheres ganhem poder.

Em 50 anos de Democracia fizemos muito, mas muito ficou por fazer. Faltou educar a sociedade na ideia de cooperação entre todos e de abertura aos outros, e de uma saudável desconfiança em pregadores fáceis que vendem ilusões com os nossos ressentimentos. Não seremos capazes de reconhecer no que falhámos?

Pensar no que podemos e devemos fazer para contrariar esta deriva ideológica e moral em que vivemos, levar a nossa capacidade crítica ao fundo dos problemas criados, compreender que ser radical é ir à raiz dos problemas e que não o ser é colher passivamente os frutos que deixámos semear, é isto o que se pede aos responsáveis políticos. E tudo o resto será chover no molhado.»

Luís Filipe Castro Mendes no Diário de Notícias.

4.

Por fim

Alguém um dia afirmou que um canal de televisão tanto pode vender sabonetes como presidentes.

Interessante o artigo de Bárbara Reis no Público de hoje:

«João Pinhal, da Universidade Nova de Lisboa, trouxe luz para o debate sobre papel dos media na ascensão do Chega.

Pinhal, que tem 20 anos, contou, uma a uma, todas as entrevistas que as televisões públicas e privadas fizeram ao líder do Chega, André Ventura, e ao líder do PSD, Rui Rio ou Luís Montenegro, entre Outubro de 2019 e Junho de 2024 (este período inclui os primeiros meses de Montenegro como primeiro-ministro).

Os números dos 57 meses desde que Ventura foi eleito pela primeira vez mostram que o líder do Chega deu 61 entrevistas e o líder do PSD deu 42. Os números falam por si:


SIC+SIC Notícias: 15 entrevistas a Ventura; nove ao líder do PSD.

 

TVI+ TVI24+CNN: 29 a Ventura; 17 ao líder do PSD.

 

CMTV: 12 a Ventura; seis ao líder do PSD.

 

RTP e RTP3: cinco a Ventura; dez ao líder do PSD.

Estas são entrevistas a sós, em estúdio, ou com Ventura convidado para debater ou comentar algum tema da actualidade. Excluem os debates das campanhas eleitorais.
A principal responsabilidade pela ascensão do Chega é do Chega, que vende soluções fáceis embrulhadas em mentiras e ódio. Mas os media, em particular as televisões, não podem sacudir a água do capote.»

segunda-feira, 26 de maio de 2025

OS DIAS VISTOS DO CAFÉ DO MONTE


 A crónica de Ana Cristina Leonardo no Ipsilon de sexta-feira, como habitualmente, tem muito interesse.

A pergunta é:

Se os algarvios tivessem um hospital decente, os resultados eleitorais manter-se-iam os mesmos?

E a cronista adianta:


«Tudo começou lá muito atrás, era 2002 (vá lá, já foi no século XXI). Primeiro veio o despacho, um ano depois o mesmo ministro aprova a escolha do terreno; ainda em 2003 é celebrado um Acordo Estratégico, seja lá isso o que for. Em 2004, é a quinta prioridade dos hospitais a construir pelas parcerias público-privadas. Em 2005 há novo estudo e em 2006 passa a segunda prioridade. No mesmo ano, nomeiam-se grupos de trabalho em barda. 2007: mais despachos. 2008: preparação do concurso e apresentação pública do novo hospital (uf!). Refreie-se o optimismo! Chega 2009 e mais um despacho. 2010: seleccionam-se duas propostas e em Setembro “inicia-se a fase de negociação, que ainda decorre” (sic).

Isto, podendo não ser gozar com quem trabalha, é decerto gozar com quem está doente.»

Mais um pedacinho da crónica:

«Se apelidar alguém de gordo pode ser interpretado como discurso de ódio, se questionar a participação de mulheres trans em competições desportivas femininas pode ser (e geralmente é, que o diga J. K. Rowling…) visto como transfobia, se recusar a chamada linguagem inclusiva que multiplica casos e casinhos pode ser entendido como discriminatório, se optar por usar a palavra deficientes em vez da designação pessoas com deficiência pode ser lido como prova de insensibilidade, se contar uma piada passou a ser razoável apenas e só se a piada não ofender ninguém, se… se… se… Já aparecer nas televisões e nos jornais a afirmar mentirosamente (desmentido pelos serviços hospitalares e pela PSP) que os ciganos o queriam matar, ou a expressar ideias boçais que nem na taberna de Eco, como fez o deputado Pedro Pinto (Deputado! Por Toutatis!) — “Não podem querer que André Ventura vá para uma cama onde ao lado esteja, por exemplo, alguém de etnia cigana” — passou a ser admissível e, além de admissível, aceitável.
Repare-se, porém, no detalhe (e o Diabo, é sabido, está nos detalhes): Pedro Pinto, recorrendo, até ele, e apesar da boçalidade, ao politicamente correcto — um entendimento linguístico que nos conduziu à ideia de que é possível mexer na merda sem sujar as mãos… —, não diz ciganos, diz alguém de etnia cigana. É o progresso!»

sexta-feira, 23 de maio de 2025

À LUPA

Tarde de domingo, quase noite, o imenso vazio que nos ficou nas mãos.

Data de 1974 o primeiro livro que Manuel António Pina publicou. 

Só um tipo grande,  muito grande mesmo, poderia fazer desse título um poema:

AINDA NÃO È O FIM NEM O PRINCÍPIO DO MUNDO CALMA É APENAS UM POUCO TARDE.

Entretanto a Lupa viajou por um artigo de opinião de Maria Castello Branco publicado no Expresso:

«O problema não é apenas o grito. É tudo o que o antecedeu. O silêncio. A ausência. A ideia perigosa de que bastava estar certo para continuar a ser ouvido.

Gente que já não vê futuro. Que não sente que a política fale a partir do mesmo lugar. Que não acredita em quem, nos debates, promete mundos sem nunca descer ao deles.»

quarta-feira, 21 de maio de 2025

À LUPA


 A história já se prolonga desde os primeiros anos da nossa Democracia. O que temos de entender é porque os mais pobres votam contra os seus próprios interesses.

segunda-feira, 19 de maio de 2025

NOTÍCIAS DO CIRCO

Portugal virou à direita!

Há um muito longínquo tempo, a história revela que Júlio César terá dito que «Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar.

As eleições que ontem aconteceram, completamente desnecessárias, provocadas por Luís Montenegro que lançou  uma casca de banana em que Pedro Nuno Santos, de imediato, colocou o pé até estatelar-se.

Os resultados, há que dizê-lo com frontalidade, colocam o nosso regime democrático em sério risco.

Há um solitário perdido em Belém que, deixou fugir António Costa para uma reforma dourada em Bruxelas, e agora tem o palpite que a formação de um novo governo ocorrerá em tempo de Santos Populares, com o PS a ser muleta desse governo.

Os direitinhas do PS já se movimentam para encontrar alguém que, à frente do partido, dê uma mãozinha para que o Luís possa continuar a trabalhar.

BLOGUEANDO POR AÍ

«Em seis anos, Chega sobe de 1,3% para 23% e empata com PS." Nos próximos dias vamos ouvir muitos comentários sobre este fenómeno, as televisões vão dedicar horas infindas a este fenómeno, dezenas de comentadores vão debruçar-se sobre este fenómeno, mas é quase certo que ninguém vai perder um minuto a escrutinar os deputados eleitos e as razões por detrás da sua eleição. O fenómeno continuará a crescer, porque vai crescer ainda mais, porque por detrás do seu crescimento não está apenas o descontentamento, não está sequer a ideologia, mas está, definitivamente que está, a rendição do racionalismo ao espectáculo, às paixões exacerbadas e às emoções sem freio. Tudo isto é muito antigo e vem desse páthos que os gregos nos deixaram de herança e Nietzsche associou ao rancor e ao desejo de vingança. As bandeiras do "Portugal é nosso", "os portugueses primeiro", acompanhadas dos chavões do "isto é tudo uma bandalheira" ou a "imigração descontrolada", não têm outra raiz senão o páthos que só com a razão se combate, uma razão que os media dispensam, porque não oferece audiências, e as novas plataformas de comunicação, controladas por bilionários como Elon Musk ou Mark Zuckerber, acorrentam com os grilhões do algoritmo. A razão só traz despesa, não dá dinheiro a ninguém, portanto adaptem-se. É que vai ser cada vez pior, já foi no passado e será no futuro. Querem uma imagem mais eloquente deste eterno retorno do que a hipocrisia com que se tem tratado o genocídio em Gaza? Também no passado os campos de extermínio eram um exagero, uma ilusão, uma mentira. A verdade chega sempre tarde, o páthos encarrega-se de atrasar o relógio.»

Lido na  Antologia do Esquecimento

sexta-feira, 16 de maio de 2025

NOTÍCIAS DO CIRCO

Que jornalismo?

A informação dos canais televisivos é um horror!

Há um jogo de futebol entre clubes grandes e acompanhamos os autocarros dos clubes a saírem do hotel, do centro de estágio, até ao campo do jogo.

O presidente «daquela coisa», em plena campanha eleitoral,  tem uma dor no peito e as televisões acompanham a ambulância, num dia desde Tavira até ao Hospital de Faro, num outro dia desde Odemira ao Hospital de Santiago do Cacém, por fim até ao Hospital de Setúbal.

Em que escolas de jornalismo este disparate é ensinado?

Somos muito poucos a pensar pela própria cabeça.

Uma das razões por que, chegados ao tempo da colocação do voto na urna, muitos não sabem ainda em que partido!...

quarta-feira, 14 de maio de 2025

À LUPA


Domingo teremos as eleições que ninguém quis, possível excepção de Luís Montenegro - «deixem-me trabalhar!»

A campanha eleitoral tem sido de uma mediocridade confrangedora, provavelmente a mais desinteressante que por aqui já aconteceu.

Discutem-se banalidades, episódios avulsos, disto, daquilo, não há ninguém a discutir os nossos problemas da habitação, do Serviço Nacional de Saúde, ou uma abordagem da guerra na Ucrânia, do genocídio que Benjamin Netanyahu está a executar em Gaza.

Andar de lupa na mão sem apanhar nada.

A excepção encontra-se numa simples frase lida no Público da autoria de Tiago André da Silva Freitas.

«Hoje, ninguém lê. Ou melhor, lê-se pouco.»

sábado, 10 de maio de 2025

À LUPA

«A colagem à Igreja Católica ainda dá votos? Montenegro parece achar que sim
A Igreja Católica já teve uma importância política decisiva, no passado. Talvez a maior de todas tenha sido a mobilização de pessoas que fez em todas as paróquias para que os católicos acorressem ao comício da Alameda, em 1975, convocado pelo PS para pedir a demissão do primeiro-ministro Vasco Gonçalves.»

Ana Sá Lopes no Público.

EM BUSCA DE FLORES AZUIS NO DESERTO


 Numa crónica publicada, hoje, no Público, que todos deveriam ler, e verdadeiramente pensar sobre o que lá está escrito, José Pacheco Pereira intitulou-a: A VERGONHA ABSOLUTA!

«E, já agora, não convinha perguntar, em plenas eleições, algo de verdadeiramente importante ao PS, ao PSD, ao CDS, ao Chega, por aí adiante, se, chegando ao Governo, estão dispostos a reconhecer o Estado palestiniano, estão dispostos a impor sanções a Israel e a usar todos os meios ao dispor de um Estado da União Europeia para punir os criminosos? E, para além disso, o que é que eles acham do que se está a passar com as crueldades de Israel em Gaza?

As respostas seriam até uma razão bem mais sólida e moral para decidir o voto.»

segunda-feira, 5 de maio de 2025

NOTÍCIAS DO CIRCO

 Aos poucos, se bem que logo se tenha percebido quais as reais intenções de Luís Montenegro, o circo começa a ficar implantado e pronto para o grande espectáculo.

Todos os dias os canais televisivos divulgam números de sondagens com a AD em clara ascensão. Há quem não acredite em sondagens mas as intenções vão ficando nas gentes distraíadas que vão a votos.

Os ministros em cada dia aparecem nos ditos canais televisivos em clara e descarada propagada eleitoral.

E como cereja no topo do bolo, a reboque dos 51 anos do PSD, o líder social-democrata e da AD vai contar nesta terça-feira com apoios de peso em plena campanha eleitoral. Num almoço com antigos líderes do partido, Luís Montenegro terá novamente o apoio e presença de nomes como os de Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite, mas é o inesperado regresso de Fernando Nogueira que mais impacto pode causar.

Um almoço de aniversário que o PSD, note-se bem, não quer que seja visto como um evento de campanha.

Que mais se há-de dizer desta rapaziada? 

sábado, 3 de maio de 2025

NOTÍCIAS DO CIRCO

Chegámos ao fim da linha.

Os nossos políticos são fracos.

A informação televisiva é um pântano.

Os jornais não fazem a diferença.

Lê-se o artigo de opinião do José Pacheco Pereira no Público de hoje, e confirmamos o que já se sabia: as eleições do próximo dia 18 não vão resolver nada.

Bem pelo contrário!

O caso Spinumviva é uma série de erros e disparates que nos levaram a estas eleições.
«O terceiro erro tem que ver com o facto de Montenegro, pela condução do processo e pela falta de esclarecimentos, ter transformado este caso numa crise nacional, levando à queda do Governo e a novas eleições, com os elevados custos que isso tem. Isto bastava para o condenar, mas chamaria a atenção para muitos outros casos de “influência” existentes nos grandes partidos, situação e oposição.»

quinta-feira, 1 de maio de 2025

À LUPA


 Sobre debate de ontem nas televisões:

«A arte de responder com bugalhos às perguntas sobre alhos é apenas um dos muitos artifícios políticos que Luís Montenegro domina na perfeição.»

 Sérgio B. Gomes no Público

segunda-feira, 14 de abril de 2025

NOTÍCIAS DO CIRCO

Os debates televisivos começaram há uma semana.

Uma seca!

Sabemos que ninguém queria eleições, excepto Luís Montenegro e as televisões.

O rural de Espinho por ânsia louca de poder e acabar com o estado social, as televisões por causa dos shares.

Debates e mais debates, e após os debates, converseta longa e chata sobre os ditos, com classificções sobre a actuação dos políticos presentes.

Só quem não tem mesmo nada que fazer, é que fica agarrado aos debates.

A esmagadora maioria ou não vai votar, ou coloca a cruz no boletim de voto em quem sempre, ou quase sempre, colocou.

Pouco ou nada do que se passa nos debates os pode interessar.

Porque as preocupações reduzem-se a coisas da vida, as razões porque os ovos que custavam 3,00 euros a dúzia passaram custar 3,40 euros. E o azeite, as batatas, a bilha do gás, tudo coisas da sobrevivência e o saber que há sempre muitos dias em que o ordenado, a reforma, não chega para quase nada.

domingo, 6 de abril de 2025

BLOGUEANDO POR AÍ

O título da prosa é «Sondagens» escrita por hmbf no seu Antologia do Esquecimento:

«Uma pessoa olha para as sondagens e não acredita", diz Amélia. Acredite, Amélia, porque isto não tem nada que saber, nascemos corruptos, crescemos amorais e morremos cheios de virtudes. Portugal é, sempre foi, e não consta que venha a ser outra coisa, um país de favorzinhos, amigos de seus amigos que desenrascam amigos, país de chicos espertos. Isaltino Morais foi eleito na prisão e por aí anda a fazer vídeos sobre rotundas e distribuir comentários na TV, Albuquerque prepara-se para ter maioria absoluta e Montenegro cavalgará a onda. As pessoas não querem saber de truques porque vivem de truques, são iguais, sentem-se legitimadas e desculpadas quando aproveitam a cunha na junta de freguesia, nos serviços camarários, na bicha do hospital, no banco & etc. Andámos anos ajoelhados no beija-mão a Berardo, oferecemos maiorias a Sócrates e Cavacos e tecnoformas e submarinos. Enfim, somos sensíveis a licenciaturas por correspondência e plágios porque não é Doutor quem quer. Isso nem pensar. Mas em sendo, pois que não seja parvo e desça ao nível da realidade genérica e genética: está no adn português, os obséquios, as mercês, os favorzinhos, as amabilidades, as simpatias, os amiguismos. Tudo isto com sentido crítico e doutoramentos em axiologia e ética, que servem, bem sabemos, para passarmos por quem não somos neste reino da hipocrisia.»


sábado, 15 de março de 2025

NOTÍCIAS DO CIRCO

A alta representante para a Política Externa e de Segurança da União Europeia, Kaja Kallas, decidiu rever as contas, e duplicar de 20 mil milhões para 40 mil milhões o valor do pacote adicional de apoio militar à Ucrânia em 2025 que propôs aos Estados-membros, para financiar a aquisição de dois milhões de munições de artilharia de grande calibre, e disponibilizar mais sistemas de defesa aérea, mísseis, drones e aviões de combate às forças de Kiev. O contributo adicional de Portugal aumentará para 600 milhões.

A esta notícia juntemos os problemas do Serviço Nacional de Saúde, a especulaçãp imobiliária que lançou os preços da habitação para os mais altos da Europa, o aumento do custo de vida, a imigração.

Não são matéria mais que suficiente para discutir durante a campanha das eleições que ninguém queria, excepto, o rural de Espinho, mais o seu cínico sorriso e que no dizer do jornalista Manuel de Carvalho mais não é do que um «pragmático, cínico, realista, lúcido, sonso, cerebral, mestre da dissimulação e da emboscada, useiro na atitude manhosa perante os adversários que herdou da longa tradição de conflitos internos e golpes de bastidor do partido»?

quinta-feira, 13 de março de 2025

CANSAÇO...

Marcelo Rebelo de Sousa marcou as eleições legislativas para 18 de Maio.

Segundo o presidente não estão em causa políticas, mas sim a «a confiabilidade, ou seja, a ética da pessoa exercendo a função de primeiro-ministro».

Fica provado que Luís Montenegro está agarrado ao poder com todas as suas forças.

A seu lado o PSD apoia, cegamente, o seu delírio.

O que vale, o que nos vale, é que já ninguém leva a sério esta gente que está a destruir o país. O que, por outro lado, é perigosíssimo quando baixarmos de vez os braços. 

Valham-nos os deuses todos do Olimpo.